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A. Uluslararası Sermaye Hareketlerinin Tanımı ve Çeşitleri

2. Portföy Yatırımları

As revisões bibliográficas bem como o estado da arte dos livros e artigos levados a cabo nesta pesquisa apontam para um ensino de acústica centrado na linguagem científica, no qual as questões envolvendo ciência, tecnologia e cultura não são levadas em conta. Nesse cenário, as ligações realizadas entre acústica e outras disciplinas, bem como com o mundo tecnológico redundam, quase sempre, em direção ao ensino dos conceitos científicos. Não é de se estranhar propostas do tipo “o uso de instrumentos musicais para o ensino de ondas sonoras” ou “ensinando conceitos de física por meio de letras de canções populares”. É esse o referencial que tem guiado não só o ensino da física do ensino médio, mas, também, e principalmente, a formação dos professores de física nos cursos de licenciatura Brasil afora. Tal proposta muito se distancia da proposta dialógica freirena, na qual os conceitos são construídos e reconstruídos no desvelar a realidade concreta, constituindo-se, portanto, práxis. Nesta, os conceitos científicos concorrem na análise da realidade, enquanto que naquela a realidade redunda em ciência.

Igualmente compartimentalizada e distanciada de tais questões culturais, a formação do professor de física quase nunca busca a ligação dos diversos conteúdos das ciências físicas com estas questões. Tal realidade nos levou a refletir sobre a necessidade de considerar o ensino da acústica a partir de uma proposta interdisciplinar na formação dos professores de física e de ciências naturais. A concepção e o desenvolvimento desta proposta foram guiados pelos eixos a seguir:

i. A educação científica deve servir tanto para a aprendizagem das teorias e métodos da ciência e de seus desdobramentos tecnológicos, bem como para a formação do cidadão comum, aquele que não vai seguir nenhuma carreira científica. Nesse sentido, tomamos a educação sonora, seja por meio dos exercícios de sensibilização da audição, seja pela análise de paisagens sonoras ou ainda por meio dos teatros sonoros, como atividade meio para a formação de cidadãos auditivamente conscientes, objetivando alcançar o ‘ser mais’ freireano.

ii. A proposta interdisciplinar deve contemplar tanto o mundo em que a racionalidade técnica predomina, no caso das ciências físicas, biológicas e psicologia, quanto aquele cuja racionalidade prática está presente, tal como as interpretações que as pessoas atribuem às suas experiências sonoras. Nesse sentido, encontramos nas paisagens sonoras um caminho promissor para discussões na interface entre ciência, sociedade e arte.

iii. A análise de problemas controversos relacionados à ciência, tecnologia e cultura, no universo de estudo da acústica, deve dar-se a partir de uma leitura crítica, na qual tanto a visão científica quanto os valores culturais possam se articular. Nesta perspectiva, é preciso respeitar a autonomia como elemento constitutivo da problematização e da práxis na qual estarão presentes tanto os traços do mundo disciplinar, quanto àqueles culturais e em cuja análise encontrar-se-ão as palavras geradoras que guiarão as sínteses e reconstruções na dialogicidade freireana.

iv. A formação do licenciando em física e do licenciado em matemática pode e deve levar em consideração, além das competências para o ensino destas disciplinas, a responsabilidade, compartilhada também pelos professores de outras disciplinas, pela educação sonora. Um indivíduo auditivamente educado pode exercer cidadania, ter autonomia e criticidade para intervir pela melhoria das paisagens sonoras, seja na escola, trabalho ou comunidade.

Hoje, para se entender o fenômeno sonoro enquanto ciência é necessária uma leitura que se estenda para muito além do universo do som como onda mecânica, na qual os mundos físico, matemático, fisiológico e psicológico concorrem como necessidade primeira para tentar abarcar esta realidade. Seria desta forma um andar contrário à especialização, à fragmentação, tentando aprender os passos que a própria história ensinou. Tal proposta nasce justamente da crítica voltada à especialização na formação do professor e do cidadão, uma crítica à compartimentalização do ensino. Segundo Libâneo (2005, p.38),

“Uma das características do novo paradigma de ciência é a interdisciplinaridade, que alguns preferem chamar de “inter-relação entre os saberes científicos”. Há muitas interpretações da interdisciplinaridade, mas poder-se-ia vê-la numa perspectiva epistemológica – integração entre os saberes contra a fragmentação disciplinar – e numa perspectiva instrumental – busca de um saber útil, aplicado, para enfrentamento de problemas e dilemas concretos.”.

Desta forma o aprendizado deve transpor os limites da escola, para além dos moldes tradicionais. Pode servir para o cidadão comum, capacitá-lo para agir conscientemente, decidir, analisar. Para isto, é necessária uma formação escolar em que problemas reais sejam geradores das atividades, motivadores do aprendizado. É preciso buscar uma leitura dos problemas a partir de uma consciência mais ampla e que só pode ser construída se as diversas linguagens forem ensinadas como partes de um mesmo todo. Contudo, cabe à escola

promover o encontro dos mundos. Nesse sentido, as paisagens sonoras podem permitir a construção de temas geradores na problematização do mundo tecnológico e cultural, em direção à construção de autonomia pela formação de consciência auditiva.

É preciso conceber a educação sonora em suas diversas dimensões e, por isto, ligada às diversas dimensões disciplinares do ensino escolar. A ligação entre educação sonora e o ensino de artes, por exemplo, pode dar-se na apreciação das músicas étnicas, em defesa da cultura musical dos povos, constituindo-se resistência à indústria musical que massifica. Quando pensamos no ensino de física e matemática, a educação sonora passa, por exemplo, pela construção e análise de gráficos das várias dimensões do som na paisagem. Quando pensamos em geografia, nos vem à mente a construção de mapas sonográficos dos ambientes em que os envolvidos convivem, dentre outros. A figura seis sintetiza o pensamento multidimensional da educação sonora como um promissor tema transversal na formação de cidadãos auditivamente mais críticos.

É com esta preocupação de trazer elementos do mundo da vida para a sala de aula que nasceu a presente pesquisa. Resgatar elementos culturais, históricos, da criação musical tanto como elemento subjetivo, quanto da interação com os objetos sonoros naturais, redescobrir as experiências sonoras vividas por meio de novos aportes teóricos, traduzidos a partir de uma releitura coletiva das paisagens sonoras subjacentes, são perspectivas que caracterizam nossa preocupação com a busca de uma ação pedagógica que congregue ciência e arte, paisagem sonora e experiência sonora, razão científica e razão prática.

Desta perspectiva nasce pelo menos um problema que nos parece relevante: como promover uma ação pedagógica dialógica e mediatizada que forneça elementos por meio dos quais licenciandos em ciências e matemática possam pensar nas experiências sonoras como apreensões de eventos sonoros do continuum espaço-temporal, frutos da dinâmica característica da paisagem sonora, na qual elementos em ciência, tecnologia e cultura possam ser incorporados? Noutra forma de expressar, investigaremos, por meio da análise dos diálogos e das atividades que esperamos tomarem lugar no modo dialógico e problematizador freireano, mediatizados pelo mundo cultural dos participantes, as potencialidades de atividades interdisciplinares em ciência e cultura do som, nas quais as paisagens sonoras surgem como denunciadoras desse mundo cultural que precisa ser problematizado e reconstruído a partir de uma dimensão crítica, onde elementos característicos de autonomia, criticidade e conscientização em torno da educação sonora possam ser construídos pelos participantes.

Nesta pesquisa, levantaremos a tese de que, baseados no assumir que a dialogidade freireana é o caminho por meio do qual seres conscientes, ‘estando sendo’ problematizadores do mundo, reconstroem-no e a si mesmos, assumimos, a priori, que as paisagens sonoras constituem um caminho de transversalidade que, nesse modo dialógico problematizador do mundo tecnológico e cultural, pode revelar temas geradores por meio dos quais os licenciandos podem construir elementos reveladores das potencialidades da ciência e da matemática como construtoras de autonomia e criticidade em torno da educação sonora.

Para tentar levantar elementos para refletir sobre estas inquietações, desenvolvemos duas ações de pesquisa, sendo a primeira construída com licenciandos em Física da UNESP de Ilha Solteira/SP e a segunda com licenciandos em Matemática da UNEMAT, em Barra do Bugres/MT. Os desdobramentos destas ações estão descritos e analisados, respectivamente, nos capítulos três e quatro desta pesquisa.