F. Ü Sosyal Bilimler Enstitüsü Yönetim Kurulunun
2.6. Türk – Amerikan İkili İlişkilerinde Müttefiklik Dönemi
Até a metade do século XX "o erro humano" era considerado o principal agente da ação em acidentes. Para Areosa [2009 p.45] "O termo erro humano apresenta uma carga simbólica negativa e culpabilisante para quem cometeu o denominado ato inseguro". Com o reconhecimento dos múltiplos fatores que condicionam o comportamento humano e atuam no ambiente construído e natural verificou-se que os conflitos, desvios e falhas estavam inter- relacionados formando uma complexa rede de ações materializadas e reações em cadeia que modificavam a forma de uso, a organização das funções a disposição espacial dos elementos constituintes, o comportamento e hábitos dos usuários. Ou seja, o erro humano é o resultado de decisões individuais e coletivas que tiveram como referência informações ou a falta delas, contexto ambiental, análises e julgamentos quase sempre inadequados.
Para Wickens (1984) Apud Fischer (2005, p.42) o erro humano pode ser de detecção ou percepção, de decisão e de ação. O primeiro está sob a influência das capacidades e habilidade do indivíduo trabalhando órgãos sensoriais e conhecimento. O segundo está relacionado aos processos cognitivos onde o individuo recebe, trabalha a informação, realiza a síntese e emite um julgamento. O terceiro envolve os dois primeiros mais o tempo de resposta, suas capacidades e habilidades em se por em movimento e agir sob pressão.
Gomes Filho; Vanzin; Forcellini (2009, p.220) caracterizam e indicam as possíveis inter-relações no processo de escolhas que pode levar ao erro humano.
"O erro humano se caracteriza pelo ato do julgamento. Não há condições de se qualificar um erro sem um conveniente processo de avaliação. A avaliação, por sua vez, pressupõe um fato a ser analisado e um conceito do que seja a verdade, que deve estar amparada por um paradigma estabelecido. Assim, o paradigma é um conhecimento previamente abstraído e aceito tanto em nível individual quanto social". Os autores Gomes Filho; Vanzin; Forcellini (2009, p.220) enfatizam que "[...] a lógica muda de acordo com o paradigma2 e com o meio sociocultural no qual
ele foi adotado". Para os autores o conceito de erro humano está ancorado em três pilares, são eles: os conceitos de realidade, verdade e conhecimento. O conceito de realidade está amparado ao que se designa como realidade natural, social, política e cultural. Eles encontram a explicação a partir dos textos de Murcho (2006) sobre as afirmações de Kant na qual
"[...] a realidade como é conhecida filosófica e cientificamente não é uma realidade em si das coisas, mas a realidade tal como é estruturada pela razão, tal como é organizada, explicada e interpretada pelas estruturas a priori do sujeito do conhecimento". Mucho (2006) Apud Gomes Filho; Vanzin, T.; Forcellini, F.(2009, p.221).
Já o conceito de verdade está relacionado à "certeza da existência da realidade que é percebida pelo ser humano" e que "a verdade sempre possui um portador, que pode ser: pessoas ou coisas, sentenças assertivas, proposições ou crenças". Gomes Filho; Vanzin, T.; Forcellini, F.(2009, p.221). Não se pode esquecer que diversas teorias3 surgiram para explicar o conceito
de verdade como explica Chauí (2002, p.94 a 108).
2 Paradigmas constituem modelos abstratos vigentes em determinado tempo e espaço. GOMES FILHO; VANZIN, T.; FORCELLINI, F. (2009, p.220).
3 Teoria Correspondencial; Teoria da Redundância, Teoria Pragmática da Verdade e Teoria Coerencial.
"A verdade é, ao mesmo tempo, frágil e poderosa. Frágil porque os poderes estabelecidos podem destruí-la, assim como mudanças teóricas podem substituí-la por outra. Poderosa, porque a existência do verdadeiro é o que dá sentido à existência humana". Chauí (2002, p.108).
O conceito de conhecimento se relaciona segundo Chauí a "capacidade humana de conhecer, pelo entendimento ou sujeito do conhecimento". Ela acredita que a "teoria do conhecimento volta-se para a relação entre o pensamento e as coisas, a consciência (interior) e a realidade (exterior), o entendimento e a realidade; em suma, o sujeito é o objeto do conhecimento". Chauí (2002, p.114).
Gomes Filho; Vanzin, T.; Forcellini (2009) esclarecem que a dimensão do conhecimento só é expressa quando materializada em um meio, fora isso ela pertence a:
"geração de ideias [...] inclui a busca por estruturas existentes na memória, a formação de associações ou combinações entre estas estruturas, a síntese ou transformação de estruturas em novas formas ou a transferência de conhecimentos de um domínio para outro".
Elas passam de "realidades diferentes que compõem o habitat das situações em que operam os julgamentos e os paradigmas não possibilitam um trato absolutamente linear em todas as ocasiões". Gomes Filho; Vanzin, T.; Forcellini, F.(2009, p.228 e 229).
O ser humano independente de suas capacidades e habilidades não estão imunes a falhas de percepção e de decisão. Tudo depende de um conjunto de condicionantes internos ao homem [fatores psíquicos - consciente / inconsciente, cognitivo e físico]; qualidade e proximidade da realidade das informações produzidas; meio ambiente interno e externo tanto físico como sociocultural e econômico. O modo de falha é um recurso natural do ser humano seja ele consciente ou não; tudo depende da intensidade com que esse indivíduo se põe diante das pressões internas e externas.
Quando se busca a origem e as consequências para os erros humanos se faz necessário ir além dos limites formalmente pré-estabelecidos; a análise, a imparcialidade de julgamento e o conhecimento multidisciplinar contribuem no desvendar dos modelos mentais e físicos estabelecidos. O erro e as tentativas de acerto terminam por melhorar os controles estabelecidos para os sistemas. 2.5 O processamento das informações
Os modelos mentais apresentam uma complexa dinâmica de funcionamento onde o existir só acontece após várias intervenções [diretas e indiretas, externas e internas] utilizando parte de suas capacidades e habilidades. Eles constroem e qualificam vínculos de pertinência ou negação. A necessidade em configurar métodos ou modelos implica em racionalizar o pensamento de forma a adquirir, demostrar ou verificar o conhecimento. De certa forma, os modelos físicos não passam de sínteses facilitadoras do processo mental. Ele permite que o indivíduo compreenda as múltiplas condições impostas para cada decisão e não perca as referências necessárias à integração do sistema.
Independente do modelo estabelecido [mental ou físico] o ser humano precisa processar as informações para então agir [tomar decisões]. Essa dinâmica envolve tempo de reação4, processamento de códigos de semelhança5, capacidade de perceber e reagir a estímulos sensoriais e a expectativa desse indivíduo.
Rio, R. P. e Pires, L. (2001, p.88) propõem um modelo "sistêmico ou holístico" no qual estão relacionados os fatores que podem causar impactos sobre o ser humano alterando assim, o estado de homeostase6. Ele entende que estes
4 Tempo de reação é o intervalo de tempo entre a recepção de um estímulo e a emissão da resposta pelo organismo. O tempo de reação é passível de sofrer influência a partir de fatores como quantidade de informações a serem trabalhadas, interações complexas entre informações e grau de incerteza contido nas próprias informações (conhecimento e experiência do operador, coerência de funcionamento do processo e adequação do processo ao ambiente). 5 Trata da capacidade do homem de processar a informação. Ele acessa as memórias (verbal e espacial), ambas operam com capacidade limitada e perda rápida. Daí a necessidade de treinamento (repetição) para fixar o conhecimento.
6 Homeostase é a estabilidade orgânica, ou a manutenção da estabilidade em todos os aspectos. HANS SELYE apud RIO, R. P e PIRES, L. (2001, p.79).
fatores podem "criar uma dinâmica complexa, multiforme e ininterrupta enquanto durar a vida". E ainda que o indivíduo
"além da grande variabilidade individual, parece ter um sistema psíquico dotado de grande plasticidade e capaz de grandes esforços adaptacionais, em função das necessidades detectadas, de fatores motivacionais, etc." RIO, R. P. e PIRES, l. (2001, p.137).
Eles ressalvam o quanto os estímulos interferem e modificam o estado de homeostase, levando o organismo a reações ou estado de atenção, ação imediata, paralisia, fuga e estresse.
O estresse7 leve e moderado é considerado saudável, mas crônico modifica a dinâmica comportamental e a execução dos modelos mentais e dos modelos criados. Quando atingido pelo estresse o ser humano tende a reagir de forma positiva [estresse leve e moderado] ou negativa [estresse crônico] dependendo da maneira como que esse indivíduo interpreta e operacionaliza as pressões. Para Rio, R. P. e Pires, l. (2001, p.137 e 138) "Independentemente da vontade, ocorrem períodos curtos de interrupção na elaboração das informações autônomas". Isso se deve, segundo os autores, a um sistema interno de proteção que mantém o "nível da capacidade mental o máximo de tempo possível com o máximo de rendimento". Eles observam que o descompasso entre as funções psíquicas [recepção de informações, memória e vigilância] faz com que sejam reduzidas as capacidades de percepção dos canais sensoriais, de elaboração de síntese e de fixação das informações. Como consequência do descompasso das funções psíquicas o indivíduo pode vir a ter modificado a estrutura de seu pensamento.
Gazzaniga, Ivry, Mangun (2006) explica que a incapacidade de reter e organizar simultaneamente múltiplas informações leva o individuo a priorizar algumas delas, o que não significa hierarquizar por grau de importância. Ao
7 Estresse é um conjunto de respostas, específicas e /ou generalizadas do nosso organismo, diante de estímulos externos ou internos, concretos ou imaginários, que são percebidos como pressões- ameaças ou desafios RIO, R. P e PIRES, L. (2001, p.81).
anular ou desconsiderar algumas delas, sem ponderar a sua importância, tende a perde o senso de realidade em nome de uma objetividade distorcida.
"Os avanços são feitos trabalhando-se em diferentes níveis de organização, eis a estratégia fundamental em neurociência cognitiva.8 Sabendo-se qual comportamento é realmente produzido, não precisamos conhecer todas as possibilidades de interações que ocorrem entre os elementos relacionados. Dessa maneira, um problema se torna restrito e passível de solução". Gazzaniga, Ivry, Mangun (2006, p.29).
Kosslyn e Andersen (1992) e Chauí (2002) abordam a dinâmica do que não é palpável e facilmente controlável.
"Qualquer comportamento ou percepção particular é produzido por muitas áreas, localizadas em várias partes do encéfalo. Assim, a chave para resolver este debate é compreender que funções complexas, como percepção, memória, raciocínio lógico e movimento, são produtos de vários processos subjacentes, realizados em distintas regiões do encéfalo. Na realidade, as habilidades propriamente ditas podem ser alcançadas de diferentes maneiras, o que envolve diferentes combinações de processos [...]" Kosslyn e Andersen, (1992) apud Gazzaniga, Ivry, Mangun (2006, p.32).
"O pensamento vai além do trabalho da inteligência: abstrai os dados da condição imediata de nossa experiência e os elabora sob a forma de conceitos, ideias e juízos, estabelecendo articulações internas e necessárias entre eles pelo raciocínio (indução e dedução), pelas análises e pela síntese". Chauí (2002, p. 156).
"O pensamento lógico ou racional opera de acordo com princípios de identidade, contradição, terceiro excluído, razão suficiente e causalidade; distingue verdade de fato e verdades de razão; diferencia intuição, dedução, indução e abdução; distingue análise e síntese; diferencia reflexão e verificação, teorias e práticas, ciência e técnica". Chauí (2002, p. 164).
8 A neurociência permite revelar a compreender a complexidade e a especialização do córtex cerebral. (p.33)
"Longe de desvalorizar a teoria do conhecimento, a psicanálise exige do pensamento que não faça concessões às ideias estabelecidas, à moral vigente, aos preconceitos e às opiniões de nossa sociedade, mas que os enfrente em nome da própria razão e do pensamento. A consciência é frágil, mas é ela que decide e aceita correr o risco da angústia e o risco de desvendar e decifrar o inconsciente" Chauí (2002, p. 170).
A informação é a base à tomada de decisão, pois é por meio dela que se estabelecem as relações de necessidades.