Primeiramente, é importante salientar que, embora tenham sido abordados dois modelos de personalidade nesta pesquisa, somente o modelo 3M necessitou da construção de um questionário. Isso ocorreu porque o modelo dos cinco fatores já dispõe de dois tipos de questionários pré-elaborados e validados no Brasil.
O mais tradicional inventário de personalidade do FFM, o NEO PI-R, que surgiu em 1991, está sustentado em décadas de pesquisa analítica fatorial, tanto em população normal quanto em população clínica (COSTA; McCRAE; FLORES-MENDOZA, p. 10, 2007). Caracteriza-se por ser a versão longa do inventário de personalidade do modelo dos cinco fatores, contendo 240 afirmativas sobre o comportamento, às quais o examinando deve responder utilizando uma de cinco alternativas de resposta (a saber, “Concordo fortemente”, “Concordo”, “Neutro”, “Discordo” e “Discordo fortemente”). Além disso, no NEO PI-R cada um dos cinco fatores, ou domínios, é representado por seis facetas, conforme mostrado no Quadro 2. Neste sentido, o NEO PI-R proporciona uma avaliação detalhada da personalidade, revelando informações específicas por meio da análise das facetas do comportamento.
Como no caso desta pesquisa já havia um questionário relativamente grande a ser preenchido (o questionário do modelo 3M, com 76 itens), tornou-se inviável utilizar a versão longa do inventário de personalidade do FFM, pois isso iria requerer um tempo muito prolongado dos respondentes para preencher ambos os questionários. Dessa forma, devido às limitações de tempo e ao fato de que se desejava apenas uma informação global da personalidade (e não informações específicas por meio das facetas), foi utilizada a versão curta do questionário do FFM, conhecida como NEO- FFI- R. Essa versão contém apenas 60 afirmações a respeito dos cinco fatores, ou
domínios, e proporciona uma avaliação do perfil do respondente em termos da quantidade que ele(a) possui de cada um desses fatores de personalidade.
Os comentários que se seguem tratam exclusivamente da elaboração do questionário do modelo 3M. Em primeiro lugar, deve-se salientar que as escalas adotadas para o modelo 3M foram do tipo Likert de cinco pontos, uma vez que o questionário do modelo dos cinco fatores possuía esta estrutura. Visto que o NEO-FFI- R não poderia ser modificado, optou-se por trabalhar com a mesma gradação de respostas no modelo 3M, a fim de que os sujeitos de pesquisa pudessem preencher os questionários mais fácil e rapidamente. Com esta proposição de cinco pontos, o ponto 3 torna-se neutro para itens relativos à personalidade e intermediário para itens relativos à frequência de realização de comportamentos ecologicamente conscientes (a saber, Nunca, Raramente, Às vezes, Frequentemente, Quase sempre/Sempre).
Todas as escalas utilizadas foram forçadas, isto é, sem a opção “Não sei”. Dessa forma, partiu-se do pressuposto de que os examinados tinham a capacidade de responder aos questionamentos. Além disso, o uso de escalas forçadas pode trazer ganhos aos estudos em personalidade, uma vez que o indivíduo é pressionado a posicionar-se.
Em relação ao conteúdo das afirmativas, vale ressaltar que boa parte das escalas utilizadas nesta pesquisa foi traduzida da língua inglesa para a língua portuguesa por um profissional capacitado e habilitado para tal, sendo que, posteriormente, essas escalas passaram pelo processo de tradução reversa para a identificação de possíveis dissonâncias na primeira tradução (MALHOTRA, 2001). Também convém destacar que as escalas relativas a vários traços do modelo 3M foram extraídas de pesquisas já realizadas no contexto brasileiro.4
O questionário do modelo 3M foi dividido em duas partes, sendo a primeira destinada a medir os traços de personalidade elementares e compostos, e a segunda voltada para a mensuração dos traços situacionais e superficiais. A primeira parte caracterizou-se por referir-se a traços de personalidade e comportamentos mais amplos e abstratos; a segunda, por referir-se a comportamentos mais específicos e concretos,
relacionados mais claramente com o tema do “Consumo ecologicamente consciente”. Os itens do questionário solicitavam que os sujeitos marcassem suas respostas de acordo com a estrutura fornecida pelo instrumento de coleta de dados. Em linhas gerais, respondiam em que medida alguns adjetivos os caracterizavam, seu grau de concordância com determinadas afirmações de comportamento e com que frequência realizavam certas ações.
Seguindo orientação de Goldberg (1993), os indicadores de um mesmo construto não foram apresentados de maneira sequencial no questionário, sendo eles distribuídos de forma aleatória, respeitando os limites de cada bloco. Isso é sugerido para a operacionalização de inventários de personalidade, pois evita que o respondente perceba a natureza dos construtos de forma muito evidente e estabeleça uma orientação prévia para suas respostas.
O questionário foi introduzido com um pequeno texto convidando os respondentes a participarem da pesquisa e esclarecendo os propósitos do estudo e os pesquisadores envolvidos. Além disso, foi salientado que os questionários seriam anônimos e que as informações fornecidas seriam tratadas apenas com fins de pesquisa acadêmica.
Houve a preocupação em tornar o questionário visualmente agradável, organizado e espaçado. Dessa forma, os blocos de afirmativas não foram excessivamente longos e os itens foram apresentados em tonalidades alternadas de branco e cinza, para evitar confusões e erros por parte dos respondentes no momento da leitura e preenchimento do questionário. Ao final do instrumento, havia um agradecimento pela participação na pesquisa e um pedido para que os sujeitos pesquisados verificassem se responderam todas as questões.