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Hak Arama Hürriyeti Bağlamında Konunun İrdelenmesi a. Mahkemeye Erişim Hakkının Kapsamı

Korunmasında Devletin Pozitif Yükümlülükleri Bağlamında

3- Hak Arama Hürriyeti Bağlamında Konunun İrdelenmesi a. Mahkemeye Erişim Hakkının Kapsamı

Tornar-se capaz de tomar decisões - ponderar valores, custos, riscos e ganhos em cada opção - é fundamental para o desenvolvimento de uma personalidade autônoma, o que favorece o estabelecimento de relações cooperativas. Adquirir consciência sobre essas implicações e reconhecer que se é responsável por elas é uma conquista que não se dá de maneira imediata, mas envolve construções e regulações permanentes. Num grupo formado por adolescentes, esse foi um tema que mereceu especial atenção e é nessa direção que a presente categoria complementa a anterior, destacando decisões relacionadas a três temas: quanto às regras dos jogos, quanto à inclusão de jogos novos e, especialmente, quanto à permanência nas oficinas52.

O primeiro excerto apresentado mostra uma situação em que um adolescente, diante de seu descontentamento perante uma regra decidia coletivamente, recorre à pesquisadora. O que nos parece relevante destacar é sua atitude heterônoma e dependente perante uma autoridade adulta, desconsiderando a dimensão compartilhada da decisão. Desta forma, a intervenção visou diferenciar com ele os papéis de cada um e implicá-lo na decisão tomada

pelo grupo, inclusive por ele, da qual ela não havia participado.

- Excerto 51:

Depois de conversarem entre si, as duas equipes decidem voltar aquela jogada, pois como estava muita confusão, não havia como decidirem se havia ocorrido desrespeito à regra. Quando Robson, da equipe de Júlio, joga o dado novamente, Júlio exclama irritado, dirigindo-se a P1, como se ela fosse responsável pela decisão: "Ah, não! Vai voltar a jogada?! Puxa, Heloisa, não tá certo! Não tem que voltar!"

E P1 diz para Júlio e para o grupo: "Mas, Júlio, foram vocês que decidiram, não foi?" Júlio pára de reclamar e Carlos fala para os colegas irem mais rápido. (RO. 6)

Um movimento semelhante de dependência, e também passividade, frente à pesquisadora ocorreu em relação a outro tema: a inclusão de jogos nas oficinas levados por adolescentes. Porém nesse caso, todo o grupo compartilhou da mesma atitude e foi alvo de diferentes intervenções ao longo de várias oficinas até que fosse concretizado. Esse assunto surgiu na quarta oficina, nos últimos momentos, liderado por Fernando, e decidiu-se começar a oficina seguinte conversando sobre as sugestões de jogos trazidas por eles. O primeiro excerto refere-se a esse segundo momento, no qual a intervenção da pesquisadora buscou inicialmente retomar o que havia sido combinado com o grupo, mas sem que eles se envolvam. No final da oficina, como não conseguiram cuidar do assunto, ela tenta implicar novamente o grupo, confrontando-o com a ambigüidade que percebia no pedido de incluir os próprios jogos, mas que fosse decidido pelas pesquisadoras.

- Excerto 52:

No começo da oficina P1 retoma o assunto perguntando que jogos eles gostariam de levar. O grupo não se envolve com a questão, e ela não insiste, observando o grupo. [...] No final da oficina, os adolescentes dispersam-se e não aprofundam o tema, que foi retomado por P1: "Pessoal, vocês querem trazer jogos, mas quando colocamos o assunto ninguém contribui […] Parece que vocês ficam esperando a gente decidir, mas a sugestão foi de

vocês!"

O grupo não prossegue com o assunto e a pesquisadora apenas observa, sem fazer outra colocação. (RO.5)

Apenas no segundo semestre essa solicitação de levar jogos pôde amadurecer suficientemente para ser consolidada, não como decisão apenas das pesquisadoras (o que, no princípio, parecia ser um pedido do grupo), mas com a participação efetiva dos adolescentes. Depois de o grupo recolocar a questão nas primeiras oficinas, Roberto e Robson acabam se mobilizando para levar jogos para a apreciação do grupo, que acabaram sendo incorporados ao trabalho. No trecho abaixo, relativo à última etapa desta decisão, as intervenções buscaram socializar e valorizar a contribuição de todos: dos adolescentes que levaram os jogos e do grupo como um todo, que decidiria entre eles.

- Excerto 53:

P1: "Bom pessoal, legal que vocês trouxeram os jogos: hoje a gente consegue decidir". Robson está olhando as peças do Jogo Detetive. Roberto também trouxe dois jogos: Ludo e Guardiões de Gaia (que ganhou de aniversário) e pede para decidirem se poderiam jogar na oficina. P1 fala para esperar a chegada dos outros e que, como haviam combinado na oficina anterior, seria colocado em votação. [...] Carlos, Lia e Vítor, chegam atrasados e P1 retoma a questão da votação.

Lia diz: "Mas quais são as opções de jogos?"

P1: "A Lia tem razão, para votar precisa saber quais são as opções. Roberto, pega os jogos". Robson também levanta e diz que vai pegar o dele.

P1: "Então, cada um fala do jogo que trouxe, cada um faz a propaganda do seu jogo! O grupo se anima com a idéia. [...]" todos concordam que jogarão o Detetive e, mais para frente, o Guardiões de Gaia, uma vez que P1 e P2 irão levá-lo para estudar melhor. (RO. 15)

Deixamos por último o tema que provavelmente foi o mais importante quanto à promoção da responsabilidade dos adolescentes pelas decisões: a permanência, ou não, até o final das oficinas. Esporadicamente, ele compareceu desde o início, mas foi no segundo

semestre que se intensificou.

Antes de comentar o modo como a pesquisadora realizou suas intervenções, apresentamos a configuração final do grupo. Foram cinco os adolescentes que concluíram o processo integral das oficinas (Júlio, Vítor, Roberto, Carlos e Robson), cuja evolução será sintetizada no último capítulo dos resultados. Em relação aos outros sete, a decisão por não permanecer nas oficinas ocorreu da seguinte forma. Wesley e Rafael conversaram com a pesquisadora e justificaram sua saída por motivos pessoais: o primeiro iniciou uma terapia psicopedagógica no mesmo horário e o segundo realizou uma viagem longa com a família para tratamento de um irmão doente. Lia permaneceu quase até o final, saindo no último mês, justificando a necessidade de participar de aulas de reforço simultâneas às oficinas e dedicar- se mais aos estudos, uma vez que cursava o último ano do Ensino Fundamental. Danilo não retornou após o episódio comentado no item relativo ao “Respeito às regras”, com o jogo Can-Can. Amanda, Jorge e Fernando interromperam sua participação sem apresentar uma justificava específica. Na Discussão retomaremos a questão da adesão às oficinas e da decisão autônoma por participar.

Prosseguindo com a finalização dos resultados deste item, apresentaremos três excertos da Oficina 14, quando os adolescentes expressaram de modo mais aprofundado suas idéias e sentimentos com relação à falta ou à saída de alguns colegas, e as respectivas intervenções.

No início da oficina, a pesquisadora toma a iniciativa de abrir espaço para a discussão sobre o tema, ao observar que ele estava presente, porém de modo não manifesto. Busca acolher os argumentos trazidos pelos adolescentes, resguardando o direito pessoal à desistência, uma condição colocada desde a apresentação das oficinas. Ao mesmo tempo, ao observar as diferentes posturas, busca implicar Júlio, que expressa uma atitude menos responsável e mais heterônoma frente à essa decisão, enquanto observa as colocações de

Robson e Roberto, que assumem para si a questão.

- Excerto 54:

P1 pergunta para os dois, Robson e Roberto, como se sentem nesse momento com as faltas dos outros colegas.

Robson comenta, expressando incômodo e certa tristeza com a situação e diz que é chato, que depois das férias o grupo não se acertou direito: "No primeiro dia depois das férias, nem todo mundo sabia. No segundo, a gente do 8⁰⁰⁰⁰ ano teve uma saída com a escola e ficou

complicado[…]"

Roberto tem visão mais objetiva: "Bom, quem quer ficar, fica; quem quer vir, vem. Quem não tá afim, melhor não vir mesmo. É bom quando tem mais gente, mas não dá para forçar ninguém".

P1 diz que está terminando o mês de agosto e vão definir até o final do mês quem ficará nesse percurso final, até final de outubro. [...]

Júlio: "Eu só estou aqui por que a minha mãe mandou[…] Foi ela que me inscreveu! […]" P1: "Será mesmo que é só por isso? Você continua vindo até agora, não desistiu, e tem se envolvido com os jogos".

Júlio: "Sei lá[…] É ela que quer que eu faça isso aqui".

Robson, impaciente: "Mano, não tem nada a ver isso que você tá falando. Deixa disso, cara, assume que é você!"

Júlio: "É, tudo bem[…] Eu quero vir, mas sei lá[…] Ela fica me mandando vir!"

P1 questiona sua afirmação: "Bom Júlio, ela pode querer também, mas quem vem todos os dias, está aqui no horário, participa, é você e não é ela, né? Se você reconhecer isso, talvez você perceba que quando você aprende algum jogo, ou melhora no seu jeito de jogar, é você que sai ganhando e não ela".

Júlio: "Vou pensar" […] (RO. 14)

Com a chegada atrasada de Vítor e Carlos, novamente o assunto é colocado em debate, e P1 conduz a situação buscando novamente diferenciar cada um, implicá-los na decisão e incentivar aqueles que decidiam continuar nas oficinas.

- Excerto 55:

Carlos, seguido por Vítor, chega cinco minutos atrasado e pergunta: "P1, saiu todo mundo? Só tá a gente nas oficinas?"

P1 responde que a Lia ainda está, embora tenha faltado, e que 6 permanecem nas oficinas, esclarecendo o que ocorreu com os outros.

Carlos: "Acho que vou sair também!" P1: "Mas, por que, Carlos?"

Carlos: "Ah, sei lá, tanta gente saiu! […]" Roberto emenda: "Eu, por mim, quero ficar".

Robson: "Eu também. Quem não tá afim, que saia[…] É melhor que fique quem quer[…]" Roberto: "É meio chato ter menos, mas é melhor porque tem menos bagunça, menos barulho".

Vítor, mais calado até então, comenta: "Mano, cada um sabe o que quer fazer, né? Não tem nada a ver forçar[…]"

Carlos, dos quatro, é o que se mostra mais desanimado: "Sei lá, eu tenho que ir na loja do meu pai, quando eu sair daqui hoje eu vou para lá[…] Eu fico cansado.

P1: "Você vai lá que dias?" Carlos: "Todo dia!"

Roberto fala para ele: "Mas teu pai te mandou sair da oficina?"

Carlos: "Não, ele e minha mãe querem que eu fique, mas sei lá, meu[…] Eu até gosto, mas fica puxado para mim[…]"

P1: "Carlos, acho que você tá dizendo que tem um preço decidir vir nas oficinas[…] E eu acho que não á fácil para vocês, diferente de crianças pequenas que os pais levam para as oficinas. Aqui, depende mais de vocês, mesmo que os pais também queiram […] Vamos continuar as atividades e conversamos mais no final, pode ser?"

Roberto: "Acho bom, vamos resolver o exercício que você falou antes". Vítor concorda, mostrando certa impaciência com a conversa. (RO. 14)

Por fim, após o término da mesma oficina, Carlos se dirige à pesquisadora para expressar novamente suas dúvidas. Ela acolhe sua dúvida e identifica seus progressos e aspectos pessoais, e aponta sua percepção quanto ao envolvimento dele até aquele momento. Finaliza buscando incentivar sua condição de decidir de maneira autônoma.

- Excerto 56:

Carlos vai até P1 antes de sair e conversa: "P1, eu fico na dúvida, porque eu gosto de vir, mas fico na dúvida de continuar[…]"

P1: "Bom, Carlos, eu percebo que você aproveita quando vem, você participa[…] Eu vejo que às vezes você fica mais agitado, impaciente na oficina, mas acho que faz sentido você estar aqui. Mas é uma decisão que você tem que tomar[…]"

Carlos: "Tá bom, Heloisa, eu vou pensar[…]"

P1: "Te espero na semana que vem, hein? Qualquer coisa, vem conversar, tá?" Carlos: "Tá. Tchau". (RO. 14)

Na penúltima oficina, após a partida do jogo Imagem & Ação com temas das oficinas, a pesquisadora faz um último fechamento coletivo sobre as oficinas, retomando o processo, as decisões e o compromisso dos que ficaram. Chama sua atenção a mudança expressiva na atitude de um deles, Júlio, que ela observa e valoriza.

- Excerto 57:

P1: "E prá você, Júlio, como foi ter participado?"

Júlio: "Ah! Eu gostei muito de participar! Foi da hora! Os que saíram, perderam[…] às vezes eu tava com preguiça e pensava em não vir, mas eu vinha, e achava legal!"

P1: "Puxa, que legal, Júlio. No começo você dizia que vinha só por causa da sua mãe[…]" Júlio, meio sem graça: "É, mas agora é diferente". (RO. 22).

Situações em que ocorreram intervenções visando à Responsabilidade

Pela organização do grupo Pelas decisões

- Dispersão na auto-organização

- Dificuldade de se dividir em função das tarefas - Afinidades prejudiciais à atividade

- Não assumir uma decisão coletiva - Dificuldade de implementar uma idéia - Dúvida quanto à permanência nas oficinas

Quadro 7: Lista de situações relacionadas a atitudes de Responsabilidade Fonte: Dados da pesquisa