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2.7. Kamuda Özdeğerlendirme ve Ortak Değerlendirme Çerçevesi ( ODÇ )

2.7.2. ODÇ’nin Ortaya Çıkışı ve Amaçları

A professora Laura, com menos de 35 anos de idade, solteira, também faz parte do grupo com menor experiência no magistério. Como Valter, ela fez sua licenciatura em Química em uma universidade pública federal. Na ocasião da entrevista, ela era professora contratada na rede estadual, atuando numa única escola, com menos de 18 aulas por semana. Laura possui outra atividade remunerada, de natureza pedagógica, dentro da própria rede estadual de educação. Sua renda familiar é superior a quatro salários mínimos por pessoa. Laura tem uma carga horária significativa em outros eventos de formação continuada, superior a duzentas horas e está entre os três professores que apresentam hábito de leitura mais intenso e regular. Seu pai cursou parte do Ensino Médio.

O discurso da professora Laura é marcado por uma forte aceitação da voz da inovação. A sua avaliação do Programa é bastante positiva e, a partir dele, um novo professor de Química vai se constituindo no discurso de Laura (conforme ela indica, literalmente, no turno 82). Diríamos que é a voz do professor prático reflexivo que está falando no seu discurso. Tal categoria, tão evidenciada atualmente na literatura educacional, reivindica a superação da posição passiva dos professores, onde figuram como objetos de estudos alheios ou como consumidores e executores passivos (pelo menos supostamente) de propostas alheias. De acordo com Laura, o novo professor produz material didático,

toma decisões quanto à priorização de conteúdos, permite aos seus alunos participarem da escolha de temas, não quer mais se limitar ao reducionismo imposto pela submissão do Ensino Médio aos exames vestibulares. Ele deve buscar a articulação do ensino de Química com a vida social de seus alunos e com as suas demandas.

82. Lau: Bom, ficou que, depois de ter participado do Programa, eu acho, aliás, eu tenho certeza que nunca mais eu voltei, nunca mais eu vou voltar a ser a mesma professora de antes quando eu tinha trabalhado sem ter conhecido nada a respeito da nova proposta. /.../ uma coisa é certa, nunca mais, não dá para voltar a ser o que era antes, sabe, de estar tentando preparar só pro vestibular, de estar só preso, não dá mais pra ser assim, sabe, porque por mais que a gente discutia isso na faculdade e tal, quando você enfrenta a realidade o papo é outro; ainda mais quando você vai pra uma escola que, por exemplo, tem um professor que está lá há mais tempo e que já trabalha assim, cê acaba, sabe, que ele é tido como bom, cê acaba embarcando mesmo e tal; então, depois do Programa eu acho que não vai dar pra ser assim mais. Eu acho que, eu vejo que, é como se eu tivesse criado uma identidade pra mim, sabe, algumas coisas ficaram claras pra mim que não dá mais pra fazer; e ficou a certeza de que a gente precisa estudar DEMAIS porque senão não dá conta de nada mesmo, sabe. Não é mais aquela coisa assim, eu vou trabalhar, por exemplo, tabela periódica, eu pego um monte de livros, estudo aquilo e vou com aquele tanto de informações e dou pros meninos, não é mais assim. /.../ (+) então ficou isso, ficou essa coisa de querer, eu produzir alguma coisa para trabalhar com os meninos. Não é mais aquela coisa prontinha. /.../

Na parte grifada aparecem duas vozes em situação de oposição: a voz do professor tradicional, que está lá na escola “há mais tempo e que já trabalha assim, /.../ ele é tido como bom, cê acaba embarcando mesmo e tal”, e, depois do Programa, a voz do novo professor, que se harmoniza com a voz da proposta de inovação.

Todo o conjunto de atributos que Laura associa à nova identidade do professor apóia-se na disponibilidade para o estudo e a reflexão: “quantas vezes eu pensava assim”, “ela (a proposta) abriu mais, e precisa ficar estudando mesmo”, “cê tem que estar discutindo muito”, “ficou a certeza que a gente precisa estudar demais”. A abertura de Laura à novidade fundamenta-se, ao que nos parece, na combinação dessa disponibilidade para o estudo e a reflexão com a sua condição de servidora da Secretaria de Estado da Educação, em função pedagógica fora da sala de aula. Essa disponibilidade, reforçada por sua posição atual no sistema de ensino, parece ser a expressão de um princípio que sustenta as concepções e ações de Laura.

De acordo com Laura, um dos pontos altos do programa foi a interlocução com outros professores do Ensino Médio e com aqueles da universidade. Ela expressa sua expectativa em relação a todos os sujeitos envolvidos, de que assumam uma postura de abertura ao diálogo e à mudança.

20. Lau: Do que eu mais gostei foi de estar encontrando e de estar discutindo a Química com outros professores e também de estar este vínculo com a universidade, com a faculdade, por que o que acontece? Quando você sai da faculdade, vai para a sala de aula, de repente você nunca mais volta nela, então às vezes você fica assim, será o que está acontecendo lá onde eu me formei, será o quê que está acontecendo na universidade tal, tal, tal? Então você vai perdendo um pouco isso, até por tempo e tal. Então o que eu mais gostei foi isso: de estar discutindo do ponto de vista dos professores juntamente com os professores da faculdade, até para ser uma mudança de todo mundo. Isso é o que eu mais gostei, poder encontrar. /.../

Fica aí uma ressalva importante, colocada por Laura, que projeta sobre os diversos sujeitos e grupos sociais envolvidos a responsabilidade por uma efetiva mudança na educação.

Como ocorre com Valter, uma parte da apresentação e da discussão do discurso da professora Laura encontra-se no item Uma “nova metodologia”, na seção 4.1.2.