3.3. Presenteeism Kavramının Nedenleri
3.3.1. İşin Gereğinden Kaynaklanan Nedenler
A razoabilidade, que permite a construção do conceito de Justiça segundo RAWLS e que depende de pontos de vistas morais conforme HABERMAS, deve encontrar algo que conduza a uma igualdade nas normas. PERELMAN também tem a mesma preocupação.425 Cada um apresenta sua proposta correlacionando-a com o ideal de não coatividade. A igualdade é, acima de tudo, uma questão argumentativa e discursiva que não pode ser limitada arbitrariamente na vida.
Enquanto Rawls aprecia a igualdade como uma hipótese encontrada no “Véu da
Ignorância” que propicia juízos de pessoas razoáveis de maneira equitativa que determinarão a Justiça,426 PERELMAN e HABERMAS apreciam a igualdade como uma condição para o discurso não coativo (ou que apresente somente a coação do melhor argumento), único capaz de legitimar as normas, a Justiça e a Decisão através de uma aceitação racional ou convencimento.
Reforçando o anteriormente dito, as pessoas apresentam duas faculdades morais, nas palavras de RAWLS:
(...) uma dessas faculdades é a capacidade de ter um senso de justiça: é a capacidade de compreender e aplicar os princípios da justiça política que
423 Quando nos atemos a uma “justiça concreta” disposta a universalização (valor consensual) sem a pragmática própria da razoabilidade. PERELMAN, 2005, pp.243.
424 PERELMAN, Ética e Direito, 2005, p.293. 425 IDEM, p.437.
determina os termos equitativos de cooperação social, e de agir a partir deles...
(...) a outra faculdade moral é a capacidade de formar uma concepção do bem(...) do que considera ser uma vida digna a ser vivida (RAWLS, 2003, p.26)
Quanto a estas capacidades, todos são (hipoteticamente) idênticos e postos em condições simétricas.427 A partir desta condição de igualdade as pessoas concebem o que consideram um sistema equitativo e, portanto, justo de cooperação social.428 Isto reforça a idéia da distinção entre HABERMAS e RAWLS.
Para HABERMAS, assim como para PERELMAN, as pessoas não estão em uma situação de igualdade naturalística devido a suas capacidades morais, mas elas têm que pressupor uma capacidade natural de linguagem. É através da linguagem que se torna possível conceber consensos que formaram um sistema de cooperação social.429
Como visto nos capítulos anteriores, a linguagem depende não só de uma disposição natural para montar ligações entre significado e significantes através de signos, mas também de um aprendizado que os adéqua ao mundo, assim como da tradição da língua.430 A moral se pauta da mesma maneira. HABERMAS considera que a moral também passa por um processo de aprendizado431 e, tal como a linguagem, depende de um substrato da vida intersubjetivamente compartilhado, o mundo da vida (lugares-comuns).
É sobre esse substrato que os indivíduos tentam estabelecer sua individualidade e pertencer a um grupo social, para isso estabelece-se a moralidade com este fim protegendo o indivíduo neste processo. Isso é possível a partir do momento em que a moralidade torna-se responsável por:
(...) valer a intangibilidade dos indivíduos socializados, exigindo igual tratamento e portanto um respeito igual à dignidade de cada um; e #- de proteger as relações intersubjetivas de reconhecimento recíproco e exigindo aos indivíduos solidariedade enquanto membros de uma comunidade em que foram socializados.(HABERMAS, Jürgen. Aclaraciones a la ética del discurso. 1991, p.59. Disponível em: www.libros tauro.com.ar, acesso em: 25.05.2008)
427 RAWLS, 2003, pp.27-28.
428 IDEM, p.7.
429 Perelman não usa deste termo “cooperação social”, no entanto depreende-se isto do interesse do autor em adequar o direito ao “socialmente aceitável” (por exemplo, PERELMAN, Ética e Direito, 2005, p. 456), para HABERMAS, Direito e Democracia: entre a Faticidade e a Validez, vol. I. 1997. pp. 120-121.
430 O que se depreende de Saussure.
Assim, a construção da igualdade e da equidade não derivam de um momento e/ou de capacidades hipotéticos, mas de um contexto em que as pessoas agem comunicativamente entre si.
É a própria comunicação que apela para um Procedimento. Os participantes do discurso necessitam manter-se e manter seu mundo, daí que, através de seus atos de fala e dos pressupostos comunicativos que estes contem, eles conduzam suas vontades em conjunto e solidariamente. Não se trata mais de uma igualdade hipotética que conduz à equidade, mas uma necessidade de proteger o nosso "papel" dentro de uma comunidade, de nosso mundo da
vida que compartilhamos com os demais.432
O discurso, então, torna-se uma seqüência de atos de fala que, apesar de falho e revisável, possibilita um entendimento integrador de seus participantes anterior ao estabelecimento de um tratamento igualitário433 que conduz à fundamentação de normas na tentativa de encontrar um assentimento sobre elas, principalmente, no interesse de proteger o indivíduo e sua socialização.434 E, como este interesse tem uma pretensão universal, ele não consegue escapar da apreciação, necessária, de todos os interessados.435 Aqui se insere a igualdade como uma condição que habilita esta participação, embora pareça idílica quando inserida no Procedimento-Processo Penal.
De acordo com essa visão, a Democracia, criadora de normas, é um foro privilegiado para buscar um assentimento universal. PERELMAN também concorda com essa posição. Aliás, no que toca a igualdade, ele também a condiciona ao interesse geral.436 Numa abordagem histórica apresenta a derrocada do conceito de igualdade em detrimento das intervenções institucionais,437 muitas vezes, submetidas à arbitrariedade apesar do pretexto de estarem adequadas a um interesse maior.
Tal como HABERMAS, o autor considera que o discurso e a linguagem são antecedentes a uma condição de igualdade moral, a partir destes condicionar-se-á a Justiça.438 A argumentação em forma de discurso impele a um tratamento não coativo do auditório para angariar seu convencimento. Não se trata de uma situação hipotética sobre a qual a Justiça decorreria à equidade, mas de uma série de discursos contextualizados e condicionados a seu
432 HABERMAS, 1991, p.60.
433 IDEM.
434 O que entendo ser ao contrário para Apel, por considerar o princípio da responsabilidade que em conjunto com “U” complementa “D”, ou seja, por considerar que a imputabilidade (de todos os “interessados”, portanto, igualmente atribuído a todos) antecede o discurso (APEL, 2009, p.109).
435 HABERMAS, 1991, p.86.
436 PERELMAN, Ética e Direito, 2005, p.234. 437 IDEM, p.235.
tempo que determinam este significado.439 Construir uma Decisão Penal justa é deixar os integrantes do Procedimento-Processo livres para argumentar.
Ao fim e ao cabo, os dois autores estão de acordo que as proposições normativas, as normas jurídicas, não dependem de uma situação hipotética inicial construída com base numa igualdade artificial e destinada a construir um Procedimento e um tratamento equânime entre as pessoas. O significado de Justiça e as construções normativas depreendidas dela não conseguem fugir do discurso, pois o que mais necessitam para serem válidas é de um compartilhamento de fundamentação.