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SÜLEYMAN ALEYHÎSSELÂM ’IN MASÜMİYETÎ

Dördüncü iddiaya cevap: Sözkonusu gemi bir gruba âitti. Bu grubun fertleri kendi

SÜLEYMAN ALEYHÎSSELÂM ’IN MASÜMİYETÎ

O erro pode ocorrer em três momentos distintos. Poderá se manifestar: (i) na

formação da vontade; (ii) na declaração; (iii) na transmissão por interposta pessoa.

272 TEPEDINO, Gustavo; BARBOZA, Heloísa Helena; MORAES, Maria Celina Bodin de. Código Civil

Interpretado Conforme a Constituição da República. 2. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, vol. I, p. 271.

273 LOTUFO, Renan. Código Civil Comentado. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, vol. I, p. 381. 274 AMARAL, Francisco. Direito Civil – Introdução. 7. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2008, p. 508. 275 LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil – Teoria Geral do Direito Civil. 6. ed. São Paulo:

Saraiva, 2010, vol. I, p. 429.

276 FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direito Civil – Teoria Geral. 7. ed. Rio de

Janeiro: Lumen Júris, 2009, pp. 435-436. Em sentido semelhante, Flávio Tartuce aduz que “o erro é um engano fático, uma falsa noção, em relação a uma pessoa, ao objeto do negócio ou a um direito, que acomete a vontade de uma das partes que celebrou o negócio jurídico” (Direito Civil – Lei de Introdução

Aquele que recai sobre a formação da vontade da parte é o erro vício. Com isso,

se não fosse o erro, a parte não teria concluído o contrato da forma que o concluiu. O

erro vício recai sobre a vontade e não gera uma divergência entre a vontade do agente e

a declaração por ele emitida. Há uma perfeita sintonia entre a vontade e a declaração. O

que ocorre é que a vontade, por estar mal esclarecida ou baseada em motivos

equivocados

277

está viciada e, por consequência, a subseqüente declaração.

Por sua vez, o erro gerado no instante da declaração ou da transmissão por

interposta pessoa exclui a vontade e ocasiona uma divergência entre a vontade querida e

a manifestação feita. É o denominado erro obstativo.

278

O erro obstativo atém-se à declaração da vontade expressada pela parte. Não há

erro na formação da vontade. Apesar do declarante ter corretamente formado sua

vontade, esta vem a ser inexatamente declarada ou transmitida.

279

Paulo Nader distingue

as duas figuras de erro afirmando que o erro vício incide no processo de formação da

vontade, diferentemente do erro obstativo que se manifesta no momento em que a

vontade é declarada, na comunicação da vontade. Neste, o agente quer “A” e diz “B”.

280

Para Wilson de Souza Campos Batalha, baseado no entendimento de Francesco

Messineo,

o erro obstativo não opera sobre a formação da vontade do sujeito como o erro-vício, mas provoca uma divergência entre a declaração e vontade, porque a declaração manifesta, não uma vontade efetiva, mas uma vontade diversa e inexistente (p. ex., queria alugar e não vender; pensava no imóvel y e não no imóvel x; não queria doar a Tício, mas a Mévio). Ao invés do erro- obstáculo, o legislador italiano fala em ‘erro que incide sobre a declaração’, para significar que o erro incide, não sobre a vontade, mas sobre a declaração em si.281

É o entendimento de Francisco Amaral ao aduzir que

277 Os autores alemães o chamam de erro-motivo (Motivirrtum). Conforme Heinrich Ewald Hörster, o

erro sobre os motivos seriam “as circunstâncias cuja representação intelectual determina a decisão de querer a conclusão do negócio jurídico. O erro sobre os motivos é, por conseguinte, uma idéia inexacta, uma representação inexacta, sobre a existência, subsistência ou verificação de uma circunstância presente ou actual que era determinante para a declaração negocial, ideia inexacta sem a qual a declaração negocial não teria sido emitida ou não teria sido emitida nos precisos moldes em que o foi.” (A Parte Geral do

Código Civil Português. Teoria Geral do Direito Civil. Coimbra: Almedina, 1992, p. 570).

278 BATALHA, Wilson de Souza Campos. Defeitos dos Negócios Jurídicos. Rio de Janeiro: Forense,

1988, p. 85.

279 Conferir os ensinanentos de Massimo Bianca sobre o tema: BIANCA, Massimo C. Diritto Civile. Il

Contrato. Milão: Giuffrè, 1987, vol. III, p. 606.

280 NADER, Paulo. Curso de Direito Civil – Parte Geral. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, vol. I, p.

412.

281 BATALHA, Wilson de Souza Campos. Defeitos dos Negócios Jurídicos. Rio de Janeiro: Forense,

o erro obstáculo diz respeito à declaração da parte. A vontade não corresponde à declaração. O agente forma corretamente sua vontade mas transmite-a de modo inexato e divergente. Por exemplo, quero escrever 100 e escrevo 1.000, por distração.282

No erro obstativo não há equívoco entre o que é verdadeiro e o que é

erroneamente imaginado pela vítima do erro. A percepção da realidade é consentânea

com os fatos existentes. O erro se verifica apenas no decorrer da exposição da vontade

“que vai entre a deliberação e a execução de um ato.”

283

Como exemplos de erro

obstativo, Antônio Junqueira de Azevedo fornece os seguintes:

se digo ‘dôo’ por ‘vendo’, ou ‘lote 4 da quadra 5’ por ‘lote 5 da quadra 4’, ou se o telegrama utilizado para rejeitar a oferta não transmite o advérbio ‘não’, de forma que a oferta fica aceita, em vez de rejeitada (erro na transmissão).284

Juristas como Wilson de Souza Campos Batalha

285

e Orlando Gomes entendem

que

o erro obstativo tanto pode ser uma declaração involuntária (lapsus) como consistir numa declaração cujas expressões, no seu sentido e na sua importância, sejam totalmente desconhecidas do declarante. Admite-se que também ocorra quanto à natureza do ato, à identidade da coisa e à causa do contrato (Colin et Capitant).286

Silvio Rodrigues amplia as hipóteses de incidência do erro obstativo. Para o

jurista, o erro obstáculo pode ser derivado da: (i) natureza do ato, p.ex., quando alguém

transfere algo a título de venda e compra e quem a recebe o faz na condição de doação;

(ii) no objeto principal da declaração, p. ex., alguém se propõe a vender o cavalo de raça

‘Dono da Raia’ e o comprador, ao anuir, tem em mente o cavalo de raça ‘El Aragones’;

(iii) sobre o erro causado pelo instrumento, p.ex., quando alguém intenta comunicar a

outra parte a expressão ‘não aceito’ e, esta chega alterada ao seu destinatário, com a

primeira palavra suprimida

287

.

282 AMARAL, Francisco. Direito Civil – Introdução. 7. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2008, p. 508. 283 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio Jurídico – Existência, Validade e Eficácia. 4. ed. São

Paulo: Saraiva, 2010, pp. 112-113.

284 Vale a pena transcrever outras hipóteses em que o erro obstativo pode se manifestar, conforme

relatado por Orlando Gomes: “As hipóteses de erro obstativo são classificadas em grupos, distinguindo- se, como das mais interessantes, as de equívoco material – de transmissão inexata: as que levam ao

dissenso e aquelas em que o erro consiste no meio de individualização.” (Introdução ao Direito Civil. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, pp. 324-325).

285 BATALHA, Wilson de Souza Campos. Defeitos dos Negócios Jurídicos. Rio de Janeiro: Forense,

1988, p. 90: “O erro obstativo deve, para ser relevante, recair sobre elemento essencial, sobre a identidade da pessoa, ou sobre a substância da coisa, error in corpore, error in substantia.”

286 GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, pp. 324-325. 287 RODRIGUES, Silvio. Dos Vícios do Consentimento. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1989, pp. 21-22.

A justificação para o erro obstativo, erro obstáculo ou erro na declaração surgiu

na França

288

, com base no art. 1.110 do Código Civil

289

. Serpa Lopes obtempera que

consoante o sistema do Código Civil francês, o erro é classificado em três categorias: 1ª) erro impróprio, denominado por Larombière como ‘erreur

obstacle’ e por Giorgi como ‘errore ostativo’; 2ª) o erro essencial; 3ª) o erro insignificante ou irrelevante. O erro obstáculo interfere com a própria existência do ato, e ocorre, dentre outros casos, quando a parte julgar, v.g., locar, quando na verdade, está vendendo, ou quando recai sobre o objeto do contrato, ou finalmente sobre a causa da obrigação.290

A teoria do erro obstáculo encontrou apoio em juristas como Larombière

291

,

Demolombe, Laurent, Baudry-Lacantinerie e Barde

292

e Planiol e Ripert e Boulanger

293

.

A doutrina francesa, como salienta Antônio Junqueira de Azevedo, “dando

sempre elevado valor à vontade real, entende que o caso é de nulidade, ao contrário dos

casos de erro próprio, em que, havendo vontade (embora mal formada), a sanção é de

anulabilidade.”

294

Deve-se advertir que na própria França a distinção entre o erro vício e o erro

obstativo não encontrou ponto pacífico na doutrina e na jurisprudência. Carvalho Santos

observa que “o exemplo do que se passa em França é frisante, não tendo a

jurisprudência daquele país conseguido até o presente fixar claramente a diferença entre

o caso em que o erro torna o contrato inexistente e o caso em que o torna somente

anulável.”

295

288 RODRIGUES, Silvio. Dos Vícios do Consentimento. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1989, p. 25. O autor

relembra que “tal distinção fora construída pela doutrina francesa para suprir a omissão do Código Napoleão, que não enfileirara, entre os casos de erro substancial, os recaintes sobre a natureza do negócio, sobre o objeto da declaração, ou o erro decorrente da transmissão errônea da vontade por aparelho ou núncio.”

289 Art. 1.110. O erro não é causa de nulidade da convenção a não ser que recaia sobre a própria

substancia da coisa de que é objeto. Ele não é causa de nulidade quando recai sobre a pessoa com quem se quer contratar, a menos que a consideração dessa pessoa seja a causa principal da convenção.

290 SERPA LOPES, Miguel Maria de. Curso de Direito Civil. 7. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1989,

vol. I, p. 389.

291 LAROMBIÈRE. Théorie et pratique des obligations, vol I, 1885, pp. 45e 54.

292 DEMOLOMBE; LAURENT; BAUDRY-LACANTINERIE; BARDE. Traité de droit civile. 3. ed.

1906, vol. XI, pp. 80-82.

293 PLANIOL; RIPERT; BOULANGER. Traité élémentaire. 3. ed. 1948, vol. I, p. 72: “la distinction

s’accuse encore davantage entre l’erreur qui affecte l’une ou l’autre des volontés contractuelles et l’erreur qui s’oppose à l’accord des volontés. On donne communément à cette sorte d’erreur une denomination qui fait image – l’erreur obstacle.”

294 AZEVEDO, Antônio Junqueira de. Negócio Jurídico – Existência, Validade e Eficácia. 4. ed. São

Paulo: Saraiva, 2010, pp. 112-113.

295 CARVALHO SANTOS, J.M. Código Civil Brasileiro Interpretado. 11. Ed. Rio de Janeiro: Freitas

Posteriormente, a Itália aderiu à teoria do erro obstativo, durante a vigência do

Código Civil de 1865, apoiada em autores como Giorgio Giorgi

296

, Lomonaco, Pacifici-

Mazzoni, Coviello

297

e Francesco Messineo

298

.

O Código Civil italiano de 1942, ao contrário do Código de 1865, abandonou a

distinção entre erro vício e erro obstáculo e definiu no art. 1.429, o que se entendia por

erro essencial. O art. 1.429 declarou ser anulável e não nulo o contrato marcado pelo

erro.

299

Atualmente, de acordo com a lição de Lina Geri, Umberto Breccia, Francesco

Busnelli e Ugo Natoli

300

, bem como de Vittorino Pietrobon

301

, o direito italiano não

distingue o erro vício do erro obstativo e equipara as duas categorias normativamente na

disciplina geral do contrato, igualando-os em suas conseqüências: a anulabilidade.

A equiparação entre as duas espécies de erro pelo legislador italiano foi

mencionada por Wilson de Souza Campos Batalha ao afirmar que o atual Código Civil

italiano, no art. 1.433

302

, considera o vício obstativo causa de anulabilidade.

303

No direito português, para que ocorra o erro na declaração, erro obstativo, é

necessário que o declarante ou manifeste sua vontade de forma diversa ao que pretendia

ou que atribua às palavras um sentido diferente do que ela objetivamente possui.

Heinrich Ewald Hörster observa que

no primeiro caso, trata-se de um erro na própria declaração, ou no acto da declaração (engano no meio declarativo: lapsus linguae, erro mecânico, erro ortográfico, etc.); no segundo caso, trata-se de um erro sobre o conteúdo da declaração (erro sobre o sentido ou o real significado do declarado no ambiente em que ele foi proferido ((p. ex., quem, vindo de Coimbra,

296 GIORGIO, Giorgi. Teoria Delle Obbligazioni. 4. ed. Firenze, 1984, vol. IV.

297 In: ESPÍNOLA, Eduardo. Sistema do Direito Civil. Rio de Janeiro: Editora Rio, p. 562. 298 MESSINEO, Francesco. Doctrina general del contrato. Buenos Aires, 1952, vol. I, p. 130.

299 A reforma introduzida ao Código Civil italiano de 1942 foi assim justificada pela relazione

ministeriale: “La distinzione che determina una divergenza fra la dichiarazione e la volontà, e l’errore che vizia la formazione della volontà dichiarata, è difficilmente riconducibile alla tradizione romanistica. Non sempre accolta nella dotrrina moderna, per quanto passata nella pratica della giurisprudenza, la distinzione non giustifica il diverso trattamento delle due ipotesi, perchè la dichiarazione esiste in re anche quando sia affeta de errore ostativo ed essa in tal caso può provocare ugualmente affindamenti in buona fede, le cui conseguenze devono essere salvaguardate.” Massimo Bianca expressa que “la legge invece accomuna como cause di annulabilità le ipotesi di errore vizio e di errore ostativo togliendo importanza alla distinzione, e smentendo la teoria voluntaristica poiché come esistente e produttivo di effetti il contratto pur essendo la dichiarazione non voluta” (Diritto Civile. Il Contrato. Milão: Giuffrè, 1987, vol. III, p. 608).

300 GERI, Lina Bigliazzi; BRECCIA, Umberto; BUSNELLI, Francesco D.; NATOLI, Ugo. Il sistema

giuridico italiano. Diritto Civile. Fatti e atti giuridici. Torino: UTET, 1988, p. 650.

301 PIETROBON, Vittorino. Errore, Volontà e Affidamento nel Negozio Giuridico. 2. ed. Padova:

CEDAM, 1990, p. 285.

302 Art. 1.433. L’errore cade sulla dichiarazione, o in cui la dichiarazione è stata inesattamente trasmessa

dalla persona o dall’ufficio che ne era stato incaricato.

303 BATALHA, Wilson de Souza Campos. Defeitos dos Negócios Jurídicos. Rio de Janeiro: Forense,

encomenda no Porto um prato de “bacalhau dourado”, verifica, quando é servido, que este prato tem aí uma confecção diferente; isto faz com que também a encomenda feita no Porto tenha aí um significado diferente)).304

Segundo o autor, em ambas as situações há uma diferença entre a manifestação e

a declaração de vontade.

No direito alemão, independentente da modalidade do erro, a sanção será sempre

a anulabilidade. Apenas nos casos de desconformidade consciente entre a vontade e a

declaração, como ressalva Serpa Lopes, é que produzirá a nulidade do negócio jurídico,

como na hipótese de reserva mental.

305

No Brasil, há três entendimentos sobre o tema: (i) no primeiro, capitaneado por

Orlando Gomes

306

, Eduardo Espínola

307

e Wilson de Souza Campos Batalha

308

, o erro

obstáculo não é classificado dentro dos vícios de consentimento. Para eles, como esta

espécie de erro conduz a ausência da vontade, não correspondendo à vontade negocial,

não haveria os pressupostos para a existência mesma do negócio; (ii) o segundo,

preconizado por Silvio Rodrigues

309

e Roberto Senise Lisboa

310

, defende que o erro

obstativo geraria a nulidade do negócio jurídico, enquanto o erro vício geraria a

anulabilidade; (iii) o terceiro, capitaneado pela maioria de nossos civilistas, como

304 HÖRSTER, Heinrich Ewald. A Parte Geral do Código Civil Português. Teoria Geral do Direito Civil.

Coimbra: Almedina, 1992, p. 561.

305 SERPA LOPES, Miguel Maria de. Curso de Direito Civil. 7. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1989,

vol. I, p. 389.

306 GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2010, pp. 324-325. 307 ESPÍNOLA, Eduardo. Sistema do Direito Civil. Edição Histórica. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1977,

p. 561: “o denominado erro impróprio (Savigny), ou erreur obstacle (Larombière e a doutrina francesa) ou errore ostativo (Giorgi e a doutrina italiana) o qual recai sôbre a determinação da vontade, impedindo que haja um consentimento, não haveria erro, mas, sim, ausência de consentimento, não se constituindo o negócio jurídico propriamente dito.”

308 BATALHA, Wilson de Souza Campos. Defeitos dos Negócios Jurídicos. Rio de Janeiro: Forense,

1988, p. 94: “embora, em tais casos, não se possa cogitar de consentimento, posto que a manifestação não corresponde à vontade, o direito brasileiro não permite focalizar a hipótese como de inexistência ou de nulidade absoluta. Trata-se, ainda aqui, de hipótese de anulabilidade. Entretanto, se a declaração não corresponde a nenhuma vontade (p. ex., a formulada por falsus procurator, ou por procurador de pessoa falecida antes da declaração), obviamente não há que cogitar de anulabilidade, mas de inexistência.”

309 RODRIGUES, Silvio. Dos Vícios do Consentimento. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1989, pp. 21-22:

“enquanto o erro obstáculo deve produzir a nulidade dos atos gerados, pois faltou ao negócio elemento essencial tal o consentimento, o erro-vício oferece apenas uma causa de anulabilidade; no primeiro caso, nulidade absoluta, até mesmo declaração de inexistência; no segundo, nulidade relativa, portanto passível de prescrição, alegável só pelo interessado, ratificável.” Observe-se, contudo, que o autor reconhece a posição legislativa adotada no sentido da anulabilidade: “o legislador brasileiro não se ateve a essa distinção e, grupando num só conceito o erro-obstáculo e o erro-vício, atribuiu a ambos iguais efeitos, tratando todos os casos como de nulidade relativa. Com efeito, o art. 86 do Código Civil, em consonância com o art. 147, II, determina a anulabilidade das declarações de vontade que emanarem de erro substancial; e os arts. 87 e 88 classificam como erro desta espécie não só os erros próprios como os impróprios, não só o erro-obstáculo, que impede a manifestação da vontade, como o erro-vício, que a lesa em seu conteúdo.” (ob. cit., p. 26).

310 LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil – Teoria Geral do Direito Civil. 6. ed. São Paulo:

Arnaldo Rizzardo

311

, Flávio Tartuce

312

e Alberto Gosson Jorge Júnior

313

entende que

não houve um tratamento particular, seja no âmbito téorico, seja no aspecto prático, para

o erro obstativo e, sem a presença de qualquer outro elemento que o diferencie, a

consequência será a sanção de anulabilidade do negócio jurídico.

Para nós, a divergência não intencional entre a vontade e a declaração,

característica do erro obstativo, impede a formação do acordo, indispensável para a

existência do negócio jurídico. Com isso, teoricamente, o erro obstativo acaba por

impedir o surgimento do contrato, uma vez que não há o consentimento das partes para

que o negócio jurídico exista. Isso só ocorre, contudo, quando à primeira vista seja

possível verificar que “cada parte emite declaração de vontade diversa.”

314

Nos casos em que a manifestação correspondente de vontades se apresenta no

texto do negócio jurídico, mesmo que as partes aleguem que a vontade não corresponde

à declaração emitida, pensamos que prevalecerá, ab initio, a declaração dada. Estamos,

no ponto, com Humberto Theodoro Júnior quando pondera que “o caso acabará por

submeter-se ao tratamento processual do erro vício e não do erro obstativo. E se a parte

que nele incorreu não conseguir provar o arguido erro, o negócio prevalecerá.”

315

Haverá, nesse caso, igualdade de regime jurídico entre o erro obstativo e o erro vício,

submetendo-se ambos ao regime da anulabilidade do negócio jurídico.

311 RIZZARDO, Arnaldo. Parte Geral do Código Civil. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 479:

“erro obstativo não é o erro que muda o verdadeiro em falso, ou vice-versa, ou o erro de resultado. Diz respeito ao que traça elementos equivocados para a formação da vontade. Sobre esses elementos elabora- se a declaração de vontade, não sendo ela, pois, equivocada, porquanto formalizada sobre os elementos fornecidos. Todavia, não deixa de constituir erro. Omitindo ou colocando um elemento errado, que não passava pela vontade do emitente, conduz a decorrer um tipo diferente de decisão da outra parte, como quando se indica um endereço errado de um imóvel que se pretende alugar. Porque a informação não seguiu aquilo que se passava no interior do emitente, verifica-se o erro.”

312 TARTUCE, Flávio. Direito Civil – Lei de Introdução e Parte Geral. 7. ed. São Paulo: Método, 2011,

vol. I, p. 382: “pelo fato de esse erro não ter recebido tratamento específico pelo Código de 2002, a sua incidência sobre o negócio jurídico produzirá somente a sua anulabilidade, caso o negócio acabe sendo celebrado (art. 171, II, do CC).”

313 JORGE JUNIOR, Alberto Gosson. Do Erro ou Ignorância. In: LOTUFO, Renan; NANNI, Giovanni

Ettore (Coord.). Teoria Geral do Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2008, p. 495: “Destarte, quer seja erro obstativo da vontade, quer seja erro vício do consentimento, o Código Civil, além de não estabelecer diferenciação teórica entre ambos, também não estabelece distinção em seus efeitos práticos.”

314 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao Novo Código Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2003,

vol. III, t. I, p. 63.

315 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Comentários ao Novo Código Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2003,