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2001 2002 2003 2004 TOPLAM GELİR 58.700 86.304 112.462 134

4.7. Ekonomi Politikası Oluşumunda Etkili Uluslararası Kuruluşlar

4.7.1. Uluslararası Para Fonu (IMF)

4.7.1.2. IMF ve Politikaları

Busca-se clarear e reforçar os elementos constitutivos da identidade da escola católica para melhor enfrentar os desafios e para que se avance com mais segurança e criatividade. Zamagni (2013) entende que o termo identidade pode nos conservar no passado ou nos remeter ao futuro. A identidade compreendida como herança, em geral tende a conservar e manter antigas tradições, conservar as raízes. Zamagni (2013) alerta que a identidade compreendia apenas como herança conduz ao conservadorismo e ao "pensamento de grupo" (2013, p.5). O conservadorismo tende a supervalorizar o passado e o "pensamento de grupo" cria cultura de pensamento único, corporativo, identificação fechada em torno de um modelo de pensamento, o que dificulta e impede a criatividade. (ZAMAGNI, 2013, p. 6).

O fenômeno do pluralismo, a diversidade, o respeito pelo diferente não são realidades opositoras à identidade e missão das escolas católicas, mas um ambiente propício para uma proposta clara e bem definida de educação comprometida com os valores humanos e cristãos. Marcos Sandrini (2011) alerta que "numa época de pluralismo o que se exige não são identidades fortes que descambem para o fundamentalismo, mas uma visão de hospitalidade" (SANDRINI, 2011, p. 29). Essa perspectiva, adotada por Sandrini, utiliza a categoria da hospitalidade e acolhida, a partir de Leonardo Boff (2005), como chave de leitura da catolicidade das escolas católicas. Desse modo propõe-se que a identidade católica não se torne algo excludente, pretencioso e triunfalista, o que seria contraditório aos ensinamentos de Jesus Cristo.

Boff (2005) apresenta como características desta hospitalidade a boa vontade fundamental que se manifesta no acolher generosamente, renunciar desinteressadamente, responsabilizar-se conscientemente, relativizar corajosamente e transfigurar inteligentemente. Estas características deverão perpassar o conjunto de tudo o que se faz na escola católica. (SANDRINI, 2011, p. 30).

Sandrini (2011) entende que a escola católica, e cada cristão, no ambiente pluralista aprenderá com outras religiões a melhor viver e testemunhar a sua fé, com

humildade e hospitalidade, em um diálogo crítico em prol dos valores que possam mobilizar a todos pelo bem mais universal. Esse é o sentido de se resgatar os elementos constitutivos da educação católica na atualidade.

Zamagni (2013) busca, na identidade e missão, no âmbito das universidades católicas, a inspiração que fundamente uma reação ao predomínio do critério da produtividade e eficiência que, atualmente, tem empobrecido e enfraquecido o sentido da presença da universidade na sociedade. O autor lamenta que no contexto atual a universidade tenha se tornado refém das necessidades do mercado. Os alunos e professores deixam de se comprometer, reciprocamente, em gerar conhecimento por amor à verdade e como serviço à sociedade, elementos, segundo Zamagni (2013, p.5), essenciais à identidade das universidades, para obsessivamente se prepararem para a vida profissional. Os professores passam a treinar os alunos para que sejam empreendedores e inovadores. Tudo o que se produz na universidade precisa ser rentável para poder ganhar incentivo financeiro e reconhecimento. Com isso tendem a desaparecer as pesquisas em áreas como Filosofia, Teologia e Ciências Humanas em geral. O paradigma da eficácia passa a reger todas as relações acadêmicas e exerce um poder discriminatório. Neste contexto, Zamangi (2013) propõe que a universidade católica, em respeito e coerência à sua história e identidade, faça o contraponto à correnteza do mercado.

A escola católica tem, em sua identidade, elementos fundados no humanismo cristão que, em tempos de crise e indefinição, ajudam a clarear os objetivos e finalidades de sua presença na Igreja e na sociedade.

O humanismo cristão, base do ideário pedagógico da educação católica, segundo Lima Vaz (2001) é a vertente legítima do humanismo, fruto do movimento renascentista dos séculos XIV a XVI. O método pedagógico dos jesuítas, a Ratio Studiorum, incorpora os valores humanistas (LIMA VAZ, 2006, p. 83). O'Malley (2004) descreve a influência humanista na Companhia de Jesus e no seu método pedagógico como expressão da experiência estudantil em Inácio de Loyola, o fundador dos jesuítas. O humanismo renascentista tem suas raízes, segundo Lima Vaz (2001), na síntese entre a cultura greco-latina com a tradição bíblico-cristã. É devido a essa herança que as categorias dignidade humana, soberania da intimidade humana, phyché, e os valores que sustentam o estado de direito, o bem comum e a cidadania foram nutridos junto com outros elementos da cultura greco-

latina, como o uso do Latim e do Grego e a valorização da literatura clássica. Falta, nessa caracterização do humanismo, o que para Lima Vaz (2001; 2006) se constitui no que é capaz de assegurar horizonte digno à civilização. Trata-se da herança bíblico-cristã que, entre os séculos III a V, absorveu a cultura greco-latina no discurso teológico que legou ao humanismo a ideia de homem imagem de Deus, e categorias espirituais que possibilitam a realização humana por meio da relação intersubjetiva e transcendental (LIMA VAZ, 2001; 2006). Tais dimensões, do humanismo cristão, se erodiram na cultura ocidental em meio a versões antropocêntricas que se esfacelaram em outras versões dilacerantes da civilização como o niilismo (LIMA VAZ, 2001, p. 164). A ideia do progresso e da obsessiva fruição do tempo presente, passaram a ser, desde a modernidade, as divindades, e sobre essa ideia "a nova classe de intelectuais sucessores dos clérigos medievais" (p. 163) elaborou seus discursos e teorias. A ideia de progresso, como categoria realizadora da civilização, pautada pela insaciável necessidade de inovação em relação ao futuro, constitui-se na agenda programática do mercado financeiro e das propostas políticas que instrumentalizam valores humanos em função do progresso, eficiência, resultados e desenvolvimento econômico. Atualmente, reconhece Lima Vaz (2001), o pós-estruturalismo interrompeu os discursos sobre o humanismo e qualquer proposta filosófica com base metafísica. A crise ética e de paradigmas que a pós-modernidade enfrenta tem, no consenso ético, uma saída para o entendimento, no pós-estruturalismo, declaram Rorty (1997) e Habermas (1989).

Rorty (1997) propõe que a racionalidade científica possa ser compreendida como um "modelo de solidariedade humana" (1997, p.61), e que a comunidade científica e suas instituições possam promover possibilidades para que a cultura possa se organizar com autonomia. Rorty diz que muitas vezes as ciências, e também a educação, e cita Dewey, fez com que se acreditasse em suas certezas ou que a escola fosse lugar de ensinar a viver em sociedade como se os valores da sociedade e da escola fossem suficientes para enfrentar os dramas da existência; se o fossem seriam capazes de prevenir e responder ao movimento nazista (RORTY, 1997, p.64).

Habermas (2006) insiste em dizer que a comunidade linguística, mesmo após o ocorrido em 11 de setembro, ou outros eventos terroristas que manifestam uma ação anti-humanista e irracional, é capaz de construir uma base de significados sob

a qual se possa garantir o entendimento pacífico, mesmo com conflitos. O filósofo reconhece que os países ligados à OCDE vivem "pacificamente" rodeados de violência. Há, também, em nossa convivência cotidiana "distúrbios de comunicação" originados pelo "mal-entendido ou desentendimento, desonestidade ou engano" (2006, p.21). Há, com isso, espirais de violência que podem ser resolvidas, buscando-se saber o que houve de errado e se buscar uma reconstrução da comunicação. Em níveis mais complexos isso também é possível, pelo Direito e mediadores como a ONU, em termos de conflitos internacionais. Nesse exercício de construir entendimentos é necessário, segundo Habermas, melhorar nossa forma de nos autorrepresentar como civilização ocidental, ver o que precisa ser corrigido em nossa postura e, sobretudo, no que diz respeito à política do "capitalismo desenfreado" (2006, p.22).

O resgate da identidade humanista das escolas católicas tem o compromisso, assevera Zamagni (2013), de fazer um contraponto importante às tendências e modas que colocam em risco a idoneidade do carisma e a missão da educação católica, na atualidade.

Está relacionado ao carisma e missão da educação católica o compromisso com uma proposta de educação integral e que visa a excelência humana e acadêmica. A qualidade da educação, assim, tem uma finalidade (thélos) para além das dimensões imanentes da vida humana. Schimitz (1994, p.170), ao refletir sobre a filosofia da educação jesuítica diz que “os objetivos da educação (...) são definitivamente intelectuais e morais, sem excluir, porém, os sociais”. O autor ressalta a tradição humanística sempre presente na educação jesuítica ao que se pode acrescentar, sem prejuízo ao pensamento de Schimitz, essa tradição humanística está presente não só na educação católica, mas na história da educação como um todo. Schimitz, quanto à tradição humanista, faz um importante relato sobre a educação realizada pelos jesuítas nos primeiros tempos do Brasil Colônia:

Nas escolas quinhentistas da Companhia de Jesus se quer criar o perfeito humanista, como preparação ao filósofo e ao teólogo, mas, a formação intelectual dos alunos não é de nenhum modo o fim último das fundações pedagógicas de Santo Inácio. Sem dúvida ele as quer sérias, sólidas. (KOLVENBACH, 1993, apud SCHIMITZ, 1994, p. 171).

Lima Vaz (1993) entende que a educação é a instituição que, junto com a família, se responsabiliza em transmitir ao sujeito os valores do seu ethos. Os documentos pontifícios, Gravissimum Educationis, de 1965, e A Escola Católica, de 1977, logo no preâmbulo estabelecem a conjunta responsabilidade entre família e escola, na educação dos filhos. Buscando, nas raízes da cultura logocêntrica, o sentido da educação e sua relação com a formação e preservação da civilização, o filósofo Lima Vaz (1993) entende que a educação atua, primeiro, por meio da família e depois com a ajuda do pedagogo, para que o indivíduo se desenvolva interagindo com a sua comunidade cultural. O indivíduo, explica Lima Vaz, terá de construir sua "autárkeia, o seu domínio de si mesmo, o seu bem". Nessa concepção de ethos o hábito é um processo formado pela repetição. Repetem-se e internalizam-se, no exercício pedagógico, em obediência ao logos, aqueles ensinamentos, habilidades e elementos da tradição que tenham como finalidade a realização do indivíduo no que é o bem para ele e para todo o ethos. Esse processo é descrito por Lima Vaz como um movimento circular com três momentos: a identificação dos costumes do ethos; a ação de acordo com esses costumes (práxis); e a formação do hábito/virtudes. O conflito ético surge no confronto entre os valores novos em contraposição aos antigos, e nessa relação Lima Vaz dá destaque ao que ele define de indivíduo ético, alguém que "é capaz de viver o conflito ético nas suas implicações mais radicais e tornar-se anunciador de novos paradigmas éticos" (LIMA VAZ, 1993, p.31). A educação, portanto, tem importante função na formação do indivíduo para a sociedade, como um cidadão capaz de herdar os valores culturais sem se sentir impedido de buscar novos paradigmas ainda que isso lhe custe enfrentar crises éticas.

A escola é, portanto, uma instituição civilizatória e comprometida com a preservação dos valores éticos e morais, constitutivos da cultura herdada.

A Igreja, por meio dos documentos e declarações, acima mencionados, sobre a educação, tem reforçado a responsabilidade da educação para com os valores que constroem e sustentam a civilização e o bem comum.

Ensinar para a alteridade, a solidariedade e altruísmo são valores buscados e pretendidos pelas instituições de educação de modo especial as que se fundamentam em ideais de humanismo e de humanismo cristão. Aprender a viver

com o outro, a se relacionar civilizadamente, a promover e preservar o bem comum são, também, atribuições da escola.

Para Zamagni (2013) a autonomia identitária irá depender, também, das formas de sustentação econômica. No caso das universidades, segundo o autor, os financiadores acabam por interferir na identidade e missão das universidades. Diz o autor que a universidade católica, em fidelidade à sua identidade, deveria reagir à influência do mercado no que diz respeito à sua missão e buscar maior sustentação por meio de fontes variadas de entrada de capital e forte aliança com a sociedade civil organizada.

A relação da universidade católica com o mercado educacional é o mesmo contexto que desafia a identidade e missão das escolas católicas. Essa influência ocorre tanto em nível pedagógico quanto administrativo. A identidade da proposta pedagógica das escolas católicas pode delinear-se nos princípios acima elencados. Permanece a questão da identidade institucional, em nível de gestão. Surge, então, a questão se é possível manter-se fiel aos valores humanos e cristãos e exercer a gestão de uma escola dentro de uma economia capitalista.