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Türk Perakende Sektörünün Mevcut Durumu

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1.5.5. Türkiye’de Perakendecilik

1.5.5.2. Türk Perakende Sektörünün Mevcut Durumu

Com relação à participação das ONGs na educação e, especificamente, nas escolas públicas, trago aqui alguns resultados da pesquisa desenvolvida por Salete Valesan Camba (2004), intitulada “ONGs e Escolas Públicas: Uma relação em construção”. A sua dissertação procura analisar a relação de parceria entre ONGs e Escolas Públicas no Estado de São Paulo, no período de 1992 a 2002, por meio de entrevistas com 24 dirigentes de ONGs31.

Camba (2004: 49) acredita que a parceria entre ONG e Escola Pública vem crescendo ao longo dos anos e que pode representar uma forma de influenciar as políticas públicas em educação, pois “as ONGs passam a atuar diretamente no ensino-aprendizagem e não

apenas no apoio aos problemas físicos das escolas”. Elas colaboram no fortalecimento da

Escola Pública, favorecendo a construção de um espaço educativo que promova a cidadania e a justiça social.

Este estudo procurou mapear a opinião dos dirigentes de ONGs sobre a concepção de parceria, a visão a respeito da Escola Pública, a relação com as redes e sistemas de ensino estadual e municipal e, possíveis dificuldades encontradas ou espaços facilitadores na relação de parceria. As ONGs pesquisadas atuam, basicamente, na área de educação, tem como foco de atendimento crianças e jovens e os objetivos explicitados nos seus projetos educacionais são, pela ordem: formação profissional para jovens, promoção e fortalecimento da cidadania, melhoria da qualidade de vida, formação de educadores e de lideranças sociais, alfabetização de jovens e adultos e preservação da saúde. Estes objetivos demonstram a diversidade de propostas e focos das ONGs analisadas.

Apesar do foco da minha dissertação ser a parceria dentro do âmbito escolar, na atuação das ONGs identificadas por Camba (2004), são desenvolvidas 15 atividades dentro das escolas públicas e 22 fora da escola, atuando diretamente com alunos e comunidade. Mas,

31 As ONGs estudadas nesta dissertação foram: Associação Reciclázaro, Koaraci/Kinderê, Associação Projeto Aprendiz, Associação Criança Brasil, Instituto Dom Bosco, Associação Projeto Anchieta, Colméia, Projeto Meu Guri, Projeto Quixote, CEPECA, Casa do Zezinho, AVT-BR, ECOAR, CIEE, IBEAC, Crecheplan, CEDAC, Instituto Paulo Freire, SOS Mata Atlântica, Geledés, 5 elementos, Abrevida, Ação Educativa e Fundação Mokiti-Okada.

os projetos que são desenvolvidos fora da escola contam com a participação de professores e diretores escolares, procurando uma atuação conjunta. Mesmo com o crescimento de ações dentro da Escola Pública, as ONGs ainda preferem desenvolver ações que sejam complementares à escola.

Outro ponto evidenciado pela pesquisa é que, na grande maioria dos projetos, não existe algum tipo de vínculo ou contrato formal tanto com a Escola Pública como com a Secretaria de Educação, também não se configura a existência de algum tipo de acompanhamento, planejamento ou avaliação formal dos órgãos governamentais nos projetos desenvolvidos nas escolas. A questão da não formalização da parceria já foi levantada em outros estudos, apresentados nesta dissertação, o que demonstra a fragilidade deste tipo de relação.

Camba (2004) identifica, nas entrevistas dos dirigentes de ONGs, alguns pontos importantes na relação de parceria com a escola. O primeiro é que a parceria é entendida como forma de ajudar, mas não de resolver todos os problemas da Escola Pública. Outra questão é que a parceria é bem vista por pais e alunos, mas diretores, professores e funcionários das escolas, principalmente no início do contato ou das atividades, resistem às aproximações com as ONGs. Camba (2004: 111) cita alguns exemplos de motivos alegados, pelos dirigentes, para tais resistências: “medo de perder a autonomia, ou de

desobrigarem o Estado de suas obrigações com a educação e, por conseguinte, fortalecer a idéia de que contando com as ONGs estariam reforçando o ideário neoliberal”. Mesmo

com a resistência inicial das escolas, com o desenvolvimento dos projetos e consolidação da parceria tem se observado uma melhor auto-estima dos professores e corpo diretivo e um aumento da participação dos alunos e pais nas atividades escolares.

Ainda Camba (2004: 111) afirma que apesar de muitas parcerias possuírem um caráter paternalista, em que a ONG é considerada o espaço de construção de conhecimento e a escola é o lugar onde este conhecimento vai ser “depositado” ou testado, este tipo de relação pode colaborar para aumentar a participação da sociedade nas questões educacionais e, de certa forma, procurar reverter a situação de crise da Escola Pública. Diz que

... no geral, observamos a visão positiva das mesmas, pois, de diferentes ângulos, percebemos uma concepção de parceria aberta ao diálogo entre Sociedade Civil e Estado,

não doadora e, sim, problematizadora e incentivadora da participação da comunidade, num movimento dinâmico.

Uma percepção já apontada aqui é que na relação de parceria entre escolas públicas e ONGs é fortalecido o interesse dos pais e da comunidade escolar, pois são incrementadas as atividades escolares através do oferecimento de cursos, oficinas, materiais educacionais etc. Mas, esta “participação” não representa, de fato, que a comunidade está atenta às questões da escola ou mesmo sensível para suas necessidades e, portanto, vai lutar para mudar a situação. Para os dirigentes das ONGs é possível solucionar a crise da Escola Pública com a participação da sociedade, cobrando responsabilidades do Estado para mudar o quadro educacional.

Com relação às dificuldades encontradas pelas ONGs na parceria, é recorrente a questão da “estrutura burocrática, verticalizada e ‘tradicional’ das escolas públicas” (Camba: 2004: 111). Esta situação é vista não somente na Escola Pública, mas no sistema escolar como um todo. Outra dificuldade encontrada é a falta de debate entre os profissionais da educação, alunos e comunidade; percebendo-se uma falta de diálogo dentro da escola. Além do abandono quase total da escola, a falta de políticas públicas que valorizem a escola e os seus profissionais e a crise educacional são fatores que não favorecem a parceria, pois criam um clima de aparente desinteresse geral.

Já na visão dos dirigentes das ONGs, com relação à Escola Pública, é constatado que os

“professores são mal preparados, estruturas físicas inadequadas, ausência de diálogo interno na escola e também com as organizações não–governamentais e uma crise da educação largamente anunciada” (CAMBA, 2004: 112). Para eles, também faltam canais

de diálogo com as redes de ensino e as Secretarias de Educação.

Camba (2004: 114) diz ter ficado evidente em sua pesquisa que a Escola Pública sente dificuldade de acompanhar as demandas da sociedade moderna, sendo que um dos principais motivos para isso é o fato do Estado não cumprir com sua função de “garantir

educação de qualidade social para todos”, pois “sistemas e unidades escolares, ao procurarem uma ONG, esperam viabilizar ações através de projetos de parcerias que poderiam ser assumidos pelo Estado”.

Porém, acredita que este tipo de participação que ocorre no âmbito local não traz indicações claras que possam contribuir com as políticas públicas em educação em âmbito geral, buscando, de certa forma, inovar tais políticas e suas práticas. Outro problema enfrentado pelas ONGs é depender de agências financiadoras, públicas ou privadas, que delimitam o campo e a duração dos projetos de parceria, buscando resultados a curto prazo, questão difícil de ser resolvida em se tratando de educação. Acrescenta que as ONGs não podem fazer o papel do Estado, mas podem contribuir, num plano mais abrangente e menos localizado, para efetivar um processo de melhoria da Escola Pública e, conseqüentemente, fortalecer uma “qualidade social da educação” (Camba, 2004).

Para a Escola Pública é importante conhecer seus parceiros, pois, muitas vezes, ela escolhe ou aceita o parceiro sem nenhum critério. Isso resulta em problemas, especialmente decorrentes do fato de situações em que os dois lados não estão em sintonia de objetivos a alcançar (Camba, 2004: 114).

Ou seja, a parceria pode ser uma forma de construir uma ação educativa mais rica dentro da Escola Pública, mas, ao mesmo tempo, ela pode representar uma imposição de interesse, que está por trás da missão e ações de cada ONG, o que pode não ser bom para a escola e sua comunidade.

Mesmo com estas dificuldades, Camba (2004: 114) afirma que é:

... a aproximação entre Estado, Sociedade Civil, e Escola Pública, em diálogo aberto e permanente, numa relação aberta e cada vez mais propositiva, contribuirá para o alcance da justiça social que tanto ONGs quanto as escolas públicas – e todo o poder público, coletivamente almejam alcançar.