2. KURAMSAL TEMELLER/GENEL BĠLGĠLER
2.2. Okul Yönetimi ve Mentorluk
2.2.5. Türkiye‟de Okul Yöneticisi YetiĢtirme
A indústria sucroalcooleira gera em seus processos produtivos diversos tipos de resíduos. O Plano Nacional de Agroenergia prevê a gestão dos resíduos por parte das indústrias, com ênfase na co-geração de energia. Segundo o documento formal do Plano, o álcool responde por cerca de um terço da energia contida na cana, sendo o bagaço, a palhada, os ponteiros de cana e a vinhaça os resíduos com potencial co-gerador da indústria sucroalcooleira, principalmente convertidas em
energia elétrica, mecânica e térmica para suprimento da própria usina ou de outras indústrias (BRASIL, 2006).
Alternativamente à co-geração de energia para reaproveitamento do resíduo da produção de açúcar e álcool, é usual a destinação do bagaço da cana para outros setores da indústria, como para produção de ração animal, fabricação de papel, na fabricação de elementos industriais ou ainda produzindo álcool adicional por hidrólise. No caso da vinhaça, o aproveitamento energético tem sido ligado à produção de biogás quando submetida a processos de digestão anaeróbia, embora a fertirrigação ainda prevaleça como principal destino do resíduo (BRASIL, 2006).
Nesse contexto, o reaproveitamento de resíduos sucroalcooleiros para alimentação animal pode também ser interpretado pelo prisma da co-geração energética, já que tais resíduos são então convertidos em energia química vital, gerando biomassa na indústria pecuária. Esse consórcio entre indústrias representativas no cenário econômico brasileiro são projetos econômica e ambientalmente vantajosos, já que há urgência na resolução de problemas vinculados à gestão dos resíduos da indústria sucroalcooleira em expansão no território nacional (SOUZA, 2007; GERON, 2007), bem como no que se refere ao aumento da eficiência de produção e renda para os pecuaristas (VALADARES FILHO et al., 2006).
Segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura (BRASIL, 2014):
[...] a bovinocultura é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro no cenário mundial. O Brasil é dono do segundo maior rebanho efetivo do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças. Além disso, desde 2004, assumiu a liderança nas exportações, com um quinto da carne comercializada internacionalmente e vendas em mais de 180 países.
Para Valadares Filho e colaboradores (2006), no entanto, embora em posição de destaque no mercado mundial de carne bovina, “o Brasil ainda apresenta índices produtivos e econômicos pouco representativos de uma pecuária desenvolvida”. Para o pesquisador, a nutrição está diretamente associada ao desempenho dos rebanhos. Sendo assim, a adoção de tecnologias que tornem mais racionais os aspectos da nutrição do gado, tem como conseqüência um incremento no desempenho, produtividade e qualidade, com menores demandas de custos e de tempo de produção (MAGALHÃES, 2007).
A busca por dietas que atendam a todas as exigências nutricionais dos animais figura, neste cenário, fonte de investigação de diversos pesquisadores e produtores da área. Isso vem de encontro com a realidade de redução da disponibilidade de áreas para plantio de volumosos como cereais e oleaginosas para suprimento da demanda alimentar da pecuária (GERON, 2007). O grande desafio então é obter alternativas de alimentos ou suprimentos alimentares que atendam ao objetivo de alto rendimento a baixo custo, ou seja, que sejam ao mesmo tempo ricos em termos nutricionais, econômicos em termos de produção e manejo e rentáveis através do aumento da produtividade dos rebanhos.
Para atender às necessidades supracitadas, novas alternativas de alimentos devem ser amplamente investigadas quanto à composição, visando avaliar o atendimento às exigências nutricionais de proteínas e energia do rebanho e assegurar a segurança alimentar. Segundo Valadares Filho e colaboradores (2006), muitas lacunas ainda precisam ser preenchidas, entretanto o conhecimento já reunido acerca das exigências nutricionais de gado zebuíno no Brasil contribui significativamente para o desenvolvimento de sistemas de alimentação cada vez mais acurados e robustos.
As Tabelas Brasileiras de Composição de Alimentos para Bovinos são fruto de trabalhos desenvolvidos desde 2000 com a proposta de compilar os dados de pesquisas desenvolvidas em todo território nacional, referentes à composição química e bromatológica dos alimentos utilizados para nutrição de ruminantes. Ao longo dos anos, novos pesquisadores investiram esforços na atualização dessa base de dados, visto a carência de informações sobre as variedades de alimentos e ao grande volume de dados gerados anualmente em inúmeras instituições no país. As mais importantes informações contidas nas tabelas são referentes aos teores de energias, porções protéicas e fibrosas, de extrato etéreo (gorduras) e de minerais (MAGALHÃES, 2007).
Os resíduos do processamento da cana-de-açúcar são uma das fontes alternativas de alimentos incorporadas a esta proposta. Tais resíduos apresentam os compostos essenciais à nutrição animal, como água, proteínas, fibras e minerais como cálcio, fósforo, magnésio, potássio e sódio, dentre outros. Os principais resíduos da indústria sucroalcooleira utilizados não o bagaço “in natura”, o bagaço hidrolisado e a levedura (SOUZA, 2007).
A Tabela 2 apresenta parte das composições bromatológicas da cana-de- açúcar e da silagem de milho, e foi selecionada na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos para Bovinos (VALADARES FILHO et. al., 2006).
Tabela 2 - Composição bromatológica de dois produtos utilizados na alimentação de bovinos. Extraído de VALADARES FILHO et al., 2006.
CANA DE AÇÚCAR SILAGEM DE MILHO
Saccharum officinarum L. Zea mays L.
Nutriente Média n s Nutriente Média n s
MS (%) 28,45 100 4,31 MS (%) 30,92 329 6,18 MO (%MS) 97,45 25 0,66 MO (%MS) 94,74 94 1,42 PB (%MS) 2,74 97 1,06 PB (%MS) 7,26 339 1,23 EE (%MS) 1,55 57 1,3 EE (%MS) 3,16 163 2,8 FB (%MS) 26,53 27 3,54 FB (%MS) 27,01 59 4,08 FDN (%MS) 57,68 38 4,58 FDN (%MS) 55,41 247 7,04 FDA (%MS) 34,02 39 2,88 FDA (%MS) 30,63 173 4,64 HEM (%MS) 21,22 16 2,27 HEM (%MS) 23,71 84 4,78 CEL (%MS) 26,44 15 3,89 CEL (%MS) 24,94 78 4,23 LIGNINA (%MS) 7,75 31 3,08 LIGNINA (%MS) 4,97 113 1,82 Ca (%MS) 0,2 21 0,06 Ca (%MS) 0,3 99 0,16 P (%MS) 0,06 22 0,02 P (%MS) 0,19 95 0,09 Mg (%MS) 0,14 5 0,1 Mg (%MS) 0,09 30 0,05 K (%MS) 0,95 5 0,79 K (%MS) 1,11 35 0,33 Na (%MS) 0,04 3 0,02 Na (%MS) 0,04 30 0,03 S (%MS) 0,07 2 0,01 S (%MS) 0,09 18 0,02 Co (PPM) 0,06 1 - Co (PPM) 0,05 1 - Cu (PPM) 4 1 - Cu (PPM) 4,08 2 0,12 Fe (PPM) 444,46 2 67,23 Fe (PPM) 370 1 - Mn (PPM) 44,34 2 20,29 Mn (PPM) 24,14 2 6,87 Zn (PPM) 53,7 2 71,13 Zn (PPM) 15,82 2 0,25 pH 4,93 8 0,89 pH 3,76 85 0,2 SACAROSE (%MS/FDN) 14,2 1 - SACAROSE (%MS/FDN) 56,3 1 -
Em estudo realizado para comparação entre o desempenho da cana-de- açúcar na forma de silagem e in natura com silagem de milho, Queiroz e colaboradores (2008) constatou que ambas apresentam alta produtividade de leite desde que as dietas sejam balanceadas.
Diante da potencialidade da cana, sob diversas formas, para nutrição animal, novas investigações em resíduos de cana provenientes de seu uso industrial podem ser propostas. Uma vez em conformidade com as normas estabelecidas pelo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para fabricação e comercialização de produtos destinados à alimentação animal, bem como atendendo às necessidades nutricionais dos rebanhos e à dinâmica econômica e produtiva do setor pecuário, novas possibilidades de alimentos são bem recebidas. E é nessa dinâmica que muitos resíduos industriais passam a representar mais do que um problema de gestão, abrigando em si um cenário de muitas possibilidades de reuso.