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TÜRKøYE’NøN AB ÜYELøöøNøN ODGP/AGSP’YE OLASI KATKILARI:

Sim. Em fevereiro de 1932, dois meses depois do jul­ gamento do Otelo, o então pretor Álvaro Ribeiro da Costa, que

depois veio a ser minisro e presidente do Supremo Tribunal

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Federal, assumiu interinamente a presidência do Tribunal do Júri e me nomeou para defender um réu pobre: Januário da Silva Campos, vulgo "Pitombo". Pela primeira vez defendi sozinho, mal completados meus 20 anos no mês anterior. E o promotor a enfrentar era Roberto lira. Audácia, temeri­ dade, petuláncia? O réu já havia sido julgado uma vez, em 1924, e absolvido pelos jurados, por falta de prova da autoria. Era acusado de ter dado uma facada num desafeto, nas proximi­ dades do Arsenal de Marinha.

O

promotor apelou, e a Corte de Apelação mandou-o a novo julgamento, por entender que a decisão do júri era conrária à prova dos autos. Na opinião dos desembargadores ha\�a elementos suficientes para a con­ denação.

Embora o acusado ivesse maus antecedentes, o tem­ po decorrido era um fator que ajudava a defesa. Posto em liber­ dade havia mais de sete anos, o réu nesse período ha,�a consitu­ ído famlia e ido uma vida regular. Foi preso numa cidade do inteior de Minas Gerais onde trabalhava como engraxate. Fiz uma defesa com grande entusiasmo, procurando convencer os jurados de que sua prisão perdera o objeto e a oportunidade, pois ele demonstrara, com sua boa conduta durante tão largo espaço de tempo, que estava perfeitamente adaptado à vida em sociedade, já agora com uma fia a sustentar. E por í i ...

Roberto ira me aparteou algumas vezes, e diante das suas in­ terrupções mosrei-me irriado. Ele me acalmou dizendo que os apartes eram uma "provocação" , para que eu não perdesse o '�gor na minha argumentação. Havia percebido que eu icava mais vibrante e mais convincente quando espicaçado por suas intervenções. Com o passar dos anos, conhecendo melhor Roberto ira, de quem me tornei amigo fratenal, compreendi que ele também estava convencido de que a condenação do réu nenhuma vantagem oferecia à sociedade. Embora sem formu-

A AUDÁCIA DA JUVENTUDE

lar um pedido de absolvição, não revelou maior empenho na condenação, que solicitou de modo formal.

O corpo de jurados daquele mês foi exremamente severo. Meu cliente daivo foi o único réu absolvido, e por unanimidade, na sessão judiciária do mês de fevereiro. Devo acrescentar que dei tudo de mim em favor do "Pitombo". Não deixei de ir um só dia, antes do julgamento, ao Salão dos Passos Perdidos para aguardar os jurados e, quando possível, falar-lhes, para angiar simpaias. Se instado por eles, respondia a pergun­ tas sobre a situação do processo, mas não ousava pedir-lhes que votassem dessa ou daquela forma. Tenho a sensação de que eles me viam com boa vontade: um jovem ainda estudante defen­ dendo um réu pobre, nomeado pelo juiz, empenhado na vitóia da causa e compenerado de que era responsável pela liberdade do réu. Um principiante esforçado, um embrião de advogado que talvez pudesse dar certo ...

Lembro que, terminado o julgamento, o réu tentou me dar uma "facada", não como aquela de que era acusado, mas me pedindo uma ajuda porque estava sem dinheiro ne­ nhum, nem para tomar o bonde quando saísse da Casa de De­ tenção ... De qualquer forma, a experiência foi válida e envaidecedora para o jovem principiante que defendia sozinho pela primeira vez.

Ainda em

1932,

que era o meu quarto e úlimo ano de faculdade, rabalhei como uma espécie de estagiáio e auxiliar de João Romeiro Neto, advàgado de grande destaque, e com ele

z um julgamento. Recordo-me do caso, muito curioso: era um motorista de praça acusado de um duplo homicídio, comeido em lugares diferentes. Nunca esqueci o nome dele: Genil More­ no Alves Brasil do Nascimento. Por curiosidade, o acusador particular, o assistente do .inistério Público, foi exatamente João da Costa Pinto. O promotor foi, outra vez, Roberto Lira. A acusação procurava demonsrar que o réu, como motorisa

de táxi, inha se deslocado do local onde cometera o primeiro cime para o loal onde cometera o segundo, e por isso discuia­ se muito a questão do percurso, do tempo. Também era crime passional: a acusação era de que ele havia airado na mulher e depois, num ouro local, no amante. Foi condenado a uma pena elevada, acima de 20 anos de prisão. Na apelação, a sentença foi conirmada, de forma que se tornou definiiva, passou em julgado. Naquela época, permiia-se contudo a interposição de uma revisão junto ao Supremo Tribunal Federal, o que fize­ mos com êxito, porque o Supremo reduziu a pena para seis anos de prisão.

Defendi também nesse ano, novamente com João da Costa Pinto, um caso singular, porque a acusação contra o réu, que se chamava Júlio Esteves, era de que ele havia airado álcool sobre a amante e riscado um fósforo ... Mas ele negava termi­ nantemente isso, e alegava que era suicídio da mulher. Ninguém havia assisido ao fato, ele foi julgado pelo júi e foi condenado a seis anos de prisão. Essa pena reduzida revela que havia uma certa dúvida quanto à aceitação da acusação. Até hoje não estou convencido de que o acusado ivesse ateado fogo às vestes da mulher, mas o fato é que ele começou a cumpir a pena, depois houve o livramento condicional e foi posto em liberdade. Uma situação pitoresca foi que uma irmã do réu, sem que eu ivesse cobrado nada, aproximou-se e me deu um envelope. Afastei­ me pressuroso, abri-o, e lá estava uma nota de dez mil-réis, o que hoje deve ser equivalente a dez ou vinte reais. Dececiodo embora, encarei o fato com bonomia. Guardei-o, para contar mais tarde aos meus netos a "fortuna" que recebi como primei­ ros honorários proissionais ...

De muitos júris paricipei, nesse ano de 1932. Como vêem, comecei com muito ímpeto ... Houve também o caso de um tenente farmacêuico do Exército, José Peres Estruc, que airou conra dois alunos seus do Coléio Militar.

O

moivo foi

A AUDÁCIA DA JUVENTUDE

o fato de que o tenente, embora casado, seduzira uma irmã das víimas. Não houve morte, e a acusação atibuía ao réu duas

tentaivas de homiddio. O

jz

que pronunciou o réu foi o gran-

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de Nelson Hungia, e o auxiliar de acusação foi o advogado Mário Gameiro, que inba certa notoriedade por seu talento e ilusração mas era muito personalista, atacava sempre o adversá­ rio e deixava de lado a demonstração da tese que defendia. Durante o julgamento houve um incidente mais sério: quando terminei minha defesa e saí da tribuna para o Salão dos Passos Perdidos, o pai das íimas, coronel do Exército e, como o réu, professor do Coléio Militar, tentou me agredir. Como não conseguiu, ela intervenção de terceiros, ameaçou fazê-lo onde me encontrasse. Os crimes foram desclassificados para lesão

corporal, e o réu condenado à pena de um ano de prisão. Nesse

caso ainda funcionei ao lado de Romeiro Neto. Daí por diante

as causas de

ji

foram se sucedendo, e seria impossível relatá-las

todas na sua seqüência cronológica.