Participaram do estudo os pacientes de ambos os gêneros, faixa etária entre 35 e 85 anos, com diagnóstico de DAC, estáveis clinicamente, submetidos à cirurgia cardíaca ou angioplastia eletiva e que estiveram de acordo com o consentimento livre e esclarecido (APÊNDICE A).
Foram excluídos os indivíduos incapazes de responder ao questionário, os que foram submetidos à cirurgia cardíaca ou angioplastia de emergência, e os que após o procedimento cirúrgico ou angioplastia percutânea evoluíram para internação hospitalar superior a sete dias ou óbito.
3.5 PROCEDIMENTOS
Os pacientes foram avaliados em três momentos: antes do procedimento, na alta hospitalar e 60 dias após a intervenção cirúrgica ou angioplastia percutânea. Aqueles que foram submetidos à cirurgia de revascularização recebiam alta em 6 (±3) dias, e os que faziam angioplastia percutânea em 2 (±3) dias.
Na avaliação antes do procedimento o paciente respondeu um protocolo de pesquisa inicial constando perfil demográfico (escolaridade, estado conjugal, vida profissional), antecedentes pessoais, hábitos de vida e IMC (índice de massa
Casuística e Métodos –
40corporal) (APÊNDICE B). Foram aplicados também o questionário de qualidade de vida e a escala de independência funcional. Os pacientes do grupo de RM recebiam orientações fisioterapêuticas referentes ao procedimento cirúrgico como: posicionamento no leito, tosse, deambulação precoce pós-cirúrgica, e exercícios fisioterapêuticos da rotina do serviço.
Na alta hospitalar foi aplicado novamente o questionário de qualidade de vida e a escala de independência funcional. Os pacientes foram indagados sobre complicações após a intervenção terapêutica e orientados nas atividades diárias e quanto a restrições ou limitações de esforços decorrentes da DAC.
Nesse momento foi agendado o retorno do paciente para 60 dias. O retorno foi marcado quando possível em dias que o paciente tinha consulta no hospital. Portanto houve uma variação de 60 (±3) dias no retorno.
Na semana da terceira avaliação foi realizado contato telefônico pra enfatizar a importância da presença do paciente no retorno. Dando continuidade no protocolo de pesquisa, era aplicado o questionário de qualidade de vida e a escala de independência funcional. Orientações quanto às atividades físicas e diárias foram novamente feitas para solucionar possíveis dúvidas dos pacientes. Desse contato foram obtidos alguns dados que contribuíram para evidenciar a realidade psicossocial dos pacientes e que enriqueceram a interpretação dos resultados.
3.5.1 Avaliação do Índice de massa corporal (IMC)
O peso corporal foi obtido com o paciente na posição ortostática, descalço e com a roupa hospitalar. Foi utilizada a balança Micheletti ®, modelo MIC 200 PPA, série 83655/2007 com precisão de 50g e limite de carga de 200Kg, com precisão de 0,5cm e escala de 100 a 195cm. CATEGORIA IMC Abaixo do peso Peso normal Sobrepeso Obeso Severamente obeso < 20 20 – 24,9 25 – 29,9 30 – 39,9 t 40
Quadro 1 – Classificação do IMC. Fonte: Regenga, 2000, p.228.
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41A avaliação do IMC foi obtida pelo cálculo entre massa corporal (Kg), dividido pela estatura (altura) ao quadrado em metros (m²) (IMC = Kg/m²), quando então os pacientes foram classificados em categoria segundo Regenga (2000). A classificação do IMC está apresentada no Quadro 1.
3.5.2 Avaliação da Qualidade de Vida
Para avaliação da qualidade de vida, nesse estudo foi utilizado o questionário genérico The Medical Study 36-item Short-Form Health Survey –(SF- 36) (ANEXO A), que foi traduzido e validado na língua portuguesa por Ciconelli (1997).
O questionário é composto por 36 questões que abordam oito domínios (ou dimensões) em dois grandes componentes: o componente físico e o mental (CICONELLI, 1997). O componente físico envolve a capacidade funcional (dez itens), a dor (dois itens), o estado geral de saúde (cinco itens) e o aspecto físico (quatro itens). O componente mental abrange a saúde mental (cinco itens), o aspecto emocional (três itens), o aspecto social (dois itens) e a vitalidade (quatro itens), que é avaliada por 35 questões. Além disso, há mais uma questão comparativa entre a percepção da saúde atual e a do ano anterior.
Na capacidade funcional avalia-se a presença e a extensão das limitações relacionadas à capacidade física; a dor é pesquisada por meio de sua intensidade, extensão e/ou interferências nas atividades de vida diária; o estado geral da saúde é avaliado pela autopercepção e o aspecto físico avalia as limitações físicas na realização do trabalho e das atividades diárias. Em relação aos componentes mentais, a saúde mental é avaliada pela presença de ansiedade, depressão, alterações de comportamento ou descontrole emocional e bem estar psicológico; os aspectos emocionais são avaliados pelas dificuldades emocionais que limitam o trabalho e as atividades de vida diária; os aspectos sociais pela integração do individuo nas atividades sociais e a vitalidade é avaliada pela presença de energia e fadiga na realização das atividades diárias.
Para avaliação dos resultados, utilizou-se um escore próprio de cada questão, que graduam as respostas de 0 a 100. O escore numérico baixo reflete a má percepção da saúde, a perda da função e a presença de dor, enquanto o escore numérico alto reflete a boa percepção da saúde, função preservada e ausência de
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42dor. A questão comparativa entre a percepção da saúde atual e a do ano anterior é graduada de 1 a 5, sendo 1: muito melhor que há um ano atrás; 2: um pouco melhor que há um ano atrás; 3: quase a mesma; 4: um pouco pior que um ano atrás; 5: muito pior que há um ano atrás.
O SF-36 foi elaborado para ser um instrumento auto-administrável, podendo, entretanto, ser aplicado no formato de entrevistas (CICONELLI, 1997; GONÇALVES et al., 2006). Esse recurso foi aplicado no estudo, visando uniformizar a conduta.
3.5.3 Avaliação da funcionalidade
Para a avaliação da funcionalidade foi utilizada a escala de Medida de Independência Funcional (MIF) (ANEXO B). O instrumento foi traduzido e validado para a cultura brasileira por Riberto et al. (2001; 2004). Estes autores também testaram a versão brasileira da MIF e identificaram que há boa equivalência cultural e boa reprodutibilidade. Esta escala pode ser verificada por meio do autorrelato ou do desempenho do indivíduo nas atividades da vida diária (RIBERTO, et al., 2001). No presente estudo foi utilizado o autorrelato.
Entre as atividades avaliadas estão os autocuidados, transferências, locomoção, controle esfincteriano, comunicação e cognição social, que inclui memória, interação social e resolução de problemas. Cada uma dessas atividades é avaliada e recebe uma pontuação que parte de 1 (dependência total) a 7 (independência completa). Logo, a pontuação total varia de 18 a 126 (RIBERTO, et al., 2004). A escala MIF é organizada pela classificação do paciente em sua habilidade para executar uma atividade independente versus sua necessidade por assistência de outra pessoa ou recurso de adaptação. Se a ajuda é necessária, a escala quantifica essa necessidade (BORGES, 2006).
Essa pontuação é estipulada pela escala, por meio de seus equivalentes em funcionalidade definidos abaixo:
- 7 Independência completa: toda tarefa que envolve uma atividade, é realizada de forma segura, sem modificações ou recursos auxiliares, dentro de um tempo razoável;
- 6 Independência modificada: capaz de realizar tarefas com recursos auxiliares, necessitando de mais tempo. Porém as realiza de forma segura e totalmente independente;
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43- 5 Supervisão: sujeito necessita somente de supervisão ou de comandos verbais ou de modelos para realizar a tarefa sem a necessidade de contato, ou a ajuda é somente para preparo da tarefa quando necessário; - 4 Mínima assistência: necessita de uma mínima quantidade de
assistência, um simples tocar, o que possibilita a execução da atividade (realiza 75% do esforço necessário na tarefa);
- 3 Moderada assistência: necessita de uma moderada quantidade de assistência, mais do que simplesmente tocar, (realiza 50% do esforço necessário na tarefa)
- 2 Máxima assistência: utiliza do que 50% do esforço necessário para completar a tarefa, mas não necessita de auxílio total.
- 1 Total assistência: assistência total é necessária ou a tarefa não é realizada. Utiliza menos do que 25% do esforço necessário para realizar a tarefa.
Trata-se de um conjunto de 18 tarefas, divididas em duas subescalas: motora e cognitiva. A dimensão motora avalia as atividades referentes ao autocuidado, que compreende a avaliação do desempenho em relação à higiene matinal, banho, vestir-se acima e abaixo da cintura, uso do vaso sanitário; controle da urina e das fezes; transferências do leito para a cadeira/cadeira de rodas, para o vaso sanitário, para o chuveiro ou banheira e locomoção, com avaliação da marcha e do desempenho ao subir e descer escadas. A dimensão cognitiva/social avalia a compreensão, expressão, interação social, resolução de problemas e memória (RIBERTO, et al., 2001; BORGES, 2006).
O paciente descreve como realiza cada tarefa e o avaliador pontua conforme o protocolo para aplicação do instrumento. O familiar/cuidador pode auxiliar na descrição da tarefa realizada, inclusive indicando quanto de ajuda o paciente necessita. Os maiores escores indicam maior independência funcional (RIBERTO, et al., 2001; BORGES, 2006).