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3.8. AVG File Shredder

Os mecanismos de textualização enquanto um componente da arquitetura textual, de nível intermediário, constitui um todo coerente articulado a uma situação de ação de linguagem e assim deve ser compreendida por seus destinatários. Os mecanismos de textualização são, por sua vez, articulados à progressão do conteúdo temático, assim como é entendido no nível da infra-estrutura.

A coerência temática de um texto é realizada a partir da organização das unidades linguísticas dos elementos constitutivos dos conteúdos desse texto, marcando as relações de continuidade, de ruptura ou de contraste. A principal função destes mecanismos é a de marcar as articulações entre os tipos de discurso e das sequências que compõem o texto. As unidades que podem ser consideradas como marcas de textualização são efetivamente observáveis nas frases ou na junção das frases e, por isso, exercem também um papel na organização dessas unidades sintáticas locais.

Segundo Charolles (apud BRONCKART,1999), uma mesma unidade de textualização pode ser analisada sob várias perspectivas diferentes e por isso distingue três planos de análise. O primeiro plano de análise diz respeito à própria estruturação interna das frases sintáticas. Para o autor, é a partir de uma abordagem específica do sistema da língua, que podemos identificar um conjunto de regras de microssintaxe. Estas regras de

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microssintaxe são as organizadoras das unidades constituintes das frases em torno do núcleo, que é o sintagma verbal.

Um segundo plano de análise assume o funcionamento das unidades gerundivas, infinitivas e sintáticas, que apesar de aparecerem na frase, não possuem a função de que a defina como uma regra da microssintaxe. O seu papel é o de articular uma função sintática na frase com um constituinte que aparece numa próxima frase. O terceiro plano trata das regras de organização geral do texto, que é a nossa categoria de análise especificamente. Neste terceiro plano, as unidades da língua que compõem o texto também são regidas pelas regras da micro e da macrossintaxe.

Assim, enquanto, nesta abordagem, algumas unidades têm por função singular marcar os mecanismos de textualização, outras podem, em contrapartida, ser apreendidas nos níveis das regras da micro ou macrossintaxe, ou até mesmo no nível da função que elas exercem no quadro destes mecanismos. É desta forma que os mecanismos de textualização são reagrupados em três grandes conjuntos: a conexão, a coesão nominal e a coesão verbal. Cada um destes componentes articuladores e organizadores textuais prevê o estudo dos itens lexicais, unidades da estrutura da língua, que constituem toda para produção linguageira.

Os elementos de conexão evidenciam as relações existentes entre os diferentes níveis de organização do texto, que vai desde uma estruturação global às estruturas frasais. Ou seja, as unidades da língua são analisadas a partir da sua funcionalidade para a construção de sentido(s) no texto.

No plano geral, os mecanismos marcam as partes constitutivas que organizam os diferentes tipos de discurso, assumindo uma função de segmentação. Já em um nível inferior, esses mecanismos assumem a função de articulador entre as partes de uma sequência, sendo a sua função específica denominada de demarcação ou balizamento. Ao chegar a um nível máximo de inferioridade de análise dessas partes constitutivas, os mecanismos podem integrar frases sintáticas à estrutura que constitui a frase de uma sequência e a sua função é chamada de empacotamento. Esses mecanismos que articulam duas ou várias frases sintáticas em uma só oração complexa, cumprem a função de ligação (justaposição, coordenação) ou de encaixamento (subordinação).

A marcação de conexão é feita por um subconjunto de advérbios, locuções adverbiais e adjuntos adverbiais. Geralmente, essas unidades aparecem na junção das estruturas frasais ou aparecem integradas a elas. Aparecem também um conjunto de sintagmas preposicionais que são regidos tanto pela micro como pela macrossintaxe. Eles assumem a função de adjunto adverbial ou estruturas adjuntas de encaixamento de uma frase em um

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grupo preposicional. O grupo das conjunções coordenativas aparece na forma simples ou na forma mais complexa de locução, e as conjunções subordinativas exercem a função de encaixe de frases sintáticas em orações complexas.

Apesar das diferenças de estatuto sintático, já que as marcas de conexão podem exercer funções específicas no microssintaxe através das categorias gramaticais diferentes (advérbios, preposição, substantivo, conjunções coordenativas, subordinativas etc); ou da macrossintaxe organizadas em sintagmas (sintagma nominal, sintagma preposicional). Essas marcas são reagrupadas, baseadas no critério da função de organizadores textuais.

Os mecanismos de coesão nominal compartilham propriedades referenciais (ou em relação de co-referência). Esta marcação é realizada por sintagmas nominais ou pronomes organizados em cadeia anafórica, podendo assumir, dentro das estruturas oracionais a função sintática de sujeito, complemento, atributo, etc. A coesão nominal cumpre ainda duas funções: a função de introdução (marcação em um texto da inserção de uma unidade de significação nova originária de uma cadeia anafórica) realizada geralmente por um sintagma nominal indefinido; e a função de retomada (reformulação dessa unidade de significação nova no decorrer do texto), realizada por sintagmas nominais “definidos marcados” ou “possessivos”.

Os mecanismos de coesão verbal também são do domínio de textualização, pois organizam o conjunto dos processos semióticos em um texto, tanto situando-os em função de sua temporalidade como de anterioridade, de valores aspectuais de realizado, imperfeito, frequentativo e de valores modais de asserção e de hipótese.

A significação dos estudos da coesão verbal está em apreender o valor que os verbos e seus determinantes assumem dentro de um âmbito efetivamente funcional, ou seja, no quadro da organização dos textos e dos discursos.

A marcação da temporalidade e da aspectualidade geralmente se organizam em classes de unidades que contribuem para a manutenção da coerência temática do texto. As abordagens dos valores de temporalidade dos verbos são expressas pelas relações entre o momento da fala e o momento do processo expresso pelo verbo. Nessa perspectiva, pode-se identificar as relações de simultaneidade entre dois momentos (identificadas pelas formas do PRESENTE), de anterioridade do momento do processo em relação ao momento de produção (identificadas pelas formas do PASSADO) ou de posterioridade do processo em relação ao momento de produção (marcadas pelas formas de FUTURO). Em síntese, a função de temporalidade consiste em uma relação estabelecida entre os fatos ocorridos e os parâmetros que lhe são externos.

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Nos casos em que os constituintes do sintagma verbal marcam as diversas propriedades internas do processo como: sua duração, sua frequência, seu grau de realização, etc, indicando uma unidade não relacional ao processo expresso pelo sintagma verbal, eles são chamados de aspectualidade.

Por ser a categoria de aspecto complexa e multiforme, Bronckart (1999) limita-se à análise de duas de suas funções principais, que são a expressão dos tipos de processo e a expressão dos grupos de realização do processo. Desta forma, podemos compreender que qualquer produção discursiva de um agente humano pode levar alguns segundos, minutos, horas, meses ou até anos, tais como a produção de romances ou obras científicas. Mas, é relevante destacar que o quadro de análise da coesão verbal nos permite observar mais que “um momento de produção” para situarmos as tomadas de falas e que, portanto, é mais pertinente utilizar a expressão “duração de produção”. Por isto, esse quadro de análise nos permite também termos uma representação, isto é, um processo psicologicamente construído a partir do ato de produção.

Assim, os mecanismos de coesão verbal nos permitem materializar e combinar, por meio de um texto empírico, uma produção de linguagem aos vários tipos de discurso que, por sua vez, revelam a construção dos mundos discursivos específicos que são regidos pelo narrador (para os tipos da ordem do NARRAR) ou pelo expositor (para os tipos da ordem do EXPOR). Através do estudo destes mecanismos de textualização, podemos sistematizar o ensino dos elementos linguístico-gramaticais de forma mais significativa e produtiva, pois teremos como base atividades pautada no trabalho com os gêneros como um instrumento de ensino que contribui para que os alunos desenvolvam as capacidades de linguagem.