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Türkiye’de Üniversite-Sanayi İşbirliğine İlişkin Kalkınma Planları

2.2. Türkiye’de Üniversite – Sanayi İşbirliği

2.2.4. Türkiye’de Üniversite-Sanayi İşbirliğine İlişkin Kalkınma Planları

O licuri (Syagrus coronata) (Figura 2.1) é uma palmeira bem adaptada às regiões secas e áridas da caatinga e possui grande potencial alimentício, ornamental e forrageiro; sendo o seu manejo de grande importância para essas regiões, visto que as mesmas apresentam limitações para a agricultura. No entanto, essa cultura ainda se encontra sendo

explorada de forma extrativista. A palmeira do licuri possui tronco ereto, com comprimento situado na faixa que vai dos 6 aos 10 metros de altura, apresenta cerca de 20 centímetros de diâmetro, profundamente anelado. As folhas, geralmente em fileiras de cinco, ocorrem no ápice do tronco, formando uma “coroa foliar”, daí o epíteto específico coronata. As bases dos pecíolos são persistentes (BONDAR, 1938; NOBLICK, 1991). Há emissão de uma folha por mês. A folha possui em média 186 pinas.

O florescimento acontece entre os meses de dezembro e de março. A inflorescência tem um comprimento de 60,3 cm e leva dois meses para o seu desenvolvimento total (Figura 2.2 D). Os ramos basais têm 28,5 cm de comprimento e os apicais aproximadamente 7,2 cm de comprimento. As flores masculinas medem entre 15 e 17 mm de comprimento e são amarelas e as femininas medem entre 10 e 12 mm de comprimento e tem coloração esbranquiçada. A proporção entre as flores masculina/feminina é de 10587,8/1327,2. Os frutos são tipo drupa com uma média de 1,9 cm de comprimento e 2,3 cm de diâmetro. Levam cerca de dois meses para amadurecerem e são amarelos quando maduros (CRESPALDI et al, 2006).

Figura 2.1 Palmeira Licuri – Caldeirão Grande – BA, 2006. (Fotografia Rosilã Jacques Pereira)

Um cacho com frutos tem em média cerca de 6,26 kg e possui cerca de 1070 frutos. A polpa do fruto tem aproximadamente 4,26 g e a amêndoa 0,66 g e a proporção polpa/amêndoa é de 6,26 (CRESPALDI et al, 2006).

processo de amadurecimento, dando origem à amêndoa. Quando maduros estes apresentam uma coloração que varia do amarelo claro a para a cor laranja, dependendo não apenas do seu estágio de maturação, mas também dos indivíduos considerados (Figura 2.2. B).

Figura 2.2 Palmeira Licuri: Caule (A), Frutos (B), Folha (C), e Inflorescência (D).

A palmeira frutifica o ano todo, mas apresenta um pico para sua frutificação entre os meses de junho e julho (CRESPALDI, et al., 2006). A distribuição da espécie vai do Norte de Minas Gerais, porção oriental e central da Bahia até o Sul de Pernambuco, incluindo os estados de Sergipe e Alagoas (NOBLICK, 1991)

As sinonímias listadas para S. coronata estão em Noblick (1986, 1991): Cocos coronata Mart., 1826; Cocos coronata var. todari Beccari, 1887; Cocos botryophora var. ensifolia Drude, 1881; Cocos quinquefaria Barb. Rodr, 1900; Licuri é o nome mais utilizado no semiárido baiano, entretanto, outros nomes também designam a mesma espécie: ouricuri, aricuri, nicuri, coqueiro dicori, coqueiro cabeçudo, alicuri e baba de boi. (BONDAR,1942).O licuri embora não se saiba, até então, qual o grau de ameaça do licuri, em 1996 a IUCN já recomendava estudos ecológicos e biológicos que permitissem o manejo sustentável da palmeira e ações de conservação diante da crescente pressão e erosão genética sofrida a qual esta espécie está submetida (JOHNSON, 1996). O coco licuri in natura apresenta uma polpa agridoce, endocarpo e amêndoa conforme mostra a Figura 2.3 .

Figura 2.3 Licuri in natura: amêndoa (1), polpa (2),.

A propagação da palmeira licuri, ocorre como a grande maioria das espécies de Arecaceae, de forma sexuada, por sementes. A germinação é um processo lento, que pode demorar quase um ano (LORENZI, 2000). Em condições de viveiro, registraram uma grande variação no número de dias necessários para germinação das sementes situando se em uma faixa que vai de 42 a 334 dias (MATTHES e CASTRO,1987). Este fenômeno é comum para várias espécies de palmeiras, as quais apresentam dificuldade para germinar, mesmo quando suas sementes são submetidas a condições adequadas (BOVI e CARDOSO, 1978; BROSCHAT e DONSELMAN, 1988; CUNHA e JARDIM, 1995; TOMLINSON, 1990). Esta demora e desuniformidade da germinação podem ser explicadas por obstáculos mecânicos como a espessura da testa ou do endocarpo, que dificultam a penetração de água no embrião (TOMLINSON, 1990; BOVI e CARDOSO 1976; CARVALHO et al., 2005).

Rodrigues et al. (2006) estudando A viabilidade de sementes de licuri durante o armazenamento, sugerem que as mesmas sejam recalcitrantes, ou seja, altamente sensíveis ao dessecamento. Apesar disto, algumas sementes de licuri conseguem atravessar o período de seca até o início da estação chuvosa para germinar, embora esta taxa de germinação seja baixa (CREPALDI, 2001).

O cultivo de embriões in vitro tem se mostrado uma técnica promissora para propagação de espécies de palmeiras em menor espaço de tempo, superando o problema do lento processo de germinação da semente . O transplante de plantas semi adultas ou adultas também poderia ser empregado como alternativa de propagação e manejo do licuri,

particularmente em áreas de cultivo com grande adensamento de palmeiras. Áreas com esta característica possuem uso limitado para a agricultura tradicional e a redução do adensamento de licurizeiros pode ser uma alternativa para viabilizar a agricultura, sem que palmeiras sejam sacrificadas, mas transplantadas para outras áreas. Um licurizeiro adulto ao ser retirado da caatinga e transplantado em outro local sobrevive naturalmente, como pode ser observado em diversos povoados no interior baiano, em que, por ocasião de festas, se transplantam licurizeiros para ornamentação das ruas, os quais, ao serem deixados no novo lugar, continuam vegetando e produzindo frutos. A figura 2.4 mostra a germinação e muda da palmeira do licuri (CARVALHO et al,2005).

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A B Figura 2.4 – Germinação (A) e muda (B), do Licuri.

Estudos a respeito da interação de vertebrados e palmeiras ainda são escassos, com exceção do palmito juçara (Euterpe edulis Mart.)

Dentre os estudos realizados com o licurizeiro, destacam se os relatos do comportamento alimentar da arara azul de lear por (BRANDT e MACHADO, 1990).

Quinze espécies de vertebrados, distribuídos entre répteis, aves e mamíferos, alimentam se dos frutos da palmeira ou de invertebrados associados. De acordo com os diversos tipos de interação ecológica citados , acredita se que possam existir quatro tipos de interação dos organismos associados ao licurizeiro. A palmeira do licuri é uma das principais fontes de alimento para vários animais silvestres como a arara azul de lear, Anodorhynchus leari que está ameaçado de extinção. Sua sobrevivência está intimamente

ligada à existência do licuri que também serve como fonte de alimentação a animais domésticos como bovinos e caprinos. A Figura 2.5 mostra a espécie alimentando se dos frutos dos licuri.

Figura 2.5 Arara azul de lear alimentando se de Licuri.

A otimização do uso dessa palmeira, certamente contribuirá para a melhoria da qualidade de vida das populações da região, possibilitando a utilização dos seus frutos na alimentação humana, pois estes apresentam um bom valor nutricional, como também para aumentar o desenvolvimento socioeconômico do semiárido, gerando renda para a população através da utilização sustentável do licuri. O licurizeiro apresenta grande importância nos municípios onde se encontra, pois representa uma fonte de renda para as populações, no entanto a sua exploração ainda se dá de forma extrativista. Das suas folhas, são confeccionados sacolas, chapéus, vassouras, espanadores, etc. Estas também são usadas para retirada da cera do licuri que durante algumas décadas atrais era utilizada na fabricação de papel carbono, graxa para sapatos, móveis e pintura de automóveis, sendo considerada equivalente a da carnaubeira. As amêndoas do licuri são consumidas in natura seca ou cozidas. Também são utilizadas na produção de cocadas, rosários, licores, e do leite de licuri, muito utilizado na culinária baiana. O óleo constitui cerca de 55 a 61% da amêndoa é usado em culinária da população do semi árido, análogo ao coqueiro da praia (Cocus nucifera, Lin). Industrialmente é utilizado na produção de saponáceos (sabão em pó,

detergentes, sabão em barra e sabonetes finos) considerados de alta qualidade.Do resíduo obtido com a extração do óleo, origina se uma torta também que serve como alimento para animais, esta torta apresenta 41% de substâncias não azotadas, 19% de proteínas, 16% de celulose e 11% a 12% de óleo. Representa ótima ração adicional para vacas leiteiras, para o desenvolvimento precoce de animais de corte e também para reprodutores.

A análise da composição nutricional do fruto do licuri (CREPALDI et al., 2001) mostrou que o fruto é bastante calórico (108,6 Kcal/100g, polpa e 527,3 Kcal/100g, amêndoa), tendo em média 4,5% de lipídeos na polpa e 49,2% na amêndoa. O teor de proteínas é de 3,2% na polpa e 11,5 % na amêndoa. Os carboidratos totais predominam na polpa (13,2%), sendo que a amêndoa possui 9,7%. Também na polpa há predomínio de fibra alimentar total (37,5%) e na amêndoa 22,8%. Em estudo posterior efetuou se a caracterização do óleo de licuri por cromatografia liquida de alta eficiência HPLC e por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa CG/EM assim como dos seus produtos usando lípases (SEGAL).

Os macro e micronutrientes presente na polpa e amêndoa foram estudados mostrando a presença de cálcio e magnésio na polpa e na amêndoa além destes minerais também foi encontrado zinco, cobre e selênio (DUARTE 2006).

Em virtude do grande potencial nutricional do licuri diversos produtos alimentícios foram desenvolvidos barras de cereais, conservas, sorvetes, leite de coco licuri e diversas outras iguarias desde 2006 (MEC,2006) formando um mix de produtos da alimentação, que pode ser mostrado na Figura 2.6 que mostra a Cadeia produtiva do licuri elaborada a partir do desenvolvimento do projeto Licuri pelo IFBA.

Figura 2.6 Cadeia Produtiva do Licuri, GPPQ, 2011.

O maior gargalo tecnológico da cadeia produtiva do licuri para produção de alimentos é representado pela colheita e pelas operações pós colheita como secagem, armazenamento e manutenção de qualidade. Assim foi implementado pelo IFBA o programa colhedoras de licuri, (Figura 2.7), uma vez que o licuri é um fruto deve ser colhido e não catado no meio de estrumes de animais ruminantes e a avaliação de tecnologias de pós colheita próprias para o licuri, a qual esta dissertação colabora com o estudo da secagem em secador solar, que podem ser utilizados principalmente para unidades de pequena e média escala. Nestas propriedades normalmente os grãos são secados nos terreiros em condições alta vulnerabilidade, ficando à mercê das condições ambientais. na obtenção de amêndoas do licuri com segurança alimentar em virtude da forma rudimentar iniciaram um estudo para o uso do licuri na fabricação de devido o seu grande potencial para alimentação humana, essa pesquisa foi concluída com resultados positivos o que fortalece a urgência de estudos sobre essa cultura.

Figura 2.7 Mulher “colhendo” Licuri, Caldeirão Grande – BA. (Fotografias Rosilã Jacques Pereira)

2.8 – Caldeirão Grande: O Campo de Aplicação da Tecnologia Desenvolvida

Integrante do Território de Identidade Piemonte Norte do Itapicuru, o município de Caldeirão Grande dista 333 Km de sua capital, Salvador, possui, conforme o IBGE, uma população estimada em 13.864 habitantes, sendo que, aproximadamente, 32% deste total são habitantes da zona urbana e 68% da zona rural.

A altitude do município é de 400 metros, área geográfica de 495,84 km², densidade demográfica de 22,99 h/km². O município de Caldeirão Grande limita se com Ponto Novo, Caém e Saúde. Possui um clima quente a seco, semiárido com estiagens prolongadas. O solo é variado, com a vegetação é caatinga e cerrado, tendo sua pluviosidade media anual de 700 a 900 mm/ano, com período chuvoso inverno de abril a junho. Localizado ao extremo sul do Território de Identidadedo Piemonte Norte do Itapicuru que está inserido entre outros dois Territórios de Identidade – Piemonte de Diamantina e Sisal, onde, juntos, perfazem mais de 60% da produção de licuri da Bahia (SEI, 2003) – o município de Caldeirão Grande é um dos quatro maiores municípios produtores de licuri da Bahia e aquele para o qual o extrativismo do fruto tem maior importância econômica e social.

Fonte: tipni.blogspot.com (2011) Fonte: IBGE (2011) Figura 2.8 Território de Identidade Piemonte Norte do Itapicuru de Caldeirão Grande.

Existem, em Caldeirão Grande, cerca de 970 famílias extrativistas cadastradas que mantêm vivas as práticas e saberes referentes ao extrativismo e ao uso do licuri, condições fundamentais para o desenvolvimento de Tecnologia Social. A média total de anos de exploração da atividade de extrativismo do licuri por família, conforme cadastro, é de 28,6 (anos), onde 44% das famílias cadastradas exploram somente sua propriedade e 20% catam o licuri como meeiros em propriedades vizinhas. É o município que possui o número mais elevado no tocante à produtividade na extração vegetal do licuri, além disso, é o município que possui uma mata de licurizeiros auferida em torno de mais de 15 milhões de palmeiras, cujo aproveitamento no tocante à economia e processo produtivo não alcança menos de 0,1% de seu potencial.

Caldeirão Grande, juntamente com Jacobina, Cansanção e Monte Santo são os 4 maiores produtores de licuri da Bahia, correspondendo à praticamente metade da produção do Estado. Destarte, o papel preponderante do licuri para o município de Caldeirão Grande pode ser ratificada na visualização da relação produção/área territorial que alcança 1,0 t/km2 enquanto na relação produção/habitante chega a 47 kg/hab., de 3 a até 10 vezes superior às dos outros municípios.

Mapa do Território de Identidade

Piemonte Norte do Itapicuru Mapa do Município de Caldeirão Grande

Em Caldeirão Grande a prática do extrativismo faz parte da base econômica das famílias e da cultura local. Atualmente o extrativismo do licuri é praticado basicamente por mulheres e crianças. Os homens somente em períodos de falta de trabalho vão à colheita. No entanto, é comum no turno da noite toda a família, inclusive os homens, se ocuparem na debulha.

A secagem do licuri em Caldeirão Grande ocorre de forma radicional já bastante difundida pela comunidade rural, onde o licurí é secado em terreno aberto sobre o solo. A maneira tradicional para a secagem normalmente desenvolvida pelas comunidades apresenta muitas perdas para o processo. A primeira está no fato da umidade do terreno atingir os frutos, o que contribui para um alongamento do tempo de secagem. A outra forma de perda encontra se no ataque da praga, denominada pela comunidade como morotó do licurí. O agente biológico da praga o besouro do coco depositam os seus ovos sobre o pedúnculo das flores, no período de germinação da planta, as larvas introduzem se para o interior dos pequenos cocos. No período de maturação do cacho, as larvas passam a estragar muitos frutos, arruinando qualquer possibilidade de utilização deste licurí.

A outra grande perda para esse método de secagem tradicional encontra se no ataque de animais como: bois, porcos, cabritos e galinhas que se alimentam dos frutos expostos para serem secados diretamente sobre o terreno, conforme mostra a Figura 2.9.

Figura 2.9. Desvantagem da secagem tradicional do licuri.