BÖLÜM 4: SOSYAL HİZMET, SOSYAL YARDIMLAŞMA VE REFAH
4.2. Risk ve Belirsizliği Azaltmada Yoksulluk ve Sosyal Yardımlaşma İlişkisi…
De acordo com VYGOTSKY (1996, p. 279), no período pós-natal, tanto a atividade como a vida psíquica da criança aparecem com todos os traços peculiares de uma idade crítica. Nessa fase, a criança apresenta características tanto da vida intra-uterina, quanto da extra-uterina. Significa, como toda etapa de transição, “um rompimento com o passado e o início do novo”.
Considerar o período pós-natal como um período crítico, transitório e intermediário entre a etapa de desenvolvimento uterino e os sucessivos períodos da infância pós-natal – pois, embora já esteja fisicamente separado da mãe, o bebê ainda se encontra numa relação de total dependência com os adultos – implica compreender que é justamente o esforço para a adaptação a um novo tipo de vida que irá possibilitar o surgimento de novas formações.
Uma peculiaridade desse período está no fato de constituir-se como ponto de partida para todo o desenvolvimento posterior da personalidade do indivíduo.
A formação nova, característica dessa etapa, é que a vida – iniciada no estágio embrionário – torna-se individual; sua existência, agora, já se encontra separada daquela onde foi gerada e é, portanto, a mais primitiva socialmente. De acordo com VYGOTSKY (1996, p. 281), a criança, nesse estágio, apresenta uma vida psíquica rudimentar, na qual se verifica a fusão de suas sensações e emoções.
No que se refere ao comportamento de uma criança recém- nascida, podemos dizer que são duas as características essenciais que, associadas, impulsionam o seu desenvolvimento. A primeira é que a criança, diferentemente dos animais, apresenta um reduzido número de formas inatas
de comportamento. A segunda, diz respeito à ilimitada capacidade em apreender as formas de comportamento humanas.
Assim, não é exatamente a presença dessas formas inatas de comportamento que irá impulsionar o desenvolvimento do bebê, mas justamente a sua existência em pequeno número, associada à imensa capacidade de aprendizagem do bebê.
Essas formas inatas de comportamento – por exemplo, os reflexos de sucção, de preensão, de orientação e de proteção – permitem à criança adaptar-se ao novo modo de vida e responder adequadamente aos estímulos impostos por suas necessidades orgânicas no sentido de assegurar sua sobrevivência.
Esses reflexos, no entanto, não são suficientes para a satisfação de todas as suas necessidades vitais básicas: o provimento de alimentação, por exemplo, só pode ser satisfeito com a ajuda do adulto.
À medida que o recém-nascido tem suas necessidades orgânicas suficientemente satisfeitas, estas adquirem um caráter secundário e – com modos de vida e educação adequados – possibilitam o surgimento de novas necessidades relacionadas à obtenção de impressões, à locomoção e ao relacionamento com os adultos que irão constituir a base para o seu desenvolvimento psíquico (MUKHINA, 1996, p.77-78).
Daí a nossa compreensão de que o comportamento, especificamente, humano forma-se na criança desde a mais tenra idade por meio de suas relações com os adultos.
Desenvolvem-se com extrema rapidez nesse período os órgãos do sistema audiovisual que permitem à criança receber impressões externas. É o acesso aos mais diferentes sinais do mundo externo que possibilitará o desenvolvimento dos órgãos dos sentidos no recém-nascido e conseqüentemente, os reflexos de orientação que, por sua vez, criam as bases para a gradativa complexificação de seus processos de formação.
Daí a necessidade de ressaltarmos a importância do papel do adulto para o desenvolvimento da criança, pois é este quem produz e orienta o acesso do recém-nascido aos sinais do mundo externo.
De acordo com MUKHINA (1996, p. 79), um fato que nos permite evidenciar a influência do mundo circundante já nos recém-nascidos é a possibilidade de formação dos reflexos condicionados.
A importância do papel do adulto deve ser observada também no que se refere ao desenvolvimento das expressões da criança, que podem configurar-se tanto negativa como positivamente.
As primeiras expressões do recém-nascido referem-se a emoções negativas e têm inicialmente o caráter de reflexo não-condicionado: os gritos em resposta a sensações desagradáveis; o choro decorrente do espasmo da glote, que a princípio é intenso, mas posteriormente – a partir de suas relações com o adulto –, transforma-se num pranto menos vigoroso, relacionado às necessidades de comer, dormir, etc.
É na medida em que os adultos satisfazem as necessidades orgânicas da criança que se propicia a eliminação das emoções negativas e, com isso, a criação das condições para o aparecimento de sensações prazerosas.
As expressões positivas, no entanto, surgem posteriormente, quando a criança começa a reconhecer entre os adultos, aqueles provedores de suas necessidades e promotores de sensações prazerosas. Surgem, a partir daí, as primeiras manifestações de emoções evidentemente positivas, denominadas complexo de animação.
De acordo com MUKHINA (1996, p. 81), “o complexo de animação se manifesta quando a criança concentra seu olhar no rosto que se inclina sobre ela, sorri para esse rosto, move animadamente os braços e as pernas e emite sons suaves”.
Trata-se de “sua primeira reação específica à voz humana” (VYGOTSKY, 1996, p. 284), da expressão de necessidade de comunicação com o adulto, da primeira necessidade social da criança.
Assim, concordamos com VYGOTSKY (id. Ibid.) ao afirmar que embora seja necessário admitir as dificuldades de definição dos limites de cada período de desenvolvimento, a aparição do complexo de animação constitui-se num marco que permite delimitar o período pós-natal e o primeiro ano de vida
da criança – o que, em geral, ocorre por volta do final do primeiro mês e início do segundo.