3.7. SOöUK SAVAù SONRASI NATO-AGSP øLøùKøLERø:
3.7.2. NATO-AGSP øLøùøKøLERø:
Não, porque o rapaz que o Carlos Medeiros queria colocar, que depois se tonou muito meu amigo também, Cân dido Álvaro de Gouveia, não foi trabalhar lá. Eu fazia o foro criminal e o civil também, de vez em quando. Mas não inha maior interesse para o jonal.
Naquele ano de 1930, pouco tempo depois de eu co meçar, haveria dois grandes julgamentos. Um, do lldefonso Simões Lopes, em que se sentava também no banco dos réus seu ho, Luís Simões Lopes. A história havia começado com um incidente entre o Luís e o Sousa Filho, deputado por Pernambuco, denro do recinto da Câmara dos Deputados, em tono do debate que estava se desenrondo naquela hora sobre a sucessão presidencial: de m lado, a candidatura de Júlio Pres tes, escolhido pelo presidente da República, Washington Luís, e do ouro, a candidatura de Getúlio Vargas. Desse incidente re sultou que ° lldefonso achou que o Luís estava sendo agredido pelo Sousa Filho - dizia-se
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e ele usava um punhal-, e ai rou e matou o Sousa Filho. De modo que foi m fato de muita repercussão. No mesmo dia desse crime, 26 de dezem bro de 1929, houve m ouro, também de grande repercussão: Slvia Serafim hibau matou, na redação d'AC iica,
que perten cia ao jonalista Mário Rodrigues, o Ilho dele, Roberto12
Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues. Esses processos esta- vam preparados para serem julgados pelo júri.
Naquela altura eu
já
estava mais familiarizado com o Figueiredo Pimentel, que, apesar de me ter recebido com irriação, se tornou um amigo, um protetor. Depois, ele me con vidou para ir para aGazeta de Notícias,
ANação;
para os vários lugares onde ia trabalhar, me levava. Sobrevieram esses dois jul gamentos grandes, e no dia do pimeiro deles, que foi o do Simões Lopes, recebi a credencial doDiário de Noíias.
Esive com Pimentel e ele me disse: "Você faz a primeira parte - chegada do acusado, interrogatóio . .." A
noite é que viria o debate, em que falariam o promotor e o advogado de defesa. "Para a segunda etapa, vou mandar um redator mais experi mentado." Era um redator mais anigo, que fazia também a par te jurídica, chamado Eduardo Bahoutb. Depois foi procurador da República.
Muito bem. Julgamento marcado, i para á na hora certa - naquele tempo o júi funcionava realmente na hora. Ao meio-dia em ponto O juiz Magarinos Torres abriu a sessão, sen
m no banco dos réus Ildefonso Simões Lopes e Luís Simões Lopes, que era co-réu no processo - não acusado do homicí dio, mas do incidente anterior-, e comecei a preparar a repor tagem. Fiz realmente um minucioso rabalho de todas as ocor rências até as seis, sete horas a noite. Fui para o jonal para levar aquela primeira parte ao Figueiredo Pimentel. Ele começou a ler, me deu grau dez pelo que eu inha feito até então e me incumbiu de coninuar durante a noite. í assisi ao debate. Fa lou, como advogado principal do Ildefonso Simões Lopes, o
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velho Evaisto de Morais. Foi uma das úlimas grandes defesas que ele fez no júri. E eu iquei fascinado por aquilo! Achei que encontrava i o meu caminho. O júri foi até de madrugada, eu
já
redigindo as coisas, preparando tudo ... Acho que oDiário de
Noícias
foi o único jonal que noiciou no dia seguinte o resula-A ESCOLA DA VIDA
do daquele julgamento - o réu foi absolvido - já com os detalhes, com rudo. E isso me crdenciou muito para o meu fururo no jonal.
Em seguida vinha o julgamento da Slvia llibau. Figueiredo Pimentel era seu amigo, gostava dela. Ela era uma mulher que inha se separado do marido, e isso era uma coisa incomum no Rio de Janiro daquele tempo. A mulher icava sempre suspeita de nào ser uma pessoa correta pelo fato de se ter separado. E ela era jornalista, assinava uma coluna com o pseudônimo de
Peite S ource,
Pequena Fonte. Uma mulher que escrevia em jonal ... Uma mulher que conversava com as pessoas, que levava os seus trabalhos para a redaçào ... Isso rudo fez com que ela fosse vítima da reportagem daCíica,
que a apontava como uma mulher livre, uma mulher que nào devía praicar certas ações, que eram censuráveis diante da sociedade muito rigorosa e machista da época. Ela leu a noícia e foi para o jornal com um revôlver pequenino, 22, procurar o dono, o vellio Mário Rodrigues, que não estava. Estava o Roberto, seu ho, que era ilustrador, pintor, desenhista. Tinha sido o ilusra dor da noícia. Os dois foram ao gabinete, iveram uma ligeira discussão, e ela deu um iro único. A bala o aingiu no coração e o matou.Pimentel estava muito interessado nesse julgamento, era até testemunha no caso, a favor dela. E me pediu, antes do julgamento, para eu fazer uma entrevista com o advogado de defesa. Ela foi defendida pelo Clóvís Dunshee de Abranches, irmão da condessa Perira Carneiro, e foi acusada por um ad vogado que depois se destacou muito no júi, um pouco mais
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velho que eu, ,Romeiro Neto. Também foi absolvida. i já paricipei mais um pouco como repórter, o que para
m
foi muito importante como airmação.Naquela época muitas vezes eu também icava fazen do plantão no jol. Anamente, os maruinos só fechavam às
duas, três horas da manhã e saíam na rotaiva às quaro, cinco horas. E então havia rdatores que icavam de plantão. Pimentel começou a pedir para eu icar e conversava comigo, me pedia para fazer um tópico. Sabem o que é um tópico? Tópicos são aquelas noícias que anamente todos os jamais inham, e ainda hoje têm, sobre, por exemplo, a falta d'água no Rio de Janeiro, ou o horário dos trens, uma coisa qualquer desse ipo. Há o arigo de fundo, que é o editorial, o pensamento do jornal, e os tópicos, que são opiniões sobre diversos assuntos. De vez em quando o Pimentel dizia: "Faz um tópico í, sobre a falta d'ua." Vocês não alcançaram a época m que a água era diicil. Havia momentos em que se icava semanas sem ter água che gando em casa. Fazer esses tópicos, para mim, também foi um aprendizado magníico. Os jornalistas de maior destaque tam bém faziam tópicos de matéria políica - a eleição para a Câ mara dos Vereadores, um projeto de lei qualquer que esava em andamento e que interessava ao público de modo geral. Havia topiquistas ilustres, como Osório Borba, grande jonalista; Othon Paulino, que depois foi um dos donos d'O
Dia
e d'ANoíia,
dois jornais de grande circulação; Xavier de Araújo; Nóbrega da Cunha, que era um dos diretores doDiário de Noí
ias;
Garcia de Resende. Havia jonalistas de grande nomeadaque faziam tópicos, que eram algo muito importante no corpo do jonal.
A SCOA DO JÚI
Quando comecei a assisir a julgamentos e a fazer a reportagem para o
Diário de Noícias,
me encantei com o júri! Porque oji
era realmente uma escola. Dali se irradiava todo o estudo de direito penal para o Brasil inteiro. Ao lado do salão do Tribunal do Júri, que é muito bonito, há um corredor bem largo que se chama Salão dos Passos Perdidos, porque é intera mente vazio, não tem bancos nem cadeiras, e as pessoas icam vagando e se enconrando por i. Aquele Salão dos Passos Per-A ESCOLA DA VIDA
didos era reqüentado pelos randes cistas da época, por todos os estudiosos do direito penal: o velho Evaristo,
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agarinosTorrs, RobertoLira, Mário Bulhões Pedreira,Jor- ge Seveiano Ribeiro. Havia também os mais jovens, como Ro meiro Neto e Stélio Galvão Bueno; havia um rábula, chamado João da Costa Pinto, com quem esreei no júri. Dali, daquele salão-coredor, saiu a Sociedade Brasileira de Ciminoloia, que
foi idéia do Roberto lira, saiu também a
Reista de Direito Penal.
O júri inha uma importãncia muito rande e teve um peso enorme na minha formação. Quase todos os dias havia um júri, e eu, como repórter, assisia, via os advogados, alguns compe tentes, ouros racos ... Quando eu achava que a defesa não esta va muito bem-feita, fazia comigo mesmo um julgamento e, com uma certa vaidade, dizia: ''Acho que faço melhor ... " Eu sempre invocava uma frase do Tobias Barreto, que havia lido naquela época: "Quando me julgo, envergonho-me; quando me com paro, orgulho-me." Eu dizia isso e achava que faria melhor ...