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Bir Savaş Suçu Olarak Kültürel Miras Niteliğindeki Eserlere Yönelik Saldırı

Uluslararası Ceza Mahkemesi’nin Al Mahdi Kararı Üzerine Bir İnceleme*

II. Bir Savaş Suçu Olarak Kültürel Miras Niteliğindeki Eserlere Yönelik Saldırı

Destacaremos nesta última etapa de análise das observações um dos componentes centrais

de uma pesquisa em uma visão construtivista: a perspectiva do ‘tornar-se’. Qual seja, aquela que

busca apreender as transformações que se operam num objeto (ou numa relação) no tempo: como

alguma coisa que é torna-se algo diferente do que era antes. Isso corresponde a um de nossos

objetivos: “analisar o percurso construído por algumas professoras com o grupo de pais nas reuniões

ao longo de um semestre letivo”. Assim, dentro do tempo de duração de nossas observações (um

semestre) pudemos acompanhar até três momentos (ou três reuniões) de uma classe com sua

respectiva professora. Na Tabela 2 – Conjunto das reuniões de pais observadas, inserida no início

Selecionamos para esta análise os percursos de três professoras (PR.2; PR.3; PJ.2) sobre as

quais teceremos algumas considerações. Queremos lembrar que nossas avaliações não se dirigem

às pessoas das professoras, mas que servem como ilustração para refletirmos sobre quaisquer

outras reuniões, e que ao efetuarmos recortes sobre determinadas situações, pretendemos criar

condições que favoreçam a sua visualização. Antes de prosseguir, adiantemos que as menções

feitas aos modelos de reuniões de pais a que as professoras correspondem referem-se à Proposição

de modelos que será apresentada integralmente no próximo capítulo, da Discussão dos resultados.

Examinando o conjunto das reuniões pesquisadas, constatamos que, em geral, - o que

corresponde ao relato das professoras nas entrevistas individuais e às nossas experiências

anteriores à pesquisa - houve uma diminuição na presença dos pais nas reuniões com o passar do

tempo. A freqüência das reuniões gerais (em Fevereiro) oscilou em torno de 75% enquanto a

média de freqüência das bimestrais foi de 66% (bimestrais 1) e 49% (bimestrais 2). Dentro

desse quadro, duas professoras - uma em cada escola - apresentaram uma queda acentuada,

atingindo a menor freqüência entre seus pares, e que nos pareceu significativa: PJ.2 = 65%,

54%, 35% e PR.2 = 73%, 64%, 33%. Entendemos que esses dados não são casuais como indicam

os comentários que faremos abaixo.

No caso da professora PJ.2, ao retomarmos as descrições que fizemos no Mapa Geral da

EMEI Julieta, vemos que ela demonstrou determinadas características que podem ter influenciado

essa ocorrência. Do ponto de vista de sua postura nas reuniões, ela apresentou maior insegurança

e dificuldade de conduzi-las, sendo que acabou perdendo-se na entrega e recebimento de mate-

rial dos pais, ocasionando certo tumulto e perda de coesão grupal no fim de todas elas. A estrutura

de suas reuniões sinaliza pouca autonomia para coordenar as atividades segundo suas necessidades

e as do grupo de pais (correspondendo ao modelo “fechada e centralizada”). Ainda assim, esses

das reuniões. Apontamos, então, uma terceira característica que julgamos ter contribuído para a

progressiva diminuição da freqüência dos pais.

Quanto ao conteúdo predominante, ou mais enfatizado, incluímos essa professora no modelo

“moralizador ou comportamental”. Ou seja, a PJ.2 parecia entender seu papel diante dos pais

como de alguém que devia ensiná-los a educar melhor os filhos, cabendo à sua função de

professora transmitir-lhes aquilo que aprendeu com seus estudos, por acreditar que lhes faltariam

conhecimentos e educação necessários para uma orientação adequada aos filhos. Em outras

palavras, subjazendo uma concepção de carência cultural das famílias que deveria ser suprida

pela escola (especialmente através da professora). Movida por essas intenções, observamos

vários momentos em suas reuniões em que monopolizou a fala por longos períodos. Em uma das

atividades de sensibilização com os pais, para que comentassem pequenos textos lidos sobre

relação entre pais e filhos, sua fala estendeu-se por cerca de 30 minutos gerando dispersão e

pouco interesse nos pais. Inversamente, nos poucos momentos em que a PJ.2 explicou conteúdos

pedagógicos na lousa (por exemplo, ilustrando a evolução da escrita pelos alunos) constatamos

pais envolvidos e atentos. Entretanto, a nosso ver, sem que ela percebesse e aproveitasse esse

fato para aproximar-se dos pais através daquilo que parecia estar efetivamente despertando seu

interesse. A professora parecia dirigir-se a pais que, segundo ela, necessitavam daquelas as

orientações morais e que dependiam dela para ter acesso a elas. Não nos pareceu que o grupo de

pais ali presente correspondesse a essa expectativa, estando mais interessado em entender o que

os filhos aprendiam em sala. A dinâmica estabelecida priorizou a relação dos pais com a professora,

que teria o saber valorizado, minimizando a interação entre os próprios pais (o que servirá de

exemplo para o modelo de “espaço comum”).

Vale ressaltar que a principal questão em jogo não parece ser exatamente, ou apenas, o

professora como nos pais, que seja interdependente a ambos. Por exemplo, no caso da PJ.3, o

mesmo conteúdo de contornos morais e comportamentais foi predominante e, no entanto, pelo

maior envolvimento e participação dos pais daquela sala, parecia haver uma reciprocidade e um

interesse comum na abordagem daqueles temas. A seqüência de reuniões da PJ.2 ajuda-nos a

concluir que reuniões de pais que se baseiam nas expectativas da professora, sem atingir o

interesse daqueles, acentuando a dependência destes em relação ao saber daquela, tendem a

tornarem-se espaços desarticulados e desinteressantes.

Passemos aos percursos das outras duas professoras selecionadas, ambas da EMEI Romeu:

PR.2 e PR.3. Analisando a coluna correspondente às freqüências de pais das segundas reuniões bimestrais dessa EMEI, percebemos que há uma grande diferença entre as freqüências de pais

nas três reuniões observadas (70% = PR.3; 50% = PR.1 e 33% = PR.2) e que, como mencionamos

no início dessa exposição, houve uma queda importante e progressiva da freqüência da professora

PR.2. Acrescentamos a esses dados que a mesma professora PR.2 coordenou as reuniões mais

rápidas dentre todas, durando em média 27 minutos em sala com os pais (a professora iniciou

sua bimestral 1 com a seguinte frase: “hoje vai ser uma reunião rapidinha, só para vermos o kit

de material”). Em termos de conteúdo prevaleceram assuntos externos à sala de aula, chegando

a excluir enfaticamente o trabalho pedagógico (na segunda bimestral justificou que não seriam

tratados assuntos pedagógicos em função dos problemas relativos à realização da festa junina e

que, também por isso, as avaliações dos alunos seriam entregues no mês de Agosto). Em nossa

proposição de modelos de conteúdo, ela corresponderá o modelo “burocrático” Quanto à estrutura

ou forma das reuniões, constatamos desorganização e pouco envolvimento da professora com a

atividade. Caracterizamos sua postura como comprometida com a cumplicidade e a cooptação

dos pais, acentuando um clima de oposição entre a EMEI e a administração pública (utilizou

Avaliamos, portanto, que as reuniões observadas da PR.2 sofreram um progressivo

esvaziamento tanto de pais presentes como também dos conteúdos e objetivos que seriam esperados

em uma reunião bimestral de pais (conforme consenso nas entrevistas de todas as professoras e

inclusive da PR.2): a apresentação e comentário do trabalho pedagógico desenvolvido pela

professora com os alunos. Acreditamos que uma reunião que, do ponto de vista da estrutura, é

desorganizada com assuntos justapostos e tratados superficialmente, e que se afasta radicalmente

do eixo do ensino e aprendizagem dos alunos, posicionando os presentes menos como professora

e pais de alunos e mais enquanto funcionária e usuários de um serviço público, não contribui para

uma maior aproximação entre escola e famílias. Podemos considerar que as reuniões da PR.2

foram representativas dessa situação, tornando-se espaços cada vez mais esvaziados, pouco

participativos e perdendo o compromisso com a função pedagógica do professor.

Voltemos, então, nosso olhar para a reunião da PR.3. Como já mencionado anteriormente,

devido à alteração da data da sua primeira reunião bimestral sem que fôssemos avisados, observamos

apenas a sua segunda reunião bimestral, no mês de Junho de 2004. No entanto, embora não tenhamos

acompanhado dois ou três momentos sucessivos como no caso das outras professoras, consideramos

válida a análise que faremos pelo argumento que se segue. Ao observar o terceiro momento de um

grupo, pressupomos que há uma história em andamento mesmo que não tenhamos tido acesso direto

ao desenrolar dessa história. Nosso interesse em analisar mais de perto essa reunião cresceu por ter

sido justamente durante sua observação que encontramos o maior número de elementos que apontavam

no sentido de uma relação mais colaborativa entre as partes, com participação dos pais sensivelmente

diferente de todo o conjunto de reuniões de que participamos. Além disso, ela apresentou a maior

freqüência (PR.3 = 70%!) no final do semestre dentre todas as outras professoras. Ora, mesmo sem

termos testemunhado as reuniões anteriores desse grupo, esses dados sugerem que houve uma

de uma presença significativa até esse momento da história do grupo. Passemos, então, a apresentar

os elementos que, segundo nossas inferências, contribuíram para esse quadro.

Os modelos em que a incluímos foram: conteúdo “educacional ou pedagógico”,

estrutura “compartilhada” e dinâmica de “espaço coletivo”. Exemplificando esses termos,

no primeiro caso, a PR.3 deu prioridade ao trabalho pedagógico desenvolvido com os alunos,

excluindo avisos e temas mais burocráticos, revelando uma valorização clara daquele. A

estrutura compartilhada da sua reunião foi para nós o item de maior destaque diante das

outras professoras. Ela nos evidenciou uma intenção consciente de incluir o maior número

de elementos na realização da reunião: professora auxiliar, pais em atividades diversas e

crianças. O modo de trabalhar os conteúdos pedagógicos levou em conta a vivência dos

pais ao propor-lhes jogarem como os filhos fazem em aula, porém sem cair num mero

ativismo, e ao intercalar explicações sobre objetivos e significados dos jogos. Uma outra

maneira com que provocou maior atividade dos pais foram as alterações de posturas físicas

durante a reunião: circular pela sala, ir até a lousa, sentar em pequenos grupos com outros

pais, sentar individualmente, sair da sala para pegar material com a professora. Essa dinâmica

mostrou-se eficaz em produzir e manter o envolvimento da maioria durante toda a reunião.

A postura horizontal de colaboração para com o grupo de pais pareceu deixá-la menos presa

no lugar de ‘quem sabe e ensina a quem não sabe’, podendo aprender e trocar informações

com os pais, sem no entanto sair da função de professora de seus filhos (como ocorreu com

outras professoras que buscavam ser, primeiro, as amigas ou conselheiras dos pais, em

detrimento do papel de professora). Convergindo com esses elementos, configuramos a

dinâmica dessa reunião como um “espaço coletivo”, estruturado na circulação de saberes e

de fazeres. Concluindo, a reunião da professora PR.3, representa uma possibilidade real de

criativo. No qual as partes interagem de maneira interdependente, com suas especificidades,

mas complementando-se em função de objetivos comuns.

Encerramos nossa análise afirmando que consideramos algo um tanto leviano culpar a professora

(ou indiretamente a escola) pela ausência dos pais na reunião ou por sua participação mais ativa ou

passiva. Do mesmo modo, por compreendermos que essa atividade - reunião de pais - é construída tanto

pela escola como pelos pais de modo interdependente, seria igualmente enganoso acreditar que, por

exemplo, a postura do professor e os conteúdos por ele abordados na reunião – se mais próximos ou

distantes do interesse daqueles pais específicos - não influenciariam no envolvimento dos mesmos.

Insistimos, por fim, que não propomos ‘um’ modelo ideal de reunião de pais, o que aprisionaria tanto

escolas como pais, tornando ambos dependentes ao ‘modelo ideal’ determinado por nós.