3. TOPLUMSAL CĠNSĠYET KAVRAMI VE TÜRKĠYE‟DE KADININ SOSYO
3.2. Türkiye‟de Kadının Toplumsal Yeri
3.2.1. Osmanlı Devleti‟nde Kadının Toplumsal Yeri
Sempre que se vai a uma sala de aula, onde o trabalho escolar está centrado na metodologia do DELES percebe-se que há um ambiente de grande proximidade entre a professora e os alunos. Isto ocorre porque este método, pela dinâmica que lhe é própria, gera uma constante interação entre professor e alunos. Narrativas de histórias e o posterior trabalho com base no desenho para transformar a história narrada em algum tipo de representação espacial sobre o papel ou em superfícies planas para tornar possível alguma visualização sobre o relato é uma das práticas próprias desta metodologia. A forma de trabalhar faz com que os alunos, com muita naturalidade façam suas atividades e continuamente sintam a necessidade de chamar a professora para apresentar-lhe o produto de suas criações ou, no mínimo, sentem a necessidade de mostrar o que produziram aos colegas. Tudo isto é fonte de relacionamento em sala de aula.
Vale dizer que o DELES tem muito a ver com os princípios em que se baseiam as técnicas do pedagogo Célestin Freinet , como ressalta Muñoz:
As técnicas devem desenvolver a capacidade criadora e a atividade das crianças que, por meio delas, opinam, discutem, manipulam, trabalham, investigam, criticam a realidade a partir de uma transformação social. Elas devem prestar-se a se adaptarem às circunstâncias e aos tempos. Isso o tem levado a buscar material adequado para reproduzir mediante a escrita e o texto livre a expressão do passeio, das vivências cotidianas da criança e assim despertá-la para o interesse da leitura e da escrita (MUÑOZ, 2001, pp. 258- 259).
Pelas técnicas do DELES a criança tem oportunidade de desenvolver sua capacidade de criar, opinar, discutir, manipular, trabalhar e criticar a realidade em que está inserida. Elas despertam o interesse da criança pela leitura e escrita como forma de expressão de suas vivências cotidianas.
O DELES preserva a afirmação de Emmanuel Levinas, quando explica que a função da educação é a de guardar e cuidar do que há de humano em cada um “[...] esta tensão entre a ação e a reflexão educativa passa pelo reconhecimento e pelo acolhimento da alteridade” (LEVINAS 1993, p.125). Pode-se afirmar que o DELES é um instrumento facilitador da veiculação da tensão da ação educativa. Dá recursos e estímulos para aprender a ler e a escrever em clima de acolhida. O aluno sempre se sente bem por poder expressar-se num clima de espontaneidade e liberdade, criativamente. Parte do conhecimento da criança, acolhendo-o.
Pela metodologia do DELES, quando bem conduzida, facilmente cria-se a possibilidade de o aluno fazer mais acertos do que erros nas tarefas que lhe são solicitadas. Este fator é um grande ocasionador de relacionamentos positivos entre professor e aluno, visto que as possibilidades de acertos aparecem em número muito maior dos que as de erro. Tal aspecto, além da gratificar o aluno pelo acerto, dá ocasião ao professor a oportunidade de mostrar sua aprovação ao feito, gerando um grande reforço à auto-estima da criança e, melhorando o relacionamento entre ambos.
Além do referido acima, cabe destacar que os grandes curiosos por saber tudo que o filho faz no colégio são os pais. Da parte dos filhos esta curiosidade dos pais é bem-vinda porque estes, felizes sentem que têm algo de interessante para lhes apresentar. Dado ainda que as crianças vão para casa com a segurança que a professora lhes passou, pois tudo que elas têm para apresentar aos pais já passou pela aprovação dela em sala de aula. Naturalmente que os pais nem sempre entendendo suficientemente a sistemática e o funcionamento desta metodologia fazem muitas perguntas e testam o saber das crianças. Entretanto, elas em face de se sentirem seguras em suas conquistas e saberes, pela acolhida que tiveram na escola, não hesitam e não se atrapalham em suas respostas.
Convém fazer notar, porém, que esta realidade do quotidiano da vida escolar e família não é algo que se resolve de maneira tão simples e pacífica, visto que os pais têm outros paradigmas mentais relativamente às metodologias de alfabetizar. Porém, a criança tendo a seu favor o argumento da autoridade da professora, os pais, depois de muito diálogo, acabam cedendo e, ao
menos provisoriamente dão seu voto de confiança à escola. Ilustram ao menos em parte esta realidade alguns extratos de entrevistas feitas com três diferentes mães.
Uma das mães numa das entrevistas dizia:
Este, pelo que eu vejo, é um método bastante simples e por ele as crianças conseguem captar facilmente as idéias. Rápido elas sabem formar as palavrinhas para escrever algo que elas formulam e pensam. Os desenhos e as gravuras ajudam muito ao aluno orientar- se naquilo que está lendo. Não conhecia. Não estava entendendo para que tanto desenhar. No começo fiquei me perguntando: cadê as letras? Depois, sim eu passei a entender a função daqueles desenhos. Metodologia muito interessante e muito estimulante para abrir a inteligência das crianças. Ajuda a criança a pensar e a imaginar. Em casa, quando brinca de escola, utiliza o mesmo método. É uma verdadeira continuação daquilo que aprendeu a fazer na escola.
Fica claro, portanto que a mãe que deu este depoimento não precisou ir à escola para pedir explicações. Através da mediação do filho, dialogando e discutindo com ele, ela conseguiu entender a dinâmica da metodologia.
A segunda dessas mães assim falou:
No início não aceitei muito bem este método porque achei que as crianças não iam acompanhar. No começo, por exemplo, mandavam a criança desenhar. Achei que depois mandassem substituir o desenho pela palavra e as crianças não iriam entender nada. O que aconteceu: com o tempo, foram aparecendo curtas frases escritas com desenhos e pequenas palavras. Em dado momento, cada desenho ia sendo substituído pela escrita da palavra correspondente. Minha filha conseguiu acompanhar este processo e foi avançando lentamente, mas aprendendo dia-a-dia mais. O método trabalha com idéias apresentadas sob forma de frases, coisa que os outros métodos não fazem. É bem diferente da forma que eu conhecia de ensinar a ler a partir de letras. B+a, depois ensinar ba, be bi, bo, bu. No começo eu comecei a ensiná-la assim. Mas vi que a criança se perdia completamente por não saber para que serve isto tudo de ba, be, bi, bo. Ficava como se fosse uma formiguinha sem antenas para orientar-se. Não insisti mais. Agora vejo que ela sempre quer se orientar lendo a frase toda e não apenas palavras isoladas. Para ler, sempre se orienta pelo sentido da frase e não sabe fazer de outra forma.
Percebe-se também neste caso que a criança (com certeza por um duro embate de discussões e diálogos) terminou convencendo a mãe do caminho a seguir e chegou. É de se imaginar quanto diálogo ambas fizeram para se entender. Enfim, a mãe teve que acatar o modo da filha de perceber o conhecimento.
Um terceiro caso de trabalho que a criança teve para convencer seus pais de que ela sabia o que estava fazendo em tudo que realizava em seu trabalho de alfabetização. A mãe relata:
Minha filha, B. aprendeu brincando porque ela chegava em casa com a frase em forma de desenho e como ela sabia qual era a idéia pelo desenho, ela ia lendo. Com isto achava que estava lendo. Foi trabalhando com a escrita e substituindo os desenhos pelas letras. Percebi que B. se sentia bem. Sentia-se segura. Sinceramente não acreditava que ia dar certo, porém, rápido fui me dando conta que a metodologia funcionava. No começo ela chegava em casa com frases organizadas através de desenhos e ela lia. Meu marido dizia: ‘Bem ela pensa que está lendo, lê olhando os desenhos...’. E eu respondia: ‘Vamos deixar por enquanto para ver o que vai dar’. Com o tempo B. foi trabalhando também com a escrita e, aos poucos escrevendo palavrinhas, depois substituindo os desenhos pela palavra escrita correspondente. B. foi descobrindo como se escreve as palavras e ler as frases. Fez seis anos no dia 29 de setembro último (2006) e ela está lendo tudo. Já lê livros de historinhas por sua conta, sem a ajuda de ninguém.
Julga-se que o fato falou por si sobre os diálogos provocados por este jeito de aprender ler e do jeito como o conhecimento da criança foi respeitado e acolhido.
Recentemente, conversando com uma professora que recebeu uma turma de crianças de segunda série do Fundamental de escola pública, introduzida na leitura por outros métodos. Disse que as crianças têm uma razoável capacidade de decodificar, mas não de ler. Tendo visto o desempenho e a qualidade leitora das crianças de escola em que as crianças foram iniciadas à leitura pelo método DELES afirma ter percebido claramente a diferença com a leitura daquelas crianças, embora elas estejam apenas na primeira série do Ensino Fundamental e com a idade de 5 a 6 anos. Pergunta-se então, que conhecimento de causa e que participação dialógica as crianças devem ter relativamente aos por ques de tudo que escrevem e realizam para aprender a ler? Quando é que uma metodologia realmente respeita e parte do conhecimento da criança para alfabetizar? A criança realmente alfabetizada como diz Ferreiro (2003, p.73):
sabe o que diz e é capaz de inter-reagir com a escrita no restrito campo de seu
estágio de aprendizagem; pode perguntar e ser entendido; pode perguntar e obter resposta; participa em atos sociais de utilização funcional da escrita; pode antecipar o conteúdo de um texto escrito, utilizando inteligentemente os
dados contextuais e – na medida em que vai sendo possível – os dados textuais.
Conforme os depoimentos colhidos entre os pais acima, percebe-se que as crianças iniciadas à leitura pelos DELES têm condições de corresponder às metas de qualidade leitora estabelecidas por Ferreiro (2003), evidenciando o tipo de relacionamento havido em sala de aula. A verdade é que o DELES dá condições para a criança movimentar em torno de si todos os participantes de seu processo de alfabetização: colegas, professor e familiares e vizinhos, sentindo-se respeitada em seus conhecimentos adquiridos anteriormente.