• Sonuç bulunamadı

C 0.073811 0.077246 0.955529 0.3452 R 2 0.203282 Akai Bilgi Kriteri 0.40

9. SONUÇ VE ÖNERİLER

O gestor de uma escola católica ocupa um cargo de alta confiança. Tanto as mantenedoras quanto as congregações religiosas procuram elaborar critérios de seleção para que a escolha tenha o mínimo possível de chance de dar errado. A escolha e definição do perfil levam em consideração, por um lado, o porte do colégio, sua tradição e necessidades no momento e, por outro lado, a trajetória acadêmica profissional do candidato e sua identificação com a proposta e identidade do colégio e da rede. Em alguns casos, conforme as entrevistas, faz-se uso de empresas que prestam assessoria em recursos humanos. Nas entrevistas foi citada a ferramenta recursos humanos denominada headhunters, ou seja, especialistas em selecionar lideranças de empresas.

Durante as entrevistas perguntou-se sobre quais as razões que o entrevistado/gestor acredita terem sido levadas em consideração para ser escolhido para essa função. A pergunta tinha a finalidade de se buscar dados sobre a autopercepção em relação ao perfil do entrevistado/gestor e sua identificação com os valores do colégio.

O conteúdo das entrevistas revela que, por parte da mantenedora e dos responsáveis em dar a palavra final no processo de seleção e escolha, a preocupação maior relaciona-se à identidade e à estabilidade institucional do Colégio. As demandas específicas de administração financeira ficam em segundo plano, de acordo com as entrevistas. Isso se deve, possivelmente, ao apoio em gestão que o modelo de gestão centralizada e padronizada das mantenedoras das redes oferecem. A partir dessas informações classificam-se algumas características desejadas pelas mantenedoras das redes e as congregações a que pertencem em relação à direção dos colégios:

Credibilidade: o gestor precisa desfrutar de credibilidade junto ao público

interno e externo, portanto, ainda prevalece a mentalidade de que a Irmã, o Irmão ou o Padre transmitem maior credibilidade. Isso justifica a atenção, por parte das mantenedoras, às modalidades de formação continuada que favorecem a identificação com o patrimônio espiritual da instituição.

Liderança: a credibilidade requerida precisa ter expressão de motivação das

equipes do colégio e autoridade no relacionamento com a comunidade educativa. A rotina dos colégios comporta muitas reuniões e instâncias de construção de propostas, projetos e decisões. A liderança de todos os processos é algo estratégico para a eficácia da gestão.

Afinidade: mesmo quando o gestor é trazido de fora do colégio, verifica-se a

necessidade de haver afinidade com a identidade da escola e familiaridade com o ambiente educacional. Essa afinidade, de acordo com as entrevistas, é algo construído desde que a pessoa inicia seu trabalho no colégio, ou na educação, e que o diretor precisa ter e proporcionar aos que trabalham em sua equipe.

Experiência: os gestores, membros de congregações religiosas, fizeram

menção à experiência em cargos de liderança dentro da própria congregação, sendo um dos motivos de aptidão à função. A experiência, tanto na prática da gestão quanto para os processos pedagógicos, de acordo com as entrevistas, é valorizada a ponto de relevar a ausência de formação acadêmica na área da gestão.

Eficiência: especialmente nas redes com gestão centralizada e monitorada

pela mantenedora as metas e objetivos estabelecem uma relação de constante prestação de contas entre os gestores e as mantenedoras. As entrevistas confirmam a expectativa por parte da mantenedora de uma gestão profissional, eficaz e com bons resultados.

No questionário on-line fez-se uma pergunta sobre o significado que o trabalho de gestor na escola tem para a vida pessoal. A finalidade dessa pergunta era perceber o nível do vínculo afetivo entre o indivíduo e a instituição e perceber outras significações possíveis.

A seguir faz-se uma síntese das respostas enviadas pelo questionário on-line. A cada letra corresponde a resposta de um dos participantes da pesquisa.

Questionário on-line via Google.docs. Questão aberta:

Questão 1 - Qual o significado, em sua vida, do trabalho que desenvolve nessa escola? Respostas: (cada letra corresponde a uma resposta)

A- O trabalho como missão religiosa, de evangelizar; B- Converge com valores e ideais que acredita; C- Realiza seu ideal de vida, faz o que acredita;

D- Sabe estar ajudando uma parcela da população a buscar uma vida melhor; E- Realiza o carisma salesiano ser "sinal e portador do amor de Deus aos jovens"; F- Gratifica participar da vida das crianças e oferecer uma educação cristã; G- Acredita na educação para mudar o mundo, fazer pessoas melhores; H- É doação pessoal e realização de um sonho;

I- É vocação, missão a serviço da Igreja, realização pessoal; J- É uma missão, sente-se feliz por fazer o que ama;

K- Sente-se alegre por servir na educação e o faz como uma missão;

L- É oportunidade de crescimento pessoal e de buscar alternativas para o bem; M- É uma missão que recebe sentido na espiritualidade franciscana;

N- Como religioso sente-se feliz em motivar uma boa aprendizagem aos alunos; O- Ama o que faz. Realiza-se na missão como religioso na educação;

P- É missão em prol de um mundo melhor; Q- Uma forma de viver a fé;

R- Crescimento profissional, realização pessoal;

S- Realização profissional, sente-se valorizada pela rede; T- Realização profissional e pessoal;

U- Ama o trabalho em educação, gosta de trabalhar com pessoas; V- Realização profissional, gosta de desafios;

W- Realização profissional, contribuir para a melhora da educação; X- Realização profissional poder ajudar no desenvolvimento das pessoas;

Quadro 10 - Quadro-síntese das respostas do questionário online Fonte: MARUCCI, Pesquisa, 2014.

As respostas apontam para um gestor que considera e assume o seu trabalho como uma missão de vida, invariavelmente associado a uma missão religiosa de evangelizar. Outro aspecto relevante nas respostas é o nível de realização profissional e pessoal que a função gera nos entrevistados. Uma perspectiva bastante otimista e idealista em relação à educação. Abaixo alguns trechos das respostas à questão 1 do questionário eletrônico:

O meu trabalho é crucial para meus valores, e esta oportunidade de trabalhar numa escola católica, com ideais que acredito, com parcerias entre famílias e escola, só me traz experiência e crescimento como pessoa humana. (questão 1, resposta B)

Assumo a educação como uma missão, a serviço da vida. Sou uma pessoa abençoada, amo o que faço e onde trabalho. (questão 1, resposta J)

Realização e vocação de servir a educação na pessoa dos alunos e de suas famílias. Este trabalho é para mim uma graça. Mais do que trabalho posso dizer que é para mim uma missão. (Questão 1, resposta K)

Eu amo o que faço, me sinto extremamente gratificada quando vejo o sorriso das crianças e a satisfação dos pais. Para mim, membro de uma comunidade religiosa, o meu trabalho está diretamente ligado a minha missão. Diria que educar é evangelizar

através dos livros e da presença constante como testemunho!!! (Questão 1, resposta O)

Considerando-se que 39% das respostas vieram de gestores membros de congregações religiosas, a perspectiva de entender a função desempenhada na escola como uma missão religiosa parece compatível com o estado de vida dessa categoria entre os entrevistados. Entretanto, a mesma perspectiva se repete na resposta de gestores leigos, o que também evidencia uma visão idealista sobre a educação e a consequência, talvez, da formação humanística predominante entre os gestores entrevistados.

A relação entre o gestor e a identidade confessional surge como questão estratégica na formação continuada dos gestores das escolas católicas. Isto porque é o instrumental que possibilita a continuidade e a vitalidade dos valores que inspiram e fundamentam o carisma e a espiritualidade do colégio. O resultado tanto das entrevistas presenciais quanto dos questionários revela que esse vínculo vem sendo nutrido e mantido tanto pelas mantenedoras e redes quanto pelos gestores. Parece haver uma estreita comunhão para além da relação profissional. A comunhão de valores e a objetividade na relação profissional são dimensões presentes e necessárias na relação entre o gestor, a mantenedora e o colégio. A formação continuada torna-se o meio pelo qual as dimensões que fortalecem a relação entre gestor e instituição, seja a do colégio, a da rede ou da mantenedora, podem se fortalecer e se renovar.