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Fransa’da Perakendecilik Kesiminde Ticarî Plânlama Uygulamaları 1. Hükümet Politikaları ve Yasalar

PERAKENDECİLİK KESİMİNDE TİCARî PLÂNLAMA

2.4. PERAKENDECİLİK KESİMİNDE TİCARî PLÂNLAMA İLE İLGİLİ HÜKÜMET UYGULAMALARI VE YEREL İLGİLİ HÜKÜMET UYGULAMALARI VE YEREL

2.4.4. Fransa’da Perakendecilik Kesiminde Ticarî Plânlama Uygulamaları 1. Hükümet Politikaları ve Yasalar

A medida e a forma de medir as coisas nada mais são do que uma convenção humana. José Ortega y Gasset (1963) afirma que “a medida é, por sua própria essência, relatividade. Não há medida sem metro, e o metro, como tal, não é uma coisa cósmica, não é uma realidade, mas uma arbitrariedade. É uma coisa humaníssima.” (p. 104). A medida é uma antiga invenção da humanidade, mas a ciência moderna deu a ela um tratamento peculiar que permitiu grandes progressos científicos em vários campos do conhecimento.

Com um sistema de contagem, outro de medidas, além de outros elementos, o homem, desde muito, administra o trabalho de outros homens e o uso da terra9. O homem passa a fazer uso de instrumentos de medidas que surgem do concreto e que se consolidam com a abstração. Os sistemas de numeração, assim como as unidades de medida, são conceitos que passam a ser aceitos por convenção, resultados da abstração e da elaboração de conceitos matemáticos. São recursos abstratos que permitem ao homem exercer, concretamente, o domínio sobre a terra para a agricultura, o processo de trocas comerciais e o controle da produção para a taxação de impostos e para a gerência da produção e a supervisão sobre trabalhadores e escravos.

Os egípcios, assim como os chineses, romanos, gregos, indianos, mesopotâmios e outros povos desenvolveram diferentes sistemas de numeração e de metrologia. Em qualquer dessas culturas — como em outras — contar, medir e classificar são ações constantes no cotidiano das pessoas. Apesar disso, enquanto muitas pessoas tinham interesse por esses conceitos para realizar transações comerciais e financeiras, outras tinham o lazer como fator motivador.

Na civilização egípcia, por exemplo, contar e medir permitiram o controle das colheitas, das terras, pois o Rio Nilo, com suas inundações, modificava a área das plantações.

9 A restrição da liberdade e o uso da força no caso dos escravos, por exemplo, é um exemplo (desumano) de

Os sistemas de contagem e de medidas surgem com a necessidade burocrática de controlar áreas e comprimentos dando origem, dessa maneira, à profissão dos agrimensores chamados, naquela época, de “esticadores de corda”. As cordas eram usadas pelos agrimensores para “traçar bases de templos como para realinhar demarcações apagadas de terras” (BOYER, 1974, p. 4). Eles faziam uso de conhecimentos da geometria e também de princípios estéticos, tanto para construir templos e demarcar terras, como para configurações estéticas e de ordenamento.

A construção das Pirâmides do Egito, da Muralha da China, além de outras grandes construções das Antigas Civilizações, requereu uma administração elementar sobre o trabalho de milhares de trabalhadores10, e essa supervisão era realizada também por escravos, como

afirma Colin A. Ronan (1994). Isso indica que “o controle de turmas grandes de trabalhadores antecede à época burguesa”, argumenta Harry Braverman (1980, p. 65). A administração egípcia preocupava-se com a marcação do tempo, por isso logo desenvolveram o primeiro calendário baseado nas estações do ano. O interesse pela Astronomia era porque precisavam prever acontecimentos com a colheita e com os tributos devidos conforme períodos específicos (RONAN, 1994).

Durante a XII dinastia, com Amenemés e seus sucessores, diz Ronan (1994, p. 21), a “administração padronizou pesos e medidas, enquanto seus funcionários” faziam registros em hieróglifos. Os métodos desenvolvidos para medir a terra visavam também à taxação de impostos. Mas se os agricultores tivessem diminuídas suas terras em função das inundações do Rio Nilo, podiam reivindicar redução nessas taxas. Para administrar essas áreas em função das colheitas e das modificações do tamanho da área de plantação face às inundações do Rio Nilo, eram necessários, portanto, sistemas para medir o tempo, a área e a produção.

O Egito tinha uma administração eficiente que se concentrou, também, nas grandes construções, como os grandes edifícios, estátuas e pirâmides. Para construir a pirâmide de Quéops, por exemplo, foram utilizadas “mais de 2,3 milhões de blocos de pedra calcária, cada qual pesando 2,5 toneladas” (RONAN, 1994, p. 22). Essa construção exigiu dos egípcios, não somente imaginação e técnica de construção dos egípcios, mas também “habilidade administrativa em organizar um enorme exército de operários – 100.000, de acordo com o historiador Heródoto”. (RONAN, 1994, p. 22). As técnicas de construção egípcia utilizavam princípios mecânicos e, além de outros aspectos eminentemente práticos, os egípcios tinham que importar a madeira de que precisavam. Dessa forma, contar e medir eram fundamentais

10 Tem-se aqui uma contradição sobre quem trabalhou na construção das pirâmides. Ronan (1994) fala em

para o controle dos materiais de construção e para administrar o expressivo número de trabalhadores requeridos para a execução das obras (RONAN, 1994). Trata-se, assim, da utilização de sistemas de contagem e de medidas para administrar a ação do homem sobre a natureza e para controlar o trabalho humano. Nesse contexto, o controle do trabalho por meio de unidades de tempo já existia muito antes do taylorismo que, entretanto, não se equipara ao controle utilizado pelos egípcios. Mas, na Civilização Egípcia, já são encontrados indícios de processos burocráticos visando à arrecadação de impostos e ao controle da produção e do trabalho humano.

Os conhecimentos matemáticos, utilizados pelas civilizações antigas e não apenas a egípcia, foram fundamentais para o desenvolvimento científico e tecnológico que presenciamos diariamente. Para o progresso da ciência, a criação de sistemas de medidas foi essencial e favoreceu também o comércio e a produção de mercadorias. Processos de gerência e produção capitalista, como abordado no capítulo três, serão beneficiados por esse desenvolvimento.

1.4 O desenvolvimento da ciência e da racionalidade técnica: uma característica do