B. BELLİ BAŞLI HRİSTİYAN MEZHEPLERİ
3. Ortodoksluk
Segundo esta concepção, o crime de lavagem de dinheiro possui natureza pluriofensiva. Dessa forma, tanto a administração da justiça quanto a ordem socioeconômica seriam lesadas pela conduta de lavar capitais.
Segundo MARTINS, “a administração da justiça é prejudicada na apuração dos crimes antecedentes”182 e a ordem socioeconômica “é abalada pelo enorme valor de dinheiro sujo
movimentado clandestinamente”.183 A interpretação de MENDRONI é que a
administração da justiça é o bem tutelado, pois visa suplementar a eficiência e potencializar a aplicação da lei penal. De outro lado, destaca que a grande quantidade de capital lavado circulante acarreta vários tipos de prejuízo à ordem socioeconômica.184
Dessa forma, conclui que “ambas situam-se na órbita do bem jurídico tutelado pela lei, tanto a tutela da administração da justiça como também a tutela da ordem socioeconômica”.185
Ao analisar a questão da pluriofensividade do delito de lavagem de dinheiro, BLANCO CORDERO opta por diferenciar o bem tutelado de acordo com a conduta praticada. O autor distingue, de um lado, a prática de atos indeterminados “tendentes a la ocultación, encubrimiento o auxilio y, por otro, la adquisición, conversión, posesión, utilización y transmisión de bienes con conocimiento de que derivan de un delito, sin importar la finalidad que guía al blanqueador”.186
182 MARTINS, Patrick Salgado. Lavagem de dinheiro transnacional e obrigatoriedade da ação penal. Belo
Horizonte: Arraes editores, 2011.p. 71.
183 MARTINS, Patrick Salgado. Lavagem de dinheiro transnacional e obrigatoriedade da ação penal. Belo
Horizonte: Arraes editores, 2011.p. 71.
184 MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de lavagem de dinheiro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 75-
76.
185 MENDRONI, Marcelo Batlouni. Crime de lavagem de dinheiro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 76. 186 Tendentes a ocultação, encobrimento ou auxilio e, de outro lado, a aquisição, conversão, posse,
utilização ou transmissão de bens com conhecimento de que são originados de um delito, independentemente da finalidade que orienta o agente que lava capitais. (Tradução livre). BLANCO CORDERO, Isidoro. El delito de blanqueo de capitales. 3. ed. Pamplona: Thomson Reuters Aranzadi, 2012. p. 210.
88 Em relação às condutas de ocultação e encobrimento, destaca o autor que elas
[...] menoscaban el bien jurídico Administración de Justicia. La ocultación del origen puede dirigirse a evitar el descubrimiento del delito previo, del delincuente o a introducir los bienes em la economia sin rastro de su procedencia. Sin embargo, si se pone en conexión con la conducta siguiente regulada en el mismo número (realizada con el objetivo de ayudar a los responsables del delito previo, a eludir las consecuencias jurídicas de sus acciones), llegamos a la conclusión de que se pretende evitar el descubrimiento del delito y del delincuente. Se obstaculiza el normal funcionamiento de la Administración de Justicia en el ejercicio del poder jurisdiccional, al impedir el acceso a los bienes delictivos, ya sea como medio de prueba o para su comiso. En definitiva, tales actuaciones prosiguen la lesión del bien jurídico previamente menoscabado por el delito previo, y, a su vez, atacan la Administración de Justicia.
El segundo grupo de conductas, esto es, la adquisición, posesión, utilización, conversión o transmisión de bienes, sabendo que éstos tienen su origen en una actividad delictiva, no es, a nuestro juicio, un delito contra la Administración de Justicia. Con ellas no se está evitando que la administración de justicia descubra unos hechos delictivos que han generado beneficios. En realidade, se está tutelando el orden socioeconómico (...).187
BADARÓ e BOTTINI ressaltam que, apesar de a maioria dos casos realmente proporcionar uma pluralidade de bens jurídicos lesionados, não se justifica a adoção da tese, com base no seguinte argumento:
A proposta da pluriofensividade retira força dogmática da determinação do bem jurídico especificamente tutelado, importante para extrair consequências hermenêuticas e limitar a atuação do intérprete. A abdicação da indicação do bem jurídico, ou a designação de vários concomitantes, esvazia o conteúdo teleológico da norma. Embora a ideia aparentemente afaste as dificuldades decorrentes da indicação de
187 Minam o bem jurídico Administração da Justiça. A ocultação da origem pode ser voltada para evitar o
descobrimento do delito prévio do delinquente ou para introduzir os bens na economia sem deixar rastros de sua procedência. No entanto, se colocada em conexão com a conduta posterior, regulada no mesmo número (realizada com o objetivo de ajudar os autores do crime antecedente a evitar as consequências jurídicas dos seus atos), concluímos que se destina a evitar a descoberta do crime e do delinquente. Obstaculiza-se o normal funcionamento da Administração da Justiça, no exercício do poder jurisdicional, ao impedir o acesso aos frutos do delito, seja como meio de prova ou confisco. Em última análise, as ações causam lesão contínua ao bem jurídico tutelado pelo crime antecedente, que, por sua vez, ataca a Administração da Justiça. O segundo grupo de condutas, isto é, a aquisição, posse, utilização, conversão ou transmissão de bens, sabendo que esses têm sua origem relacionada a uma atividade delitiva, não é, ao nosso juízo, um delito contra a Administração da Justiça. Com eles não se está evitando que a administração da justiça descubra alguns crimes que geraram benefício. Na realidade, se está tutelando a ordem socioeconômica (...). (Tradução livre). BLANCO CORDERO, Isidoro. El delito de blanqueo de capitales. 3. ed. Pamplona: Thomson Reuters Aranzadi, 2012. p. 213.
89 um bem exclusivamente protegido, é um ponto de fuga que enfraquece o instituto e não contribui para a orientação da aplicação da lei penal.188
Estabelecidas as principais correntes sobre qual é o bem jurídico penal tutelado, apresenta-se qual dos posicionamentos será utilizado como referencial dessa pesquisa.