3.2. İran İslam Devrimi’nin Gerçekleşmesi
3.2.2. Son Şah Muhammed Rıza Pehlevi’nin İran’ı Terk Etmesi ve Pehle
3.2.2.1. Son Şah Muhammed Rıza Pehlevi’nin İran’ı Terk Etmesinin
A democracia na escola, desejo implícito nos debates institucionais e nas lutas dos movimentos sociais, reflete uma complexidade educacional, o que reforça, neste estudo sobre a democracia na educação escolar, a necessidade de avaliar o processo de implementação dos princípios democráticos na instituição a partir das influências e transformações da sociedade contemporânea local e global.
A educação escolar vem sendo analisada, frente às transformações da sociedade contemporânea, quanto ao processo de democratização e, sobretudo, aos avanços tecnológicos e informacionais na organização da sociedade em rede, na reestruturação do sistema de produção e desenvolvimento, na compreensão do papel do Estado, nas modificações nele operadas e nas mudanças do sistema econômico, social, político e culturais do mundo globalizado.
Nesse sentido, Santos (2002) explica que globalização trata-se de um processo complexo que atravessa diversas áreas da vida social, a saber: da globalização de sistemas produtivos e financeiros à revolução nas tecnologias e práticas de informação e de comunicação; da erosão do Estado nacional e redescoberta da sociedade civil ao aumento exponencial das desigualdades sociais; das grandes transformações fronteiriças de pessoas como emigrantes, turistas ou refugiados ao protagonismo das empresas multinacionais; e das instituições financeiras multilaterais, das novas práticas culturais e identitárias aos estilos de consumo globalizado.
A globalização, para alguns estudiosos, esconde a ideologia neoliberal para garantir seu desenvolvimento. A um país, basta liberalizar a economia e suprimir formas superadas e degradadas de intervenção social, de modo que a economia por si mesma se defina e seja criado um sistema mundial auto-regulado.
Assim, o global e o local são socialmente produzidos no interior dos processos de globalização, o local estende a sua influência para além das fronteiras nacionais e, ao fazê-lo, desenvolve a capacidade de se designar como local.
Assim, através das exigências de mundo contemporâneo, das políticas públicas educacionais o Estado do Rio Grande do Norte, atendendo às influências dos organismos internacionais e dos anseios da comunidade escolar, lança uma proposta de gestão democrática das escolas públicas estaduais, não como uma luta de classes, mas uma articulação política.
No município de Cruzeta, na trajetória da Escola Estadual Joaquim José de Medeiros, houve três grandes movimentos da comunidade escolar em prol das eleições diretas para diretor de escola.
Dos movimentos, um deles ocorreu em 1987, quando profissionais de educação, alunos e a comunidade escolar, no início do governo de Geraldo Melo, fizeram protesto e abaixo-assinado para não haver mudanças na gestão da escola, mas a polícia fez uma intervenção e empossou à direção, sob o comando do Núcleo Regional de Educação e os mobilistas “perderam” o embate.
Em 1997, houve outra mobilização dos alunos, grêmios estudantis, profissionais da escola e a comunidade escolar contra as forças políticas do município, do poder legislativo que usava a escola como forma de indicação política “os chamados QI (quem indica)”. Tendo a frente o grêmio estudantil, elaboraram um abaixo-assinado porque os líderes políticos locais resolveram solicitar a demissão da direção em virtude do não-cumprimento das deliberações dos políticos locais, que pleiteavam direcionar a contratação de professores na substituição das vacâncias. A direção resolveu, com o coletivo da escola, analisar o currículo e a competência dos profissionais, não assumindo as determinações, e lançou a decisão para o Conselho Escolar escolher os estagiários. Essas ações feriram algumas lideranças políticas que queriam utilizar a escola como controle partidário.
Dessa vez, a solicitação da comunidade escolar foi atendida, porque de certa forma “feria o ego de alguns líderes políticos locais”, que indicaram a gestão. Como um dos benefícios dessa atitude, a escola ganhou o Prêmio de Referência Estadual de Gestão Escolar em 1999 e 2000 ficou como Referência Nacional em Gestão Escolar – Destaque Brasil, com toques de democracia pelo CONSED, UNDIME, RENAGESTE, UNESCO, Fundação Roberto Marinho e Embaixada Americana no Brasil.
Em 2002, outro movimento ocorreu, quando mais uma vez na mudança de governo iria iniciar as trocas dos diretores escolares. Essa mobilização, foi coordenada pelo grêmio estudantil, alunos e membros da comunidade escolar, que contou com o apoio de alguns professores, funcionários e pais e fizeram um abaixo-assinado para não retirar a diretora, argumentando que pelas conquistas da escola e a própria ação colegiada, existia o “direito de vez e voz”, com toques democráticos.
Nessa época, os jornais: Diário de Natal, Tribuna do Norte e outros publicavam que as escolas de referência em gestão permaneceriam e não haveria mudanças, pois as experiências bem-sucedidas com essa premiação elevavam nacional e internacionalmente o nome escola, do município, da Diretoria Regional de Educação, do RN.
Com isso, os interesses políticos das lideranças locais aumentaram, uma vez que a “fama” da escola seria um veículo de acesso a cargos mais elevados nos poderes públicos municipais e estaduais, pois podia assegurar a oportunidade de inserção no contexto político, nos pleitos de vereadores, prefeitos e conseqüentemente contribuir no número de votos. Por meio destes, os líderes políticos posteriormente seriam beneficiados nos “currais eleitorais” de controle e dominação, tornando mais uma vez os toques desafinados na gestão “democrática”, nos movimentos de luta, que enfraqueceriam, “perdendo” no embate do exercício de cidadania.
Nesse contexto, a democracia como regime político, exercido pelo povo, pertence aos cidadãos que lutam pela soberania, torna-se um desejo a ser concretizado no município, na escola. Para Rousseau ( apud Japiassú, 2006, p.67) “a democracia, que realiza a união da moral e da política, é um estado de direito, que exprime a vontade geral dos cidadãos, que se afirmam como legisladores e sujeito das leis”.
Assim, na verdade, a gestão democrática nas escolas públicas poderia ser um exercício de cidadania fundamental para os avanços da sociedade que planeja ter mais justiça social. A democracia nas escolas poderia ser considerada um caminho para reconstrução da escola pública de qualidade, com a participação de toda a sociedade comprometida politicamente com a construção de uma escola e uma sociedade democrática em prol da população e não da ortodoxia neoliberal.
A democracia torna-se uma necessidade na educação, tendo em vista os aspectos da globalização neoliberal, hegemônica, como fator explicativo dos processos econômicos, sociais, políticos, culturais das sociedades nacionais e do surgimento de uma globalização
alternativa contra-hegemônica, constituídas pelas redes e alianças transfronteiriças entre movimentos, lutas e organizações locais e nacionais.
Para Morin (2000, p. 107), a democracia favorece a relação rica e complexa do indivíduo/sociedade, que podem ajudar-se, desenvolver-se, regular-se e controlar-se mutuamente.
A democracia fundamenta-se no controle da máquina do poder pelos controlados e, desse modo, reduz a servidão, sendo mais do que um regime político; é a regeneração contínua de uma cadeia complexa e retroativa: os cidadãos produzem a democracia que produz cidadãos.
Assim, a democracia está em crise pela falta de solidariedade, pela prevalência do egocentrismo, pelas excessivas compartimentações que afastam os cidadãos da sociedade como um todo, separando princípios fundamentais na relação homem/ética/democracia.
Segundo Morin (2005, p. 146), a democracia é uma conquista da complexidade social, ela institui direitos e liberdades para os indivíduos, eleições que garantem o controle dos controladores pelos controlados, o respeito à pluralidade das idéias e opiniões, a expressão dos antagonismos e sua regulação, impedindo que se exprimam violentamente. A complexidade democrática, quando bem enraizada na história da sociedade, é um sistema de metástase, cuja qualidade é poder sobreviver aos conflitos interiores, às inovações e aos acontecimentos imprevistos por meio da uma democracia.
As conquistas democráticas precisam ser mantidas como um produto inacabado, uma utopia em permanente construção, um desejo “irrealizável” em permanente estado de pulsão, instrumentalizado pelo seu conteúdo inconcluso, tendo em vista a possibilidade de concretização sustentada pela ilusão do ideal democrático, no qual os agentes permanecem firmes na luta pela “democratização” da escola, das cidades, do estado, do país, da nação, da América Latina, do mundo globalizado, para enfrentar as desigualdades e a exclusão social.
Para Germano, as políticas neoliberais na América Latina estão ancoradas na noção de “piso social” ou de “necessidades básicas”, o que significa fornecer o “mínimo” ou a “cesta básica” da educação à população pobre. De acordo com os analistas do Banco Mundial, a pobreza e a “exclusão” na América Latina são fruto, em grande medida, da falta de educação escolar das suas populações.
Nesse contexto, a educação tem um papel fundamental no enfrentamento da pobreza e na redução das desigualdades sociais, que deveriam ser o foco de atuação das políticas públicas de educação, podendo o restante ficar a cargo, pelo menos em grande parte,
do mercado. Nesse processo em que a educação é vital para amenizar as desigualdades sociais, as democracias têm um caráter dialógico, que une de modo complementar termos antagônicos: consensos e conflitos, liberdade, igualdade e fraternidade, comunidade local, nacional, global e antagonismos sociais e ideológicos. Isso exige compreensão em profundidade dos problemas locais, globais, das influências da sociedade tecnológica, em rede, visando romper com a separação entre a concepção e a execução, entre o pensar e o agir, entre a teoria e a prática.
Assim, o que se torna perceptível na educação são toques de democracia, como por exemplo, a luta dos movimentos sociais para a superação de práticas autocráticas e conquista da democracia. Essas ações podem ser dinamizadas por alternativas contra-hegemônicas, que lutam por uma educação transformadora, participativa e democrática através de iniciativas locais e globais dos grupos sociais, que resistem à dominação, à opressão, à descaracterização, às desigualdades produzidas pela globalização hegemônica para a concretização de uma nova emancipação social.