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Türkiye’de Kamu Kesiminde İç Denetim ve İç Kontrol İlişkisi

Planlama Aşamaları

ÜÇÜNCÜ DÜZEY MEVZUAT

2.2.7. Türkiye’de Kamu Kesiminde İç Denetim ve İç Kontrol İlişkisi

Tomar consciência da realidade é a única maneira de compreendê-la.

E sabemos que pensar livremente sobre ela não é fácil, porque as ideias são muito contagiosas.

A fragilidade traumática psicofisiológica de José Cardoso Pires teve como consequência, a seu tempo, uma inusitada clareza de espírito. Curiosamente como o próprio Nietzsche considerou a seu próprio respeito: “Em meio a tonturas provocadas por enxaquecas de três dias, acompanhadas de terríveis catarros, eu possuía uma lucidez de dialético par excellence” (MARTON, Scarllett e Outros, 2014:292)

Da sua vontade de estar de boa saúde e de viver, Nietzsche criou a sua filosofia. Nietzsche começou nessa altura da sua vida a trabalhar sobre a origem do génio como espírito livre. Génio esse que seria alguém original e forte de espírito porque superaria as suas fraquezas, aceitando-as e transformando-as.

Foi o que José Cardoso Pires pretendeu ao escrever o De Profundis, Valsa Lenta. Não é apenas um testemunho invulgar na primeira pessoa de uma experiência traumática, mas um ato criativo para trazer a palavra à fluidez do pensamento e ao fluxo da consciência. Através da palavra conseguiu entrar na dimensão existencial onde vida e morte dialogam, a que ele chamou a morte branca. Ao escrever, o artista viajou a lugares para além de si próprio. (HUSTVEDT, 2012)

É um texto-lugar de conversação entre a consciência e o ser. E essa consciência luta pelo reconhecimento do indivíduo enquanto narrador da sua própria história.

A consciência do autor faz da criatividade a sua libertação.

Ao escrever o De Profundis, José Cardoso Pires assume a sua natureza humana incapaz de viver no presente do mundo do ser sem o conhecimento do mundo dos fenómenos e experiências, em particular as que viveu na primeira pessoa.

Se só conhecemos verdadeiramente uma coisa quando somos capazes de a descrever, este autor precisou de se descrever, e polifonicamente, para melhor se

130 reconhecer após a delicada viagem à desmemória. Tal como José Luis Sampedro no Monte Sinaí. Eles dizem-nos que é mesmo preciso contar as histórias das coisas para que as consigamos discernir e reconhecer um dia como nossas. E, nestes casos, com a excelência da lucidez que distingue o génio.

“Parece que tudo se passou independentemente de mim” (in Carta a Adolfo Casais Monteiro, 13 jan.1935). Também Fernando Pessoa testemunha algo parecido com uma morte do seu ser indiviso: a sua experiência heteronímica da criatividade literária que reconhece claramente como sua. Um ser introspetivo que precisava de se expandir para se sentir à vontade para ser e criar livremente. A sua lucidez transparece das suas palavras escritas como espelho dos seus intensos momentos de introspetivos. Um poeta filósofo genial.

Os seres introspetivos criativos é o trabalho de Susan Cain, Silêncio. O Poder dos Introspetivos Num Mundo que Não Para de Falar, que ajuda a perceber a importância do silêncio na solidão dos génios.

O ato criativo é testemunhado de forma única, quando o autor genuinamente se observa no seu processo de escrita, num momento em que a discussão do pós-moder- nismo ainda ocupa lugar no âmbito das produções artísticas e intelectuais.

Anthony Percival, no seu Escritores Ante El Espejo, Estudio de la Creatividad Literária, recolheu significativos testemunhos na primeira pessoa no universo literário espanhol.

“José Cardoso Pires foi sem dúvida uma figura cimeira entre os melhores escritores portugueses do seu tempo. A sua linguagem é muito depurada, de um grande rigor, por vezes com conotações bem pessoais e intensamente sugestivas.” (Público, 28/10/98)

O talento para a escrita de José Cardoso Pires, em particular no percurso adiantado da sua atividade, é a explicação de Alexandre Castro Caldas, atual Diretor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, que igualmente acompanhou o seu caso.

[…] quando fazem estudos em indivíduos normais com as novas técnicas de activação cerebral, algumas regiões do hemisfério cerebral

131 esquerdo e raras do direito evidenciam-se durante a execução de tarefas verbais. (CALDAS, 2013:100)

Segundo a sua longa experiência de vida de escritor, este afirmou fazer todo sentido falar de inspiração, da qual boa parte do ato criativo resulta, aliada à vontade de criar e ao trabalho de execução, do ato em si. A inspiração despertada dentro do eu, ora espontaneamente, ora por autoindução, muitas vezes a partir de motivos externos ao seu autor. Nesta fase da sua vida, Urbano via-se frequentemente confrontado com o limite da vida que o inspirou a escrever um dos seus mais recentes livros A Imensa Boca dessa Angústia, cujo discurso autobiográfico testemunha o sofrimento físico causado pelos espasmos de angústia, sufocações, dores no peito de origem cardiovascular.

Questionado sobre o que é a consciência humana, respondeu que é o conhecimento que o homem tem de si próprio na sua relação com o mundo e do conceito culturalmente inevitável de Deus, embora se mantenha desvinculado a quaisquer confissões religiosas. Contudo, da mãe ganhou uma cultura religiosa que chegou a praticar em criança quando frequentou a catequese católica. Considerava-se agnóstico, mas com uma relação afetiva especial com a figura de Jesus, porque O via como um homem generoso, que soube acarinhar a prostituta. Urbano, firme nas suas convicções comunistas, respeitava os credos religiosos de qualquer pessoa. Acreditava, como homem de esquerda, nos princípios do marxismo e na justiça social.

A única coisa que tenho na minha idade é medo da morte. Mas não é por fazer cá muita falta… Não quero que me mantenham à tona deste planeta a fazer figuras tristes, Não fui tão mau quanto isso nesta vida […]. Os negócios da morte são mortais. Não haveria advogados se não houvesse morte. A morte é um dos maiores negócios do mundo. (seleção de entrevistas a Filipa Melo a JCP entre 1996/1997, publicada no JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, 4/11/1998).

José Cardoso Pires, que se considera ateu e o assumiu publicamente, mesmo depois do AVC que descreve, contudo imagina-se a ir ter com o seu amigo escritor e jornalista Fernando Assis Pacheco, num lugar depois da morte “Aqui para nós palpita- me que não vou tardar muito a ir ter contigo, é cá uma fé, e até já sei que te vou encontrar solitário, diante de uma folha branca, como o Maiakovski” (7/12/1997)

132 José Cardoso acha que os escritores são animais de curta duração. Por isso, não vale a pena correr atrás nem do público nem dos prémios.

José Cardoso Pires e José Luis Sampedro, cada um à sua maneira, são lúcidos críticos do mundo circundante e do fenómeno antropológico que é o Homem.

Contudo, José Luis Sampedro admite o fenómeno da reencarnação. Ele termina o livro precisamente com a ideia de que está a ficar na hora de recomeçar (ainda que o diga também com intenção de desdramatizar a morte e fazer esboçar um sorriso ao leitor).

Estes Josés são lucidamente a favor da dignificação do ato de morrer. Ambos defendem a eutanásia em casos necessários de libertar o doente do sofrimento e da humilhação.

O morrer a mim não me faz diferença nenhuma, desde que não me humilhem, desde que me tirem as dores, que é a obrigação da Medicina. A Medicina não anda cá só para curar, anda a ajudar a matar também, é fundamental. Por isso é que tenho uma grande admiração pela eutanásia, eu tenho um grande respeito pela morte ajudada, e um grande desprezo pelos tais heróis do sacrifício. (PEDROSA, 1999:127)

“Nadie es culpable y, sin acaso, el Creador. Todos somos inocentes. Es la ley la que crea los culpables al determinar lo que es delito.” (SAMPEDRO, Anexo 4. «Notas y Borradores 2.»)

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