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3.2. İran’ın Suriye Krizine Yönelik Politikası ve Bölgesel Güçlere Etkisi

3.2.1. Suriye Krizi Çerçevesinde İran - Türkiye

3.2.1.1. Türkiye’nin Suriye Gelişmelerine Tutumu

Um dos caminhos empreendidos para alcançar maior representatividade junto às instituições da sociedade civil, às empresas, aos órgãos de gestão das

políticas públicas. foi a ampliação de parcerias, especialmente com escolas, universidades, empresas locais, para um projeto cultural ancorado numa instituição privada e não governamental que atua na esfera pública, com agentes locais e ao lado do poder público local. Essa experiência tem um viés bem diferente da experiência com uma instituição governamental como aconteceu em Itapecerica da Serra.

Nesse caso, foi possível valer-se do poder constituído, facilitador do diálogo e da interlocução com todas as esferas públicas governamentais e com entidades da sociedade civil que buscavam aproximar-se de seu poder e/ou prestígio. Já a instituição não governamental exigia em suas ações um poder maior de articulação política, aceitando a legitimidade do interlocutor para buscar sua própria legitimação. Noutras palavras, não bastava que as ações fossem conhecidas, precisavam ser reconhecidas pela seriedade e eficiência que produzia sua eficácia para serem legitimadas. Um passo a mais permitiria buscar desenvolver a autonomia das lideranças e instituições locais e das comunidades envolvidas diretamente nos projetos implementados ou no seu entorno. Esse passo foi dado na realização do projeto ArteCulturAção, que proporcionou a ampliação da capacidade de articulação e o fortalecimento das entidades da microrregião, tanto no plano da educação quanto de uma perspectiva político-institucional, capilarizando ainda mais a atuação do projeto e as ações desenvolvidas na Zona Leste como um todo.

Uma importantes parceira se deu com Universidade de São Paulo, através do programa Pró-universidade, um projeto de desenvolvimento educacional e Extensão Universitária promovido pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades, EACH/USP, do campus da USP Leste, com o qual se objetivava a capacitação de jovens do terceiro ano ou recém egressos do Ensino Médio a se preparar para prestar o exame vestibular e acessar a universidade, principal mas não exclusivamente a universidade pública. A Fundação "Tide Setubal", com base em sua nova visão de ampliar as relações com a comunidade e outras entidades sociais, selou a parceria com a Universidade de São Paulo e convidou para este projeto outras entidades locais, como a Pastoral Social, ligada à Igreja católica, e as escolas públicas estaduais de Ensino Médio nos bairros de São Miguel, Ermelino Matarazzo e Itaim Paulista, com capacidade de atender, inicialmente, 1000 jovens nestes três bairros. Entretanto, o objetivo desta parceria extrapolava a preparação desses jovens para o vestibular porque envolvia debates e reflexões políticas sobre cidadania com a

participação deles nas ações sociais realizadas na região em que se desenvolvia o projeto.

O envolvimento dos jovens intensificou ainda mais a adesão das unidades escolares, de lideranças comunitárias e de movimentos sociais, contribuindo, sobretudo para o fortalecimento da participação nas lutas sociais desenvolvidas por lideranças locais. Além disso, o projeto contribuiu também com o ideário de luta por uma Universidade Federal na Região Leste, uma aspiração antiga na região. A ideia abriu caminho por meio da promoção de inúmeros encontros, com a participação maciça da sociedade civil, do poder público federal e muitos partidos políticos, constituindo-se assim uma ampla frente social em prol da implantação de uma universidade pública de âmbito federal na região. Foram muitos debates públicos e muitas idas a Brasília até que o movimento fosse recebido pelo Ministério da Educação para se discutir o pleito da universidade federal.

Outra parceria público-privado que chamou atenção e mereceu destaque nas diversas agendas e debates políticos locais foi o projeto de revitalização do Mercado Público Municipal de São Miguel, que nasceu dentro do Núcleo de Formação para lideranças, gestores e educadores sociais, anteriormente definido. Este núcleo, como já mencionado, tinha por objetivo formar lideranças locais nas diversas frentes políticas, e como teste à sua funcionalidade foi proposta a ideia de se debater a um projeto para a revitalização do Mercado Municipal, pela importância desse empreendimento público no imaginário afetivo dos moradores de São Miguel, no qual todos viam uma referência da infância e do desenvolvimento econômico do bairro. Na ocasião, suas instalações estavam em péssimo estado de conservação e sua utilização deixava a desejar pela má qualidade dos produtos hortifrutigranjeiros ali comercializados, além de suas funções de sociabilidade, como lugar de encontro e de trocas, estarem seriamente comprometidas. Diante deste quadro, o Núcleo resolveu desenvolver o debate público a partir da articulação comunitária, contando com a participação de grande parte da sociedade civil, do poder público, políticos e empresários, e dele resultou o Projeto de Revitalização do Mercado. O projeto arquitetônico ficou a cargo de Ruy Ohtake, nome conceituado da arquitetura e do urbanismo no Brasil, mas, apesar do êxito na pressão popular na mobilização pela revitalização do Mercado, o projeto não chegou a ser executado.

Contudo, o movimento social em torno do projeto de revitalização do Mercado público de São Miguel gerou um forte sentimento sobre a importância da

participação popular e muitas frentes de organização social em prol das lutas por moradia, saúde, educação, meio ambiente e melhores condições de vida na região, o que trouxe à tona intensas lembranças da efervescência dos debates públicos desenvolvidos pelos movimentos sociais no bairro, no fim da décadas de 1970 e nos anos de 1980. Inspirada nesta agenda positiva, surgiu uma nova onda de esperança com o Fórum Permanente de Participação Popular, que nasce com o objetivo de restabelecer o debate e as reflexões sobre a organização social e promover políticas capazes de desengavetar antigas reivindicações acumuladas ao longo das lutas populares. Com o tempo, elas haviam sido deixadas para trás pelo desânimo e pela frustração do povo em ver as suas aspirações reconhecidas ou seus direitos garantidos, quando nem sequer eram postos nas pautas de sucessivos governos. Entrava governo, saía governo e nenhuma das reivindicações postuladas por esta população há décadas entrava na ordem do dia das discussões. Contudo, à luz do resultado da mobilização popular em torno de uma ação voltada para a cultura, começou a reverberar, positivamente, um desejo de mobilização e organização social que aos poucos se difundiu pela região.

Ressurgia a esperança da população de se reorganizar em torno de suas pautas cotidianas com um dos primeiros pontos a ser lembrado: a promessa de criação e implantação da Unidade Básica de Saúde do Jardim Lapenna, no subdistrito de São Miguel, há décadas pleiteada pela população. Remexia-se no projeto, renovavam-se as promessas inconsistentes nas gavetas dos governantes, sem nenhuma solução. O cansaço havia tomado conta da população, enraizando- se, dessa forma, o descrédito e a palavra de ordem: “Eu não acredito mais em nada”. Era o que resmungavam alguns quando a conversa era discutir a melhoria da qualidade de vida na região.

Frente a essa realidade, misto de cansaço e esperança, o novo Fórum Permanente de Participação Popular passou a se reunir uma vez por mês com a população do bairro, lideranças políticas e gestores públicos a fim de discutir o projeto de construção do prédio da UBS (Unidade Básica de Saúde) e como deveriam funcionar. As discussões passavam a ser pautadas pela própria população, com questões que iam desde que tipos de serviços deveriam ser implantados, quais os mecanismos de avaliação sobre a qualidade destes serviços para a população, até o modo como seriam realizadas as contratações dos agentes comunitários de saúde e mediante quais critérios. Foram realizadas dezenas de

reuniões nas vilas de União de Vila Nova e Jardim Lapenna, sempre com a presença de centenas de pessoas da população destas duas vilas, de gestores públicos (Secretários de Saúde, Subprefeito), técnicos da área de saúde etc. A mobilização social se dava forma articulada, com reuniões presenciais cuja pauta constava de convites impressos.