A fundamentação da análise da Economia Ecológica é no pensamento fisiocrático pré-clássico8, que considerava a natureza a fonte da riqueza. Concomitantemente, busca nas teorias clássicas a base das teorias econômicas. O caminhar pela integração desses dois
7 Este período foi marcado pela criação da Sociedade Internacional para estudo da Economia Ecológica em 1988 e pela
efetivação da publicação do seu periódico em 1989.
8 A fisiocracia pré-clássica teve como líder Quesnay, sendo em meados do século XIX reabilitada por Karl Marx.
Nasceu como uma reação contra o mercantilismo. Para este pensamento a terra, a propriedade privada é a única fonte de riqueza, esta promovida por meio do trabalho (a princípio alcançado por meio da agricultura e posteriormente pelo trabalho industrial).
períodos move a Economia Ecológica a seguir pelos caminhos que enfatizam algumas importantes teorias, como a dos sistemas e a lei da termodinâmica. A análise feita pela Economia Ecológica de fluxos de materiais e fluxos energéticos, é considerada de grande importância para conhecimento do funcionamento econômico e de sua relação com o ecossistema. Isso porque os fluxos constituem aspectos básicos do lado real deste sistema, mas que claramente não são levados em consideração pela economia tradicional (Amazonas, 2001).
Os Sistemas
A teoria dos sistemas foi introduzida na década de 1950 pelo biólogo Ludwing von
Bertalanffy (1968). A definição do autor para sistemas é simples, considerava um conjunto de
elementos que interagem entre si. Para ele, essa teoria contesta a hegemonia da ciência clássica mecanicista, cuja leitura é de um universo estritamente determinado. Como biólogo,
Bertalanffy inicialmente utilizou a teoria dos sistemas para estudo de sua área, mas também se
dedicou a demonstrar o seu uso em outros campos.
A teoria dos sistemas consegue integrar elementos físicos e humanos. Sendo um conjunto que agrega elementos, tanto naturais como artificiais, sua junção, forma um todo orgânico e complexo. Nesse tipo de análise é importante ressaltar os seguintes conceitos: - elemento, é o componente mínimo do sistema. O significado ou importância de um elemento se dá com a relação estabelecida dentro do sistema do qual faz parte;
- inter-relação entre elementos, demonstra a importância da compreensão das conexões estabelecidas em um sistema.
- organização, é o arranjo de relações entre elementos. Este é um dos conceitos centrais para Bertalanffy. Essa organização produz um organismo atuante, sendo este representante do todo.
- complexidade de um sistema irá variar dependendo do número de elementos do sistema e do número e tipos de relações estabelecidas.
Desta forma, o serviço, o hábitat, a sociedade, são consideradas partes deste sistema, e podem ser entendidas como organizações dinâmicas e ativas. Ainda, para
Bertalanffy, os sistemas podem ser classificados como isolado, fechado e aberto. O isolado é
um sistema auto-contido, não troca energia nem matéria com o meio externo. As experiências científicas mostram que apenas o universo pode entrar nessa classificação. O fechado, troca energia e não troca matéria com o meio externo. Como, por exemplo, o globo terrestre. E o
aberto, troca tanto energia como matéria com o meio externo. O ecossistema se encaixa nessa classificação, como também a economia, na análise da Economia Ecológica.
Processos
No contexto da corrente de pensamento da Economia Ecológica, além da análise do sistema, entende-se também a importância da compreensão do que é processo.
Para Mueller (2000) um sistema corresponde a um ou mais processos. Ou seja, processos estão ligados ao funcionamento do sistema. Sendo processo definido por seguimento, sucessão, a sua relação com sistema é estabelecida também por este ser algo dinâmico, sempre em mutação.
Mas normalmente, não é estabelecida de forma clara a relação entre sistema e processo. Para Bertalanffy (1968) o foco de análise é o sistema; para Georgescu-Roegen (1971) é o estudo do processo. Isso ocorre mesmo (estes autores) entendendo da relação existente ente sistema e processo, no entanto, para o desenvolvimento da ciência faz-se necessário o corte analítico, devido ao alto grau de complexidade que o todo apresenta. Desta forma a ciência avança fazendo recortes, simplificações, para compreensão de um todo, sendo este recorte dependente do propósito de cada cientista.
Processos Produtivos
Um outro elemento importante de análise da Economia Ecológica é a definição ou forma de estudar o Processo Produtivo. Isso porque, a princípio, a economia convencional, visualiza a economia como um sistema isolado. Nessa concepção não existe o porquê da análise das relações com o meio ambiente, por considerar este, externo a economia. A teoria econômica, entretanto, apóia a análise do processo produtivo no conceito de função de produção. A função de produção, simplesmente, refere-se a uma gama de processos tidos como essenciais ou ótimos, dos quais pode ser obtido um determinado produto.
A análise de Georgescu-Roegen (1971) para o processo produtivo pondera que este para a economia é tido como estacionário. Ou seja, é como se fosse um ciclo, um elemento que foi levado, ou que se movimenta dentro do processo produtivo, depois de executar seu papel, volta ao estado inicial, como se não tivesse sido alterado. Pode então, no futuro esse mesmo processo ser repetido incontáveis vezes. Desta forma, são estabelecidas as
deficiências da leitura ou comportamento econômico em relação ao ecossistema e a tudo o que for exterior a economia.
Resumidamente, na economia, entende-se que é comum para o processo produtivo que: a natureza dos recursos ambientais não difere substancialmente de outros elementos que fazem parte do recurso produtivo – sua escassez aumenta o seu preço, e gera a busca pela substituição de recursos mais abundantes; o fluxo de recursos naturais pode ser facilmente substituído pelo capital e pelo trabalho; os resíduos produzidos pelo sistema são totalmente ignorados e descartados para a natureza.
Esta maneira econômica de compreender o processo produtivo leva ao fortalecimento da Economia Ecológica que irá desenvolver-se com o intuito de sanar ou superar tais deficiências, por isso a importância do levantamento destas questões.
O uso energético
Uma das justificativas inicial do interesse da economia pelas leis da termodinâmica foi à crise do petróleo ocorrida em 1970, que potencializou a preocupação da necessidade da busca por outros tipos de energias que não colocassem em risco a manutenção do sistema.
É indiscutível a importância do papel da energia para a manutenção da vida no planeta. Do total de energia da irradiação solar que chega anualmente a Terra, 30% voltam para o espaço; 50% são absorvidos, convertidos em calor e novamente irradiados; e 20% restantes, movimentam os ciclos de vida na Terra, como o vento, o ciclo da água, ciclo das plantas, etc. Nós, humanos aproveitamos somente uma pequena parte dessa energia, mas mesmo assim, essa utilização pode ser considerada em excesso, porque diferentemente de outros seres vivos, usamos muito além do necessário para se manter vivos e reproduzindo.
A primeira revolução industrial no final do século XVIII marca claramente o uso em excesso de energia pela sociedade. O crescimento das cidades gerado a partir desse ponto ocorreu e ocorre de forma exponencial, o que resulta em um consumo energético muito elevado. Desta forma, os economistas passaram a enfatizar essa questão (energética), afirmando a atenção para o fato de que grande parte da energia que atualmente apóia a expansão da economia é provinda de recurso finito.
Assim, pode ser considerado que a escassez é crescente em relação à necessidade cada vez maior de consumo da sociedade moderna. Este fato leva os pesquisadores, economistas atuais, a emprestarem conceitos da física (principalmente as primeiras leis da
Termodinâmica), na tentativa de reverter ou atenuar as ameaças postas de falta de energia, que podem colocar em risco a manutenção do sistema econômico.
As Leis da Termodinâmica
O físico alemão Rudolf Clausius, um dos fundadores da termodinâmica propôs as duas primeiras leis da seguinte forma: 1º a energia do universo é constante (1º lei); 2º no universo, a entropia se move continuamente no sentido de um máximo (2º lei).
A primeira lei da termodinâmica considera que é constante a quantidade de energia e matéria total; ambas não podem ser criadas ou destruídas. Essa lei, chamada de lei de conservação, é ponto de estudo básico da Economia Ambiental Neoclássica, segundo Mueller (2000). Mas mesmo assim, essa análise ainda é incompleta porque com base somente nessa lei, fica caracterizado apenas o estudo econômico no âmbito mecânico.
A segunda lei da termodinâmica pondera que embora seja constante a energia do universo, ela passa de um estado de disponível para outro indisponível. Não existe uma constância nas quantidades de energia disponível e indisponível. E, ainda, segundo essa lei, a energia disponível é tida de baixa entropia, e a energia indisponível de alta entropia. Considera-se que o processo de passagem de um estado de energia livre para o preso seja natural, mas a ação antrópica aumenta em muito esse tipo de transferência (conhecida como degradação entrópica).
Mueller (2000) discute o conceito de entropia. Para este autor é bastante complexo representar de forma analítica tal conceito. Mas é consenso geral considerar um significado fenomenológico básico que: sendo todas as formas de energia transformadas em calor, este tende a acabar se dissipando. E, para que a energia se transforme em trabalho, deve haver uma diferenciação na forma de concentração de energia (deve ser distribuída de forma desigual). Trabalho somente ira ocorrer quando essa energia se move de um nível mais alto para um mais baixo de concentração. Mas, cada vez que essa energia passa de um nível de concentração para outro, resta menos energia disponível.