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Sempre que pronunciamos alguma coisa nós a desvalorizamos singularmente. Acreditamos ter mergulhado fundo nos abismos, mas, quando voltamos à tona, a gota d'água nas pálidas pontas de nossos dedos já não se parece com o mar de onde provém. Sonhamos ter descoberto tesouros maravilhosos em uma mina, mas quando voltamos à luz do dia trazemos apenas pedras falsas e cacos de vidro; ainda assim, o tesouro rebrilha, imutável, na escuridão. (Maeterlinck, 1986)

Divisão Estrutural3

Protagonista - Törless

Outros Personagens - Beineberg - Reiting - Basini - Príncipe H. - Bozena

Tempo de Duração - aproximadamente quatro anos

(tempo em que Törless passa no internato)

- realmente demarcado é um período que vai de um outono a um começo de inverno

Espaço - a escola em regime de internato

- "quartinho vermelho" - (pequeno espaço dentro da escola)

Foco Narrativo - em terceira pessoa (um narrador narra a história) - narrador heterodiegético

Estruturalmente, o romance é dividido em 29 capítulos de diferentes tamanhos. Esses 29 capítulos podem ser agrupados em quatro grandes fases narrativas. Essa disposição em capítulos é que impulsiona a ação, na qual se realiza, também, uma mudança de tempo e de cenário.

A primeira parte engloba os capítulos 1 ao 3 (p. 7 a 13). É nesta parte que são apresentadas e nos apresentam as cenas do passado.

Aqui ficamos sabendo que Törless queria ir para o internato e que seus pais haviam cedido aos pedidos do filho.

Mas Törless, com a partida dos pais, depois de o deixarem no internato, sente-se sozinho e abandonado. Apresenta-se inseguro e frequentemente confuso. A tristeza e a saudade de casa deixam-no inquieto.

Ele pensava que era a saudade dos pais que o deixava assim tão triste, mas, na verdade era algo mais complexo e indefinido.

Na segunda e terceira partes que abrangem os capítulos 4 a 26 (p. 13 a 182), fazemos uma subdvisão dos capítulos: quatro a dezessete e, dezoito a vinte e seis).

A partir do capítulo quatro até o vinte e seis, temos a representação da parte principal da obra. Do capítulo quatro ao dezessete percebemos as perturbações intelectuais de Törless, que têm seu ponto máximo no capítulo dezesseis. Aqui inicia também a ação do colega Basini, que começa a assumir a importância que passaria a ter na vida de Törless.

Do capítulo dezoito ao vinte e seis aparecem as perturbações morais de Törless, com encontros entre Basini e ele. Basini e Törless mantêm um temporário relacionamento

No capítulo quatro, Törless trava algumas novas amizades, entre elas com os rapazes Beineberg e Reiting. Estes, apesar de serem de boas famílias eram os piores alunos da classe, além de exageradamente violentos, selvagens e até grosseiros.

O colégio interno era frequentado pelos filhos das melhores famílias do país, que tinham como finalidade, ao saírem do colégio, ingressar em uma universidade, no serviço militar ou nos altos cargos públicos. Era uma ótima carta de recomendação ter sido educado no internato W.

Durante muito tempo, Törless continuou sendo um entre muitos.

A situação se agrava dramaticamente no capítulo dezesseis, quando Törless cai no perigoso campo dos interesses sádicos dos colegas.

A ação de Basini começa no momento em que ele rouba dinheiro de Beineberg para pagar suas dívidas com Reiting. Ao descobrirem o delito, os colegas resolvem se vingar, humilhando-o e maltratando-o a todo momento e Basini se submete, de cabeça baixa, a todo tipo de tortura.

Törless, a princípio não concordava com a atitude de seus colegas, mas acaba fazendo parte do complô contra Basini. Aparecem aí as perturbações intelectuais e as perturbações morais de Törless.

Törless passa a sofrer muito com a situação de Basini, e já nem sabe mais que tipos de sentimento ainda existem dentro de si próprio. Rompe com os amigos e resolve ajudar Basini a sair daquela situação tão humilhante. Mas para ele é muito difícil realizar essa ação. Fica nervoso, entra em um estado febril e em pânico.

Esses três capítulos abrangem a fase final da obra. Aqui aparecem as descrições das últimas dificuldades pelas quais Törless passará dentro e fora do internato.

Extremamente confuso, Törless acaba fugindo da instituição. Quando é achado e volta ao internato, é interrogado por uma comissão de professores. Mas, quando tenta exprimir publicamente e com clareza os seus sentimentos e idéias, é considerado um perturbado.

O diretor não sabe o que há na cabeça desse Törless, mas sabe que ele está num estado de alta excitação, de modo que não seria bom para Törless continuar no Internato. O diretor acha que ele precisa de uma vigilância cuidadosa quanto aos alimentos espirituais, mais do que o Internato pode lhe dar. O diretor não quer arcar com essa responsabilidade, e acha que Törless deve ser educado por professores particulares.

O diretor escreve ao pai de Törless sobre sua decisão.

Törless também manda uma carta para seus pais, pedindo para voltar para casa.

Törless reflete ainda a respeito de sua postura diante dos professores que o interrogaram: "...é verdade que me comportei como um irracional, mas também tudo isso parece ter tido tão pouco a ver com a minha razão...". E conclui: "...deve ter sido alguma coisa muito mais necessária e profunda do que se pode avaliar com a razão e os conceitos..." (p.192).

Os pais vão buscá-lo no internato e ele volta para casa. Segundo o narrador, agora Törless sabia distinguir entre o dia e a noite, o que na verdade sempre soubera “apenas, um pesadelo deslizara sobre essas fronteiras, confundindo-as e ele se envergonhava dessa confusão” (p. 192). Ele compreende que isso tudo passou e retorna para o convívio familiar.

3. OS AUTORES DOS ROMANCES