ouçn e 30. Como o senhor
uquee cima e fsna oíid?
Eu já era esmdante de direito quando surgiu a candida mra de Getúlio Vargas. Como sabem, havia a chamada políica do café-com-leite, o que siicava que uma presidência era de São Paulo, e a seguinte era de Minas. E isso foi se mantendo aravés da Primeira República durante muito tempo. Quebrou se esse critério com Epitácio Pessoa, porque Rodrigues Alves foi eleito pela segunda vez, para o período de 1918 a
22,
mas morreu antes de tomar posse. Sucedeu-o o vice-presidente,Delfim Moreira, que, todos dizem, estava decrépito, muito ve lho, e também morreu pouco depois, antes de completar um ano de governo. De acordo com a Consituição, inha que ser
feita uma nova eleição. í ficou a discussão enre São Paulo e
Minas. São Paulo dizia:
"É
a minha vez, porque o RodriguesAlves não assumiu." E Minas dizia: "Não, a vez é h, porque cumprimos o compromisso com São Paulo, elegemos um paulista." Daí resultou um desacordo e o não cumprimento dessa cláusula simbólica que exisia enre os dois lados: surgiu o nome de Epitácio Pessoa, que estava na Liga das Nações, na Europa. Não fosse isso, jamais um homem do Nordeste, naquela época, poderia ser presidente da República. Mas o com promisso coninuou sendo relaivamente cumpido, porque de pois de Epitácio elegeu-se Artur Benardes, de Minas, que foi de
1 922
a26;
em seguida o paulisa Washington Luis, de26
a30,
e aí deveria ser eleito um mineiro. Segundo se esperava seria o presidente - anigamente chamava-se assim - de Minas Gerais, António Carlos Ribeiro de Andrada. Mas Washington Luís resolveu não manter o compromisso e indicou, para subs itui -lo, o governador de São Paulo a época, J úlio Prestes. Essa ruptura levou a um grande descontentamento da classe políica, sobrerudo daqueles ligados a Minas Gerais. Havia uma rurbu
lência políico-militar muito grande, que ptincipiara em
1 922,
com os 18 do Forte. Depois de
22,
em24,
inha havido ouromovimento em São Paulo, o qual veio a resultar na Coluna Pres tes, que fez uma ravessia pelo país inteiro. Muitos militares jo vens aderiram a esse movimento, também pariciparam dessa inquieação geral.
Ora, com essa desavença enre os políicos paulistas e
17
mineiros surgiu o nome de Gerúlio Vargas. Esse livro
Cható,
que terminei de ler, fascinante, raz uma noícia muito correta sobre o surimento da candidarura de Gerlio, que havia sido minisro da Fazenda e saiu do ministério para ser govenador
A ESCOLA DA VIDA
do Rio Grande do Sul, mas aceitou disputar, como candidato da oposição, do que se chamou aAliança Liberal, a eleição con tra Jlio Prestes, A eleição não era por voto secreto, era feita a bico-de-pena, e Júlio Prestes foi proclamado eleito. Toda aquela conspiração latente dos tenentes se avolumou, e dessa conspiração resultou o movimento militar para a derrubada de Washington -Luís - movimento que se desencadeou no Rio Grande, veio até o Paraná, e já estava em Itararé quando Washington Luís foi deposto aquí no Rio por uma junta militar. O movimento estudanil, naquele tempo, estava em baixa, não estava muito atuante. Mas havia os comentários, ha via as simpaias, as manifestações a favor ou conra o movimen to da Aliança Liberal. A classe média, de m modo geral, achava que era necessário uma mudança; ° país estava atrasado, não marchava para a frente, sempre o predomínio dos políicos de Minas e São Paulo ... Havia um descontentamento que se alasrou e ampliou o movimento no senido da derrubada de Washing-
•
ton Luís. Eu, no jornal, rabalhando, estava informado todo dia, sabia do que estava ocorrendo.
É
claro que i simpáico ao movimento de30,
à ascensão de Gerlio, à tomada do poder pela revolução. E ive aí um trabalho imenso como jornalista. No dia em que Washington Luís foi deposto, eu estava noDiáio
de Noias
e saía a todo instante para buscar informações. Ostelefones eram poucos, não aa rádio, televisão, nada disso, e a gente inha que ir collier a noícia na rua, no local do fato. Lem bro que i ao Ministéio da Jusiça para saber quem inha assu mido o ministério, i à Chefatura de Polícia para saber quem inha enrado, tudo isso a pé. Nesse dia, o
Dián'o de Noíias
deu, se não me engano,12
edições. Qualquer noícia nova que surgia - " Fulano assumiu o istério da Fazenda" , " Fulano assumiu a Chefatura de Polícia" -, saía um novo clichê. Os vendedores mal chegavam na esquína, porque todo mundo comprava o jornal, queria saber o que estava ocorrendo.Eu própio, na avenida Rio Branco, assisi ao incêndio do
Jonal do Brail,
doO País,
que era o jornal oicioso, icava ali na esquina de Sete de Setembro, e deA Crítica,
do Mário Rodrigues, na rua do Carmo. Vi quando a mulidão enurecida enrava nos jonais e começava a jogar objetos -mesas, cadei ras, máquinas, udo. Dali a pouco a umaça, o fogo, o incêndio. Tiroteio na avenida Rio Branco! ODiário da Noite
era um jonal do Chateaubriand que icava na esquina de Ouvidor com aveni da Rio Branco - também perto. Eu me lembro que, na hora do iroteio, me escondi no corredor da entrada doDiário da
Noite.
Assisia àquilo tudo, senindo que alguma coisa ia mudar, e corria para o jornal para dar as noicias.Minha paricipação foi essa naquela oportunidade. E na faculdade, claro, havia debates, discursos, sobretudo depois da deposição de Washington Luís. Até que chegou Getúlio e assumiu o poder. E aí uma igura se destacou muito - outro dia
z
um discurso sobre ele: Osvaldo Aranha,18 que assumiu o Ministério da Jusiça e foi o organizador, sem dúvida alguma, naquele pimeiro momento, das forças que assumiam o coman do da nação. Era o Ministério da Jusiça o palco onde se davam os entendimentos, as conversações, e de onde saíam as procla mações. Lá foi preparada a edição de uma espécie de ato insitucional, que regulamentou o funcionamento do novo go vno que se insalava. Osvaldo Aranha foi uma figura de muito destaque, uma igura fascinante. Era jovem na, um homemde 36, 38 anos, mas inha, segundo o senimento geral, uma
espécie de controle da siuação, ou de influência decisiva nas deliberações.