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Satiralarda Göndergenin Yinelenmesiyle Yapılan

3.7. GÖNDERGENĠN YĠNELENMESĠYLE YAPILAN

3.7.1. Satiralarda Göndergenin Yinelenmesiyle Yapılan

Os dados foram analisados pela estatística descritiva e apresentados em forma de tabelas e gráficos do tipo colunas e setores, para caracterizar os profissionais de enfermagem e o conhecimento destes acerca da assistência às vítimas de TRM. Quanto à análise paramétrica utilizamos o Teste de Mc Nemar e os softwares Statística 6.0 e o Microsoft-Excel 97.

O Teste de Mc Nemar é particularmente aplicável aos planejamentos do tipo “antes e depois” em que cada indivíduo é utilizado como seu próprio controle, e a mensuração se faz ao nível de uma escala nominal ou ordinal, ou seja, é utilizado para testar mudanças de categorias ocorridas em razão da aplicação de um determinado tratamento aos dados da amostra79.

Para comprovar a significância de qualquer mudança observada, por este método, constrói-se uma tabela de freqüências de quatro caselas para representar o conjunto de reações dos indivíduos. Devemos deixá-las bem definidas, principalmente as caselas A e D79.

Depois

+ - + A

B

- C D Antes

Os sinais “+” e “-” indicam diferentes reações A é a mudança de + para –

D é a mudança de – para + B e C são a ausência de mudanças

Como A+D, representam o número total de indivíduos que acusam mudanças, e a hipótese H0 admite que o número de elementos que mudam de sinal seja o mesmo nas duas direções, se espera que ½.(A+D) acusem modificações em um sentido e ½.(A+D) acusem modificações em outro sentido. Em outras palavras, ½.(A+D) é a freqüência esperada sob H0, tanto em A como em D.

Como H0 admite que o número de elementos que mudam de classe é o mesmo nas duas direções, então:

H0 : PA = PD , ou seja, não existe diferença entre as mudanças H1 : PAz PD , existe diferença

Todo porque tem uma causa.

Shakespeare

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

5.1 Caracterização da População

Ao analisarmos a população dos auxiliares de enfermagem e enfermeiros, estudada quanto à categorização, em relação à idade, constatamos que a maior freqüência ficou na faixa etária entre 34 e 41 anos, com 40,93%. Estes dados estão inseridos no intervalo encontrado por alguns autores, que, em estudos anteriores, apresentaram resultados mostrando que a maior parte dos trabalhadores de enfermagem investigados estavam com idade entre 20 e 40 anos. Estes dados também foram encontrados por Rojas (1999)72, na Argentina, em relação aos membros de enfermagem que investigou, mostrando que no Brasil e em outros países o pessoal de enfermagem é relativamente jovem, estando a maioria na faixa mais produtiva de suas vidas4, 53, 57, 60, 63, 72.

Em relação ao sexo, existe uma predominância do feminino (88,08%), e apenas 11,92% do masculino; esta realidade da enfermagem dos hospitais investigados coincide com a de vários estudos realizados no país4, 40, 60, 63, 72.

O grau de instrução predominante foi o 2º grau completo, com 67,36%, e 19.69% que terminaram o curso superior, enquanto 9,33% não concluíram o 2º grau.

Também estes dados estão de acordo com os achados de Jansen (1997)43 e Monteiro (2001)58; o primeiro constatou que 52,6% dos trabalhadores de enfermagem de seu estudo possuíam o segundo grau completo, enquanto que o segundo evidencia 61%.

No presente estudo, acreditamos que possivelmente tal fato pode ser justificado pela exigência crescente de qualificação escolar nos diversos ramos de atividade, em face da necessidade premente de um desempenho eficaz que dependerá, fundamentalmente, de sua formação escolar geral e específica.

Gráfico 01- Distribuição dos sujeitos, quanto à formação profissional. HMWG e Memorial. Natal-RN, 2003.

80,83% 19,17%

Auxiliar Enfermeiro

Observamos no gráfico 01 que a grande maioria dos profissionais entrevistados é constituída por auxiliares de enfermagem, com 80,83%, seguidos por 19,17% de enfermeiros. Não evidenciamos falta de formação profissional entre os entrevistados.

Uma das razões que supomos contribuir para o fato acima é a ênfase do governo federal aos cursos profissionalizantes, em particular do PROFAE (Programa de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem), que, a partir de estudo

realizado pelo Ministério da Saúde9, apontava a existência de 225 mil atendentes de enfermagem no Brasil. Estes atuavam nos serviços de saúde, sem qualificação técnica para tal. Diante desta realidade, o Ministério da Saúde implementou o PROFAE, com o objetivo de elevar o padrão de qualidade no atendimento prestado à população, no âmbito do SUS. Enfatizamos ainda a existência de grande número de escolas formadoras de nível técnico em enfermagem na cidade de Natal.

Gráfico 02- Distribuição dos sujeitos, quanto ao tempo de serviço na enfermagem. HMWG e Memorial, Natal-RN, 2003. 1,04% 10,88% 26,42% 24,87% 22,28% 14,51% 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 M enos de 1 ano

1 - 4 anos 5 - 9 anos 10 - 14 anos 15 - 20 anos M ais de 20 anos

Quanto ao tempo de trabalho, podemos observar no gráfico 02 que mais de 60% possuem, no mínimo, de 10 anos de serviço.

Pressupúnhamos que este resultado poderia servir de subsídio para que o conhecimento, ora pesquisado, se apresentasse de forma mais eficiente. Porém, parece

não haver contribuído para um melhor desempenho dos profissionais, quando responderam às questões relativas ao cuidado no pré-hospitalar e no hospital.

Constatamos, então, que a prática isolada da teoria não consolida o conhecimento, pois acreditamos que a teoria deve estar lado a lado com a prática. As informações quanto ao tempo de serviço na enfermagem, que detectamos na pesquisa, são concordantes com as de Jansen (1997)43, que detectou entre os sujeitos investigados a predominância (73,2%) de profissionais que se encontravam há mais de 10 anos no exercício da profissão, sendo também corroborado por Nicolete (2001) 62, com 62,5%.

Monteiro (2001)58 refere, em sua pesquisa, que a experiência dos profissionais de enfermagem, lotados na clínica médica, tinham tempo médio de 15 anos, enquanto era de 18 anos entre os profissionais das unidades de pediatria e quimioterapia.

Gráfico 03- Distribuição dos sujeitos, quanto ao setor de trabalho. HMWG e Memorial. Natal-RN, 2003.  28,11% 24,42% 20,74% 12,90% 8,29% 5,53% 0.00 5.00 10.00 15.00 20.00 25.00 30.00

Clínica Médica Pronto Socorro Clínica Cirúrgica UTI Centro Cirúrgico Clínica Neurológica

Na análise do Gráfico 03, identificamos que a clínica médica é o local de trabalho mais freqüente, com 28,11%, seguida pelo pronto-socorro, com 24,42%, e a clínica cirúrgica, com 20,74%.

Estudo realizado por Nicolete (2001)62 reforça essa realidade ao constatar que a maior parte dos sujeitos de sua pesquisa atuava no setor de clínica médica (37%).

Acreditamos que o fator que reforça a grande demanda do pessoal de enfermagem nos setores, acima citados, deve-se ao grande fluxo de atendimento, internações e permanência, no hospital, e pacientes portadores de doenças crônicas na sua grande maioria, necessitando, portanto, de mais profissionais para assisti-los.

Gráfico 04- Distribuição dos sujeitos, quanto ao cargo de ocupação e empecilhos que dificultam a assistência às vítimas TRM. HMWG e Memorial. Natal-RN, 2003. 50,98% 37,25% 1,96% 5,88% 3,92% 36,96%37,50% 4,35%7,61% 13,59% 0.0% 10.0% 20.0% 30.0% 40.0% 50.0% 60.0% E n fe rm e iro s Au x ilia re s

D espreparo da equipe Falta de equipamentos Falta de estrutura

Outros Falta de Pessoal

Ao procurarmos identificar a existência de empecilhos que dificultam a assistência às vítimas de TRM, observamos que 81,87% dos entrevistados afirmam

existir empecilhos que dificultam o tratamento de vítimas acometidas de TRM. Este percentual evidencia que a assistência ao paciente de TRM está intrinsecamente comprometida pela existência de empecilhos relatada; no entanto, é importante salientar que o conhecimento prévio sobre o assistir os pacientes, associado à vontade de fazer, ofusca os “empecilhos”.

Como podemos ver no Gráfico 06, o principal empecilho citado pelos enfermeiros é o despreparo da equipe com 50,98%; já entre os auxiliares, é a falta de equipamentos, com 37,50%. Quanto ao despreparo da equipe, mencionado pelos enfermeiros, infere Willians (1994)86 que “o despreparo do cuidador pode gerar ansiedade, estresse e maior desgaste físico, ocasionando sérios prejuízos de saúde para o cuidador e para quem recebe os cuidados”. Diante da colocação do autor, acima citado, entendemos que o despreparo da equipe, além de gerar todos os problemas já referidos, compromete a eficácia e gera desemprego, pois segundo Ferreti (1997)37, o trabalhador, para manter-se empregável, necessita de uma contínua atualização.

Quanto ao problema enfatizado pelos auxiliares de enfermagem, isto é, a falta de equipamentos, concordamos que este fator dificulta, porém não inviabiliza o processo de assistir, pois sabemos que o profissional de enfermagem pode utilizar-se da arte a criar e transformar o seu meio como forma de adequar-se à realidade vivenciada. Por outro lado, mesmo de posse de aparatos tecnológicos, se não dispuser de conhecimento para utilizá-los, os equipamentos não terão nenhum valor.

Gráfico 05- Distribuição dos sujeitos, quanto ao cargo de ocupação e onde adquiriu informações sobre o TRM. HMWG e Memorial. Natal-RN, 2003.

35,29% 17,65% 11,76% 23,53% 11,76% 12,62%10,68% 0,00% 3,88% 72,82% 0.0% 10.0% 20.0% 30.0% 40.0% 50.0% 60.0% 70.0% 80.0% Enfermeiros Auxiliares

Cursos de Especialização Palestras Graduação Outros Prática

Durante a entrevista, quando perguntados se tinham algum tipo de aperfeiçoamento, observamos que 52,33% dos auxiliares e enfermeiros responderam que sim. Este dado presumivelmente reforça as relações entre o mundo do conhecimento e o mundo do trabalho que passam a se identificar a partir do avanço tecnológico. E, com a emergência das tecnologias informacionais, o que tem importância é aprender49.

Porém, o conhecimento adquirido não diz respeito à assistência às vítimas de TRM, pois os cursos de aperfeiçoamento mais citados pelos auxiliares de enfermagem foram Instrumentação cirúrgica (17,14%), seguida de UTI (14,29%) e Primeiros socorros (08,57%).

Mendes (1995)54 traça uma diretriz profissional em enfermagem, ao afirmar que atualmente é valorizado não apenas o que se sabe, mas, principalmente, o que se faz

com o que se sabe. Assim, tem-se verificado uma ênfase na questão da busca da qualificação constante da equipe de enfermagem, sob pena de perdermos os novos rumos da modernização e progresso técnico-científico.

Analisando o gráfico 06, observamos que, entre os enfermeiros, 35,29% afirmam ter adquirido informações sobre o TRM em cursos de especialização e 17,65% em palestras. Entre os auxiliares de enfermagem, 72,82% confessam obter essas informações na prática (no dia-a-dia) e apenas 12,62% em cursos diversos. Estes dados remetem à dicotomia entre o saber teórico do enfermeiro e a execução manual dos auxiliares de enfermagem, percebendo-se que os enfermeiros adquirem o conhecimento acerca da assistência ao TRM durante estudos científicos, por meio dos cursos de Pós- Graduação, nas especializações.

Quanto aos auxiliares de enfermagem, a grande maioria busca o conhecimento durante sua prática. Isto só vem confirmar a distância entre a concepção do trabalho intelectual e manual _ que é uma característica da divisão social do trabalho_ marcante na enfermagem. Traz à tona também o grande problema brasileiro, que é o da mão-de- obra não-especializada, pois, mesmo sendo da equipe de enfermagem, não tem qualificação para cuidar desses pacientes. No entanto, as mudanças na natureza do trabalho e as exigências de qualificação requerem dos trabalhadores em geral, especialmente dos profissionais de enfermagem, uma atitude multiqualificada e polivalente30.

Gráfico 06 e 07- Distribuição dos sujeitos, quanto ao cargo de ocupação e sentir-se preparados e estarem realmente preparados para assistirem as

vítimas de TRM. HMWG e Memorial. Natal-RN, 2003.

45,95% 54,05% 65,38% 34,62% 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% Enfermeiros Auxiliares Sim Não 16.2% 4.5% 10.8% 4.5% 2.7% 1.3% 0,0% 2,0% 4,0% 6,0% 8,0% 10,0% 12,0% 14,0% 16,0% 18,0%

Pré hospitalar Hospitalar AP Hospitalar AS

Enfermeiros Auxiliares

Na análise do Gráfico 06, podemos observar que a maioria dos enfermeiros (54,04%) afirmam não estar preparados para atender às vítimas de TRM. Já os auxiliares de enfermagem, 65,38%, dizem sentir-se preparados. Supomos que estes dados são uma constatação de que, por possuir um conhecimento técnico-científico mais elaborado, o enfermeiro tem condições de se auto-avaliar apto ou inapto a partir das suas limitações, ao passo que o auxiliar de enfermagem, pela sua rotina prática, julgue- se detentor do conhecimento específico por ser ele que, na grande maioria, atua diretamente com o paciente.

No entanto, quando estes dados foram cruzados com os do gráfico 07, dos 45,95% de enfermeiros, que disseram saber assistir estes pacientes, apenas 16,2% descreveram e seqüenciaram corretamente todos os passos que constituem a avaliação primária no atendimento pré-hospitalar.

Ainda analisando os enfermeiros, agora porém no que diz respeito ao atendimento hospitalar, observamos uma diminuição do número de acertos na descrição

e seqüência lógica dos passos da avaliação primária, com apenas 10,8%, e 2,7% em relação à avaliação secundária.

Quando examinamos o gráfico 06, no que diz respeito às respostas dadas pelos auxiliares de enfermagem, e comparamos com o gráfico 07, constatamos que apenas 4,5% identificaram corretamente os passos a ser seguidos no atendimento pré- hospitalar, isto é, a avaliação primária. Já no tocante à assistência hospitalar, o percentual de acerto foi de 4,5% nos passos da avaliação primária e apenas 1,3% da avaliação secundária.

Nesta mesma tabela, quanto aos dados do instrumento, pertinentes às questões sobre a assistência de enfermagem no atendimento pré-hospitalar e no hospital, consideramos parcialmente corretos todos os dados que, numa seqüência lógica, apresentaram conteúdos relevantes, ressaltando-se que os omitidos não implicaram direta ou indiretamente uma ameaça à vida do paciente, como, por exemplo, assistência emocional ou religiosa.

Para que chegássemos a estes resultados, após leituras e releituras do material coletado, fizemos uma categorização embasada, como apoio para análise das respostas, nos trabalhos de Silva (1995)76, Paveliqueires (1997) 65 e Delisa (1998) 28.

Segundo estes autores, temos como prioridade inicial a Avaliação Primária que obedece a cinco passos respectivos:

“A”: controle da coluna com uso de colar cervical, posição supina, neutra e com alinhamento dos seguimentos corpóreos, os quais são cabeça, pescoço, tórax, bacia e membros e mobilização em bloco.

“B”: manutenção de vias aéreas que corresponde a permeabilidade das vias aéreas e respiração.

“C”: equilíbrio hemodinâmico, sendo este o controle de SSVV, acesso venoso pérvio e controle hidroeletrolítico, circulação.

“D”: avaliação do estado neurológico, isto é, um exame neurológico para avaliar os déficits motores e sensitivos presentes.

“E”: expor a vítima para diagnóstico de possíveis lesões nos vários segmentos corporais.

A Avaliação Secundária é um exame criterioso de todos os segmentos corporais, seguindo uma ordem normativa céfalocaudal, objetivando a detecção de lesões. Insere-se, nela, a avaliação neurológica com Escala de Coma de Glasgow, monitorização de sinais vitais (SSVV), exames laboratoriais e complementares e, se necessário, lavado peritoneal, diagnóstico e detecção de fraturas e/ou lesões associadas. O apoio emocional deve estar presente em todas as fases do processo, sendo fator de fundamental importância para o restabelecimento e confiança entre vítima e enfermagem’.

A Avaliação Secundária só deverá ser iniciada depois de completada a Avaliação Primária e o restabelecimento dos SSVV. Quanto à reabilitação, por ser um processo, deverá permear todo o tratamento e ser iniciada ainda no pré-hospitalar até a alta ambulatorial

.

Vale dizer que o apoio emocional e a reabilitação quase não foram mencionados. Este fato nos deixa bastante preocupados, uma vez que sabemos que a reabilitação é um processo que deve permear todo o cuidado, desde o atendimento pré-hospitalar até a alta ambulatorial, minimizando seqüelas graves ou evitando até a morte destas vítimas.

Quanto ao apoio emocional ao paciente e seus entes queridos, é fundamental que prestemos uma assistência de qualidade. Este apoio requer a intervenção da equipe de enfermagem no sentido de trabalhar as transformações, comumente bruscas, de uma

vida considerada normal para outra com variadas limitações, em que o paciente sofre mudanças físicas e psicológicas, necessitando da ajuda do “outro” para compreender e elaborar o processo vivenciado.

Observamos a necessidade da participação ativa da enfermagem nesse processo de transformações, haja vista que o paciente se encontra assustado e, até desorientado, com falta de perspectivas futuras em função de não reconhecer seu real prognóstico. Cabe à enfermagem fornecer esclarecimentos, ouvir com atenção sem subestimar as queixas, por mais infundadas que pareçam, evitando deter-se na perspectiva de recuperação “total”, que normalmente centraliza a energia psíquica do paciente na área motora, banalizando, assim, o aspecto emocional.

Através da interação efetiva entre enfermagem e paciente, é possível estabelecer o momento oportuno para o início do processo de reabilitação, em que são trabalhados os aspectos individuais, visando à conscientização, por parte do paciente, de seu real potencial até então desconhecido. Facilitar a troca de experiências entre os pacientes é uma boa estratégia, que, naturalmente, proporciona maior conscientização de suas reais limitações e possibilidades55.

Achamos oportuno também comentar alguns dados que reforçam pelo menos, o que foi relatado pelos sujeitos da pesquisa, ao se julgar preparados ou não e descreverem a assistência às vítimas de TRM.

Observamos que dos 61,66% (119 sujeitos) que se julgaram preparados, 7,6% descreveram corretamente os passos da avaliação primária no pré-hospitalar; e dos 38,34% (74 sujeitos) que disseram não se julgarem preparados, 5,4% não descreveram corretamente esta fase.

Na assistência hospitalar, dos 61,66% (119 sujeitos) que se julgaram preparados, apenas 5,0% conseguiram seqüênciar os passos da avaliação primária; e os demais, isto

é, 38,34% (74 sujeitos) daqueles que não se consideraram preparados, 6,8% não souberam descrever os passos corretamente. Quanto à avaliação secundária, dos 61,66% (119 sujeitos), apenas 0,8% descreveram em seqüência correta; enquanto que, dos 38,34% (74 sujeitos), somente 2,7% não conseguiram responder corretamente.

Levando em consideração estes dados, constatamos a premência de um treinamento específico que venha suprir a defasagem detectada no conhecimento destes sujeitos acerca da assistência a essas vítimas. Tal fato evidencia a importância de despender recursos materiais e/ou na forma de capacitação de profissionais, para o serviço de atendimento pré-hospitalar69.

Verificamos que, apesar de todos os entrevistados trabalharem no ambiente hospitalar, onde condutas diretas ao paciente são prestadas continuamente, poucos parecem atentar para a realização da avaliação secundária, procedimento específico do atendimento hospitalar.

Gráfico 08- Distribuição dos sujeitos, quanto se julgar preparados para assistir as vítimas de TRM e o local de trabalho. HMWG e Memorial. Natal- RN, 2003. 3% 13% 8% 4% 7% 11% 5% 16% 8% 6% 7% 0% 2% 4% 0% 0% 0% 0% 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% 14% 16%

Pre Hospitalar Hospitalar AP Hospitalar AS C Médica C Cirúrgica C Neorológica

Pronto Socorro UTI Centro Cirúrgico

No gráfico 08, observamos que o percentual de sujeitos que se julgam preparados para atender às vítimas de TRM é maior na clínica cirúrgica, com 13% na fase pré-hospitalar, 16% na fase hospitalar, em relação à avaliação primária, e 4% na avaliação secundária. No pronto socorro e na clínica médica, verificamos os mais baixos percentuais.

Podemos visualizar ainda que a predominância dos sujeitos entrevistados, que se julgaram preparados e que realmente estão, concentrou-se na clínica cirúrgica, o que nos leva a inferir que esse fato se deve à necessidade da intervenção direta de enfermagem no pré/trans/pós-operatório desses pacientes, o que os obriga a ter um conhecimento mais aprimorado em relação aos demais, a fim de favorecer a recuperação do paciente com traumatismo raquimedular.

Quanto ao preparo para efetivar prestar a avaliação secundária, o percentual de 4% foi muito baixo, até mesmo para aqueles que atuam na clínica cirúrgica, os quais demonstraram algum preparo para a avaliação primária (16%).

Consideramos pertinente esclarecer, que ficamos surpresos ao constatar que os profissionais de pronto socorro e clínica médica não se julgam preparados, e aparentemente não estão, para realizar o atendimento nas fases pré-hospitalar e hospitalar, especialmente no tocante à avaliação secundária.

Tal fato evidencia a necessidade premente de capacitação desses profissionais, sob pena de compactuarmos com a falência da qualidade da assistência prestada nesses serviços ditos especializados.

Percebemos, então, que há muito o que se fazer para mudar esta dura realidade, muitas vezes constatada. Sentimos que todos os profissionais, urgentistas ou não, são co-responsáveis na mudança da triste situação do nosso dia-a-dia.

Tabela 01 - Distribuição dos sujeitos, quanto estarem realmente preparados para assistirem as vítimas de TRM. HMWG e Memorial. Natal-RN, 2003.

Sim 6 3.11% 1 0.52% Não 31 16.06% 36 18.65% Sim 7 3.63% 2 1.04% Não 149 77.20% 154 79.79% 193 100.00% 193 100.00% Hospitalar Seguiu os procedimentos corretamente Total Enfermeiros Auxiliares Pré Hospitalar

Observamos, na tabela 01, que o número de profissionais de enfermagem realmente preparados para assistirem vítimas de TRM, de acordo com as respostas obtidas na entrevista na fase pré-hospitalar, é de apenas 6,74%, isto é, 3,11% dos enfermeiros e 3,63% dos auxiliares de enfermagem, enquanto na fase hospitalar apenas 1,56%, sendo 0,52% enfermeiros e 1,04% auxiliares de enfermagem. Em outras palavras, dos 37 enfermeiros entrevistados, na fase pré-hospitalar, 31 (16,06%) não descreveram corretamente os passos da avaliação primária no pré-hospitalar, e 36 (18,65%) na fase hospitalar.

Quanto aos auxiliares de enfermagem, 149 (77,20%) não responderam corretamente aos passos da assistência pré-hospitalar, o mesmo acontecendo na fase hospitalar, com 154 (79,79%).

5.2 Hipóteses Estatísticas

H0: Não existe diferença entre sentir-se preparado para atender a vítimas de TRM e seguir os procedimentos corretamente para atender a essas vítimas.

H1: Existe diferença entre sentir-se preparado para atender a vítimas de TRM e seguir os procedimentos corretamente para atender a essas vítimas.

5.3 – Teste Paramétrico

Tabela 02 – Distribuição dos sujeitos, quanto a se sentir preparado para assistir as vítimas de TRM, e seguir corretamente os passos nas fases pré- hospitalar (AP), hospitalar (AP e AS), e a aplicação do teste de Mc Nemar.

Não Sim Não Sim Não Sim

Sim 110 9 113 6 118 1

Não 70 4 69 5 72 2

Seguiu o procedimento correto para atender vítimas de TRM Sente-se preparado

para atender vítimas de TRM ?

Pré Hospitalar Hospitalar AP Hospitalar AS

Teste de Mc Nemar

(p -valor) 0.000 0.000 0.000

Ao nível de D = 0,05, rejeitamos a hipótese H0, pois o resultado obtido através do software Statística foi de p-valor = 0,000 nas fases estudadas, ou seja, não existe