3.2. İran’ın Suriye Krizine Yönelik Politikası ve Bölgesel Güçlere Etkisi
3.2.2. Suriye Krizi Bağlamında İran - Suudi Arabistan
3.2.2.2. Suriye Krizi Bağlamında İran - Suudi Arabistan Rekabeti
No curso de muitas idas e vindas, o sacolão reuniu centenas de pessoas da região. Tratava-se, então, da conquista desse espaço para ser o futuro abrigo de um posto de saúde, luta antiga dos moradores da região, como já referido. Os sacolões são pontos de venda de produtos hortifrutigranjeiros criados pelo governo municipal de São Paulo no final da década de 70 e início dos anos 80, na gestão de Luiza Erundina à frente da Prefeitura da capital. Eles se encontram espalhados por todos os bairros da cidade, hoje, na sua maioria, desativados ou gerenciados mediante convênio pela iniciativa privada, representada tanto por apadrinhados políticos quanto por pequenos empresários desse ramo de negócio ou mesmo de minimercados.
O sacolão do Jardim São Vicente e da Cidade Nova São Miguel era um desses espaços, mas que não teve o mesmo destino de comércio terceirizado dos muitos outros sacolões presentes nos bairros da cidade de São Paulo. Este espaço estava desativado há mais de vinte anos, tendo já então havido diferentes acenos para a sua destinação. Muitos queriam, em algum período, que ele se transformasse em um espaço cultural para a juventude, e para isso o poder público chegou a fazer alguns investimentos financeiros, contemplando reforma física para a sua adequação e outros pequenos gastos. No entanto, a população do entorno do sacolão discordava veementemente dessa ideia, alegando que na região já havia muitos outros espaços para a juventude e, como se podia facilmente constatar, não havia equipamentos públicos para área da saúde, sendo esta uma reivindicação
antiga de toda a comunidade. Desse modo, as discussões com os moradores reacenderia a chama da luta pela destinação daquele espaço à instalação de uma UBS, o Posto de Saúde.
Muitos caminhos foram trilhados e muitas promessas foram feitas por diversas administrações públicas municipais, mas esse pedido nunca saía do papel. Inúmeros ofícios de vereadores encaminharam pedidos aos órgãos públicos para que este espaço fosse repassado, efetivamente, à Secretaria da Saúde do município de São Paulo, uma vez que o prédio pertencia à Secretaria de Abastecimento do mesmo município.
Na organização dos encontros para tratar de pautas da educação, saúde, cultura ou do esporte, sempre aparecia a questão do sacolão, até que se tornou um tema para debates.
Um primeiro encontro foi palco de muitas discórdias, devido a presença de muitos representantes políticos que reivindicavam a autoria dos primeiros ofícios aos órgãos governamentais, mas, também, porque havia muitos outros que reclamavam essa autoria entre os membros da própria população. Todos disputavam a autoria. Dado que aquele encontro poderia mostrar uma luta mais organizada que, pelo visto, haveria de ser vitoriosa, seria também uma oportunidade para que a atribuição da autoria fosse fundamental para determinar como “pai” ou “mãe” do projeto qualquer um que se destacasse naquela luta ou ocasião.
Os ânimos se agitam a cada vez que alguém pede a palavra, e fica difícil dar uma ordem à pauta do dia, até que é apresentada uma síntese histórica da luta, começando pela leitura dos ofícios encaminhados por todos os políticos. Leitura realizada, os ânimos ficam mais calmos. Apesar de centenas de ofícios encaminhados, não havia, um documento oficial do poder público e reconhecido como legítimo do ponto de vista jurídico. Seria preciso, então, transformar a causa num processo administrativo, com todos os passos e pareceres necessários, segundo as regras da burocracia do serviço público. Diante disso, os ânimos voltam a se exaltar, pois mostram o nível de desorganização na participação e o grau das discórdias entre as pessoas.
Apesar da importância da participação dos políticos presentes e de outros que por ventura, venham a entrar na luta, as suas diretrizes não podem mais ficar nas mãos deles. A sugestão é acolhida prontamente por todos que decidem criar, imediatamente, comissões que se encarregarão de organizar uma audiência na
Secretaria de Saúde e outra na Secretaria de Planejamento, responsável pelo repasse do prédio à Secretaria de Saúde.
Quinze dias depois, é organizada a ida à Secretaria de Municipal de saúde com mais de cem pessoas para serem atendidas pelo Secretário. Cercados pela polícia, poucos puderam entrar na Secretaria, mas todos conservavam o entusiasmo pela possibilidade de fazer valer seus direitos, o que animaria a continuidade da luta. Apenas uma comissão de vinte pessoas foi recebida na Secretaria, mas de lá saíram todos com a promessa de que um processo de mais de dez anos, sairia do papel, no máximo, em dez dias. A alegria e a esperança aumentavam pois,as pessoas veem a importância de acreditarem em si mesmas. E, no final de dez dias, o sacolão foi, de fato, repassado para a Secretaria de Saúde.
Para celebrar a conquista, finalizada uma confraternização dentro do espaço físico do sacolão, a fim de comemorar a vitória. Para o encontro de celebração foram convidadas entidades da sociedade civil, a população envolvida e entidades do governo como a Subprefeitura de São Miguel e a Secretaria de Saúde.
3.6 - Algumas ressonâncias de encontros e lutas
A efetiva participação da população como garantias de seu protagonismo possibilitaram ampliar os serviços públicos oferecidos para a população. Assim, assuntos como educação se tornaram prioridade para estas pessoas, de tal maneira que a discussão sobre a implantação de uma Escola Técnica profissionalizante ganhou grande interesse, provavelmente associado à luta pela Universidade Federal na Região Leste. A reverberação destas lutas se dá em sintonia com a participação do Movimento Nossa São Paulo – um movimento que articula centenas de entidades sociais com o objetivo de discutir a melhoria das condições de vida em São Miguel Paulista com o movimento São Paulo e, mais particularmente com o Movimento Nossa Zona Leste onde se destaca, a discussão sobre o Plano Diretor da cidade de São Paulo, responsável pela qualificação de serviços na cidade e uso de equipamentos coletivos urbanos. Esses debates trouxeram a ideia de se discutir o tema São Paulo 2022, visando refletir sobre a cidade como ela se encontra na atualidade e o que queremos para o futuro. Foram realizadas plenárias em toda a Zona Leste, transpondo as fronteiras de São Miguel, sobre temas ligados à
educação, cultura, meio ambiente, segurança pública, política para mulheres e idosos, orçamento público do Estado e do Município, entre outros.
A questão da cultura foi encabeçada também pelo desejo de se ter na região um Museu do Migrante, uma aspiração antiga da comunidade e principalmente da Igreja católica, que via neste projeto uma forma de salvaguardar a memória da região e sua história de lutas, como no caso do movimento pela moradia, e contribuir para o diálogo desta região, notadamente marcada pela presença de migrantes de todo o Brasil e de boa parte do Ocidente e do Oriente, com o restante da cidade, com o país e com o mundo. As discussões em torno desse museu se aprofundaram a partir de um seminário sobre Desenvolvimento Cultural, realizado pela Fundação Tide Setubal, com a presença do Ministério da Cultura, e cuja mobilização articulou atores sociais como a Universidade de São Paulo e escolas públicas estaduais para debater esta questão tão cara à região e sua importância para a história e a memória social. Um ponto importante nessas mobilizações sociais foi a realização de seminários temáticos, que se desenvolviam dentro da proposta da política de cultura da Fundação, aumentando a cada ano a participação social nesses debates.
A publicação dos conteúdos discutidos nestes seminários certamente contribuiu para a ampliação do leque de temas, bem como do número de interessados nas discussões. Foram debatidos temas como o papel das organizações não governamentais e os movimentos sociais no Brasil, por exemplo, chegando a reunir personagens que vêm desenvolvendo estas reflexões durante décadas e, isto de certa maneira reavivou a necessidade de se discutir estes temas e fazer valer práticas sociais de grande relevância para os movimentos sociais locais, como de moradia e de cultura, entre outros movimentos que começaram a nascer a partir destes encontros. Provavelmente, um dos pontos-chaves desse processo foi a publicação de livros e revistas sobre os conteúdos dos seminários, e que eram distribuídos nas organizações sociais, escolas públicas e bibliotecas, afim de que estes temas ampliassem sua circulação na comunidade, criando uma consciência crítica e reflexiva acerca dessas problemáticas tão pertinentes à região.
A importância destas publicações desencadeou debates públicos com jovens, intelectuais e pessoas interessadas em temas sobre os quais as políticas públicas vêm refletindo nos últimos anos, e isto se deu de tal maneira que estas experiências vivenciadas na região leste acabaram sendo levadas a outros espaços de debates. Entre eles, só para citar alguns, destacamos o Fórum Social Mundial, a
Conferência Nacional de Cultura, o Seminário Internacional sobre Cidades Sustentáveis, produzidos e realizados por organizações governamentais e entidades da sociedade civil, nacional e internacional. Esta participação, por sua vez, propiciou o convite para colaborar de forma permanente com programas de rádio, TV, o jornal
Voz da Comunidade, Notinhas de São Miguel, Jornal e revista Acontece, Jornal do Comércio, Leste News, TV Itaim, Folha de São Miguel, entre outros.