2.3. Enerji Konusunda Yerel Kurumsal Yapılar
2.3.3. Hükümet Programlarında Enerji
No Guia Metodológico para Cadernos do MEC, há uma epígrafe de Jean Piaget sobre o principal objetivo da educação:
O principal objetivo da educação é criar homens capazes de fazer coisas novas, não apenas capazes de repetir o que fizeram outras gerações – homens criativos, inventivos e descobridores. O segundo objetivo da educação é formar mentes que possam ser críticas, possam verificar e não aceitar tudo o que lhes é oferecido (FONSECA; GASMAN, 1971, p. 12, apud Jean Piaget).
Personagem notório na área da Educação, dentre outros, o pensador e epistemólogo Jean Piaget preconizava que o sujeito tem papel ativo no processo de aprendizagem, pois ele se desenvolve a partir da interação com o meio, ou seja, o sujeito constrói o conhecimento.
Em seu livro Juízo Moral na Criança, Piaget buscar compreender o processo de construção da moralidade, para isto, em suas pesquisas, uma das técnicas por ele utilizada é o jogo de bolinhas de gude. Diante dos resultados alcançados, Piaget
(1994, p. 31) levanta duas questões: a primeira é “como os indivíduos se adaptam
pouco a pouco a essas regras, como então observam a regra em função de sua idade e de seu desenvolvimento mental.”. A segunda diz respeito a “que consciência toma das regras, ou, em outras palavras, que tipos de obrigações resultam para
eles, sempre de acordo com as idades, do domínio progressivo da regra”.
As análises de Piaget permitiram inferir que existem diferenças quanto ao respeito às regras em crianças de idades distintas, distinguindo-se as fases em três estágios: anomia, heteronomia e autonomia moral. Assim, ao analisar a consciência de regras de moral por meio da observação do comportamento das crianças, o pesquisador postulou a existência de uma progressão em relação a esses estágios de desenvolvimento, caracterizado por três estágios.
Durante o primeiro estágio (crianças até 5 anos) – a anomia – a criança está fortemente ligada a hábitos motores, pelos quais sente prazer. O hábito levará a criança a desenvolver regras basicamente individuais, conhecidas como egocentrismo. Nesse momento, o indivíduo não compreende as regras coletivas. No entanto, quando essas são seguidas, baseiam-se pelo hábito e não pela consciência do certo e do errado.
O segundo estágio (crianças de 9 a 10 anos), inicia a partir do momento em que a criança corresponde a regras exteriores. Nessa fase, as crianças heterônomas entendem as regras como inalteráveis, sendo, portanto, uma qualidade essencial para que a norma venha a ser legítima. Esses sujeitos, então, acreditam que é obrigação seguir aquilo que lhe foi imposto, pois quem tentar modificar o regulamento estará cometendo um delito e será punido. Isso é uma representação da coação que os adultos desempenham sobre os mais novos. As conexões estabelecidas por meio da coação são marcadas por relações desiguais, em que um é superior ao outro.
Para entender melhor a coação adulta, é necessário compreender o realismo moral.
Esse é essencialmente heterônomo, já que o “bem” está nas condutas precisas. A
regra é observada em seu caráter único e rígido; desprezam-se as nuances e só é considerado aquilo que foi escrito, refutando o sentido aplicado da lei. Isto demonstra uma responsabilidade objetiva em função do prejuízo e não a respeito da desobediência das regras.
No terceiro estágio (a partir dos 11 anos), também conhecido como autonomia às regras para criança não são impostas pelo meio exterior, mas sim por contratos feitos a partir do grupo. Piaget destaca três principais mudanças em relação à etapa anterior. Primeiramente é ressaltado que as regras possuem maior flexibilidade e podem ser alteradas caso haja combinação prévia. A inovação será permitida, no entanto somente é acionada à legislação se passarem pela avaliação do grupo.
Dessa forma, a socialização ocorre ao longo do desenvolvimento humano e constitui um processo gradual e cumulativo. O que é considerado moral para as crianças e os jovens é uma preocupação marcante dos adultos em geral. Nesse sentido, durante o
período autoritário, pôde-se constatar um acentuado interesse pelo desenvolvimento moral desse grupo.
Piaget analisa a cooperação, que é a relação entre dois ou mais indivíduos que acreditam ser iguais. Para que exista cooperação é necessário ter respeito e reciprocidade entre os sujeitos. Nesse estudo, as noções da moral que acometem diretamente na cooperação é a justiça. Piaget reconstrói alguns enfoques da heteronomia e da autonomia para refletir sobre três tipos de justiça: a retributiva, a imanente e a distributiva.
A primeira caracteriza-se por dois tipos de sanções: a expiratória e a por reciprocidade. A expiatória vai ao encontro das relações de coação, pois é imposta
ao indivíduo. Ela é utilizada pelas autoridades por acreditarem que a forma de
reconstruir a ordem é por meio de uma repreensão severa, muitas vezes acompanhada por castigos dolorosos. As sanções expiatórias não apresentam semelhança entre a sanção e o ato sancionado. A necessidade está em fazer com que a gravidade da infração esteja na mesma proporção do castigo. Já a sanção por reciprocidade é paralela à cooperação, pois há ruptura do elo social provocado pelo culpado fazendo-o sentir seus efeitos. É motivada; há relação de conteúdo e de natureza entre a falta e a punição. Essas sanções são vistas em outras formas de justiça definidas por Piaget, assim como em outros estágios do desenvolvimento da criança.
A justiça imanente é aquela em que a criança acredita que há na justeza declarada pelos adultos algo de sagrado e imutável, ou seja, emana da natureza física e dos objetos inanimados; não há distinção entre dever e obediência; toda desaprovação é legítima e necessária, predominando as sanções expiatórias; a autoridade é unilateral e regulada pela autoridade adulta.
A justiça distributiva é ligada à ideia oposta à sanção. O importante é repor ao ofendido ou prejudicado a sua perda, levando em conta as condições e intenções, não só as consequências do ato.
Nesse sentido, o MEC apropriou-se da pesquisa epistemológica de Piaget sobre a moralidade em crianças e jovens com o intuito de dar conta de seus próprios anseios e objetivos, ou seja, utilizando-se somente da justiça retributiva e das sansões
expiatórias. A moralidade, portanto, sempre teve grande significado social e político, isso porque as condições históricas e educacionais levaram a uma apropriação negativa da palavra “moral”, que passou a ser compreendida por muitos indivíduos como normas restritivas e cerceadoras da liberdade.