1.3 KAYIT DIŞI EKONOMİNİN ETKİLERİ
1.3.2 MALİ ETKİLERİ
Neste capítulo foram discutidas as adequações, mudanças, transformações e reconfigurações sociais ocorridas nas dimensões produtiva, social e simbólica no âmbito dos Estados democráticos capitalistas contemporâneos, assim como foram analisadas as implicações dessas mudanças no Brasil e no mundo, principalmente a partir dos anos 1990. A análise detida acerca da dimensão produtiva justifica-se pela compreensão de que existem vínculos indiretos e mediatos nas relações entre a educação e os processos produtivos, o que engloba no mundo do trabalho desde os processos econômicos, de
produção e consumo material e imaterial. Nesse sentido, o aprofundamento crítico em torno das relações entre a educação e a dimensão produtiva faz-se fundamental para a análise e síntese na contemporaneidade dos fundamentos e características da educação, da escola pública e dos conselhos colegiados, tal qual proposto neste estudo.
Nessa mesma perspectiva, foram analisadas as bases históricas e as principais características das diretrizes neoliberais, adotadas nas reformas de Estado dos países em desenvolvimento nas duas últimas décadas sob o discurso da necessária racionalização dos Estados nacionais, descentralização da regulação estatal, promoção e financiamento do setor privado pelo setor público, simultaneamente à contenção e progressiva redução dos gastos e investimentos na assistência social das camadas menos favorecidas por parte do Estado.
Em função da centralidade da categoria trabalho nas relações humanas e da reformulação contemporânea dos valores e práticas associados aos condicionantes econômicos e produtivos, foram investigados os principais traços dos modelos evidenciados nas transições dos padrões de acumulação do capital, com destaque para as técnicas tayloristas/fordistas e toytistas, pela forte expressão e diversas implicações sociais decorrentes da abrangência alcançada por estes modelos.
Verificou-se que os reordenamentos sociais, políticos, econômicos e culturais realizados no mundo ocidental, na segunda metade do século XX, implicaram em reestruturações geopolíticas marcadas por vários aspectos, tais como os movimentos de superação das barreiras geográficas em suas fronteiras territoriais, a redefinição do papel do Estado e a reconfiguração das economias nacionais.
As transformações sociais e o novo quadro de crises recorrentes em diversos países, tendo como pano de fundo a polarização mundial entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, além dos conflitos e das lutas proletárias ocorridas nos anos 60 e 70, foram cruciais para a reestruturação do capitalismo. A forma como se desenvolveram essas lutas imprimiu um determinado sentido especialmente na reestruturação produtiva e na organização social global do final da década de 1980.
Com efeito, as mudanças sociais, econômicas, culturais e políticas ocorridas no mundo desde o século XIX demandam análises críticas acerca do processo de globalização e suas implicações nas políticas públicas. Tais análises contribuem para a desmistificação e
compreensão dialética da realidade, possibilitando fazer conexões entre o quotidiano e a macro-estrutura, entre a conjuntura atual e a história, além de redimensionar as possibilidades de contextualização, incorporação e superação crítica do atual modelo de sociedade.
O contexto econômico e social mundial, sob as bases históricas descritas, demonstra que a intensificação das conexões e determinações globais implica diretamente nas relações sociais, alterando e ressignificando as bases e condições necessárias à realização da democracia e da atuação coletiva nos espaços e processos decisórios historicamente estabelecidos.
A difundida necessidade da reforma do aparelho estatal e das relações sociais econômicas, políticas e culturais como condição fundamental para a modernização dos países “atrasados” em direção ao seleto grupo de países considerados desenvolvidos consolidou-se a idéia de que essa transição seria possibilitada pela reprodução, no setor público, da lógica utilizada no setor produtivo privado, com a simultânea redução da atuação do Estado no atendimento das demandas sociais e focalização no desenvolvimento econômico, com a devida abertura dos mercados nacionais à economia globalizada e ao capital estrangeiro. Por esta via, o Estado foi redirecionado para atender às determinações do mercado, em suas interseções com o Estado e os indivíduos que nele competem, tanto na realidade material quanto ao nível das subjetividades.
Com os Estados devidamente alinhados ao capital internacional, a lógica dominante na sociedade capitalista se reproduziu socialmente orientada pelas promessas de realização pessoal proveniente das posses e virtudes individuais. Sob tal discurso, as aspirações sociais modernas têm servido para o reforço da hierarquização das relações entre os seres humanos e destes com a natureza.
A ideologia necessária à conservação das relações de dominação tem se constituído, entre outras formas, por meio de discursos, técnicas, modelos e processos “inovadores” e “consensuais” de gestão e controle do trabalho e da produção, todos pretensamente capazes de conduzir a sociedade à modernização e maior eficiência nos processos e produtos realizados.
Em função das múltiplas determinações das relações de produção nas demais dimensões da sociabilidade humana, do acirramento dos conflitos e interesses e das
desigualdades sociais nas democracias capitalistas burguesas contemporâneas, esta lógica de racionalização dos padrões gestoriais, proposta pelas reformas gerenciais do Estado e pelos modelos flexibilizados de produção, sustentam um conjunto de políticas públicas focadas na formação para o trabalho e no atendimento aos setores e agentes econômico- financeiros.
Considerando, ainda, que as práticas produtivas, sociais e simbólicas instauradas evidenciaram inter-relações e mútua determinação com as políticas públicas e as reformas realizadas nos Estados, no momento seguinte deste estudo busca-se compreender suas implicações na consolidação das políticas educacionais adotadas a partir dos anos 1990 no Brasil e em Minas Gerais. Nesse sentido, no capítulo seguinte são investigadas as aproximações, distanciamentos, continuidades e rupturas nas diretrizes emanadas do poder público estatal no que se refere especialmente aos mecanismos de descentralização, desconcentração, participação, flexibilização e democratização da gestão escolar no contexto brasileiro e mineiro nos anos 1990.
3 GESTÃO EDUCACIONAL NO BRASIL E EM MINAS GERAIS DE 1991 A 1998