1.10. Türkiye’deki Kuşakların İstihdam Oranları
2.1.8. Sessiz Kalma Biçimleri
Tanto PERELMAN quanto HABERMAS acreditam que a lógica formal tem o devido espaço dentro da lógica jurídica ou da lógica do discurso. Ambos reforçam a importância da dialética, no entanto uso da retórica e da analítica sofre restrições de acordo com cada autor.
Para ambos os autores, a analítica corresponde à lógica formal, enquanto que a dialética, esquecida pelo positivismo,318 retorna a reintegrá-la através na contemporaniedade com a virada lingüística.319 Através da linguagem encontra-se um elemento intersubjetivo que
não consegue ser construído, exclusivamente, através de uma lógica formal.
ALEXY observa que HABERMAS foca-se no estudo formal do discurso, incluindo neste o discurso jurídico.320 Não é somente este elemento que HABERMAS analisa para a
construção de toda sua Teoria da Ação Comunicativa. Existem condições de validade para expressões, um contexto de pretensões que deve ser justificado para ser reconhecido. No que toca à gramática, pode-se sim vinculá-la à lógica formal, no entanto, essa restrição, segundo o autor, não dá cabo das relações pragmáticas principalmente "porque nos atraem erradamente
para uma formalização dos conceitos básicos que não foram satisfatoriamente analisados (como fica, na nossa opinião, demonstrado no caso da lógica normativa que atribui as ordens a origem das normas de ação...)".321 De qualquer maneira, o autor considera necessário que se reduza o objeto da Teoria da Ação Comunicativa às propriedades formais e gerais que permitem a utilização de frases no discurso,322 o que impele para a distinção entre análise
lingüística e a análise pragmática da frase.323
317 HABERMAS, Direito e Democracia: entre a Faticidade e a Validez, vol. I. 1989, pp. 119-121 (especialmente o ponto “d”); PERELMAN, Lógica Jurídica, 2004,pp241-243
318 HABERMAS, 2004, p.96, PERELMAN, Retóricas, 2004, 99-103 (especialmente, pp102)
319 Pois a linguagem apela para um jogo argumentativo e justificativo (WITTGENSTEIN, 1999, itens 23-24) 320 ALEXY, 2005, pp.127-139
321 HABERMAS, 1996, p.21 322 IDEM, p.53
323 IDEM, p.48, o que difere da proposta das interfaces de CAMPOS , Jorge. Ciencias da linguagem: comunicação, cognição e computação, in: Inovação e interdisciplinaridade na universidade. Porto Alegre: Edipucrs, 2007. p.19.
Antes de encontrar entendimento com o outro falante-ouvinte, é necessário estabelecer uma frase gramaticalmente correta de tal forma que consiga compartilhar conhecimentos com aquele, expressando intenções através de imagens sobre as quais exista um possível acordo.324 Sem dúvida, esse aspecto permite uma análise lógico-formal sobre a
frase, no entanto, a adequação da frase ao efeito que ela causa do mundo só consegue ser observada através de uma relação comunicativa que exige a dialética dentro do diálogo, para o estabelecimento do entendimento. A linguagem não guarda somente uma racionalidade teleológica sobre a qual é possível analisar a adequação da frase. A própria linguagem é determinada pela comunicação, assim não é possível focar exclusivamente em demonstrações. Não bastasse isso, o aprendizado da linguagem e da moral, assim como os processos de cooperação entre falantes ouvintes não se dão exclusivamente através de uma linguagem analítica.325
HABERMAS não repele o uso nem da dialética nem da analítica, no entanto o uso retórico da linguagem constitui-se em um uso estratégico que instrumentaliza o outro falante- ouvinte por seu descompromisso, especial, com a veracidade.326 Aqui ambos os autores divergem superficialmente, pois apesar de discordarem sobre a validade do uso da retórica, ambos convergem quanto à necessidade da sinceridade nas proposições, principalmente nas proposições normativas.
Se HABERMAS vê o uso retórico da linguagem como próximo da racionalidade teleológica ao assemelhar-se a uma ação dramatúrgica,327 por instrumentalizar o outro
participante do diálogo e compeli-lo a uma ação que este realiza sem, necessariamente, fazer um processo reflexivo racional; PERELMAN pensa o oposto. A retórica é uma forma de alcançar uma comunhão de espíritos, um caminho privilegiado para estabelecer o contato subjetivo entre o auditório e o orador.
324 HABERMAS, 1996, p.50.
325 ARAUJO, Moral, Direito, Política e Teoria do Discurso de Habermas, ——, pp.5-6. Interessantíssima a classificação que o autor dá à proposta de Habermas quanto a Teoria do discurso, “kantiana pós-hegeliana da justiça e da razão prática que se inscreve num universo pós-metafísico de pensamento”(pág.7), se Habermas a declarasse de forma literal na introdução de Direito e Democracia não precisaria tornar a obra tão rebuscada. Outro ponto, também interessante, desenvolvido por Araujo é a unidade entre direito e moral para a proteção do indivíduo e sociedade (pág. 9) o que impele a uma relação de complementaridade entre eles (pág12), o que discordo, uma vez que Habermas pressupõe uma gênese moral anterior aos direitos, (ou seja, não estou, direitamente, de acordo com Habermas nem com a de Araujo, mas próximo da proposta de Apel sobre Habermas)
326 Como de depreende de HABERMAS, Teoria de la Acción Comunicativa: Racionalidad de la Acción y
Racionalización Social, vol. I. 1987, p180, ao criticar um consenso fático (baseado na coação ou sugestão
retórica) e um consenso válido.
327 O que depreendo a partir do momento que ação dramatúrgica intenciona que o ator seja visto e aceito (pelo auditório) de uma determinada maneira, que em regra ele conduz, HABERMAS, Teoria de la Acción
Comunicativa: Racionalidad de la Acción y Racionalización Social, vol. I. 1987, pp.131-136 (especialmente
A retórica ao manter seu compromisso com a sinceridade não é um instrumento manipulativo, pois o convencimento trabalha junto com a persuasão, sendo que a racionalidade, que se destina ao convencimento, não tem foco exclusivo numa lógica formal, mas tem foco numa tentativa de um aumento de adesão que pressupõe elementos subjetivos.328 Nisto a retórica é um espaço de liberdade em que os argumentos produzidos
através dela permitem, a qualquer momento, o questionamento.329
Uma vez que envolve um uso não formalizado e unívoco da linguagem, a retórica, a todo o momento, necessita buscar um entendimento e um acordo sobre a validade dela.330 Esta
característica reforça o caráter performativo da retórica,331 mas isso não menospreza que ela possa trazer um aparato técnico que facilite o entendimento e convencimento entre o auditório e o orador. Aliás, esta é a função da retórica, nas palavras do autor ela se destina ao "...
condicionamento do auditório mediante discurso, no qual resultam considerações sobre a ordem em que os argumentos devem ser apresentados para exercer maior efeito”.332
Com essas contribuições já é possível delinear que uma Decisão Penal deve usar de todos estes recursos, sejam eles analíticos, dialéticos ou retóricos para encontrar o entendimento entre o auditório e o orador, ou falantes-ouvintes, para permanecer racional e, de alguma forma, convencer alguém sobre sua validade. No entanto, devido à necessidade da depreensão de uma conclusão ou "decisão" que leve em consideração os argumentos dos integrantes de uma relação jurídico-penal em que são postas, diretamente, suas apreensões sobre o mundo e sobre a moralidade em face de um “fato” do qual depende a liberdade, é necessário formular algum parâmetro sobre o qual a apresentação dos argumentos possa ser problematizada.
Esta plataforma para a problematização que leva em consideração relações de demonstração, dialéticas e retóricas é precedida pelo diálogo na sociedade através de uma
linguagem natural, resultando, então, em um Procedimento, um espaço mais formalizado que sua criadora no qual o discurso é apreciado, analisado e contraditado frente a “fatos”. Através
328 PERELMAN, Retóricas, 2004, p.70. 329 IDEM, p.77.
330 IDEM, p.80.
331 HABERMAS, 1996, pp. 78 (feliz ou infeliz quanto às pretensões que se destinam ou à persuasão e ao convencimento que deseja realizar).
332 PERELMAN, Tratado da Argumentação: A nova retórica. 2005, p.9. Aqui o termo condicionamento não deve ser lido como uma instrumentalização do auditório, pois para Perelman a própria retórica nunca produz argumentos coativos, mas somente os introduz no discurso da maneira que a nossa racionalidade consegue captá- los com maior facilidade e simplicidade devido a sua constante adaptação ao auditório conforme se depreende de toda sua obra.
do Procedimento poder-se-á estabelecer uma validade casual condizente com que consideramos Justiça.