Uluslararası Ceza Mahkemesi’nin Al Mahdi Kararı Üzerine Bir İnceleme*
I. Genel Olarak Uluslararası Ceza Yargısı
O dia-a-dia dessa EMEI mostrou-se bastante tumultuado, interferindo várias vezes nas
reuniões (provocando inclusive mudança das datas) através: da chegada e entrega de uniforme,
leve-leite e chegada do kit de material, treinamento aos professores e discussão sobre festa
junina e da sub-prefeitura. Muito possivelmente o fato de a coordenadora e a diretora serem
novas nos cargos contribuiu para esse contexto menos organizado, havendo uma importante
contaminação da maioria das professoras. Houve pouco espaço para o planejamento das reuniões,
e as atividades propostas pela coordenadora para o grupo de professoras (leitura de dois textos
pensadas por alguns professores (e que chamaram de oficinas), também evidenciaram improviso,
feitas de última hora, e sujeitas à disponibilidade, interesse e envolvimento de cada professora
(uma delas, inclusive, chegou a dizer que não faria atividades com os pais na reunião, mas,
devido à presença da pesquisadora, resolvera fazer “para mostrar como é que elas fazem
normalmente nas reuniões” – PR.1). Pareceu-nos que a leitura dos textos para os pais seguia
uma idéia padronizada, um slogan: ‘é importante sensibilizar os pais, criar um clima de
envolvimento nas reuniões’, de modo mecânico, não revelando um envolvimento ou um sentido
maior dessa atividade por parte dos professores.
Paradoxalmente, foi nessa EMEI que acompanhamos a reunião que se mostrou a mais
dinâmica e envolvente tanto para os pais como para a professora da sala (PR.3). Distante do
modelo tradicional expositivo, centralizando a fala na professora, houve um entrosamento e um
diálogo maior entre essa professora e os pais, com a participação destes em jogos pedagógicos,
secretariando a professora e decidindo sobre a pauta.
A pauta, como na outra EMEI pesquisada, também é elaborada pela escola, mas, diferente
daquela, mantém a ordem “tradicional” priorizando avisos e aspectos gerais no início, deixando
assuntos pedagógicos ou mais ligados à rotina das crianças para o fim, quando os pais já estão
menos atentos e possivelmente mais preocupados com o encerramento. Presenciamos, inclusive,
reuniões em que não houve nada além desses avisos e assuntos gerais (o fato de ser uma professora
que fazia a reunião em sala não imprimia nenhum diferencial na sua condução: era como se qualquer
funcionário pudesse realizar essa tarefa – PR.2). Também aqui, a exceção foi a mesma sala citada
no parágrafo anterior, onde a professora reduziu o número de avisos iniciais e consultou os pais
durante a reunião sobre duas possibilidades de prosseguimento da pauta (PR.3).
Em relação à forma de aproximação dos pais o espectro nessa escola foi bem amplo.
um serviço público, e que não pareciam ser pais de alunos numa escola, uma vez que a relação
com o trabalho pedagógico não se concretizava, sendo remetida para momentos outros (tais
como futuras reuniões de pais, no semestre seguinte). Nesse sentido, a intenção parecia ser de
sensibilizar os pais para a realidade político-organizacional da EMEI, seu relacionamento com
a sub-prefeitura. Ficou evidente para nós, que durante nossa pesquisa essa EMEI sentia-se ora
desconsiderada, ora pressionada e sobrecarregada pela sub-prefeitura, em alguns momentos
inclusive desamparada. Conseqüentemente, era como se procurasse estabelecer uma cumplicidade
com os pais, várias vezes explicitamente procurando ‘tê-los do seu lado’ numa tentativa de
também pressionar a sub-prefeitura a seu favor (exemplos: o caso da falta de gás que um pai foi
à sub-prefeitura o que agilizou a entrega e da festa da prefeitura junto com a junina da escola). A
relação entre instituição de ensino e comunidade de pais se diluiu e perdeu espaço para a relação
entre usuários e funcionários. Em segundo lugar, presenciamos atitudes de aproximação como
amigas dos pais e como professora dos filhos.
Em várias entrevistas e nos dias de reunião as professoras da escola queixaram-se da
interferência no âmbito pedagógico de programas de caráter mais assistencialista, como entrega
de leite, uniforme e material, descaracterizando a escola e o trabalho do professor. Entretanto,
pareceu-nos que inconscientemente algumas delas utilizaram-se desses mesmos programas para
justificar não só o modo como se relacionaram com os pais nas reuniões (sucinto, rápido) como
a quase ausência de conteúdo pedagógico em suas falas.
A posição de liderança e domínio nas reuniões de pais manteve-se como na EMEI Julieta,
centralizada nos funcionários da escola (salvo a exceção da reunião da PR.3, em que parece ter
havido trocas mais efetivas e uma função mais de coordenação do que de controle pela professora).
Outra exceção foram os momentos iniciais com todos os pais reunidos no saguão, conduzidos
opiniões, demonstrando evidente envolvimento político (maior do que os pais da outra EMEI
que, nesse sentido, eram mais passivos).
Assim, os objetivos das reuniões de pais nessa escola dividiram-se especialmente em dois:
o mais freqüente era criar essa cumplicidade, mais ou menos conscientemente, com a comunidade
frente à administração (seria uma forma de parceria do tipo ‘nós versus eles’) e, em poucos
momentos, foi contemplado o objetivo de comentar e envolvê-los no trabalho pedagógico
desenvolvido com os alunos. A linha assumida explicitamente pela EMEI Julieta, priorizando a
orientação e educação de pais esteve bem menos presente na EMEI Romeu e de forma bem mais
sutil, em frases esparsas sobre a importância de demonstrar amor e carinho pelos filhos, ou
sobre comportamento adequado em uma escola (não entrar sem camisa, não entrar com bebidas
alcoólicas, não levar cachorro, etc…).
As falas dos pais tiveram uma função de reforçar e respaldar o descontentamento e as
queixas da escola em relação à administração. Houve algumas perguntas dos pais sobre informes,
mas pouco sobre o rendimento ou as atividades desenvolvidas com os filhos (até porque, como
comentamos no Mapa Geral acima, em vários momentos os assuntos pedagógicos foram excluídos
das reuniões, sendo ‘remetidos a reuniões futuras’, o que inibiu manifestações dos pais).
As atividades com os pais, na maioria, restringiram-se a um modelo individual e
passivo: ouvir os textos lidos pelo professor e refletir cada um depois em casa, quase sem
partilha entre os pais durante as reuniões. Não se constituía um grupo de pais, mas formava-
se um agrupamento deles voltados para a professora. Na sala de exceção já mencionada
(PR.3), o pedagógico foi o centro das falas e das atitudes da professora. Tanto no sentido de
comentar o que desenvolveu com os alunos, como no sentido da reunião em si, que parecia
ter o intuito de ajudar os pais a conhecer o universo em que os filhos ficam quatro horas do
filhos. Destacamos que essa mesma professora foi a única dentre as três observadas que
realizou registro escrito após a reunião com os pais. O qual, mesmo esquemático e resumido,
parece confirmar nossa percepção da importância efetiva que ela atribui a esse tipo de
atividade com os pais de alunos.
Nessa EMEI, os pais participam voluntariamente do dia-a-dia da escola, em vários eventos:
dia do quitute (mandam quitutes para vender e arrecadar dinheiro para APM e ajudam a vender
no dia), festas diversas (tanto na preparação como durante as mesmas), acompanhando nos
passeios das crianças, ajuda na distribuição do leite.
Destacamos que, assim como na outra escola pesquisada, não foram feitas apresentações
pessoais dos pais nas reuniões observadas. Apesar de se preocuparem em planejar atividades
variadas e criativas de acolhimento para os alunos na primeira semana letiva, essa postura não
se estendeu aos pais, que foram recebidos atenciosamente, mas de modo mais impessoal.