A elaboração e organização dos instrumentos de coleta de dados foi uma etapa importante no planejamento da pesquisa de campo, sendo na verdade, uma parte do processo investigativo e de possibilidade de alcance dos objetivos desse estudo. Em face disto e no intuito de se ter uma melhor compreensão das necessidades e uso de informação dos sujeitos da pesquisa, fez-se a opção pela utilização do questionário, junto aos usuários/médicos e da entrevista, junto aos integrantes do Colegiado Gestor, como instrumentos teórico-metodológicos para coletar dados e conseguir informações para a referida pesquisa.
Conforme afirmações de Cervo e Bervian (1978), os instrumentos de coleta de dados, no caso, o questionário e a entrevista, têm por finalidade recolher e registrar, ordenadamente, os dados relativos ao assunto escolhido e a ser estudado. Destaca-se, portanto, que estes instrumentos foram necessários e/ou apropriados para obter informações, principalmente, quando se levou em consideração o perfil, escassez de tempo, quantidade e disponibilidade dos profissionais médicos, enquanto atores sociais e principais desta pesquisa e os integrantes do Colegiado Gestor, enquanto informantes acessórios da referida investigação.
Sendo assim, com relação ao uso do questionário (APÊNDICE A) e de acordo com as considerações de Barros (2000, p.90), este é “[...] o instrumento mais usado para o levantamento de informações”, pois permite ao pesquisador abranger um maior número de pessoas e de obter mais informações em espaço de tempo mais curto. Justifica-se, ainda, sua utilização pela facilidade no tratamento dos dados obtidos, a economia no tempo e de recursos financeiros e humanos durante a sua aplicação; o anonimato e o tempo suficiente para o informante refletir sobre as questões e respondê-las mais adequadamente, são algumas das vantagens
encontradas em relação a outras técnicas de pesquisa, mais necessárias para obtenção de resultados significativos.
Diante desta compreensão, estruturou-se o questionário com questões
fechadas, que apresentavam alternativas fixas de respostas e com questões abertas, que permitiram os participantes elencar seus pontos de vista e de emitir
opiniões e respostas diversas em relação às situações colocadas. Este foi constituído, também, de perguntas diretas à temática pesquisada, que se encontra em conciliação com os objetivos específicos e teve como base o trinômio situação-
lacuna-uso da Abordagem Sense-Making, ressalta-se, ainda, a descrição das
variáveis que orientaram a pesquisa, como a caracterização do perfil dos médicos, a identificação das necessidades de informação, assim como, a situação mais recente de uso da informação, as barreiras e/ou obstáculos encontrados e os esforços empreendidos durante o processo de busca e utilização da informação nas USF.
Perspectivando uma melhor visualização e observância das relações entre os objetivos específicos (OE), as variáveis indicadas, o perfil do usuário/médico e os componentes do Sense-Making, com as perguntas descritas no questionário, houve a necessidade de organizar e agrupar estas informações no quadro seguinte:
OBJETIVOS
PERFIL DO USUARIO E COMPONENTES
DO SENSE-MAKING VARIÁVEIS PERGUNTAS DO QUESTIONÁRIO
OE 1 Perfil do usuário
Idade; sexo; estado civil; escolaridade;especialidade; tempo de participação no PSF e exercício da profissão em outros locais.
1.1 a 1.7
OE 2 Situação
Freqüência e motivos que o levam a buscar e a usar fontes e canais de informação; as estratégias e as significativas dúvidas ocorridas no momento de solucionar um problema. 2.1 a 2.4; 3.1 a 3.3 OE 3 Lacuna
Barreiras e/ou obstáculos enfrentadas no decorrer da
busca e uso da informação. 2.5 e 3.4
OE 4 Uso
Expectativas e esforços empreendidos durante o uso da informação adquirida; fontes e canais de informações utilizadas no ambiente das USF.
3.5 a 3.8 e 4
Quadro 8: Relação entre os objetivos específicos, perfil do usuário/componentes do Sense-Making e as variáveis indicadas com as perguntas descritas no questionário.
Quanto ao uso da entrevista (APÊNDICE B) e em conformidade com a conceituação de Marconi e Lakatos (1996, p.84), que as consideram como um encontro “[...] entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional” e sob o enfoque de Triviños (1987, p.146) que a reconhece como “[...] um dos principais meios que tem o investigador para realizar a coleta de dados”, percebe-se, que este instrumento possibilita o relacionamento estreito entre o pesquisador e o sujeito pesquisado e é ideal para recolher informações e dados relevantes, que, possivelmente, ajudarão o pesquisador no momento da análise qualitativa e a entender e conhecer melhor o fenômeno estudado.
Para esta pesquisa, utilizou-se a entrevista do tipo semi-estruturada, que, segundo Laville e Dione (1999, p.188), se configura em uma “[...] série de perguntas abertas, feitas verbalmente, em uma ordem prevista, mas na qual o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimento”. Há, na verdade, um privilegiamento em torno da figura do entrevistador, que face a face e de maneira metódica, segue um roteiro estabelecido e predeterminado de perguntas, entretanto, com liberdade de fazer inclusão de novas questões e, também, da figura do entrevistado, que possui, como destaca Triviños (1987), a capacidade de falar livremente e a espontaneidade necessária para enriquecer esse encontro. Observa-se que não há restrições e limitações quanto ao uso da entrevista, sendo na verdade um instrumento, que se presta e pode ser aplicado, conforme assegura Barros e Lehfeld (2007), com qualquer segmento da população.
A partir deste propósito e com intenção de conhecer os integrantes do Colegiado Gestor e de identificar a sua utilidade para as Unidades de Saúde da Família e para os profissionais de saúde do Distrito Sanitário III, da cidade de João Pessoa, organizou-se, apoiado no referencial teórico e no objetivo específico (OE 5) da pesquisa, o roteiro de entrevista e os procedimentos básicos que nortearam as ações do pesquisador durante a realização das entrevistas. Dessa forma, a entrevista constituiu-se de 10 perguntas, simples e diretas, de caráter qualitativo, que versou, em grande parte, sobre a função, finalidade, atividades, ações e relações que o Colegiado Gestor, desenvolve e o que faz para suprir as necessidades e usos da informação dos profissionais de medicina, participantes da pesquisa.
destaca-se à adequação e preparação do local para a realização do encontro, planejamento do uso do material de registro da entrevista e organização das etapas que o pesquisador deve percorrer com o sujeito pesquisado, como por exemplo, tornar explícito para o entrevistado o objetivo da entrevista, o que é que se deseja dele, qual podem ser sua importância e contribuição para a pesquisa, enfim, assegurar, como afirma Barros e Lehfeld (2007), as condições favoráveis para o bom andamento da entrevista e o entendimento do que se está perguntando ao entrevistado, procurar, também, observar e compreender as atitudes, reações e condutas destes no momento da entrevista, evitando, sempre, os desencontros e o desperdício de tempo.
Portanto, faz-se necessário ressaltar que o pesquisador estruture e organize o questionário e a entrevista, formule questões e perguntas que permitam identificar as necessidades de informação, as fontes mais importantes e utilizadas, as que oferecem sucesso ou fracasso, a mais traumática ou mais difícil, enfim, deve-se centrar os questionamentos na situação mais significativa, aquela que ajude a representar o comportamento de necessidade e uso de informação ocorrida com os médicos a partir do contexto das Unidades de Saúde da Família e as perguntas na situação mais relevante, de atividades e ações oferecidas pelo Colegiado Gestor, do Distrito Sanitário III, para suprir as necessidades e uso informacional dos profissionais da área médica, estabelecendo assim, uma articulação entre o referencial teórico, os objetivos definidos para a pesquisa e os dados e informações coletados.