6.3. TÜRKÇE KÖKENLĠ BAĞLAYICI ÖĞELERĠ
6.2.4. AlmaĢım Ġfade Eden Türkçe Kökenli Bağlayıcı Öğeleri
Com essa noção assinalada de
discurso jornalístico, perguntei-me sobre a modernidade pedagógica. Quando procu-
rei matizar a modernidade, percebi a visco- sidade dessa palavra, ao agregar-se a tantas coisas que lhe davam sentidos. Berman131 considerou a modernidade um momento de cisão em que processos sociais se trans- formam numa visão aproximada com a da destruição criativa. Considerou que o turbi- lhão da vida moderna tem se alimentado de várias fontes: a industrialização da produ- ção, a explosão demográfica, o crescimen- to catastrófico da urbanização e o aumento gigantesco das comunicações de massa, bem como o fortalecimento do Estado- nação.
Gilddens procurou desenvolver uma análise institucional da modernidade, em suas conseqüências técnicas, culturais e
epistemológicas, concebendo-a como
“modos de vida e de organização social que emergiram na Europa cerca do século
131
BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido des-
mancha no ar. A aventura da modernidade. Tradu-
ção de Carlos Felipe Móises e Ana Maria L. Ioriatli. 13. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
XVII e que adquiriram, subseqüentemente, uma influência mais ou menos univer- sal”.132 Touraine, por sua vez, identificou a modernidade como a difusão dos produtos da atividade racional, científica, tecnológi- ca, administrativa.133
Le Goff me levou à compreensão do sentido de modernidade como sendo de ruptura entre o novo e o antigo, marcando a oposição cultural entre a Idade Média e as Luzes. O Renascimento perturbou esta oposição, já que “o moderno era exaltado através do antigo”.134 Nesse caso, o mo- derno era copiar o antigo. Segundo Le Goff, os termos antigo e moderno traziam em si a ambigüidade e complexidade con- ceitual pelos sentidos que assumiram: anti- go, poderia ser substituído por tradicional; o moderno por recente, novo. Tanto antigo quanto novo poderiam assumir conotações laudatórias, pejorativas e neutras.
Capturei a noção de modernidade como “um conjunto amplo de modifica- ções nas estruturas sociais do Ocidente, a partir de um processo longo de racionali-
132
GIDDENS, Anthony. As conseqüências da
modernidade. Tradução de Fernando Luís Macha-
do e Maria Manuela Roche. Oiera, Portugal: Celta, 2005.
133
TOURAINE, Alain. Crítica à modernidade. Tradução de Elia Ferreira Edel. 7. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
134
LE GOFF, Jacques. História e Memória. Tra- dução Irene Ferreira, Bernardo Leitão e Suzana Fer- reira Borges. 5. ed. Campinas, São Paulo: UNICAMP, 2003.
zação da vida”135 nas esferas econômica, política e cultural. Entender a modernidade nesse sentido implicou em ultrapassar a tradicional classificação periódica feita pe- la maioria dos historiadores, de que a épo- ca moderna tem início em 1453, com a queda de Bizâncio, e fim com a Revolução Francesa, em 1789, data que se iniciou a chamada Idade Contemporânea.
Domenach afirmou:
A modernidade parece-nos me- nos um período cronologicamen- te definido do que uma “idéia reguladora” (ou des-reguladora), uma cultura, um estado de espí- rito (conjunto de aspirações, de pesquisas, de valores) que se impõe no final do século XVIII e que, deste modo, se inscreve na época que os manuais de história denominam contemporânea.136
Foucault, quando escreveu As pa-
lavras e as coisas,137 destacou as fases dis- tintas: Renascença (similitude), Clássica (representação) e Moderna (classificação- épistèmé), para evidenciar as rupturas da linguagem. Para esse autor, os códigos fundamentais da cultura reagiam a deter- minadas práticas sociais nas formas de perceber e valorizar as coisas, especial-
135
SILVA, Kalina Vanderlei e SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de Conceitos Históricos. São Paulo: Contexto, 2005. p. 297.
136
DOMENACH, Jean-Marie. Sentidos da Mo-
dernidade. Tradução de Paula Taipas. Lisboa: Ins-
tituto Piaget, 1995.
137
FOUCAULT, Michel. A palavra e as coisas. Tradução de Salma Tannua Muchail. 8. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
mente a linguagem, esquemas perceptivos, trocas técnicas, etc. Foucault, então, con- duziu-me a pensar que o saber científico, estandarte da modernidade pedagógica, es- tava colado a sentidos múltiplos nos dis- cursos jornalísticos. Era o novo que esque- cia do velho, a ruptura que destruía o pas- sado e o progresso que sinalizava uma fase evolutiva. Entretanto, segundo o referido autor, entre uma fase e outra não havia progresso, mas singularidade, caracterizada por uma épistèmé, de modo que, no saber clássico, as possibilidades de invenção da modernidade já estavam presentes. Assim, nos discursos, certamente, há continuida- des e descontinuidades entre os sentidos apontados por Le Goff.
Nessa direção, Steinberger afirmou: “os discursos não refletem tal ou qual rea- lidade social, econômica, política, biográ- fica ou psíquica: eles são passagens de sen- tido”.138 Esses sentidos, colados e descola- dos uns aos e dos outros, davam o tom da
modernidade pedagógica cuja visibilidade
só era possível no entendimento de que os jornais eram tangenciados e tangenciadores de idéias.
Partindo desse sentido mais amplo de modernidade, era necessário entender a
modernidade pedagógica nos discursos jornalísticos em jornais de Sergipe (Brasil)
e Portugal. O próprio termo pedagogia re-
138
STEINBERGER, Margarethe Bom. Obra cita-
monta aos antigos escravos gregos que conduziam as crianças para instruírem-nas. Depois foi se modificando, ao longo do
tempo, especialmente a partir de
Comenius, considerado o Pai da Pedagogia
Moderna. Depois, ainda, passou a ser con- siderada uma reflexão sistemática sobre a educação, a ciência da Educação, 139 como também teoria e prática da educação. A Pedagogia, ao longo do tempo, foi se cons- tituindo em um campo próprio de saber. Aqui me detive no entendimento de Peda- gogia em Queiroz, como uma prática cultu- ral que se alicerça de um “conjunto de filo- sofias, princípios, técnicas e métodos de educação e de instrução que visam a um objetivo prático”. 140
A modernidade pedagógica, segun- do Cambi,141 teve início no século XVII. O pensamento educativo se renovou, ati- vando novos processos de teorizações, privilegiando a mente como cogito e se beneficiando das ciências nascentes. A educação como fator chave de desenvol- vimento, teve como ponto de apoio a re- novação dos métodos, em pleno século
139
DOTTRENS, Robert; MIALARET, Gaston. O desenvolvimento das ciências pedagógicas e seu es- tado atual. In: DEBESSE, Maurice e MIALARET, Gaston. Tratado das Ciências Pedagógicas: Intro- dução. Tradução e notas de Luiz Damasco Penna e J.B. Damasco Penna. São Paulo: Companhia Edito- ra Nacional, 1974.
140
QUEIROZ, Tânia Dias. Dicionário prático de
Pedagogia. 1 ed. São Paulo: Redeel, 2002.
141
CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Tra- dução de Álvaro Lorencini. 1. ed. São Paulo: UNESP, 1999.
XVIII, com a disseminação do método in- tuitivo na produção dos novos saberes es- colares.
Tratava-se de aplicar os princípios do método científico ao método de ensino para a formação do novo homem, e não apenas do bom cristão. Laicização, co- educação e métodos ativos eram pautas da
modernidade pedagógica, retirando o ho-
mem das trevas paras as luzes, ao tempo em que se trazia para o centro das discus- sões um novo conceito de criança, impon- do-lhe um papel social até então ignorado. A escola, então, passou a fazer o desloca- mento da figura centralizadora do mestre para a criança em atividade, sendo o ensi- no verbalístico e memorístico (baseado na escolástica), passando a valorizar outras faculdades humanas naturais.
A Pedagogia Moderna procurou romper com a escola antiga, formadora do
bom cristão, para formar o bom cidadão.
Assim, a pedagogia foi colocada “no cen- tro da cultura, como momento consciente- mente autorizado e essencial da vida soci- al”.142 No século XIX a escola assumiu, cada vez mais, o domínio do discurso pú- blico, como sendo racionalizada, planejada e de formação cívica.
Em síntese, procurei assumir, aqui, a categoria modernidade pedagógica como a produção de um saber-fazer da pedagogia
142
chamada Moderna, que exigiu a organiza- ção de um novo espaço escolar (prédios), uma nova organização de ensino (leis), uma nova formação do professor (cientifi- cista) e uma nova visão do aluno (ser inte- gral), com a utilização de novos métodos de ensino (o intuitivo).
Detive-me na expressão da moder-
nidade pedagógica para entender como es-
ta se deu no ideário republicano em Portu- gal e no Brasil/Sergipe, servindo-me da análise dos discursos jornalísticos em O
Século e no Correio de Aracaju.
5. Outra aproximação: o