3.5 SİSTEMİN SAĞLAYACAĞI FAYDALAR
3.5.3 Hukuki Faydalar
Uma grande parte do trabalho desenvolvido por Keynes centrou-se na formulação de proposições de regimes, instituições e políticas monetárias que poderiam contribuir para alcançar e manter o nível de pleno emprego. De acordo com Carvalho (1999:268), toda a análise das propostas de Keynes para a política monetária gira em torno da sua crença de que, para ser efetiva, a política monetária tem que ser usada de forma “comedida” atuando através da “antecipação dos movimentos esperados de taxas de juros”.
Sobre esta conclusão a que chegou Keynes, Skidelsky (2010) chama atenção para o fato de que, até a Grande Depressão, Keynes ainda duvidava se uma política de expansão monetária para redução dos juros de longo prazo poderia ser suficiente para regatar uma economia de um quadro recessivo. Isto é, para Skidelsky (2010) até escrever a Teoria Geral, Keynes duvidava se uma política monetária sozinha seria capaz
de tirar a economia de uma recessão, tendo em vista o aumento da tendência a entesouramento. Sobre esta questão, Keynes definiu que, além dos motivos de transação e precaução, existia o motivo especulação para a preferência da liquidez. Isto é, dada a incerteza quanto ao futuro das taxas de juros, Keynes percebeu que, quando as taxas de juros pudessem ser previstas com certeza, seria vantajoso comprar uma dívida de longo prazo, em relação a manter o dinheiro como reserva de riqueza. Entretanto, poderia haver uma situação extrema de recessão, na qual os rendimentos caiam tanto, gerando consequentemente uma perda de capital e, portanto, os indivíduos manteriam eventuais saldos de dinheiro extra que poderia ser injetado em suas carteiras a qualquer momento. Esta situação extrema seria o que Keynes definiu como armadilha de liquidez. Nesta situação a política monetária não teria condições de estimular a economia e, portanto, resgatá-la da recessão, através de seus instrumentos tradicionais: diminuição das taxas de juros (já que os juros já estão muito baixos) e aumento da oferta monetária. Isto é, nesta situação as pessoas não se sentem encorajadas a promoverem investimentos de longo prazo e, portanto, preferem reter recursos ociosos, tornando a recessão ainda mais grave.
Portanto, para Keynes a política monetária sozinha não seria capaz de tirar a economia de uma situação como esta, cabendo à política fiscal a tarefa de resgatar a economia. “Monetary policy could not then rescue it from depression; only fiscal policy – the actual spending of money by the government – could” (SKIDELSKY, 2010).
Em relação à função das políticas macroeconômica de manter a economia fora de uma recessão e com pleno emprego, como mencionado na seção anterior, Keynes novamente conclui que sozinha, a política monetária não conseguiria ter sucesso. Isto por que, utilizando-se elevadas taxas de juros visando conter o crescimento, as autoridades poderiam não conseguir baixá-las o suficiente para tirar a economia de uma posterior recessão, fazendo com que, ao menor sinal de queda, os agentes passem a vender títulos. Isto é, os agentes econômicos tendem a acreditar em uma taxa de juros “normal”, portanto, se a taxa foge desta normalidade, os agentes reagem instantaneamente.
Assim, em linhas gerais, o que Keynes propôs é que o Estado buscasse a manutenção de taxas de juros constantemente deprimidas e quando fosse necessário frear a demanda agregada, que fossem encontrados outros meios que não o aumento das taxas de juros.
His solution to the problem is to use monetary policy to establish a permanently low long-term rate of interest, and then keep it there. For any level of interest which is accepted with sufficient conviction as likely to be durable will be durable. For this reason, he did not want to use interest rates to manage the business cycle, the exact opposite of present practice. Hence, apart from keeping interest rates permanently low, the main thrust of stabilization policy would need to be on the investment side. (SKIDELSKY, 2010:97).
Utilizar taxa de juros para controlar a demanda agregada já se mostrou eficiente, porém a duras conseqüências: geração de desemprego. Keynes entendia que as pessoas seriam influenciadas pelas condições de mercado, dessa forma, uma política monetária que visasse à estabilidade de preços, por exemplo, deveria atuar no sentido de informar aos agentes que a taxa de juros está baixa e assim permanecerá (KEYNES, apud CARVALHO, 1999).
Ainda em relação à taxa de juros, Carvalho (1999) destaca que Keynes propôs ser necessário que as autoridades monetárias trabalhassem com franca abertura de suas ações. Isto é, a eficácia da política monetária estaria condicionada à capacidade das autoridades em sinalizar aos agentes qual seria a posição de equilíbrio almejada, dada as várias posições de equilíbrio que uma economia monetária poderia ter. Portanto, na visão de Keynes, quanto mais claras fossem as ações do governo em relação à taxa de juros, mais rápido e tranquilo seria o movimento naquela direção.
Uma baixa taxa de juros, portanto, traria inúmeros benefícios à economia, isto pois, diferentemente do que vemos hoje, além do objetivo de estabilidade de preços, a política monetária deveria preocupar-se também com o fato de que uma menor taxa de juros é capaz de estimular o investimento produtivo, que gera emprego e renda, ao mesmo tempo em que desestimula o investimento financeiro, que gera desemprego e concentração de renda. Além disso, uma menor taxa de juros reduz o custo de carregamento de reservas do Banco Central e, por fim, juros baixos não atraem capital especulativo de curto prazo que é o responsável por deixar a economia doméstica vulnerável frente a turbulências externas (SICSÚ, 2008).