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I. BÖLÜM

1. İ SLAM İ LAHIYATI

2.1. Hristiyanlık’ta Uluhiyet İnancı

Quando iniciados os movimentos internacionais que culminaram com a criminalização da lavagem de dinheiro oriundo do tráfico ilícito de entorpecentes a doutrina antilavagem apontava que o bem jurídico protegido era a saúde pública.159 Isso porque durante o

período que vigorou a legislação de primeira geração o único crime antecedente ao delito de lavagem era o tráfico de drogas. Como a saúde pública é indicada como bem jurídico violado no crime de comercialização de drogas ilícitas, a doutrina majoritária à época

158 GODOI, Antonio Januzzi Marchi de. Do bem jurídico-penal. 2006. Orientador: Luís Augusto Sanzo

Brodt. 256 f. Dissertação (Mestrado em Direito) – Faculdade de Direito, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006. p. 207.

159 Nesse sentido, conferir: CASTELLAR, João Carlos. Lavagem de dinheiro: a questão do bem jurídico.

79 indicava que a posterior lavagem dos produtos decorrentes do tráfico afetaria o mesmo bem tutelado.

BLANCO CORDERO leciona que os defensores dessa corrente, hoje minoritária, afirmam que a criminalização da lavagem de dinheiro seria um meio de reforçar a proteção

[...] de un bien jurídico previamente vulnerado por el delito de que proceden los bienes. La tipificacíon del blanqueo tendría así un fin preventivo general, en la medida en que pretende hacer desistir de su propósito al potencial delincuente al disminuir sus posibilidades de disfrutar del dinero de origen delictivo. La norma penal se aplica a quien blanquea dinero, pero en realidad va referida al autor del delito previo; se pretende la evitación del delito previo mediante la represión de comportamientos posteriores a éste. Se reduciría así el peligro de menoscabo del bien jurídico tutelado por la infracción previa. En definitiva, se trararía de incidir en la mente del potencial delincuente para infundirle la idea de que el delito «no compensa». Esta postura es objeto de una acertada crítica, pues se hace recaer una pena sobre un sujeto distinto de aquel cuyo comportamiento se pretende evitar, modo de proceder que es altamente discutible y que incluso puede ser contrario al principio de personalidad de las penas.160

Com a adoção de uma legislação de segunda geração, que previa um rol de crimes antecedentes, o tráfico de drogas deixou de ser o único crime que possibilitava o cometimento do crime de lavagem de dinheiro.

[...] Com isso, firmou-se a ideia de que o objeto de tutela normativa não se restringia a saúde pública, mas abarcava todos os bens jurídicos afetados pelos crimes anteriores à lavagem de dinheiro, como o

patrimônio, a administração pública, e outros. Assim, a lavagem de

valores obtidos com o tráfico de drogas afetaria a saúde pública, da mesma forma que a reciclagem de bens derivados da extorsão mediante

sequestro lesionaria a liberdade individual e o patrimônio.

Esse posicionamento doutrinário é o mais compatível com a previsão legal de um rol detalhado e fixo de delitos antecedentes à lavagem de

dinheiro. Se o bem jurídico protegido é aquele lesionado pelo crime

anterior, deverá o legislador se esforçar por indicar com precisão a lista

160 De um bem jurídico previamente violado pelo crime de que os bens são originários. A criminalização

da lavagem teria, dessa forma, uma finalidade de prevenção geral, na medida em que visa fazer o potencial delinquente desistir de seus propósitos ao diminuir as possibilidades de usufruir do dinheiro de origem ilícita. A norma penal é aplicada ao indivíduo que lava dinheiro, mas, em verdade, é destinada ao autor do crime antecedente; pretende-se evitar o cometimento do delito prévio mediante a repressão dos comportamentos posteriores. Dessa forma, se reduziria o risco de perigo ao bem jurídico tutelado pelo crime antecedente. Em suma, trata-se de incutir na mente do potencial delinquente a ideia de que o crime "não compensa". Esta posição é objeto de uma acertada crítica, pois faz recair uma pena sobre um sujeito distinto daquele cujo comportamento se pretende evitar, meio que é altamente questionável e pode até ser contrário ao princípio da pessoalidade das penas. (Tradução livre). BLANCO CORDERO, Isidoro. El delito de blanqueo de capitales. 3. ed. Pamplona: Thomson Reuters Aranzadi, 2012. p. 197.

80 de infrações passíveis de gerar produtos laváveis. A indicação genérica de qualquer crime como antecedente impossibilita a identificação dos

bens jurídicos afetados por estes e pela lavagem de dinheiro.161

Outra crítica recorrente à adoção do critério de proteção do bem jurídico lesionado no crime antecedente é a de impossibilidade de responsabilização para os casos de autolavagem (selflaudering).

Explicam BADARÓ e BOTTINI:

Nessas situações, será forçoso o reconhecimento da lavagem de

dinheiro como mero exaurimento do delito original, ou da absorção

desse por aquele, em progressão criminosa. A dupla incriminação afetaria a vedação do bis in idem, uma vez que puniria duas vezes o

mesmo agente, pela violação do mesmo bem jurídico.162

Por fim, a indicação do bem jurídico tutelado pelo tipo penal do crime antecedente deve ser rechaçada pela falta de proporcionalidade.

Conforme destacado por ARIAS HOLGUÍN, essa opção

[...] teminaría generando una respuesta punitiva desproporcionada porque supondría aceptar que con el tipo penal allí consagrado se tutelan todos los bienes jurídicos protegidos en tal estatuto; y, en consecuencia, se incluirían en su ámbito de protección, hechos

demasiado heterogéneos en cuanto a su lesividad.163

Conforme destacam BADARÓ e BOTTINI, “a proporcionalidade referente ao bem jurídico protegido pela norma é verificado na pena em abstrato”164, sendo impossível

solucionar a questão pela aplicação concreta da pena. Além disso, a aplicação de penas iguais diante dos diferentes graus de lesividade do crime antecedente – que podem variar

161 BADARÓ, Gustavo Henrique; BOTTINI, Pierpaolo Cruz. Lavagem de dinheiro: aspectos penais e

processuais penais: comentários à Lei 9.613 com as alterações da Lei 12.683/2012. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. p. 52.

162 BADARÓ, Gustavo Henrique; BOTTINI, Pierpaolo Cruz. Lavagem de dinheiro: aspectos penais e

processuais penais: comentários à Lei 9.613 com as alterações da Lei 12.683/2012. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. p. 54.

163 Terminaria provocando uma resposta punitiva desproporcional porque significaria aceitar que com o

tipo penal se tutelariam todos os bens jurídicos protegidos em lei; e em consequência, estariam inclusos no âmbito de proteção bens demasiadamente heterogêneos em termos de lesividade. (Tradução livre). ARIAS HOLGUÍN, Diana Patricia. Aspectos político-criminales y dogmáticos del tipo de comissión doloso de blanqueo de capitales (art. 301 CP). Madrid: Iustel, 2011. p. 199.

164 BADARÓ, Gustavo Henrique; BOTTINI, Pierpaolo Cruz. Lavagem de dinheiro: aspectos penais e

processuais penais: comentários à Lei 9.613 com as alterações da Lei 12.683/2012. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. p. 54.

81 de um furto simples a extorsão mediante sequestro – configuraria uma equiparação desproporcional, cominando penas iguais para a tutela de bens jurídicos penais distintos.