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(ORDENADOS A PARTIR DA MENOR RELAÇÃO MW/KM2).

FONTE: DIVERSOS.

FONTE ENERGÉTICA /USINA CAPACIDADE

INSTALADA (MW) ÁREA UTILIZADA (KM2) RELAÇÃO CAPACIDADE/ ÁREA UTILIZADA (MW/ KM2)

Hidrelétrica – Balbina c Biomassa* (FC=48%) b Hidrelétrica – Tucuruí a PCHs* (FC=55%) b Eólicas* (FC=43%) 5 Hidrelétrica – Itaipu a Hidrelétrica – Jirau b Solar CSP (FC=25%) 6 Hidrelétrica – Belo Monte b

Nuclear* Hidrelétrica – Xingó a Termelétrica Carvão* (FC=85%) Solar PV* (FC=16,5%) b Termelétrica Óleo* (FC=71,9%) REFERÊNCIAS

A Mesquita & Milazzo, 2007;

B MME, 2010; C Wittmann, 2009; D Boyle, 2004; E Elaboração própria; 250 9.522 4.240 8.310 10.500 14.000 3.300 18.265 11.233 5.400 3.000 5.372 28.000 6.350 2.360 12.000 - 80.000 d 2.430 831-1.662 921 - 2.100 1.549 258 694 – 858 516 25 – 111 60 7,4 - 64,7 f,g 277 – 336 f 4,4 0,11 0,12-0,8 1,74 5 - 10 5 - 11,4 f 9,04 12,5 21,3 - 26,3 21,8 48,8 – 214,3 50 83 – 729 f,g 83,3 -101 f 1042 F Jacobson, 2008; G ABCM, 2009; H Diário Oficial, 2008; I Eletronuclear, 2010

os mais nocivos, e não se comparam às demais fontes renováveis e tampouco às usinas hidre- létricas a fio d’água, que não demandam gran- des áreas alagadas para operar. Isso se deve ao fato de que a construção de reservatórios causa significativos impactos na área inundada, provo- cando a perda da vegetação e fauna terrestre, interferências na migração dos peixes e even- tuais mudanças hidrológicas a jusante da repre- sa. Além disso, alguns reservatórios inundam terras com heranças históricas e culturais, como a dos indígenas no caso brasileiro.

As demais fontes renováveis também apre- sentam impactos na flora e fauna, mas com me- nor intensidade do que os impactos causados pelos grandes empreendimentos hidrelétricos. Mesmo que existam impactos na geração de energia eólica, de biomassa e solar, esses são considerados ambientalmente aceitáveis, con- forme elencado a seguir.

Entre os principais impactos causados pe- los parques eólicos podemos citar alteração da rota de migração de pássaros, além da poluição visual e sonora, pois o som do vento nas pás implica em um ruído constante. Além disso, de acordo com o estudo O Setor Elétrico Brasileiro

e a Sustentabilidade no Século 21, verificou-se

casos de implantação indevida de parques eóli- cos em áreas de proteção ambiental, dunas ou sítios arqueológicos. Desapropriações de faixas de terra são previstas também para a implan- tação de linhas de transmissão, conectando os parques a centrais elétricas e subestações.

A poluição do solo e a contaminação dos ma- nanciais são os principais impactos negativos da produção de biomassa. Em usinas de etanol, os processos de fermentação e destilação produzem efluentes como a vinhaça, organoclorados, cobre e outros contaminantes, que, por vezes são de- positados no solo, alterando sua acidez e, poste- riormente, alcançando lençóis freáticos e conta- minando rios e mananciais próximos à área das plantações. A queima dos canaviais altera diferen- tes parâmetros do solo como umidade, taxa de transpiração, porosidade e repelência à água, tor- nando-o mais impermeável e, consequentemen- te, sujeito a erosões (Ferreira, 2006). Essa queima, bem como a do bagaço para a geração de eletri-

cidade, produz cinzas em fatores superiores a 5 kg por tonelada de processamento de cana (Leme, 2005). Outras formas de cogeração com base na biomassa produzem resíduos sólidos (como cin- zas) em proporções diferentes, de acordo com o ciclo empregado; para o ciclo BIG-GT (Gaseifica- ção da Biomassa Integrada por Turbina a Gás, da sigla em inglês), a estimativa apresentada por fon- te é de 0,224 g/kWh (Mann; Spath, 1997).

A geração geotérmica, por conta de sua operação, tem impactos particulares ao solo, re- lacionados à indução de sismicidade (capacida- de de geração de tremores no solo) e alteração da massa de fluido geotérmico (HUNT, 2001).

Já as fontes solar fotovoltaica (PV) e solar concentrada (CSP) impactam o solo por meio da produção de efluentes químicos durante o processo produtivo de seus componentes e por descarte dos fluidos envolvidos na operação das usinas concentradoras de energia solar.

1.3.

ASPECTOS SOCIAIS

Empreendimentos energéticos podem in- fluenciar substancialmente o desenvolvimento socioeconômico no seu entorno. Os diversos impactos decorrentes da inserção de grandes empreendimentos são em sua maioria nocivos às populações locais, mas também devem ser anali- sados benefícios indiretos.

Os casos mais marcantes nesse sentido no Brasil estão relacionados aos grandes empreen- dimentos hidroelétricos. Esses empreendimentos demandam grandes modificações no local de im- plementação, não somente nos aspectos físico e ambiental, mas também na sociedade local. Os impactos negativos desse tipo de empreendimen- to são normalmente agravados quando o local ca- racteriza questões complexas, como difícil acesso, questões indígenas, disputas de terra, entre ou- tros; como é o caso das diversas hidrelétricas ins- taladas e em instalação na região Amazônica. No Brasil, cerca de 200 mil famílias foram desalojadas para a construção de aproximadamente 150 usi- nas hidrelétricas em um período que compreende os anos de 1950 e 2005 (Bermann, 2007).

Inicialmente, ocorre um enorme afluxo de pessoas à região do empreendimento, seja em função das oportunidades de emprego na

obra, seja na expectativa de oferecer serviços ou produtos diversos a esse contingente de tra- balhadores. Invariavelmente, o poder público e a infraestrutura local não estão preparados para absorver esse crescimento populacional repen- tino, e os serviços públicos muitas vezes não conseguem atender à demanda. O comércio local também não consegue atender ao cresci- mento repentino de demanda, o que leva a um aumento nos preços locais de bens e serviços e gera dificuldades econômicas especialmente para a população de baixa renda.

No caso da necessidade de construção de grandes reservatórios é comum ainda a remoção de populações ribeirinhas, indígenas, agricultores familiares, dentre outros, das áreas que serão ala- gadas. Nem sempre a remoção é bem-sucedida no sentido de preservar a identidade cultural des- sas populações. Caso semelhante pode ser encon- trado para a biomassa: muitas vezes, a área utiliza- da para o plantio e cultivo da biomassa é resultado do avanço sobre áreas então dominadas pela agri- cultura familiar, e pode comprometer a segurança alimentar na região, e descaracterizar a estrutura socioeconômica local, levando a um êxodo em di- reção à áreas urbanas. Monoculturas como a cana- -de-açúcar e a soja apresentam exemplos de im- pactos sobre a manutenção da agricultura familiar e mudanças no padrão de produção agrícola, con- forme apontado em trabalho de campo realizado em regiões do Triângulo Mineiro e Zona da Mata, em Minas Gerais; Oeste Paulista, em São Paulo; Sul e Leste do Mato Grosso do Sul; e Noroeste do Rio Grande do Sul (Assis; Zucarelli, et al, 2007). Ativi- dades secundárias como a construção de linhas de transmissão de energia ou a extração e a produção de recursos energéticos também podem provocar deslocamentos de populações.

Os impactos positivos da implementação de empreendimentos energéticos podem ser ilus- trados no caso de sistemas descentralizados de geração de energia. Para esse tipo de geração, a necessidade de realocação de populações e os impactos decorrentes do processo são, normal- mente, menores. Na microgeração fotovoltaica, por exemplo, o uso de telhados de edificações reduz significativamente os impactos sociais, par- ticularmente no que se refere a deslocamento de

populações, especulação imobiliária e indeniza- ções por desapropriações de terras. A microge- ração pode ainda proporcionar ganho de renda pela comercialização da energia excedente ou mesmo pelos descontos na tarifa de energia. A geração eólica, por sua vez, registra exemplos de compartilhamento de terras com outras finalida- des como pastagens e agricultura, a exemplo do parque eólico de Osório, no Rio Grande do Sul.

A contribuição de recursos energéticos ao de- senvolvimento econômico pode ser medida por diferentes indicadores, além da variação do PIB, tais como a receita obtida por recolhimento de impostos e taxas específicos sobre as atividades do setor e a redução de importação na balança comercial, entre outros. Na Espanha, por exem- plo, a indústria eólica contribuiu com 3,27 bilhões de euros, ou 0,2% do PIB do país, no ano de 2008. O aquecimento econômico traduz-se no aumento de atividades industriais e comerciais, estimulan- do a demanda energética local e, por consequên- cia, contribuindo para o efeito econômico circular. O reflexo desses fatores sobre a socieda- de é a criação de empregos diretos e indiretos por consequência da implantação de atividades energéticas (analisada em outro atributo) e da conversão desses empregos em maior renda para a região. A geração de empregos, entre- tanto, um impacto positivo de empreendimen- tos energéticos, muitas vezes não se consolida como benefício para o desenvolvimento local já que a maior parte desses empregos é temporá- ria e preenchida por imigrantes. Mesmo a ren- da da exploração dos recursos energéticos nem sempre se reverte para o desenvolvimento local, como é o caso da distribuição de royalties e par- ticipações especiais associadas à produção de petróleo e gás natural no Brasil.

Cada recurso energético apresenta um po- tencial de geração de empregos diferente, com características distintas de acordo com sua ca- deia energética, que é normalmente dividida nas seguintes fases: estudos e projetos, produção e processamento de combustíveis (se aplicável), construção da planta de geração de energia – in- cluindo a fabricação e instalação de equipamen- tos – operação e manutenção da usina e desco- missionamento (se aplicável).

TABELA 3: FATORES DE EMPREGOS PARA FONTES ENERGÉTICAS (EM EMPREGOS POR MW).

FONTE: REFERÊNCIAS