3.4 SİSTEMİN ÇALIŞMA MEKANİZMASI
3.4.2 Tüzel kişi kaydı (işletme kaydı)
Neves foi pautada pelo programa “déficit zero” e o Projeto “Choque de Gestão”, orientado para a recuperação das contas públicas e modernização da máquina estatal.
O Estado de Minas Gerais tem vivido uma das piores equações fiscais do Brasil, acumulando, nos últimos anos, pesados déficits orçamentários. Isto tem feito com que o mesmo não reúna as condições necessárias para responder, de forma eficiente, às demandas dos cidadãos. A reversão deste quadro é um dos grandes desafios do atual governo. Neste sentido, a redução de despesas, a reorganização e modernização do aparato institucional do Estado, bem como a busca e a implementação de novos modelos de gestão, constituem-se em ações inovadoras que possibilitarão a construção de uma Administração Pública verdadeiramente empreendedora e capaz de atender à crescente, e legítima, demanda social. Para a efetivação dessas ações foi proposto o Projeto Estruturador Choque de Gestão – Pessoas, Qualidade e Inovação na Administração Pública, que envolverá todos os órgãos e entidades do Poder Executivo Estadual, com o objetivo de melhorar a qualidade e reduzir os custos dos serviços públicos, mediante a reorganização e a modernização do arranjo institucional e do modelo de gestão do Estado (MINAS GERAIS, 2007, “sem paginação”).
O “Choque de Gestão”, em Minas Gerais, foi planejado e coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento Gerencial (conhecido como IDG e, mais recentemente, INDG), apresentado como prestador de serviços do Projeto. O INDG é mantido por Vicente Falconi, o mesmo que participou da implantação da Gerência da Qualidade Total da Educação em Minas Gerais e em outros setores, tanto no estado quanto no restante do país, no início dos anos 1990.
A consultoria prestada no “Choque de Gestão” durante o governo Aécio Neves foi patrocinada por grandes empresas tais como Gerdau, Votorantim, Vale do Rio Doce e Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, pertencente ao Grupo Moreira Salles (BLANC, 2006). Estas empresas, que têm em seu histórico assessorias de Vicente Falconi, declararam contribuições à campanha de Aécio Neves no total de R$ 3 milhões nas eleições para governador de 2002 (FOLHA DE SÃO PAULO, 2006).
A ingerência da iniciativa privada na esfera pública estatal foi alvo de críticas por parte da Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais – AFFEMG. Ao contestar uma entrevista dada por Vicente Falconi à Revista Época em novembro de 2006, quando o mesmo evocou para si o mérito de ter resolvido o déficit fiscal e combatido a sonegação em Minas Gerais, a AFFEMG destacou que a “primeira perplexidade está no fato desse senhor poder usurpar, do Estado, a função de combate à sonegação, uma atividade exclusiva que, nos termos da Constituição Federal, só pode ser exercida por
servidores de carreiras específicas” (AFFEMG, 2007, p. 4). Na continuidade, frisou que Falconi,
como ele próprio afirma, é pago por empresas, seus clientes, contribuintes do ICMS, alguns em litígio com o Estado, cujos interesses nem sempre são coincidentes com os interesses da sociedade mineira. Portanto, trata-se de uma ação privada, praticada por um preposto de empresas, voltada para a formulação do planejamento fiscal e para o treinamento dos fiscais. O Sr. Falconi evoca para si o mérito do suposto “choque de gestão”, que deixou o Estado em uma “posição formidável”, com muitas frentes de obras e superávit da ordem de 3 milhões. Além do mal-estar que tal afirmativa deve provocar no governo, é necessário que se esclareça: não foi nem o “choque de gestão” nem a ação desse senhor que conduziram o Estado à atual situação de equilíbrio fiscal. Em Minas o “choque” ocorreu em cima de um arrocho na folha de salários dos servidores do Poder Executivo que a fez recuar, no curto período de 4 anos, do patamar de 62% para 43 % (despesa líquida com pessoal/ RCL – Balanço Geral do Estado, publicado em 02/12/06) (AFFEMG, 2007, p. 4).
Nos portais eletrônicos de muitas dessas empresas são encontradas notícias relacionadas ao “Choque de Gestão”. No site do INDG existe um setor exclusivo (http://www.indg.com.br/choquedegestao) voltado à apresentação de diversas notícias e referências ao Projeto, com logomarcas, representantes, patrocinadores, frentes de trabalho e links governamentais. No portal e nos informativos da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração também constam documentos com matérias relacionadas, tendo-se destacado na capa de uma de suas publicações que Minas Gerais alcançou em 2004 o equilíbrio fiscal, com déficit zero nas contas públicas.
Depois de registrar um déficit de R$ 2,4 bilhões em 2002, Minas Gerais acaba de atingir o equilíbrio fiscal, com déficit zero. O anúncio foi feito pelo governador Aécio Neves no Palácio das Mangabeiras durante almoço que ofereceu aos patrocinadores do projeto “Choque de Gestão”, um deles a Fundação Djalma Guimarães, da CBMM. O governador mineiro disse que a melhoria do gerenciamento do Estado é resultado direto desse projeto, realizado pela equipe do professor Vicente Falconi, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial – INDG. O objetivo, explicou, “é tornar Minas Gerais o melhor Estado para se viver; é fazer mais e melhor com menos; gastar menos com o Estado e mais com o cidadão”. No período 2003/2004, segundo o secretário de Planejamento e Gestão, Antônio Augusto Junho Anastasia, os ganhos de Minas Gerais foram expressivos, alcançando o total de R$ 2.138 milhões, entre crescimento da receita, redução de despesas, reestruturação de processos e gerenciamento de projetos. As oportunidades de ganho para 2005 estão previstas em R$ 1.110 milhão (CBMM, 2004, p. 2).
Competitividade, eficiência e eficácia também foram utilizadas como termos chave que permearam as críticas à má administração pública estatal no Brasil, divulgadas em publicações da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) em 2005. Para a entidade, a
má gestão pública é um dos principais entraves para a competitividade do País. Em todos os rankings, os piores indicadores do Brasil dizem respeito a questões ligadas direta ou indiretamente à eficiência governamental. Figuramos em último lugar num levantamento de competitividade realizado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) com países do chamado grupo BRICM (Brasil, Rússia, Índia, China e México). Entre 24 indicadores, que abrangem os custos operacional, fiscal e institucional, o Brasil teve o pior desempenho em 14, entre eles, risco soberano, taxa de juros real, carga tributária e infra-estrutura (GUZZO, 2005, p. 24-25).
Ao falar sobre exemplos de gestão pública a serem seguidos, citou-se nesse mesmo artigo que, entre os poucos exemplos existentes, encontrava-se o caso mineiro, que segundo a autora, utilizou-se de métodos de gerenciamento comuns no setor privado, tais como reformas administrativas, racionalização das despesas, modernização dos sistemas de compra e novos padrões de fiscalização e avaliação dos processos administrativos e dos próprios servidores públicos.
Para a conquista do equilíbrio orçamentário, o estado usou métodos relativamente simples de gerenciamento semelhantes aos utilizados por empresas do setor privado. Segundo a secretária-adjunta de Planejamento, Renata Vilhena, o governo passou a trabalhar de acordo com os resultados e metas. Um exemplo é a alteração feita na carreira do servidor estadual. “Aqui é como se fosse uma empresa privada. Há uma avaliação anual do funcionário. Para progredir na carreira, é preciso ter 70% de avaliação positiva”, diz Renata. O servidor também pode ter participação nos resultados da secretaria em que trabalha. O que é economizado no orçamento deverá voltar em forma de gratificação anual aos seus funcionários (GUZZO, 2005, p. 27).
Já a Folha de São Paulo de 13 de agosto de 2006 publicou matéria que contestou a ampla propaganda contratada pelo governo ao custo de R$1,8 milhão junto à SMPB, agência de Marcos Valério de Souza, acerca do discurso oficial do “déficit zero” como sinônimo de equilíbrio das contas públicas. Conforme apresentado pela Folha de São Paulo, a campanha realizada foi merecedora de críticas, pois
teria passado para o público a idéia de que, em apenas dois anos, a gestão Aécio Neves teria eliminado todas as dívidas, o que não ocorreu. O balanço orçamentário, usado na propaganda, destaca que o governo Aécio obteve superávit de R$ 90,7 milhões em 2004. Na publicidade, não foi ressalvado que, no final de 2004, havia insuficiência de caixa de R$ 3,7 bilhões (R$ 2,9 bilhões
em 2005), nem menção à dívida pública (que evoluiu de R$ 32,9 bilhões em 2002 para R$ 39,7 bilhões em 2005) (FOLHA DE SÃO PAULO, 2006, A18). O “déficit zero”, ao contrário do que aparenta, significa que o poder público de Minas Gerais passou a gastar um montante inferior às suas arrecadações, o que não representa dizer que todas as dívidas públicas tenham por isso sido saneadas, como deu a entender a propaganda amplamente veiculada pelo governo nos diferentes meios de comunicação.
Com o Programa “Choque de Gestão”, o governo Aécio Neves, tal como anunciado no período de campanha, reafirmou na administração pública de Minas Gerais a utilização de técnicas e modelos gerenciais advindos da iniciativa privada, assim como realizado na esfera federal desde o início dos anos 1990. Nessas condições, as metas do governo mineiro foram orientadas para a redução das despesas e custos da máquina pública estatal, sob o argumento de promover o saneamento das contas públicas, o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, modernização e melhoria da qualidade dos serviços públicos (MINAS GERAIS, 2007). Na composição da equipe de governo, a Secretaria Estadual de Educação passou a ser dirigida por Vanessa Guimarães Pinto.
Entre os primeiros atos da SEE, em abril de 2003 foi lançada uma publicação intitulada “A educação pública em Minas 2003/2006: o desafio da qualidade”, na qual foram apresentadas as propostas do governo para a área de educação. Este documento foi pautado por duas diretrizes principais: “a urgente reforma do aparato institucional do estado, com a introdução de verdadeiro ‘Choque de Gestão’ nas estruturas administrativas” e “o compromisso com o conceito de desenvolvimento com redistribuição”. Em seu conteúdo destacou-se o cenário educacional mineiro pela necessidade de se profissionalizar a administração da educação e recuperar a queda recente do estado de 1º para 4º lugar na avaliação SAEB/2001, assim como ao afastamento qualitativo percebido entre o ensino público e privado em Minas Gerais (MINAS GERAIS, 2003b, p. 2-3).
Com a segunda maior rede de educação básica do país, encontravam-se matriculados em 2003 na rede pública estadual quase cinco milhões de alunos, dos quais pouco mais da metade estavam nas 3.905 escolas da rede estadual. Neste cenário, a SEE destacava entre os desafios para a gestão 2003-2006 manter as conquistas alcançadas, ampliar o ensino fundamental, intensificar o atendimento a jovens e adultos, “com ênfase
na alfabetização e formação para o trabalho”, e “investir pesadamente nas condições para a elevação da qualidade da educação” (MINAS GERAIS, 2003b, p. 6).
Para tanto, além da racionalização da gestão, apontava-se para a valorização das parcerias com a finalidade de obtenção de “recursos complementares para o desenvolvimento da educação em Minas”, envolvendo o “Governo Federal, os municípios, organizações não governamentais e organismos internacionais” (MINAS GERAIS, 2003b, p. 6).
Nesse sentido, entre as primeiras ações do governo foi publicado em dois de janeiro de 2003 o Decreto nº 43.146, criando o “Programa de Modernização da Gestão no estado de Minas Gerais”. No artigo 2º foram destacados os objetivos pelos seguintes componentes:
I – reestruturação organizacional, incluindo modelos de gestão descentralizada; II – políticas e gestão de recursos humanos; III – modernização do sistema de planejamento; IV – modernização do sistema de gestão; V – tecnologia de informação e comunicação. (MINAS GERAIS, 2003c, p. 11).
Nos itens “a” e “b” do artigo 3º, destacaram-se que os modelos organizacionais a serem implantados visavam “atender com qualidade e quantidade as demandas da sociedade e dos cidadãos”, por meio de ações setoriais coordenadas, “atendendo as normas e os princípios de uma administração voltada para resultados”, com base na utilização de “estratégias de municipalização, publicização e demais formas de descentralização” (MINAS GERAIS, 2003c, p. 11)
O desenvolvimento das políticas de gestão escolar, por meio da Diretoria de Desenvolvimento da Gestão Escolar e Acompanhamento Funcional (DDGA/SRH), orientou-se por uma Pesquisa sobre o funcionamento dos Colegiados das Escolas Estaduais de Minas Gerais, concluída em maio de 2003. Realizada por meio de questionários aplicados em amostras de cada segmento representado nos Colegiados, a pesquisa contou também com “consultas a especialistas, como consultores que têm acompanhado o projeto de gestão democrática junto à SEE, bem como a dirigentes e demais servidores em exercício neste órgão” (MINAS GERAIS, 2003f, p. 6).
Essa pesquisa se anunciou pautada pela defesa de uma educação capaz de valorizar a “tradição cultural de cada comunidade e, ao mesmo tempo, capacitar os educandos para uma integração social adequada e produtiva”, de tal forma que, sob tal ótica, a gestão
democrática primasse pela ausência de conflitos, na perspectiva de promover uma convivência “idealmente harmoniosa, solidária e conseqüente” (MINAS GERAIS, 2003f, p. 14). Nessas condições, o discurso verificado demonstrou a intenção em aliar o estabelecimento de consensos na diversidade do setor educacional, fundamentado nas políticas de ajuste estrutural implantadas pelo governo mineiro e nas demandas do setor empresarial, presunçosamente “harmoniosa”.
No que concerne especificamente aos Colegiados, o relatório dessa pesquisa apresentou o que considerava como “problemas relevantes” ao funcionamento destas instâncias e que deveriam ser “compreendidos e interpretados com clareza”. Tais problemas envolviam “a composição, no que se refere à representatividade e legitimidade de seus integrantes”, e por outro lado, “sua forma coletiva de organização, tendo em vista a desejada eficiência administrativa e operacional”. Desta forma apontava-se que, para ser democrático, o Colegiado Escolar precisava,
antes de tudo, ser representativo, ou seja, traduzir em sua composição o espectro completo da estrutura social representada em toda sua diversidade. Podem ser vários os critérios para se definir as subdivisões dessa estrutura. A forma mais empregada é o estabelecimento de categorias e segmentos expressando os diversos grupos, ramos e subdivisões compreendidos na organização da comunidade escolar, como: profissionais da escola, subdivididos em diretor, professores, especialistas e servidores, e comunidade atendida pela escola, compreendendo pais e alunos. (MINAS GERAIS, 2003f, p. 16).
Tendo sido realizada num universo de 160 unidades escolares distribuídas pelas 42 SRE's, a pesquisa concluiu que a efetividade de uma gestão escolar democrática e participativa relaciona-se a aspectos tais como
envolvimento consciente, convicto e pró-ativo dos membros do Colegiado, a abertura e o respeito no espaço do Colegiado às diferentes representações e manifestações presentes na sua composição, e o acatamento e aplicação de regras e mecanismos conducentes à administração eficiente e produtiva dos serviços escolares (MINAS GERAIS, 2003f, p. 23-24).
No entanto, mesmo indicando a “presença preponderante e expressiva” de tais características nos Colegiados, ao lado de um “conjunto de virtudes e conquistas” relacionadas à melhora da “eficiência dos serviços”, “ganhos nos resultados pedagógicos”, e estabelecimento de ambientes “amistosos e tranqüilos” nas escolas, a pesquisa destaca que a atuação dos Colegiados não tem sido suficiente para caracterizar na rede estadual de
ensino de Minas Gerais, “de fato, comunidades democráticas de educação”, tendo em vista que, entre outros aspectos,
a falta de capacitação intencional, organizada e freqüente, é vista como um problema por uma expressiva maioria dos membros de Colegiado ouvidos na Pesquisa. E isto se reflete mediante algumas ineficiências e lacunas pelos mesmos apontadas com repercussão negativa em sua atuação. Posturas de viés autoritário ou pouco democráticas ainda persistem no interior do Colegiado. Ainda persistem em seus membros influências culturais de uma formação em que os valores democráticos não foram seguramente assimilados. A realização das reuniões do Colegiado, onde se desenvolve de forma mais intensa a participação de seus componentes, é dificultada por fatores como horários inconvenientes, condições de trabalho inadequadas, comunicação, divulgação e preparação mal feitas, pautas longas, pouco interessantes e mal elaboradas (MINAS GERAIS, 2003f, p. 24-25).
Entre as recomendações apresentadas, foram sugeridas revisões no Plano de Capacitação dos Colegiados (PCC), reforçando os conteúdos pela abordagem de habilidades e competências prioritariamente destacadas na pesquisa, envolvendo legislação, questões sociais e pedagógicas, envolvimento, liderança e técnicas de reunião, além de propor a realização de cursos e oficinas locais, encontros regionais e Conferências Estaduais de Colegiados (MINAS GERAIS, 2003f, p. 26).
Nesse sentido, o governo estadual, por meio do Decreto nº 43.602, de 19 de setembro de 2003, revogou o Decreto nº 41.271 e determinou, no artigo 2º, a competência da Secretaria de Estado de Educação em baixar normas reguladoras da estrutura e funcionamento do Colegiado escolar na rede estadual de ensino de Minas Gerais, o que ocorreu em 23 de setembro de 2003 com a publicação pela SEE da Resolução nº 434.
Muitas das alterações postas em prática pelo Decreto nº 41.271 e pela Resolução nº 147 foram revogadas ou modificadas. Já no artigo 1º da Resolução nº 434 ficou definido que “as escolas que ministram Ensino Fundamental e contam com até 4 (quatro) turmas estão dispensadas de organizarem o seu Colegiado” (MINAS GERAIS, 2003i, § 3º). Em seguida, o artigo 2º determinou que o Colegiado Escolar fosse presidido pelo Diretor da escola, extinguindo a eleição prevista na Resolução nº 147 para definição do cargo.
O parágrafo 2º do artigo 3º manteve o número máximo em 17 integrantes, mas deixou de citar o número mínimo, atribuindo tal decisão à escola. No parágrafo seguinte, voltou a restringir a elegibilidade do servidor que também seja pai, mãe ou responsável por aluno da escola à categoria dos “profissionais em exercício”. Outras modificações ainda
foram realizadas no artigo 7º, principalmente pela redução das reuniões ordinárias, que passaram a ser obrigatoriamente bimestrais, e pela definição no parágrafo 2º do mesmo artigo de que “o Colegiado poderá admitir a participação de pessoas integrantes da comunidade escolar em suas reuniões, com direito a voz, sem direito a voto” (MINAS GERAIS, 2003i) (grifo nosso).
Mantendo o foco na regulação e gerenciamento administrativos, a SEE divulgou e determinou que entrasse em vigor a partir de maio de 2003 um “Manual de instrução às Caixas Escolares quanto à utilização de recursos financeiros e à prestação de contas”, com a finalidade de
orientar as Caixas Escolares na utilização de recursos repassados pela Secretaria de Estado de Educação, por meio de Termo de Compromisso, e de recursos diretamente arrecadados, assim como na elaboração do Processo de Prestação de Contas (MINAS GERAIS, 2003q, p. 3).
Por este manual, apresentaram-se as principais fontes de recursos, a natureza das despesas, os objetos de repasse, procedimentos preliminares, movimentação e utilização dos recursos, observações quanto à movimentação dos encargos e despesas decorrentes, execução dos recursos e os documentos necessários para as prestações de contas, além de referências bibliográficas e outros anexos. Em 52 páginas, o documento abordou desde as legislações vigentes às recomendações da SEE, exemplos e modelos a serem adotados pelas escolas.
Ainda sob o foco administrativo e financeiro, publicou-se em 20 de outubro de 2003 o Decreto nº 43.635, que dispôs sobre a celebração e prestação de contas de convênios de natureza financeira que tivessem por objeto a execução de projetos ou a realização de eventos. Por tal decreto frisou-se, no item 1 do artigo 2º, que tais convênios teriam como requisito obrigatório “autorização prévia da Secretaria de Estado de Governo” (MINAS GERAIS, 2003l, art. 2º).
Outro dispositivo utilizado pelo poder público para definir critérios para as relações com a iniciativa privada foi a Lei nº 14.868, de 16 de dezembro de 2003, que instituiu o “Programa Estadual de Parcerias Público-privadas”. Conforme o artigo 5º, entre as atividades desenvolvidas nas áreas de educação, saúde e assistência social, transportes públicos, saneamento básico, segurança, ciência, pesquisa e tecnologia, agronegócio e
outras áreas públicas de interesse social ou econômico, poderiam ser objeto das parcerias público-privadas
I) a prestação de serviços públicos; II) a construção, a ampliação, a manutenção, a reforma e a gestão de instalações de uso público em geral, bem como de terminais estaduais e de vias públicas, incluídas as recebidas em delegação da União; III) a instalação, a manutenção e a gestão de bens e equipamentos integrantes de infra-estrutura destinada a utilização pública; IV) a implantação e a gestão de empreendimento público, incluída a administração de recursos humanos, materiais e financeiros; V) a exploração de bem público; VI) a exploração de direitos de natureza imaterial de titularidade do Estado, incluídos os de marcas, patentes e bancos de dados, métodos e técnicas de gerenciamento e gestão.
Entre as formas previstas de remuneração do contratado, destacaram-se no artigo 15 a cobrança de tarifas dos usuários, recursos do Tesouro estadual, cessão de crédito do Estado, transferências de bens ou imóveis, títulos da dívida pública, cessão de diretos de exploração comercial dos bens públicos e outras receitas alternativas.
Outro aspecto relevante da política educacional adotada nesta gestão estadual refere-se à implantação do ensino fundamental de nove anos, descrito pela Resolução nº 469, de 22 de dezembro de 2003. Por esta determinação, as escolas da rede pública estadual passaram a receber alunos com seis anos de idade para a fase introdutória do Ciclo Inicial de Alfabetização. Conforme disposto no artigo 2º, “O ensino fundamental com duração de nove anos estrutura-se em cinco anos iniciais e quatro anos finais, devendo ser implantado no Sistema Estadual de Ensino, a partir de 2004” (MINAS GERAIS, 2003p).