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2.2. Örgütsel Ses Kavramı

2.2.1. Örgütsel Sesliliğin Formları

Tendo em vista que o Procedimento passa a ser uma seqüência de argumentos problematizados destinados a um resultado pragmático através do uso da linguagem, retorna- se ao problema de como conceber um convencimento fundado no melhor argumento. É neste aspecto que PERELMAN supera HABERMAS, apesar deste tratar com maior propriedade as condições de validade do uso da linguagem.

O melhor argumento não é simplesmente um argumento válido, a validade é acima de tudo uma questão de entendimento. A partir deste entendimento forma-se o que se pretende ser o convencimento, um consenso maior que o sobre a linguagem, um consenso sobre uma ação cooperativa.358 Construir esta cooperação entre os sujeitos da relação procedimental-

processual é uma aproximação, majoritariamente, subjetiva face ao mundo objetivo e social. Aqui é possível tratar-se de uma tentativa de encontrar uma conjunção de espíritos através de uma seqüência de argumentos, ou seja, encontrar estruturas que permitam uma conexão psicológica entre o orador e seu auditório. Não é possível fugir da linguagem natural nem das interpretações simbólicas que já nos são dadas pelo mundo da vida, aliás são essas que permitem este contato mais profundo entre os sujeitos de um discurso ao serem precedentes da linguagem jurídica.

Assim, a aproximação dos sujeitos deste discurso dá-se quando se propõe uma proposição universalmente aceitável e aceitada, a partir de elementos válidos, ou seja, aceitos dentro de um ambiente particular. Isso não significa que, através da seqüência de argumentos, dê-se uma resposta infalível. Pelo contrário, como a argumentação usada no discurso procedimental é fundada parcialmente em um elemento subjetivo, passível de ser revisado, e

358 HABERMAS, 1996, pp.206-207. Tal idéia de ação comunicativa forte permite conectar esta temática a proposta de POZZEBON, 2005, pp.329 e 465 de uma motivação compartilhada em tono da decisão penal, principalmente no que toca ao compartilhamento intersubjetivo da verdade e da norma.

num contexto objetivo, que se altera com o a ação, a resposta pode ser problematizada outra vez.

Repetindo, a cada momento, é possível propor um novo melhor argumento. No entanto, PERELMAN e HABERMAS distinguem-se quanto à eficácia (e eficiência) deste melhor argumento. HABERMAS acredita que o melhor argumento apresentado na relação procedimental deve ter efeito coativo face ao que a racionalidade comunicativa consegue aceitar como válido. Não aceitar esta coatividade é uma ação irracional ou uma ação estratégica que desconsidera o outro falante-ouvinte, instrumentalizando-o de acordo com o fim determinado por si e não através mútuo entendimento.359

PERELMAN propõe que nenhum argumento tenha caráter coativo.360 Dessa forma, o Procedimento não contém nem deve conter qualquer forma de coação, conseqüentemente, é construída, através dele, uma verdade-validade tênue, muito mais carente de reafirmação e revisão que a proposta de HABERMAS. Apesar de ambos concordarem na ampliação dos auditórios para a afirmação da validade das proposições dentro do Procedimento, PERELMAN evoca a falibilidade do conhecimento como apenas superável por um contato de espíritos através da retórica, enquanto HABERMAS constrói uma falibilidade superável através da comunicação no Procedimento, ou seja, certezas transitórias em torno das proposições.

Concomitantemente, depreende-se que, para PERELMAN, o próprio Procedimento é passível de revisão, ainda que a partir dele, inicialmente, haja um consenso que permite toda fundamentação-argumentação posterior. O orador pode no transcurso do seu discurso propor alterações que permitam um contato maior com seu auditório, conquanto convença este sobre as alterações no Procedimento. Tudo isto ocorre através da retórica, das técnicas argumentativas que recorrem aos lugares-comuns sobre os quais há um consenso sobre a generalidade.

HABERMAS vê de outra maneira o Procedimento, muito mais vinculado à proposta procedimental e hipotética de Rawls361 ao conectar o procedimento ético a uma “situação

359 HABERMAS, 1989, pp.111-112, 124-125.

360 Trecho apenas para ilustrar no qual o autor defende a retórica observando através dela (PERELMAN,

Retóricas, 2004, p.77) “ numa argumentação retórica tudo sempre pode ser questionado (...). A argumentação

retórica não é coercitiva porque não se desenvolve no interior de um sistema cujas premissas e regras de dedução são unívocas e fixadas de maneira invariável”.

361 Em relação à situação hipotética de igualdade transcendental no véu da ignorância (RAWLS, John. Uma

Teoria da Justiça. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p.147) e a tentativa de transpor condições de “igualdade” e

ideal de fala”362 na qual se forma um comprometimento racional em torno da linguagem, da seqüência e abrangência dos atos de fala, para a manutenção de pressupostos da universalização das proposições através do discurso. Sua proposta, apesar de ter aberturas para a modificação do Procedimento, não condiciona esta a alterações arbitrárias e descontextualizadas. Pelo contrário, vincula a um processo flexível que leve em consideração, não apenas o desejo do orador em modificar a seqüência sobre a qual propõe sua argumentação, mas também ao que todos os participantes do discurso procedimental desejam.363 Não se trata, simplesmente, do orador usar artifícios retóricos para alcançar uma finalidade, mas de planejar cooperativamente a seqüência dos atos de fala de tal forma que todos tenham a possibilidade de participar do discurso enquanto interessados em sua temática sem sofrer coação (a não ser a do argumento que considere melhor).364

Nesta seara, a determinação do Procedimento que se tornará Processo liga-se à democracia como Procedimento em si, no qual todos necessitam ter um espaço não coativo para que, através de um diálogo dialético antecedido pelas interações em linguagem natural, possam determinar como podem apresentar seus argumentos circunscritos a um ambiente e problematização determinados, como no caso dos Procedimentos Jurídicos. É certo que neste meio informalizado o uso da retórica é um dos caminhos para alcançar o entendimento sobre o Procedimento, no entanto isso não significa que ultrapassando este meio seja possível retoricamente reconstruí-lo ou modificá-lo.