I. BÖLÜM
1. İ SLAM İ LAHIYATI
1.7. İslam İlahiyatındaki Belli Başlı İlimler
Em 1991, por meio do Decreto 154, o Brasil ratificou a Convenção de Viena. Contudo, somente em 1996, com a apresentação o Projeto de Lei 2.688, é que se buscou a regulamentação do pactuado.
Dois anos mais tarde, foi promulgado o primeiro instrumento normativo especificamente voltado ao enfrentamento penal da lavagem e dinheiro, a Lei 9.613/1998. Conforme destacado pelos ministros signatários da Exposição de Motivos nº 692, as primeiras legislações antilavagem – denominadas “legislação de primeira geração”135 – orientavam
para a criminalização da lavagem dos produtos oriundos da comercialização de drogas ilícitas.
15. As primeiras legislações a esse respeito, elaboradas na esteira da Convenção de Viena, circunscreviam o ilícito penal da "lavagem de
dinheiro" a bens, direitos e valores à conexão com o tráfico ilícito de
substâncias entorpecentes ou drogas afins. Gravitavam, assim, na órbita da "receptação" as condutas relativas a bens, direitos e valores originários de todos os demais ilícitos que não foram as espécies típicas ligadas ao narcotráfico. Essa orientação era compreensível, visto que os
134 Ver cap. 3, subitens 3.1 e 3.2.
135 Assim denominadas pois constituíram “as primeiras iniciativas no âmbito internacional para desenhar
um marco legal sobre a lavagem de dinheiro” BADARÓ, Gustavo Henrique; BOTTINI, Pierpaolo Cruz. Lavagem de dinheiro: aspectos penais e processuais penais: comentários à Lei 9.613 com as alterações da Lei 12.683/2012. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. p. 52.
70 traficantes eram os navegadores pioneiros nessas marés da delinqüência transnacional e os frutos de suas conquistas não poderiam ser
considerados como objeto da receptação convencional.136
A legislação brasileira ultrapassou o patamar mínimo estipulado na Convenção de Viena, pois, além do tráfico de entorpecentes, estipulou um rol de condutas antecedentes e criou mecanismos de prevenção e repressão às atividades tipificadas.
Dentre os meios de prevenção se destaca a criação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, previsto no art. 14 da Lei 9.613/98, com a incumbência de centralizar e processar as informações, visando identificar as operações suspeitas de atividades de lavagem de dinheiro, além de implementar mecanismos e desenvolver ações que dificultem o cometimento das atividades delituosas. Sua criação atendeu à Recomendação 29137 do GAFI, que dispõe sobre a criação das FIUs e credenciou o País a participar do
Grupo Egmont, já no ano posterior à promulgação da lei.
O caráter transnacional do delito de lavagem de dinheiro torna o plano legislativo especialmente propenso a assimilar alterações advindas de mecanismos internacionais de controle.
Nesse sentido, destaca DE CARLI138 a modificação decorrente da convenção sobre o
combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais, realizado pela OCDE em Paris (1997), promulgado no Brasil pelo Decreto 3.678/2000, que incluiu o inciso VIII no art. 1º da Lei 9.613/98, que prevê responsabilização criminal para
os crimes de lavagem “praticado por particular contra a administração pública estrangeira”.139
136 BRASIL. Exposição de Motivos n.º 692, de 18 de dezembro de 1996. Brasília: Ministério da Justiça,
1996.
137 Ou R 26, segundo a numeração original do GAFI. Atualmente a Recomendação possui a seguinte
redação: “Os países deveriam estabelecer uma unidade de inteligência financeira (UIF) que sirva como um centro nacional de recebimento e análise de: (a) comunicações de operações suspeitas; e (b) outras informações relevantes sobre lavagem de dinheiro, crimes antecedentes e financiamento do terrorismo, e de disseminação dos resultados de tal análise. A UIF deveria ser capaz de obter informações adicionais das entidades comunicantes e ter acesso rápido a informações financeiras, administrativas e de investigação que necessite para desempenhar suas funções adequadamente”.
138 DE CARLI, Carla Veríssimo. Lavagem de dinheiro: ideologia da criminalização e análise do discurso.
2. ed. Porto Alegre: Verbo Jurídico, 2012. p. 174.
139 BRASIL. Lei 9.613, de 03 de março de 1998. Dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de
bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos previstos nesta Lei; cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), e dá outras providências. Brasília, 1998. Art. 1º, VIII.
71 Em busca do aperfeiçoamento das técnicas de enfrentamento à lavagem de dinheiro como meio de reprimir de forma mais eficaz o crime organizado, o legislador empreendeu diversas outras reformas visando obter maior efetividade legislativa.
Acerca do tema, DE CARLI afirma:
Em 2003, novas alterações: a modificação da composição da COAF, com a inclusão da Controladoria-Geral da União, pela Lei nº 10.683/03. Com a Lei 10.701/03, operou-se a inclusão do crime de financiamento ao terrorismo no rol de antecedentes; a inclusão das pessoas físicas e jurídicas que comercializam bens de luxo e alto valor ou exercem atividades que movimentam grande volume de recursos entre os sujeitos obrigados do art. 9º; a criação do Cadastro Nacional de Correntistas, do Banco Central; a faculdade do COAF de requerer aos órgãos da Administração Pública as informações bancárias e
financeiras de pessoas envolvidas em atividades suspeitas.140
A reforma mais significativa ocorreu em 2012, com o advento da Lei 12.683, que alterou substancialmente o tratamento da questão no ordenamento jurídico brasileiro.
Por constituírem os principais instrumentos da política antilavagem brasileira, merecem destaque os aspectos mais importantes da Lei 9.613/98 e da Lei 12.683/12. A análise é necessária para identificar as hipóteses de incidência no tipo e, sobretudo, seus limites legais de responsabilização.
4.1.1 A Lei 9.613, de 1998
À época da publicação da exposição de motivos da Lei 9.613/98, o ministro Nelson Jobim salientou que a orientação da Convenção de Viena era no sentido de tipificar a lavagem dos valores provenientes do tráfico de drogas. Contudo, a exposição de motivos dispunha que, em momento posterior:
16. Adveio, então, uma legislação de segunda geração para ampliar as hipóteses dos ilícitos antecedentes e conexos, de que são exemplos as vigentes na Alemanha, na Espanha e em Portugal.
17. Outros sistemas, como o da Bélgica, França, Itália, México, Suíça e Estados Unidos da América do Norte, optaram por conectar a
"lavagem de dinheiro" a todo e qualquer ilícito precedente. A doutrina
140 DE CARLI, Carla Veríssimo. Lavagem de dinheiro: ideologia da criminalização e análise do discurso.
72 internacional considera a legislação desses países como de terceira geração.
18. A orientação do projeto perfila o penúltimo desses movimentos.141
Apesar de a Exposição de Motivos destacar que o projeto que deu origem à Lei 9.613, de 1998, apresentou um modelo legislativo de segunda geração, incluindo um rol dos crimes antecedentes e conexos à lavagem, a doutrina não era unânime quanto a esse aspecto.
Segundo KAI AMBOS, a solução adotada pelo legislador brasileiro possuía caráter intermediário:
Na aprovada Lei 9.613/1998, optou-se por estabelecer um catálogo que à primeira vista parece restritivo, porém, observando-se certos aspectos, constata-se a sua amplitude, posto que ao estabelecer como crime antecedente o praticado por organização criminosa, o legislador possibilitou que qualquer tipo de conduta criminosa que produza
dinheiro, que tenha sido efetivada e realizada por organização criminosa, conduza também ao crime de lavagem de dinheiro. Daí se
falar que o legislador optou por uma solução intermediária.142
Em que pese as críticas do autor, foi consolidado o entendimento de que se tratava de modelo legislativo de segunda geração. A referida lei elencava nos incisos I a VIII do art. 1º as hipóteses estabelecidas pelo legislador para caracterizar as condutas antecedentes à lavagem de dinheiro passiveis de punição. Como se tratava de rol exaustivo, não era admitida nenhuma outra hipótese de incidência no tipo, ressalvada a situação prevista no inciso VII, que trata dos crimes praticados por organização criminosa.
Em relação ao plano subjetivo, a redação do art. 1º, §2º, I, previa punição para a prática do crime de lavagem de dinheiro para aquele que utilizasse na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores que soubesse ser provenientes de qualquer dos crimes antecedentes. Portanto, a previsão legal de responsabilidade estava restrita apenas ao cometimento de ação com dolo direto, entendimento contestado a partir da promulgação da Lei 12.683/2012.
141 BRASIL. Exposição de Motivos n.º 692, de 18 de dezembro de 1996. Brasília, Ministério da Justiça,
1996.
142 AMBOS, Kai. Lavagem de dinheiro e direito penal. Tradução de Pablo Rodrigo Alflen da Silva. Porto
73 4.1.2 Lei 12.683, de 2012
Sob a justificativa de “tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro”143, a Lei 12.683, promulgada em 2012, alterou substancialmente o tratamento
legal da lavagem de dinheiro no Brasil.
As principais modificações foram: extinção do rol de crimes antecedentes, inclusão das contravenções penais como delito prévio ao crime de lavagem e a possível expansão do tipo penal, que passaria a punir a conduta criminosa praticada com dolo eventual.
A nova redação suprimiu os oito incisos e modificou a redação do art. 1º, a saber:
Art. 1º. Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.
A nova redação substituiu a expressão crime por infração penal. A modificação possibilita, em tese, criminalizar tanto a prática de condutas antecedentes classificadas tanto como crime quanto como contravenção penal.144
Além da maior abrangência em relação às hipóteses de incidência da lei, destaca-se a supressão da expressão que sabe, contida no art. 1º, §2º, I, da Lei 9.613/98.
A partir dessa alteração na redação, verificam-se duas opções de interpretação para o novo texto legal. Na primeira, há a manutenção da opção que criminaliza as condutas praticadas com dolo direto e veda a responsabilização por dolo eventual. Na segunda, altera-se o entendimento, expandindo o tipo penal e possibilitando a criminalização da conduta praticada mediante dolo eventual.
Para verificar de qual das hipóteses melhor se adequa ao contexto jurídico brasileiro, é necessário interpretar o texto legal e verificar qual das opções fornece mais segurança ao bem jurídico tutelado sem ferir direitos e garantias individuais. Para tanto, é necessário confrontar as teorias do bem jurídico tutelado no crime de lavagem de capitais e,
143 BRASIL. Lei 12.683, de 9 de julho de 2012. Preâmbulo. Altera a Lei no 9.613, de 3 de março de 1998,
para tornar mais eficiente a persecução penal dos crimes de lavagem de dinheiro. Brasília, 2012.
144 O Projet o de Lei 236/ 2012, que discut e a adoção de um novo Código Penal, t em incluído em seu
t ext o a previsão do crime de lavagem de dinheiro. A redação ret oma a limitação dada originalment e à mat éria, subst it uindo a expressão infração criminal por crime. (BRASIL. Projet o de Lei do Senado n.º 236/ 2012, de 09 de julho de 2012. Brasília: Senado Federal, 2012).
74 posteriormente, será preciso verificar se a interpretação expansiva do tipo fere direitos e garantias individuais.