2.4. Enerji Ekonomisinin Yapısal Sorunları
2.4.2. Türkiye’de Enerji Maliyetlerinin Yüksek Olması
As Orientações Curriculares da Secretaria do Estado do Espírito Santo consistem em um manual de orientações aos professores da disciplina de Estudos Sociais sobre a forma como a EMC deveria ser trabalhada nas escolas estaduais. Assim, para melhor um entendimento acerca desse impresso, é necessário compreender seus aspectos de produção, circulação e apropriação a fim de se verificar seu material, sua maneira de apresentação ao público, suas características de sua circulação e seu esquema de modelização (CHARTIER, 1991) com o intuito de se ter uma maior clareza de suas finalidades.
O livro com as orientações tem tamanho de folha A4 com 21 cm de largura por 29 cm de altura, sendo em formato brochura simples e com capa mole, apenas colada, sem costura. O papel opaco azul com letras brancas indica, em primeiro plano, com letra cursiva, que o caderno destina-se aos Estudos Sociais. No meio da capa, letras em bastão e tamanhos maiores apontam que o livro se destina às Orientações Curriculares, e na parte inferior especifica que pertence ao Estado do Espírito Santo, Secretaria do Estado da Educação e Departamento de Apoio técnico e pedagógico. O livro é todo datilografado e mimeografado, sem gravuras.
Élcio Alvares16 foi governador do Estado do Espírito Santo no período de 15 de
março de 1975 a 1979, mesmo período de elaboração e publicação das Orientações
16 Nasceu em Ubá, em 28 de setembro de 1932. Em novembro de 1970, foi eleito deputado federal,
sendo o mais votado pelo Espírito Santo, sempre na legenda da Arena. Assumiu a cadeira em março de 1971 e em novembro seguinte tornou-se vice-líder de seu partido na Câmara, cargo que ocuparia até 1973. Nessa legislatura, integrou a Comissão de Constituição e Justiça, entre 1971 e 1975, e foi suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas na Câmara dos Deputados e relator do Código Penal Brasileiro, em 1973. Embora não figurasse entre os nomes inicialmente mais cotados para a sucessão estadual, foi indicado, em 1974, pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979) para substituir Artur Gerhardt Santos no governo capixaba. Eleito pela Assembleia Legislativa em outubro desse ano, em janeiro de 1975 deixou a Câmara dos Deputados e, em março seguinte, assumiu o governo do Espírito Santo, que chefiou até março de 1979, quando foi substituído por Eurico Resende, sendo governador do Estado (de 15 de março de 1975 a 15 de março de 1979), senador (1991-1994; 1995-1999), ministro de Indústria e Comércio (1994) no governo de Itamar Franco e ministro da Defesa (1999-2000) no governo de Fernando Henrique Cardoso, sendo obrigado a deixar o cargo após denúncias de corrupção e favorecimento, inclusive de ligações com o crime organizado no Estado do Espírito Santo. Em 2006, elegeu-se Deputado Estadual pelo DEM, sendo reeleito em 2010 para mais um mandato de Deputado Estadual. Foi Presidente da
Curriculares para Estudos Sociais. Para Secretário do Estado de Educação e Cultura foi nomeado o Professor Edilson Lucas do Amaral e para Sub-secretário, Professor Sebastião Henrique Varejão Rabello. Além deles havia a Chefe do Grupo de Controle de resultados, Professora Ana Maria Marreco Machado; Chefe do departamento de Apoio Técnico e Pedagógico, professora Bernadete Gomes Mian; Orientador Técnico de Atividades e Projetos, Professora Wany Ferrari Nogueira Campos.
Roger Chartier (1999) indica a necessidade de discutir questões relativas à autoria, isso se levar em conta que um escritor de livro não está sozinho na produção de sua obra. Autor, revisor e editor, todos estão juntos dividindo a autoria como uma equipe. Assim, relatamos que a equipe de elaboração do Manual de Orientações Curriculares era composta por Glaucia Bernabé e Maria Tereza Dias de Souza; Elza Machado Jantorno, Maria da Penha D’Avila Couto, Maria Gaviorno, Maria Lucia Silvia Serpa, Pascoina Tercila Caliari José, Terezinha de Jesus Balestreno (colaboradores); Wany Ferrari Nogueira Campos (coordenadora); Maria Auxiliadora Freitas (datilógrafa); e Luzanete Magre Belique (mimeografia). Além disso, é necessário destacar que a materialidade das relações que estão implicadas no livro entre o autor e o leitor também está relacionada ao mercado. As Orientações Curriculares, assim como um livro didático, era uma mercadoria destinada a um mercado específico: a escola e a um público determinado: os professores.
Ressalta-se que, à época, não existia um livro específico de orientações curriculares da Secretaria de Educação do Estado do Espírito Santo sobre Educação Moral e Cívica. Essas orientações encontravam-se no interior de livros de orientações sobre Estudos Sociais. Na terceira página das Orientações Curriculares encontra-se a primeira referência de que a disciplina de Estudos Sociais deveria levar em consideração o ensino como objetivo do exercício da cidadania
Os Estudos Sociais se constituem em um dos componentes básicos para a consecução do objetivo do ensino de 1° e 2° Graus: “O ensino de 1° e 2° Graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto realização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania” (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p. 3).
Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo entre 1º de fevereiro de 2009 a 31 de janeiro de 2011. Fonte: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/alvares-elcio.
Diante disso, percebe-se que os aspectos definidos como moral de um grupo estão diretamente relacionados ao exercício da cidadania, entendida como a atitude ativa de participação de acordo com aquilo que é assegurado pela lei. E ainda deve haver vigilância para que as leis sejam obedecidas, pois somente dessa maneira há a preservação da ordem e da defesa da moral. Há também em outra parte do livro de orientações curriculares o tópico: “Tipos de aprendizagem, sugestões para o ensino de Estudos Sociais”, o que implica levar em consideração três categorias: conhecimentos, atitudes e habilidades. O documento de Orientação Curricular propõe como exemplos de atitudes:
- Atitude de valorização dos feitos e vultos históricos Estaduais e Nacionais; - Atitude de zelo e respeito pelo patrimônio histórico-cultural da comunidade; - Atitude de apreciação dos recursos naturais da comunidade e desejo de preservá-los;
- Atitude de obediência e respeito às leis e às autoridades constituídas; - Atitude de cortesia para com todas as pessoas (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p. 6).
O quarto tópico, dentro das atitudes que levavam à aprendizagem, corrobora com a valorização da moral a partir do momento que repreende valores sociais negativos, como desobediência e desrespeito às leis e às autoridades. Ou seja, de acordo com as orientações curriculares, os professores deveriam ensinar seus alunos a não desobedecerem às leis nem às autoridades. Nesse sentido, alguns questionamentos eram feitos aos educadores ao longo do documento de Orientação Curricular:
O que está sendo estudado em OSPB e EMC está sendo vivido em História e Geografia?
Que conceitos ou informações necessárias às duas disciplinas podem ser estudadas em OSPB e EMC?
O que o aluno aprende vai torna-lo mais apto a uma participação no mundo que vive?
O trabalho em grupo, corretamente desenvolvido, será a atividade fundamental a consecução dos objetivos desses componentes curriculares, em grande parte voltados para os direitos e deveres do homem e do cidadão.
A participação democrática nos grupos contribuirá para que o conhecimento teórico do assunto seja, muitas vezes, vivenciado e verdadeiramente aprendido (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p. 66).
O documento de Orientações Curriculares também deixava bem evidente as características e qualidades pessoais e profissionais que o professor deveria ter para ser apto a lecionar a disciplina. Assim, o profissional da educação deveria:
Criar uma atmosfera democrática dando liberdade aos alunos na escolha de atividades individuais ou em grupo, possibilitando o emprego de suas capacidades, dividindo responsabilidades, orientando a auto avaliação e de grupo, ocupando-o na solução de problemas importantes e significativos para eles, transferindo aos alunos um clima de segurança, prestígio e colaboração (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p. 9)
A democracia que era pregada nas Orientações Curriculares para ser aplicada às escolas ligadas à liberdade de escolha não era a mesma que acontecia na sociedade do período estudado. Sendo assim, torna-se contraditório pensar em democracia dentro do período de exceção.
No que se refere aos objetivos de conhecimento e propostas curriculares para Estudos Sociais do documento encontra-se novamente a apropriação dos termos Moral e o Civismo.
O estudo cuidadoso dos objetivos de conhecimento de Estudos Sociais na Proposta Curricular permite a constatação de que ao longo das séries, são formulados objetivos que dizem respeito à:
Organização social e política Aspectos geográficos e históricos Aspectos econômicos
Aspectos de moral e civismo (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p.14).
Por essa via, a proposta curricular para o curso de Estudos Sociais nas escolas do Estado do Espírito Santo foi pensada de forma que EMC fosse ministrada juntamente com OSPB, História e Geografia nas 8ª séries, ou seja, no último ano do Ensino Fundamental, enquanto nas demais séries, a EMC seria ministrada como prática educativa, ou seja, através de atividades extraclasses que estariam incluídas na disciplina de Estudos Sociais.
O ensino sistemático de OSPB, componente obrigatório dos Estudos Sociais, foi reservado à 8ª série. A proposta apresenta esse componente integrado à Educação Moral e Cívica. [...] Como componentes da área dos Estudos Sociais, OSPB e EMC também devem entrosar-se com História e Geografia. Mais uma vez citamos o planejamento conjunto como fundamental à unidade dos Estudos Sociais (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p. 65).
Em outro momento das Orientações Curriculares, há uma referência explícita sobre o ensino de Educação Moral e Cívica. Dessa vez, abordando sua obrigatoriedade nos currículos plenos nos estabelecimentos de ensino de 1° e 2° graus, levando em consideração as disposições do Decreto-Lei nº 869, de 12 de setembro de 1969, e o artigo 7° da Lei 5.692/71. Esse último refere-se à EMC como disciplina e prática educativa, ou seja, não especifica a necessidade de haver em todas as séries uma disciplina chamada Educação Moral e Cívica, sendo assim ela seria apropriada e adequada em todos os graus da escolaridade, conforme as diretrizes e orientações do governo:
No caso do ensino de 1° Grau devem ser abordadas a Geografia, a História e a Organização Social e Política do Brasil. Também a Educação Moral e Cívica, parte obrigatória dos Currículos Plenos, conforme o art. 7° da Lei 5692/71, integra-se à área de Estudos Sociais (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p. 4).
Além da obrigatoriedade da inclusão de EMC nos currículos escolares, seja como disciplina, seja como prática educativa, havia ainda um estímulo à criação de Centros Cívicos, que funcionavam sob a assistência de um docente indicado pela direção da escola, e a diretoria seria eleita pelos alunos. Nas escolas da rede estadual de ensino, a criação dos Centros Cívicos era obrigatória, enquanto nos estabelecimentos particulares era optativo. O Centro Cívico seria destinado à comunidade local para o desenvolvimento de atividades relacionadas à EMC e à cooperação na formação do caráter do educando.
Será o Centro Cívico, então, a primeira atividade extraclasse criada na escola e que, além de responder a disposições legais oferecerá a vantagem de estimular a adesão dos alunos em outras atividades. Com efeito poderá o Centro Cívico ser centralizador das atividades dos Clubes ou Grupos da escola, os quais terão sua própria organização, seus próprios objetivos específicos sua própria coordenação, mas todo em função de objetivos gerais traçados pelo Centro Cívico (ORIENTAÇÕES CURRICULARES, 1971, p. 69).
Entendemos que o documento de orientação e diretrizes curriculares proposto pelo Estado do Espírito Santo para as escolas da rede corrobora com a hipótese deste estudo: que esses objetos culturais, imersos em uma determinada cultura escolar, eram partícipes de um projeto de pátria que se superpunha à ideia de nação. Isso porque educar um povo era e continua sendo um dever e um interesse, já que havia incentivo à criação de outros espaços onde as representações de moral e civismo seriam apropriadas para o outro, ou dada a ler por esse outro, legitimando-se a ponto de mudar e consolidar hábitos de obediência e amor à pátria. Dessa forma, as Orientações Curriculares são ao mesmo tempo objetos educacionais, políticos e culturais inseridos em uma determinada cultura escolar, a cultura escolar capixaba, e eram, portanto, participantes de um projeto de pátria proposto pelo governo.