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Çok Partili Dönem‟ de Türkiye ÇalıĢma ĠliĢkileri

1. DÜNYADA VE TÜRKĠYE‟ DE SENDĠKAL ÖRGÜTLENME

1.4. Türkiye Cumhuriyeti‟nde ÇalıĢma ĠliĢkileri ve Sendikal Örgütlenme

1.4.2. Çok Partili Dönem‟ de Türkiye ÇalıĢma ĠliĢkileri

Nas escutas das mães, professoras e coordenadoras pedagógicas, nas diversas entrevistas ou em observações dos trabalhos escolares pode-se verificar que a metodologia do DELES faz com que as crianças vivam em seu mundo sedento de fantasias. Efetivamente, a este respeito, as mães explicam que as crianças todos os dias ao chegarem em casa insistem em mostrar-lhes o produto de suas mãos, narrar-lhes as histórias ouvidas ou criadas em sala de aula, ler e interpretar

para os pais suas montagens em escrita e desenhos realizadas na escola e, em casa, atarefando-se em dar continuidade às suas produções para, de volta à escola, mostrá-las à professora, estabelecendo um círculo de ações contínuo, próprio para alimentar seu mundo de fantasias.

Tal forma de ser das crianças retrata bem o que Paul Ricoeur (apud BÁRCENA, 2000) fala, quando explica que as crianças são tão sedentas de histórias e necessitam tanto delas para viver, quanto da alimentação. Diz que elas interagem com os animais e os objetos que as cercam percebendo-os em seu inconsciente como se fossem os prolongamentos de seus corpos, de suas pessoas ou da suas famílias; que necessitam escutar o som das vozes e os múltiplos sons que as cercam e, melhor ainda, se descobrem formas de transformar tudo isto, de alguma maneira ao concreto para seus olhos e sobre o papel. Vibram com as cores.

Há mães que perceberam que nos casos em que se trata de palavras abstratas, mas necessárias para dar sentido nas frases (verbos, adjetivos, advérbios) deixam as crianças curiosas sobre a forma de transformá-las em escrita. É ali que as mães, sem serem professoras, eram muitas vezes solicitadas pelos filhos e elas de um jeito ou de outro sentiam-se na obrigação de suprir o papel de socorristas. Pedagogicamente bem ou mal elas o faziam. O que importa registrar é que as mães entravam em ação para suprir a solicitações transformadas em necessidade de primeira ordem pelas crianças em seus momentos de tensão na busca do saber.

Conforme diversas mães o atestaram, justamente pelo fato da metodologia DELES estar envolvendo a criança ao mundo que lhe está próximo, o mesmo facilita muito a alfabetização. E um dos meios mais adequados que apresenta para tornar mundo da criança próximo da escrita é o recurso ao desenho. Combinando o gosto pelo desenho com vontade fantasiosa de montar idéias criadas por si, a criança, no dizer das mães não sossega, tornando-se por vezes quase insaciável em seu incansável jogo de fazer criações novas, desenhando e escrevendo. Com isto, a partir das motivações e solicitações que os filhos lhes fazem, enquanto trabalham e escrevem, umas mães disseram que foram entendendo a dinâmica da metodologia. Portanto, mostrando em situação de fato, que os professores das mães com relação ao real funcionamento da metodologia são os próprios filhos. E, no caso de mães que não sabiam ler, aprendem com eles o funcionamento da escrita, além de entenderem o funcionamento da metodologia.

Além disto, o DELES por ser uma metodologia que parte do mundo da criança ajuda-a a libertá-la das angústias, transformando-se numa autêntica terapia. O constante contato com imagens, próprio do método, evita de arrancar a criança de seu mundo e hábitat natural. Diversas

mães e as professoras sublinharam este aspecto. Inclusive uma das mães entrevistadas explicou que sua filha “entrega-se à leitura como um divertimento. Lê porque está gostando e o faz por própria iniciativa. Ela com mal seis anos feitos já faz leituras por passatempo”. Isto claramente explica que a metodologia segue abrindo o mundo da imaginação e da fantasia das crianças.

O DELES realimenta de tal modo a imaginação e a fantasia das crianças que, quando lêem se sentem bem familiarizadas com as idéias daquele mundo em que estão mergulhadas a ponto de, ao fazerem suas leituras em voz alta, ao natural, fazem suas autocorreções. Escutando relatos, narrativas, história de ficção ou reais vai-se aprendendo, progressivamente o que vem a ser a condição humana da criança. E, na realidade o DELES afina com o pensamento de Alasdair MacIntyre quando declara:

Prive-se as crianças das narrativas e elas ficarão desorientadas, tartamudas e angustiadas em suas ações e em suas palavras [...] A necessidade de relatos para uma criança é tão fundamental quanto a sua necessidade de comida e se manifesta do mesmo modo que a fome” (MACINTYRE,1987, p. 266).

As narrativas e os relatos são uma constante no decorrer do trabalho da alfabetização pelo

DELES. Sem serem justaposições no trabalho escolar para fins de recreação, elas constituem-se

num todo orgânico, fazendo parte da definição da metodologia.

E o fruto desta realidade é muito valioso: saber ler entendendo. A este respeito outra mãe disse:

Quando minha filha lê, o faz entendendo aquilo que está lendo. E quando por acaso percebe que não leu certo ela diz: ´Espera, eu acho que eu li errado´. E ela mesma se corrige. E faz isto sem nenhum medo e o faz com tanta segurança que a gente fica muito admirada. É assim que, também percebo a diferença da forma de ela ler e aprender comparando-o com outras metodologias. Nunca vi L. mostrar qualquer tipo de medo diante da aprendizagem da leitura. Sente-se feliz com aquilo que está aprendendo. Nem se passou o ano e está tão adiantada e sem comparação com crianças de outras escolas.

Segundo depoimento verbal de duas professoras de alfabetização que foram observar uma aula de leitura das crianças do jardim 3 pelo mês de novembro constataram que estas crianças, diferentemente das crianças que elas alfabetizam, enquanto não têm certeza do que se trata e não sabem o significado daquilo que está escrito, não lêem em voz alta a frase. Ficam em silêncio enquanto, perquirindo mentalmente, vão buscando qual é o sentido da sentença antes de proferi-la em voz alta e lendo-a somente depois de saberem do que se trata.

A este respeito permanece mais uma vez patente o que Margarida Musset Adel (2001) refere a respeito da globalização vista segundo a proposta de Decroly, quando afirma que a teoria deste pedagogo nunca foi desmentida por outros psicólogos posteriores a ele. Diz ela ainda que é graças a ele que ainda hoje, em sala de aula, com as crianças se busca desenvolver conteúdos muito próximos da realidade infantil, repletos de significado para a criança sem haver preocupações ou grandes cuidados a ter com conteúdos programáticos e divisões de disciplinas de ensino.

No dizer das professoras e coordenadoras pedagógicas a dinâmica da metodologia do

DELES permite trabalhar com bonecos (personagens) e com um número sem fim de objetos e

animais transformados em fantoches que permitem permanentemente passar o tempo da alfabetização em meio do mundo infantil. Dizem que as próprias crianças, com freqüência colaboram trazendo materiais deste gênero para se trabalhar em sala de aula. Os personagens (bonecos) que centralizam o enredo das histórias da alfabetização muitas vezes são disputados entre as crianças para serem levados consigo para casa a fim de, carinhosamente tomar cuidado deles. As professoras resolvem o impasse estabelecendo o rodízio dos mesmos entre as crianças.

Sempre que se visita a sala de aula, no momento da lição de leitura, percebe-se um ambiente de muita vibração da parte das crianças com as histórias que lhes são contadas. Nota-se que as professoras se transformam em verdadeiras contadoras de histórias, pois isto elas, de acordo com a metodologia, necessitam fazê-lo todos os dias. E, diga-se de passagem, esta realidade as torna muito felizes, atitude que faz um grande bem às crianças e para elas. As coordenadoras pedagógicas são testemunhas disto.