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III. BÖLÜM: TÜRKİYE’DE ELEKTRONİK YAYINCILIK

III.2. Elektronik Kitaplar

III.2.3. Elektronik Kitaplar ve Toplum

III.2.3.6. Elektronik Yayıncılıkta Yasal Düzenlemeler

A liberdade, constituída no decurso de séculos, é sedimentada gradativamente na consciência das pessoas, decorre das vontades livres e simplesmente passa a ser concretizada no direito. Como decorrente de uma

consciência coletiva, constitui um princípio organizador do Estado, consagrado nas constituições e concretizado pela lei.

O princípio de liberdade da vontade encontra como limite primeiro a liberdade dos demais, emergindo o segundo pólo de organização do Estado. A liberdade e a igualdade são os fundamentos das cartas humanitárias; trata-se de um direito universal. Dessa forma, o direito encontra formulado o princípio organizador básico, em torno do qual girará a estruturação e a imputação de direitos e deveres que formam a personalidade jurídica. Cabe aqui reproduzir um trecho da obra de Locke187:

Eis como Locke se expressa num trecho característico: “Porque os homens são todos livres por natureza, iguais e independentes, ninguém pode ser tirado dessa condição e sujeitado ao poder político de um outro, sem o próprio consenso. O único modo pelo qual uma pessoa se despe da sua liberdade natural e se investe dos vínculos da sociedade civil, consiste no acordo com outros homens para juntar-se, unir-se numa comunidade, para viver em união com comodidade, segurança e paz, na posse segura das próprias propriedades, e com uma garantia maior contra quem não pertence à mesma”. (p. 315)

A liberdade se reconhece na vontade; a liberdade funda-se no pensamento livre, no livre querer. Na vontade de querer livre (liberdade de querer livre) num plano prático, desemboca na liberdade de agir livre. A liberdade é o núcleo primeiro do direito à autodeterminação. Dessa forma ao direito compete desdobrar o conceito de liberdade, mantendo-o no horizonte da igualdade.

Para se formular o fio condutor do direito à liberdade, tem-se a conformação do homem livre no seio da comunidade política, que busca manter o direito de livre ação num contexto de direitos iguais. A consagração desse horizonte axiológico, num primeiro plano, é integrada entre os direitos e garantias individuais, a ser exercida no seio da sociedade civil, que se reflete na formação do Estado e é mediatizado no plano jurídico.

O reconhecimento desse status jurídico decorre diretamente do plano estrutural do sistema jurídico. A atribuição de direito e garantias se dá por via originária. O plano abstrato jurídico, uma vez estabelecido se reflete e constitui, no mundo jurídico, a personalidade com todos os seus núcleos ônticos, em que dialeticamente estão postos como contrários os direitos pessoais e deveres para com os demais sujeitos de direito.

De considerar que a instituição da personalidade jurídica ocorre na Constituição e é com essa personificação que o cidadão passa a transitar para o sistema jurídico em geral. Antes de se conformar a sociedade civil, há o homem sem lei – naturalmente livre. Quando os homens se integram na sociedade civil – dentro da qual todas as relações jurídicas decorrem originariamente das ações intersubjetivas – o agir humano é normativo. Existente a sociedade civil e, uma vez postos na Constituição os direitos e garantias pessoais, fundamentais, passam a se impor à coletividade, na qual esses direitos devem ser respeitados, impondo-se, inclusive, ao legislador e a sua concretização.

Então a noção, a significação do que é personalidade jurídica se forma no contexto constitucional, onde a liberdade está delineada em sua arquitetura mestra e se reflete originariamente nas relações entre os indivíduos e a coletividade. Os atos, no seio da sociedade, são praticados levando em conta seus efeitos normativos; a cada um é atribuído o dever de conhecer a lei, porque este passa a integrar os atos intersubjetivos e reflete os direitos e as responsabilidades.

No contexto da natureza, a forma originária de a pessoa exercer sua liberdade pode ser exemplificada no direito de posse: o indivíduo apropria-se de um objeto, externando um desejo de fruição de utilidade; cabia-lhe, antes da existência da sociedade civil, por meios próprios, manter essa posse diante dos demais. Formada a sociedade civil, esse ato originário de posse é reconhecido como decorrente da liberdade entre iguais pelo direito, daí o dever de respeitar o direito de posse dos demais, segundo estabelecido na lei. Ou seja, o direito passa a gerar seus efeitos de convivência pacífica garantindo o agir livre. Havida a posse regular, o reconhecimento do direito a esta protege o possuidor, estabelecendo direitos que devem ser garantidos pelo Estado.

O direito de propriedade e o direito de utilizar a coisa decorrem, então, prioritariamente, do direito constitucional, que é conformado no plano infraconstitucional pelo direito que regula tanto a aquisição desta como a sua alienação. Formula-se então, juridicamente, a forma de aquisição e alienação de propriedade. Chega-se ao mais importante instrumento jurídico que fundamenta o direito patrimonial: o contrato, o qual tem imanente o direito ao exercício de liberdade constitucionalmente protegido.

O direito de propriedade, a forma de exteriorizar a liberdade, é fundamento essencial do contrato estabelecido por atos de vontade. A propriedade, então, em

núcleo essencial inerente, a liberdade de se autogovernar. A propriedade, portanto, insere-se entre os elementos do exercício da liberdade e se fundamenta no direito de fazer contratos – em que se adquire e aliena bens; e a liberdade de dispor sobre esses bens se dá por via da vontade constitucionalmente protegida. Ter a vontade de adquirir, alienar e manter a propriedade então é um elemento inserido no contexto da liberdade, protegida constitucionalmente.

Nessa medida, negar ou esbulhar o direito de propriedade, não observando os princípios constitucionais, ou impedir que a pessoa pratique atos de disposição de vontade – alienar seus bens por via de seus negócios, licitamente, da forma que lhe é mais conveniente – é violar esta estrutura mestra do direito de ser um sujeito de direitos e de se autoconduzir.

Referindo-se sobre o direito de propriedade Bobbio188 leciona:

As coisas não começaram a passar à propriedade [dos indivíduos] mediante um simples ato interior da alma, porque os outros não podiam adivinhar aquilo de que nos queríamos apropriar para então absterem-se. Isso se fez por meio de uma convenção expressa, como quando se distribuem coisas que antes eram tidas em comum, ou tácitas, quando nos apossamos delas. Do momento em que não se quis mais deixar as coisas em comum – considerou-se, e foi necessário considerar – que todos os homens haviam consentido em que cada um se apropriasse, com o direito do primeiro ocupante, daquilo que não fosse dividido.

Esses direitos se confirmam no plano do exercício de direitos no contexto social – civil – e por isso não só devem ser respeitados pelo Estado – que atua como delegatário da administração pública, mas devem ser por ele protegidos. A relação jurídica se antepõe em dois planos de relação interpessoal: diante de terceiros, individualmente, e contra os terceiros, reunidos em forma de comunidade. O exercício de liberdade se estabelece como status pessoal – originariamente conformado – não sujeito a qualquer barganha dentro da comunidade, e como tal os atos jurídicos originariamente se impregnam de conteúdo jurídico constitucional, que se antepõe contra todos, inclusive ao Estado.

Pelos argumentos evidencia-se que o Estado decorre da Constituição e da lei, tanto quanto a personalidade jurídica do ser humano. O Estado, como delegatário do agir da sociedade, promove sua convivência e protege cada indivíduo na sua liberdade de auto-realização, constituindo o direito de propriedade uma das estruturas mestra, porque dela decorre a sobrevivência.