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3.3. Disiplinde Olağan Dışı Dönemden Olağan Döneme: Davranışsalcılık

3.3.2. Saha Teorisi ve Event-Data: Q Wright ve C McClelland

Esta primeira etapa do estudo que consistiu em identificar e classificar os elementos, foi voltada principalmente para o entendimento do comportamento tanto econômico, social e ambiental da cidade de São Paulo. Fato que permitiu destacar três objetos (evidentemente dentre muitos outros), considerados como importantes externalidades ambientais.

O mercado imobiliário, o trânsito da cidade, e os alagamentos, podem com certeza serem considerados dentro dos parâmetros de uma externalidade. Ao menos em uma instância de cada um deles, é visualizado algum tipo de relação (problema) com a forma de exploração econômica e o meio natural da cidade em questão. A mera observação dos resultados das primeiras análises comportamentais desses objetos apresenta inúmeros indicativos que pode elevá-los às características de uma externalidade.

Principais resultados: os alagamentos em São Paulo

O estudo sobre o porquê das ocorrências de alagamentos na cidade de São Paulo é de grande importância, pois este é um dos piores reflexos da forma desorganizada da apropriação de um local pela sociedade. Ao tomar como “seu” uma área natural das águas de um rio, a sociedade assume o risco imediato de lidar com as oscilações normais da natureza. Mas, o que poderia ser considerado como comportamento natural, agrava-se ou modifica-se com as intervenções humanas, como por exemplo: as alterações do micro-clima; as alterações na capacidade de infiltração do solo local; entre outros processos. Todos, comportamentos que modificam a vazão natural de um rio, e, portanto, volta-se para tudo o que está ao seu redor com muito mais intensidade. Com isso, projetou-se um externalidade ambiental de grandes proporções: grandiosa, porque cessar com uma externalidade como os alagamentos, envolve a ação e modificação de um comportamento da sociedade local (praticamente) como um todo. Ou seja, o interesse para solucionar tal problema deve ser grande.

Para o desenvolvimento do presente estudo, e a constatação da existência das ocorrências de alagamentos na cidade de São Paulo notadamente na marginal do rio Tietê, a investigação iniciou-se com a caracterização da precipitação pluviométrica nas diversas escalas: anual, sazonal e diária. Foi utilizado dados de precipitação dos principais postos pluviométricos que caracterizam a realidade da marginal do rio Tietê.

O resultado da investigação mostrou que:

x Na escala anual: a década de 1970 foi um período (comparado aos outros períodos estudados) com tendência a ser mais seco; a década de 1980 e 1990 mais chuvosos; e do final de 1990 e o começo de 2000 a atualidade volta à tendência de ser mais seco.

x Mas, a análise diária (foi considerado o registro de dias com precipitação superior a 50 mm/dia) mostrou que: a freqüência de dias bastante chuvosos aumentou da década de 1970 para a atualidade.

x Em relação ao comportamento sazonal: manteve-se o período do verão como sendo o mais chuvoso, no entanto, o volume de chuva desse período aumentou da década de 1970 para a atualidade.

x Sobre o registro de alagamentos: mesmo com as intervenções do governo, como: aprofundamento da calha do rio Tietê; limpeza e manutenção do rio; criação dos “piscinões”; entre outras, o registro de alagamentos continua muito presente.

Atualmente a gravidade pontual da marginal não é tão grave, mas nos afluentes do Tietê o problema é ainda persiste.

Considera-se, portanto, que: tomando como exemplo a tendência do comportamento das chuvas no período que se iniciou em 2000 a atualidade (destaca-se que só foi possível fazer o estudo até o ano de 2003 por serem dados mais consistentes) a concentração de chuvas, intensas, na escala diária, tende a um aumento bastante proeminente. E, o fato da existência de verões mais chuvosos e “pancadas” de chuvas mais presentes, acentua a possibilidade dos alagamentos.

Somando as intervenções humanas no rio anteriormente mencionadas (assoreamento, contaminação por dejetos, impermeabilização) com esse aumento na freqüência das chuvas intensas diárias, a externalidade alagamento torna-se cada vez mais, um elemento de interferência na sociedade. O impacto no trânsito da cidade é muito intenso; a perda dos atrativos do mercado imobiliário no local de maior intensidade dessas ocorrências; o impacto na saúde da população (disseminação de doenças por meio das águas contaminadas, como a leptospirose); são alterações diretas e proeminentes da externalidade alagamento.

A aceitação da existência do alagamento como uma externalidade de extrema gravidade, é um grande passo para que os mais diversos setores da sociedade se unam em um controle mais intenso de suas ações.

Principais resultados: o mercado imobiliário

Mesmo com o posterior aprofundamento do estudo desse objeto (no estudo de caso), essa primeira apresentação – síntese de tudo o que já foi estudado é muito importante por sustentar que esse tema pode ser elevado a categoria de uma externalidade ambiental.

O mercado imobiliário é uma externalidade, por que: primeiro, ele representa a apropriação do meio pela sociedade. Todos os anseios de ocupação, organização e desenvolvimento econômico, passam (ao menos em alguns pontos) pela organização do mercado imobiliário; e segundo, porque essa apropriação do meio (principalmente pela forma como o mercado se apropria) gera problemas tanto de ordem social, como ambiental.

Tendo isso em vista, foi estudada a realidade do mercado imobiliário em três instâncias: a primeira refere-se à realidade da metrópole paulista; a segunda a cidade de São Paulo; e a terceira a região da marginal do rio Tietê.

Contatou-se que: na metrópole paulista existiu a tendência de crescimento no número de lançamentos residenciais e tendência no aumento do preço médio do m² de área útil desses imóveis, ou seja, uma valorização geral dos imóveis.

O comportamento do mercado imobiliário da cidade de São Paulo foi praticamente o mesmo da metrópole. Apenas uma maior oscilação no período estudado no que se refere à quantidade de lançamentos de imóveis. Mas, a tendência do aumento da comercialização dos imóveis residenciais e comerciais se manteve, bem como a tendência de valorização dos preços deles.

Para o estudo da marginal do rio Tietê foi investigado tanto o número de lançamentos dos imóveis, as variações do preço médio de venda dos imóveis, e a características dos imóveis que compõem a realidade dessa região. Foi averiguado o comportamento individual de cada zona de valor da marginal.

No geral, verificou-se que mesmo havendo aumento do número dos lançamentos da década de 1980 para 2000, o preço dos apartamentos apresentou em queda também da década de 1980 para 2000. Em relação às características dos imóveis, a tendência da região é dinamizar o mercado local com apartamentos menores, mais funcionais. O público que o mercado volta-se é caracterizado por famílias menores, que possuem a preocupação em morar em locais mais centrais, e que “abrem mão” de valores “extras” como à qualidade ambiental.

Constata-se, portanto, que toda a região da marginal do rio Tietê apresenta uma característica comum da estrutura do imóvel comercializado: área útil de até 75 m² (72%); dois quartos (61.90%); um banheiro (59%); e uma garagem (77.78); no geral, os preços dos apartamentos que estão à venda variam de 100 a 300 mil reais; sendo que a valorização dos imóveis depende basicamente das variações do oferecimento da quantidade de banheiros, garagens e do tamanho da área útil.

Assim, constata-se que apesar da tendência de valorização dos imóveis em toda a metrópole e na cidade de São Paulo, a marginal do rio Tietê mostra-se com um comportamento contrário: se for comparado com a realidade da cidade de São Paulo, a quantidade de lançamento de imóveis é bastante baixa; as estruturas dos apartamentos lançados são de apartamentos essencialmente pequenos; e ainda, a forte tendência à desvalorização dos imóveis da região.

Considera-se que os problemas existentes principalmente relacionados com as inundações da marginal e de seus afluentes, geraram conceitos entre os especuladores de que esse é um local de investimento incerto. Apesar das inúmeras tentativas de amenizar essa

questão (principalmente no que se refere às intervenções do DAEE), persiste ainda a imagem de ser está área um local bastante conflituoso.

Principais resultados: o trânsito da cidade de São Paulo

Os estudos sobre o fluxo de veículos da cidade de São Paulo e a investigação de sua relação com o problema alagamento, são facilmente compreendidos como uma externalidade ambiental. Os alagamentos são considerados para esse estudo o primeiro reflexo da apropriação indevida de um meio pela sociedade, e o trânsito da cidade, também reflete a desorganização do crescimento urbano. A junção desses elementos apenas potencializa o grande problema que ambos representam mesmo estando isolados.

A necessidade de integração rápida e eficiente, somado ao grande desenvolvimento do processo produtivo, provocou um inevitável aumento de carros, ônibus e caminhões. Esse crescimento gerou um grande problema relacionado à logística ou simplesmente a circulação eficiente da população.

Mas os problemas que envolvem o trânsito de uma cidade, como os de São Paulo vão além do impedimento da circulação de pessoas. Estudos que fazem levantamentos, estimativas empíricas dos problemas causados pelos congestionamentos, são apresentados constantemente por meio da imprensa, de órgãos pesquisadores como o IBOPE, e pela própria secretaria de transporte da cidade de São Paulo, divulgando a abrangência das perdas no trânsito da cidade paulista.

Os problemas relacionados começam com a avaliação do tempo gasto no trânsito: estima-se que 63% dos paulistanos perdem em média mais que 5 horas no trânsito. E, ficar parado no trânsito gera situações como, por exemplo:

x custos logísticos: um caminhão parado, gasta mais combustível, e por rodar menos, fazem menos entregas. Consequentemente as transportadoras tem que aumentar suas frotas, portanto, mais veículos nas ruas. As seguradoras também aumentam o preço dos seguros desses caminhões por julgar que o risco de roubo é também muito maior. x O aumento com os gastos com combustíveis: o transporte automotor, mais tempo

ligado, o gasto é maior (e consequentemente maior emissão de gases poluentes na atmosfera);

x Custos de produção: uma transportadora de alimentos, por exemplo, dependendo do produto, a carga pode deteriorar ou ser diminuído o tempo de validade;

x Perdas no consumo: as horas perdidas nos engarrafamentos poderiam ser aproveitadas na própria produção, e também no consumo geral de produtos e serviços;

x E, perda na saúde: a exposição excessiva a poluição do ar pode gerar: propensão maior a desenvolver câncer de pulmão; bronquite; asma; problemas no coração; stress; hipertensão; além do aumento dos riscos com os acidentes de trânsito.

Considera-se (empiricamente) que todas essas perdas somadas, levam a prejuízos financeiros que podem atingir cerca de 4,1 bilhões de reais no ano. Alguns estudos apontam para: perdas diárias de 11 milhões de reais (considerando o tempo perdido e o gasto com combustível – estima-se que são desperdiçados cerca de 200 milhões de litros de gasolina e álcool, e 4 milhões de litros de diesel por ano nos engarrafamentos).

Infelizmente desenvolver um estudo científico na tentativa de compreensão da verdadeira perda financeira dessa externalidade (congestionamento) foi realmente muito difícil. Os órgãos do governo responsáveis por informações essenciais para esse tipo de estudo, servem para os pesquisadores como verdadeiras barreiras, dificultado em muito o processo da pesquisa. Normalmente as informações cedidas, são muito superficiais que tornou praticamente impossível chegar a conclusões como às apresentadas anteriormente. Mesmo assim, a apresentação das estimativas das perdas da sociedade com os congestionamentos é interessante, pois, auxilia na conscientização da população para a produção de externalidades.

Nesse contexto, é interessante estar reforçando que as cidades, com seus volumosos índices de verticalização, apresentam problemas ambientais como: aumento da absorção de calor pela superfície; aumento das áreas impermeabilizadas; fatores que alteram o ciclo natural da água; alteração da circulação natural dos ventos; aumento e concentração na poluição. Essa realidade, associada às ações de: canalizações dos córregos; assoreamento dos rios; ocupação de várzeas; entre outras; potencializam os problemas relacionados aos alagamentos. E, assim, consequentemente é piorado os problemas relacionados aos congestionamentos.

Com esse cenário, temos claramente montado um ciclo de situações que se alimentam mutuamente. O desenvolvimento das cidades, ou a forma como a sociedade se apropriou e se desenvolveu em um local, gerou situações problemas que podem ser classificadas como externalidades, que somente tem o papel de prejudicar todos os setores.

Hoje, é consenso entre grande parte da população que as falhas no planejamento do trânsito, também no gerenciamento do transporte urbano, e no uso e ocupação do solo, levam à graves impedimentos na organização da cidade. Assim, a existência de uma externalidade como o trânsito, é um fator impeditivo do desenvolvimento econômico, além de

gerar efetivas perdas na qualidade de vida da população. Mas, esse é um tema passível de ser mais profundamente ou cientificamente analisado.