Korunmasında Devletin Pozitif Yükümlülükleri Bağlamında
4- Mülkiyet Hakkının Korunmasında Devletin Pozitif Yükümlülükleri Bağlamında Konunun İrdelenmesi
Nas intervenções analisadas até aqui, tanto relativas a aspectos metodológicos como visando atitudes de descentração, respeito e responsabilidade, o incentivo à participação e ao envolvimento esteve indiretamente presente. Entretanto, um aspecto que merece ser destacado se refere à valorização do espírito lúdico, de um clima afetivo de descontração e divertimento no grupo. Da ocorrência de brincadeiras respeitosas e bem-humoradas que favorecem tanto as relações interindividuais como a relação com a tarefa em si, uma vez que adotar uma postura excessivamente rígida, exigente e séria não favorece a proposta de oficina de jogos. Entendemos que a presença de espírito lúdico é altamente favorável à aprendizagem, indica a presença de criatividade e contribui diretamente para o estabelecimento de relações cooperativas. No primeiro caso, por exemplo, favorece uma vivência receptiva do erro e uma relação prazerosa com a tarefa. No segundo caso, implica a capacidade de fazer associações de maneira inteligente. No terceiro, ser capaz de rir de si mesmo, rir do outro e com o outro, de maneira leve e respeitosa, cria cumplicidade e proximidade dentro de um grupo. Portanto, dedicaremos esse item ao exame de seis diferentes exemplos de intervenções visando promover ou reforçar a emergência do espírito lúdico no grupo.
Na situação abaixo, o grupo demonstrou espírito lúdico fazendo uma gozação bem- humorada com uma situação que envolveu diretamente a pesquisadora, ao que ela responde acolhendo a brincadeira.
- Excerto 58:
Toca celular de P1 e, enquanto vai desligar o celular que está dentro da sua bolsa recebe uma vaia geral, uma gozação amistosa, e ri. Quando ela se afasta, eles param a leitura, esperando seu retorno para continuar.
Num outro momento, Vítor, até então mais distante e reservado na relação com a pesquisadora, chega à oficina e dirige-se espontaneamente a ela, querendo ensinar um cumprimento com as mãos. Ela demora em conseguir reproduzi-lo e ele ri da sua falta de jeito. Ela acolhe a reação dele e também brinca com isso.
- Excerto 59:
Vítor chega e vai até P1, ensinando um cumprimento com as mãos, uma seqüência de movimentos. Ela corresponde e ele ri, achando graça da falta de jeito dela.
P1: "Puxa, tá difícil de acertar, né?" Está bem-humorado e afetivo, estabelecendo uma aproximação com P1. (É a primeira vez que ele se mostra mais próximo, de modo espontâneo e leve, pois até agora, tem-se mostrado mais reservado e observador na relação comigo e com a P2). (RO.5)
O terceiro trecho abaixo mostra uma brincadeira de Vítor, durante a explicação da pesquisadora. Embora inicialmente ele estivesse perturbando, ela brinca com o fato e, com isso, consegue retomar a atividade.
- Excerto 60:
P1 chama a atenção para a pauta na lousa, que haverá um terceiro momento de avaliação. Vítor fica tossindo, de propósito, cada vez que ela começa uma frase.
P1 pergunta, em tom de brincadeira: "Que tosse curiosa, hein? Só aparece quando eu falo!"
Os colegas riem e Vítor continua, brincando: "Han, Han, é mesmo, né?" E, depois de tossir mais um pouco, ele pára. (RO. 17)
Os próximos dois exemplos ilustram um movimento lúdico, divertido, que envolve todo o grupo.
Na cena abaixo, P1 questiona o grupo sobre as regras do jogo, socializando o problema que consistia na sua explicação aos colegas que não as conheciam. Diante da
resposta brincando de um dos adolescentes (Carlos) ela valoriza sua iniciativa, e também brinca com ele e com o grupo sobre a não eficácia da sua atitude. Na sequência, Vítor também brinca com uma fala da pesquisadora e ela aceita o comentário, também com humor, e o grupo prossegue na atividade.
- Excerto 61:
P1: "Pessoal, o Código da Vinci só a Lia não jogou ainda?" Vítor diz que ele também.
P1: "É mesmo! Quem pode explicar como funciona? " Vítor pede: "Explica rapidinho como é".
Roberto vira de lado (saindo de fininho), desviando da proposta de P1.
Carlos começa: "É muito fácil mano, você pega as letras e aí[…] já era!" Fala rindo, pois sabe que era provocação, gozação.
P1 brinca com o que ele disse: "Já pensou se você abre um manual de um jogo e está escrito assim (e repete o que Carlos disse)? Fica fácil de aprender a jogar né?"
Carlos e os outros riem[…] Carlos começa a explicar com mais detalhes. P1 pede para Roberto dizer qual o objetivo do jogo.
Vítor responde: "Ganhar!"
Carlos se diverte com o sarro que o colega tirou da pergunta da P1: "Ééé, mano!" Vítor vibra, batendo na mesa: "Noooossa!"
P1 diz: "Tudo bem, Vítor, a minha pergunta não foi muito bem feita mesmo[…]" Robson intervém e se oferece: "Tudo bem, eu falo!" (RO. 15)
A próxima cena mostra uma situação em que um adolescente (Roberto), lida de forma bem-humorada com uma atitude de desrespeito de outro colega (Carlos). É interessante destacar que o primeiro no início das oficinas mantivera-se mais tímido perante o grupo e, nesta situação, ele enfrenta justamente Carlos, o mais assertivo do grupo e normalmente ocupando a posição de líder. A pesquisadora intervém buscando inibir o comportamento indesejável e é seguida pelos comentários de Roberto e Vítor, com evidente senso de humor e espírito lúdico.
- Excerto 62:
Carlos começa a falar palavrões gratuitamente, e P1 chama sua atenção quanto a isso: "Vamos parar com os palavrões, Carlos, assim não dá e nós já combinamos aqui, não é?" Roberto brinca: "Cartão amarelo!"
Vítor: "É vermelho, já tá expulso!"
Todos riem, inclusive Carlos que fala: "Tá bom, vai! Tá bom!" (RO. 19)
O penúltimo exemplo desta categoria mostra uma forma de envolvimento com descontração e alegria que se fez presente neste grupo: um canto com batuque coletivo. Selecionamos a primeira das duas ocasiões em que ele ocorreu (a segunda, semelhante a esta, mais próxima do final do processo). Após a conversa sobre uma situação de desrespeito ocorrida na oficina anterior, o grupo começou uma batucada, envolvendo aos poucos todos os presentes. Parecia significar um momento ao mesmo tempo de relaxamento e de fortalecimento dos laços entre os adolescentes que permaneciam. Ao observar essa iniciativa do grupo, a pesquisadora a acolheu e, diante de um convite dos adolescentes, ela e a auxiliar integram-se a ele. Um adolescente se destaca no grupo, cantando em espanhol. Na sequência, após algum tempo, ela valoriza o acontecimento e retoma com o grupo o foco do trabalho e a necessidade de iniciarem a atividade.
- Excerto 63:
O grupo chegara agitado e falante. Após a conversa sobre o jogo Can-Can na oficina anterior, ele fica mais calmo e Carlos começa um canto, Rafael e Fernando imitam. P1 não entende e pergunta: "Que música é essa?" Eles dizem que é um pagode e todos começam a cantar e batucar.
Fernando convida: "Vamo aí, Heloisa! Vamo, Cláudia!"
P1 e P2 acompanham o grupo. Instala-se um clima divertido, todos estão leves, P1 e P2 participando junto com o grupo. Isso dura uns 5 minutos e depois, ao terminar, P1 diz: "Bom, depois da nossa batucada do grupo, vamos para o jogo?"
Fernando continua cantando, junto com Rafael, que começa a cantar em espanhol, novamente seguido por Fernando. Todos fazem silêncio para ouvi-lo (esse é um momento novo, de
valorização de Rafael, algumas vezes mais deslocado do grupo, como fazendo graça fora de hora).
Assim que ele termina, P1 fala: "Que legal, gente! Legal você saber a letra em espanhol, Rafael! Mas agora vamos terminar esse assunto de músicas e batuques".
Carlos: "Mas a gente pode fazer de novo?"
P1: "Numa próxima oficina tudo bem: agora é hora do jogo!" Lia: "Chega aí, pessoal!"
Robson: "Vamo, meu!"
Carlos: "É, vamos jogar!" (RO. 10)
Encerramos esse item abordando a relação dos adolescentes com a câmera filmadora. A receptividade por parte de todos os adolescentes foi muito boa e não parece ter provocado algum tipo de constrangimento. Ao contrário, ao longo das oficinas muitos deles apresentaram uma relação próxima, como por exemplo, dirigindo-se até ela para se despedir ao saírem das oficinas. Fernando, Wesley, Júlio e Robson foram os que mais se divertiram com a câmera. Selecionamos uma destas ocasiões, em que P1 observa dois deles.
- Excerto 64:
Na saída da oficina, Robson e Júlio sobem na bancada em que estava a filmadora. P1 observa a situação e fala para tomarem cuidado para não cair.
Robson está radiante, pois ganhara no jogo e exclama: "Uruuu! Eu ganhei!" E fica dançando para ela.
Júlio, que estava do lado, quando o colega desce também conversa com a lente, provocando o colega de forma bem-humorada: "Ele ganhou, mas eu sou melhor!" E manda beijos para a lente, se despedindo. E, ao descerem da bancada, despedem-se: "Tchau, Heloisa! Tchau, Cláudia!" E saem cantando. (RO. 19).
Situações em que ocorreram intervenções visando ao Espírito lúdico - Brincadeira coletiva com a pesquisadora
- Aproximação em relação à pesquisadora - Brincadeira durante explicação do jogo
- Enfrentamento de atitude desrespeitosa de um colega - Canto e batuque coletivo
- Relação com a câmera filmadora
Quadro 8: Lista de situações relacionadas ao Espírito lúdico Fonte: Dados da pesquisa