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Osmanlı Devletinin Bölgedeki Durumu ve İngilizlerin Burada Etkin Olma

5. İdari Taksimatı

3.1. Hindistan Yolunun Tahkimi

3.1.2. Osmanlı Devletinin Bölgedeki Durumu ve İngilizlerin Burada Etkin Olma

A opulência de Pelotas, no século XIX, atraiu visitantes estrangeiros como, por exemplo, o naturalista francês Augusto Saint-Hilaire que, em visita à localidade, em 1820, hospedou-se na sede da charqueada de Antônio José Gonçalves Chaves e surpreendeu-se pelo fato de o anfitrião falar corretamente a língua francesa e possuir excelente biblioteca. O português Antônio José Gonçalves Chaves era conhecido como um homem culto. O naturalista, na sua obra, Viagem ao Rio Grande do Sul, de 1820, reconhece Gonçalves Chaves como “um dos homens mais competentes da região. Um homem culto, sabendo o latim, o francês, com leituras de história natural, conversando muito bem.”81. Gonçalves Chaves também foi escritor e

publicou, em 1822, no Rio de Janeiro, a obra Memórias Ecônomo-Políticas sobre a Administração Pública do Brasil, considerada por Guilhermino Cesar uma das primeiras obras genuinamente regionais do Rio Grande do Sul82.

Outro nome que obteve destaque na sociedade pelotense do século XIX foi o de Antônio Joaquim Dias que fundou em Pelotas, no ano de 1869, o Jornal do Comércio. Algum tempo depois, vendeu-o para Arthur Lara Ulrich, comprometendo-se em não fundar outro jornal ou oficina tipográfica naquela cidade. Em 1875, Dias rompeu a promessa e fundou o Correio Mercantil, um jornal republicano e abolicionista, com posições moderadas e conservadoras.

80 EVEN-ZOHAR, Itamar. La literatura como bienes y como herramientas. In: VILLANUEVA, Darío, MONEGAL, Antonio, BOU, Enric. Sin Fronteras. Ensayos de literatura comparada en homenaje a Claudio Guillén. Madrid: Castalia, 1999. p. 28.

81 MAGALHÃES, Mario Osório. Opulência e cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul – um estudo sobre a história de Pelotas (1860-1890).Pelotas: UFPel, Livraria Mundial, 1993. p. 129.

Antônio Joaquim Dias ocupou o cargo de vice-presidente da entidade. Em 1879, envolveu-se em um conflito na Biblioteca, porque, pretendendo eleger-se presidente do estabelecimento, propôs, em uma reunião anterior à eleição, o nome de quarenta e cinco novos sócios, o que garantiria a ele o cargo desejado. No entanto, um grupo da diretoria, denominado “grupo dos oito”, impediu a filiação desses novos sócios e apresentou uma chapa para concorrer à eleição, derrotando Dias. O dono do jornal Correio Mercantil ficou pelo menos dois anos afastado das atividades da Biblioteca e quase excluiu de seu jornal notícias sobre a instituição83.

Eliane Peres843 diz que esses episódios mostram as divergências

entre os homens da elite pelotense, na qual a heterogeneidade da sua composição e de seus interesses está expressa nos desacordos dos quais a Biblioteca foi palco. Para essa estudiosa, a idéia de que os interesses e o progresso da cidade estavam sempre acima dos interesses pessoais e das lutas políticas nem sempre condiziam com a realidade, pois muitos estavam atrás de projeção pessoal, prestígio e satisfação de seus interesses políticos.

De acordo com o texto escrito por Ana Paula Calderan:

além de se envolver na imprensa local e na instrução pública, Antônio Joaquim Dias tomou a iniciativa de construir em Pelotas um edifício destinado a amparar a mendicidade, solicitando, através do jornal Correio Mercantil, que a população da cidade fizesse doações para a construção dessa obra. Foi, portanto, fundador e presidente do Asilo de Mendigos, gesto visto como de grande caridade em prol dos desfavorecidos. Como diz o próprio jornal em relação a Dias, em 11 de março de 1892: “Com a Biblioteca enriqueceu a infância e com o asilo agasalhou a indigência”. Na verdade, o asilo realmente concedeu abrigo a pessoas que esmolavam nas ruas, mas rendeu também projeção aos seus fundadores.

83 Essas informações constam no Cd elaborado pelo grupo de pesquisadores do projeto Literatura, Jornal e Cultura: autores pelotenses (1850 – 1889), e disponibilizado pelo pesquisador Rildo Cosson à professora Maria Eunice Moreira, do PPGL/PUCRS.

84 PERES, Eliane Teresinha. Algumas considerações sobre a gênese dos cursos noturnos de instrução primária no Brasil. Espaços da Escola, Ijuí, v. 4, n. 18, p. 5-17, 1995.

Dias também era membro do Clube Abolicionista e sócio protetor da Sociedade Musical União. Destacou-se pelo pioneirismo na telefonia de Pelotas, criando um posto telefônico e colaborando, ainda, para uma série de outras melhorias na cidade, entre elas a desobstrução da Barra do São Gonçalo e a construção de estrada de ferro de Pelotas para Bagé85.

Outro cidadão pelotense que colaborou para o crescimento intelectual do município foi Francisco de Paula Pires que, por dezesseis anos, ocupou o cargo de secretário da Biblioteca Pública Pelotense. Paula Pires atuou como professor do Colégio Honra e Trabalho, foi redator de dois jornais literários e colaborou no Tribuna Literária e no Arauto das Letras. Em seus artigos, combatia a escola romântica em favor do Realismo. Tornou-se muito conceituado por ser um intelectual de intensa atividade como escritor, autor de novelas, contos, poesias e crônicas. Obteve grande influência pelo papel que exerceu na história da literatura de Pelotas, sobretudo durante a década de 1880, incentivando o gosto pela leitura e divulgando poetas e prosadores de expressão regional como os amigos Lobo da Costa e Paulo Marques.

O ficcionista e poeta Paulo Marques de Oliveira Filho destacou-se na literatura local, pois condenou veementemente a corrente metafísica, batalhando em defesa do Realismo positivista, divulgado anteriormente por Carlos von Koseritz. Os tempos do final do século XIX anunciavam a chegada da tendência realista na literatura defendida por Koseritz que se tornou, portanto, a figura mais discutida do grupo pelotense.

No final do século XIX, as idéias de Augusto Comte foram amplamente difundidas, sobretudo na Província do Rio Grande do Sul, entre os militares e a escola realista, além dos muitos intelectuais que se identificavam com a doutrina positivista. Paulo Marques publicou um artigo no jornal Tribuna Literária, de 1882, sob o título “Como se interpreta o

85 Ana Paula Calderan. Antonio Joaquim Dias: dados biográficos e trajetória de um imigrante e jornalista no extremo sul do Brasil no séc. XIX. 2005. 25 f. Monografia. Campus Universitário Bezerra de Menezes Faculdades Integradas Espírita, (2005).

positivismo”, no qual defende o Realismo e combate o Romantismo – que, segundo ele, corrompia e excitava as consciências mais puras. Nesse mesmo ano, em crítica literária publicada no Arauto das Letras, louvando o amigo Paula Pires, Paulo Marques declarou-se seguidor das idéias de Comte. Dentre os seus trabalhos, provocou escândalo literário o romance Vênus ou o Dinheiro, publicado em folhetim pelo jornal Onze de Junho, entre setembro e novembro de 1881. A polêmica decorreu em função de se tratar do romance mais atrevido de todos os publicados no século XIX, em terras do Rio Grande. O enredo do romance era típico do Realismo, com a preocupação de identificar no adultério feminino os erros de uma sociedade decadente, vítima da neurose romântica. Esse tema se encontra, na época, nas produções literárias de Zola, Flaubert, Eça de Queirós e Machado de Assis. Isso demonstra que os escritores pelotenses liam e seguiam os mais renomados mestres da literatura. Apesar de Pelotas ter iniciado as suas atividades culturais um pouco mais tarde, em relação a Porto Alegre e Rio Grande, conseguiu recuperar e acompanhar o desenvolvimento literário da Província.

Na penúltima década do século XIX, a literatura ativa da cidade de Pelotas contou com a publicação paralela de escritores como Lobo da Costa e Paulo Marques - um, expoente do Romantismo; o outro, precursor do Realismo no Rio Grande do Sul. Ambos os estilos literários provocaram, cada um a seu modo, uma agitação incomum nos meios culturais da cidade, além de mostrar o momento de transformação pelo qual a mentalidade da sociedade pelotense estava passando. O final do século XIX registra a metamorfose86 cultural, social e mental expressa por meio da literatura de

imprensa e deixa claro a grande importância que a atividade jornalística, vinculada à literatura, teve para a organização de tal sociedade.

86 O período de transformação literária vivido pela cidade de Pelotas foi intenso e rápido, pois quando João Simões Lopes Neto despontou, no segundo decênio do século XX, a cidade, seguindo o momento literário pelo qual passava o Rio Grande do Sul, já não apresentava mais a mesma desenvoltura intelectual representativa de uma época em que a cultura atingiu o seu apogeu em manifestações literárias.

Alberto Coelho da Cunha, sob o pseudônimo de Vítor Valpírio, autor reconhecido que atuou como colaborador nas revistas Arcádia e Partenon Literário, foi considerado, ainda no século XIX, um precursor no regionalismo literário pelotense ao retratar com fidelidade o ambiente das charqueadas - posto que conhecia bem tanto o trabalho saladeiril quanto o sofrimento dos negros: era filho do Barão de Correntes, um renomado charqueador. Este contou com a amizade do cunhado Guilherme Echenique, dono da Livraria Universal, para divulgar o seu trabalho.

Para recompor o patrimônio literário do município de Pelotas, deve- se levar em conta, ainda, o trabalho dos escritores estrangeiros que vieram para a região Sul, como Antônio José Domingues, português, e Carlos von Koseritz, alemão. Ambos foram os dois primeiros estrangeiros a publicar em Pelotas, durante a década de 1850. De acordo com Mario Osório, Antônio José Domingues veio para o Brasil aos dezesseis anos de idade. Conhecia idiomas e era apaixonado pelo latim, dedicando-se ao magistério e à poesia87, influenciou poetas rio-grandenses, tais como Delfina Benigna da

Cunha e Ana Eurídice Eufrosina de Barandas, colaborou na imprensa pelotense com poesias esparsas e de discursos laudatórios, que fez imprimir na tipografia Imparcial, compôs o poema “O suicida salvo pelo amor e pela amizade”, editado em 1858 no Rio de Janeiro.

Carlos von Koseritz nasceu na Alemanha e veio para o Brasil auxiliar nas armas contra Rosas. Em Pelotas, desertou da legião alemã em 1851, aí permanecendo até 1864, onde criou um colégio e tornou-se professor, escriturário e jornalista. Na cidade, casou-se e publicou seus primeiros livros, incursionando pelo gênero didático, pelo romance, pelo teatro e pelas traduções. Koseritz destacou-se mais no âmbito da produção literária jornalística, em que divulgou seu pensamento renovador em obras de menor vulto, ou em trabalhos de simples divulgação, ao alcance do público leitor a que se destinava. Entre os anos de 1858 e 1860, escreveu mais de dez livros e foi o responsável pelo prefácio do livro Poesias alemãs,

de Bernardo Taveira Júnior, e pela introdução das Poesias, livro póstumo de Clarinda da Costa Siqueira.

Antônio José Gonçalves Chaves, Antonio Joaquim Dias, Francisco de Paula Pires, Paulo Marques de Oliveira Filho, Alberto Coelho da Cunha, Guilherme Echenique, Carlos von Koseritz são exemplos de intelectuais que merecem destaque pela sua atuação no cenário formador da sociedade pelotense, no século XIX. Todos agiram ativamente em prol do progresso da cidade, quer fundando instituições de auxílio social e intelectual quer melhorando, difundindo e registrando idéias. Esses homens atuaram como produtores de conhecimento e de aspiração intelectual, não apenas no âmbito da imprensa e da literatura, mas participaram de um conjunto de atividades organizadas de diferentes formas a fim de moldar a comunidade com base em um repertório preestabelecido por outras sociedades. A inter- relação de sistemas, sejam eles literários ou não, é explicitada pela origem dos intelectuais que se envolveram na construção de Pelotas, visto que entre eles havia pessoas de outros países, como Portugal, Alemanha, França, Itália, Espanha, e de outras cidades do Brasil, como Rio de Janeiro e Porto Alegre, que certamente levaram consigo os modelos, hábitos, costumes e culturas de suas regiões e os aplicaram na construção dessa nova sociedade. Suas produções literárias veiculavam na imprensa local e em alguma compilação de textos publicada pelas próprias tipografias dos jornais que agiam como instituição controladora das idéias difundidas, antes do surgimento das editoras na região.