• Sonuç bulunamadı

Nessa época eu começo a ler mais os romancistas clás­ sicos, sobretudo Machado de Assis, Eça de Queiroz ... Um pou­ co de Shakespeare, os autores ranceses de um modo geral: Anatole France, Balzac, Zola. Euclides da Cunha! Euclides eu já vim a ler na faculdade, nos meus 19, 20 anos. Nabuco,

Um esta­

dista do Império

-já mais tarde um pouco, depois de formado.

h, os poetas! Também gostava muito de ler poesia: Guerra Junqueiro, Castro Alves, os brasileiros todos. Ainda hoje gosto de ler poesia. Drummond, Pessoa ... Outro dia i esse livro do João Cabral de Melo Neto, que é uma delícia,

Sevilha andando. É

uma beleza.

É

o elogio da mulher sevilhana ... NOTS

A criação das faculdades de direito de Recife e de São Paulo por lei de

1 1 de agosto de 1827, sancionada por Pedro I após votação pela Assem­ bléia Geral, é marco importante na história da formação da inte1ectualidade brasileira, pois as duas escolas consituíram os primeiros cursos jurídicos no Brasil. A Faculdade de Direito de Recife foi instalada inicialmente em Otinda, nas dependências do mosteiro de São Bento, ransferindo-se para Recife m 1854. A de São Paulo também funcionou inicialmente em insituição.reliiosa, o convento de São Francisco. A rele­ vância dessa origem para a consituição de uma idenidade proissional aparece, por exemplo, no nome do Centro Acadêmico 1 1 de Agosto, da radicional escola do largo de São Francisco, em São Paulo. Sobre a impor­ tância de ambas as insituições na fonnação política e na história das idéi-

RAíZES NORDESTINAS

as do Brasil, ver Clóvis Bevilaqua, Histón-a da Facudade de Direito do

t

(2' ed., Brasília, INLjConselho Federal de Cultura, 1977; I' ed. 1 927); Roque Spencer Maciel de Barros, A ilustração brasrleira e a idéia de unàJersida­ de (São Paulo, USP, 1959);João Cruz Costa, Conribuição i história das idias no Brasil (2a ed., Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967; Reratos do Brasil, 56), Alberto Venâncio Filho, Das arcadas ao bachare!ismo: 150 anos de ensino Jllridio no Brasil (São Paulo, Perspeciva, s.d. ; Estudos, 57), e Sérgio Adorno, Os aprendifs do poder: o bacharelismo h-heral na políh'ca brasileira Rio de Janeiro, paz e Terra, 1 988).

2

João Barbalho Uchoa Cavalcanti (1846-1909) foi bacharel pela Faculda- de de Direito do Recife em 1867, deputado constituinte por Penambuco em 1891, minisro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, da Instru­ ção Pública, Correios e Telégrafos e do Interior inteino) no governo Deodoro da Fonseca, senador por Pernambuco (1892-1896) e minisro do Suprmo Tribunal Federal (STF) de 1 897 até aposentar-se em 1904_ Escreveu a obra Comentán-os aos diposititJos da Constituição Brasileira de 1891) com referências aos do Projeto da Comissão do Goveno Provisório, SUaS emendas e leis anteriores, ediada pela primeira vez em 1 902.

3

A Escola do Recife foi um movimento intelectual que começou a des- pontar nos anos 1 870, em Recife, e se estendeu até a década de 1910 apro­ ximadamente_ Consituiu um dos focos mais importantes do chamado "surto de idéias novas" que ocorreu em meados do século XIX no país e repercuiu nas áreas da literatura, da filosofia, do direito e do pensamen­

o político. Uma de suas caracteísicas foi a admiração pelo pensamento

alemão, especialmente o mm-1mento neokaniano. Sobre o assunto, ver, além das indicações relacionadas na nota 1 , Antonio Pm, A jilosoia da ECola do Reie (Rio de Janeiro, Saga, 1966), História das idéias ilosóicas no Brasl (São Paulo, GrijalbofUSP, 1967), c O estudo do pnuamento ilosóico brasileio (Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1979). Ver também Norma \Verneck, O conceito de jilosoia da cilnia em o Romero (Rio de Janeiro, PUC-RJ, 1 978, disserração de mesrado).

,

Hennan Wa�cn, O domínio olonial holandês no Brasil. Um capítulo da histó­ n-a colonial do sêmlo

VII

(radução de Pedro Celso Uchoa Cavalcani, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Poro Alegre, Companhia Editora Nacio­ nal, 1938: Brasiliana, 123). A obra foi raduzida do original alemão Das hoindische Kolonialreich in Braih-n. Ein Bpitel alls der Koloniageschichte des

17. Jahrhunderts (1921).

,

José Saney foi ovenador do Maranhão de 1966 a 1970 e seria mais tarde presidente da República (1985-1990).

,

Evandro Lins e Silva, "Discurso do homenageado", em Prêmio medalha Ji Barbosa 1991_ Agraciado: Evandro Cavalcanti L-ns e Silva (Brasília, Asses­ soria de Imprensa do Conselho Federal da OAB, 1 991).

,

Essa disputa pelo goveno de Penambuco ocorreu em 1922, após a morte do governador José Rufino Bezerra Cavalcanti, em 28 de março, antes do inal de seu mandato. Disputaram a sucessão estadual, de m

lado, Carlos de Lima Casro, então prefeito de Recife, apoiado pelos che­ fes poliicos Esticio Coimbra e Dantas Ribeiro e pelos Pessoa de Queirós, sobrinhos do presidente da República Epitácio Pessoa (1919-1922), e, de outro, José Henrique Carneiro da Cunha, apoiado, enre ouros, por Manuel Borba govenador de Pernambuco de 1915 a 1919) e Carlos de Lima Cavalcani, que haviam sido paridários da Reação Republicana em Pernambuco. A segunda facção venceu as eleições de 27 de maio, mas o conito prosseguiu, surgindo constantes rumores sobre a participação do Exército na preparação de um golpe em Pernambuco. Os dois grupos poliicos acabaram entrando em acordo e escolheram para governar o estado, de 1922 a 1926, o juiz federal Sérgio Loreto. Ver Manuel de Sousa Barros, A

década de

20

em Penambuco: uma interpretação

(Rio de Janeiro, Gráica F...ditora Acadêmica Ltda, 1972).

"

Temístocles Brandão Cavalcani (1899-1980) formou-se em direito peja Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (1922), defen­ deu integrantes dos movimentos tenencistas de 1922 e 1924 e paricipou da Revolução de 1930. Jurista de renome, exerceu diferentes unções ao longo de sua carreira, entre as quais as de consultor geral da República (de

1945 a 1946 e em 1955), procurador geral da República (1946-1947) e minisro do SlF (1967-1969). Em 1947 foi um dos fundadores do Ins­ ituto de Direito Público e Ciência PoHica lndipo) da Fundação Getulio Vargas, órgão que dirigiu até o inal de sua vida, assumindo inclusive a direção da

Revista de Direito Público e Ciênda Polítia,

depois

Revista de Ciên­

cia Política

da FG. Vr

Didonário histórico-biográico brasileiro: 1930-1983

(coord. Israel Beloch e Alzira Alves de Abreu. Rio de Janeiro, FGV­ CPDOC/Forense-Universitária/Finep, 1984), designado daqui em dian­ te pela sigla

DHBB.

9

O Ginásio Pernambucano faz parte do conjunto de instituições de ensi- no tradicionais de Pernambuco. Sua criaç�o, em 1825, inicialmente como Liceu Provincial, esteve conceitualmente vinculada ao Seminário de Olinda: tanto seu idealizador como seu primeiro diretor haviam sido padres mestres daquele seminário. Em 1855 o Ginásio Pernambucano recebeu o nome atual e, a parir de 1895, passou a seguir, como modelo, o Ginásio Nacional (depois Colégio Pedro lI), orientando-se predomi­ nantmente para a formação literária e humanisica. O tio-bisavô do en­ revistado, João Barbalho Uchoa Cavalcanti, também foi aluno do Giná­ sio Pernambucano_ Sobre o papel da insituição na história da educação em Pernambuco, ver Rui Bello,

Subsídios para a histón'a da educação em

Penambuco

(Recife, Secretaria de Educação e Cultura/Depmento de

R A f z ES NORDESTINAS

w .

A reforma de ensino João Luis Alves - Rocha Vaz, de 1 925, veio alterar as disposições da reforma Carlos Maximiliano, de 1915. De acordo com esta úlima, o aluno não mariculado em escola oicial podia fazer exames parcelados, ou exames preparatórios, sob a fiscalização de inspetores do Conselho Superior de Ensino, a m de obter os ceritcados reconheci­ dos pela União. Já a reforma Rocha Vaz generalizou o estudo seriado, até ntão exclusivo do Coléio Pedro II e dos ginásios estaduais equipara­ dos, abolindo os exames parcelados. A parir de enão o aluno era obri­ gado a freqüentar as aulas e a prestar provas ao longo de cinco anos, seO-' do vedado o acesso a qualquer série sem a aprovação nas matérias do ano anterior. Ver Jorge Nagle, Eduação e sociedade na Primeira &p�bliêá (São Paulo, EPUjEDUSP, 1974), e ''A educação na Primeira República", em Boris Fausto (dit.), O Brasil rpublicano (São Paulo, Difel, 1977, História Geral da Civilização Brasileira, tomo In, vo1. 2, p. 259-291).

"

João Alberto Lins de Barros (1897-1 955), ilho de Joaquim Cavalcani Lal de Barros e de Maria Carmelita Lins de Barros, foi revolucionário de 1924 e integrante da Coluna Prestes. Paricipou aivamente da Revolução de 1930, foi interventor em São Paulo de 1930 a 1931 e m seguida chefe

de polícia do Disrito Fderal, de 1932 a 1933. Nesse úlimo ano, arici­ pou da fundação do jornal A Nação, desinado a apoiar o governo Vargas, no qual Evandro Lins e Silva rabalharia de 1934 a 1936.João Alberto foi ainda deputado consituinte em 1 934, novamente chefe de poícia do Distrito Federal, em 1945, volando a ocupar cargos técnicos na adminis­ ração federal no segundo governo Vargas. Ver DHBB, op. ci/.

"

Agamenon Magalhães (1 893-1952), bacharel pela Faculdade de Direito do Recife (1916), foi deputado federal por Penambuco (1924-1929), re­ volucionário de 1930, deputado consituinte em 1934, minisro do Tra­ blho (1934-1937) e da Jusiça (1937 e 1945), interventor em Pernambuco (1937-1 945), novamente deputado (1946-1951) e governador de Pernambuco de 1951 até agosto de 1952, quando faleceu. Respondeu pda cadeira de geograia no Ginásio Penambucano de 1924 a 1 932. Seu ir­ mão Sério Magalhães (1916-1991) foi deputado federal pelo Disito Federal e depois pelo estado da Guanabara entre 1955 e 1964, quando teve seu mandato cassado pelo Ato Institucional nO 1 (9.4.1 964), editado poucos dias após o movimento olíico militar de 1964. Vr DHBB, op. cito

"

Calepino: nome de monge italiano que passou a vida a redigir um dicionário poliglótico cido como resumo da ciência mundial da época (1 502). Significa vocabulário, léxico.

"

Fernando Morais, Chalô, rei do Brasil: a vida de Assis Chateaubriand (São Paulo, Companhia das Letras, 1 994).

"

Eustórgio Wanderley,

Tipos populares do Reife ango

(Recife, Colégio Mo- demo, 1953).

16

Em fevereiro de 1926, foi planejada uma sublevação, em Recife, com o objetivo de apoiar a Coluna Prestes que, por essa época, estaria passando pelo inteior de Pernambuco. Os acertos inais do movimento deveriam ocorrer na casa de Pedro Celso Uchoa Cavalcani, que í abrigava seu filho, Luis Celso, militar excluído do Exército por moivos políicos. A conspi­ ração foi denunciada e a reunião suspensa. Inconformado com o fracasso do movimento, o tenente Cleto Campelo Filho, à frente de um grupo de

80 pessoas, invadiu várias cidades do agreste pernambucano, sendo morto no ataque a Gravará. No inquérito policial sobre a rebelião, foi ci­ ado João Celso, outro lho de Pedro Celso. Nào iguraram, no entanto, os nomes de Luis Celso e Adolfo Celso, apesar de indiciados no processo judicial. Ver Manuel de Sousa Barros, op.cit., p. 1 15-26.

"

HJtóna nova do Brasil

foi um conjunto de monograias produzidas en- re 1962 e 1964 pelo Departamento de História do Insituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) (criado em 1956 e exinto em 1 964), com a inalidade de renovar ° ensino da história no nível médio. Além de Pedro

Celso Uchoa Cavalcani Neto, participaram do projeto Nelson Werneck Sodré, Rubem César Fernandes, Joel Ruino dos Santos, Pedro de Alcântara Figueira e Mauricio Marins de Melo. Até 1964 haviam sido publicadas pelo Ministério da Educação e Cultura cinco monografias com o selo da

Históna nova,

mas logo depois do movimento políico-militar de 31 de março, com a invasão e a exinção do ISEB, os livros foram apre­ endidos e seus autores, presos - com exceção de Pedro Celso U choa Cavalcani e Rubem César Fernandes, que se exilaram. Houve uma se­ gunda publicação das monografias, pela editora Brasiliense, mas a edição também foi apreendida. O irmão de Evandro Lins e Silva, al Lins e Silva, integrou, ao lado de Modesto da Silveira, Evaristo de Morais Filho e George Tavares, o grupo de advogados que defendeu os autores da

Históna nova do Brasil

no Inquéito Policial Militar do ISEB. Sobre o as­ sunto, ver Nelson Werneck Sodré.

Histón'a da histón'a not1a

(petrópolis, Vozes, 1986).

"

Henrique de Toledo Dodsworth Filho (1895-1975), professor de fisica do Coléio Pedro lI, foi deputado federal pelo Disrito Federal de 1924

a 1930. Em 1 934, voltou ao Congresso como deputado constituinte pelo DF, e nele permeneceu até julho de 1937. Com o Esado Novo, em no� vembro de 1937, tornou-se prefeito da capital, cargo que ocupou até outubro de 1945. Já Ollveira de Meneses foi intendente do Conselho da Intendência Municipal do Disrito Federal hoje seria vereador da Câmara Municipal) de 1926 a 1928.

"

Henrique Brandão Cavalcanti foi núnistro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal de abril de 1994 até 1 .1 .1995, no governo Itamar Franco.

2. A escola da ida

BACL OR DECRETO