2.7. Kamuda Özdeğerlendirme ve Ortak Değerlendirme Çerçevesi ( ODÇ )
2.7.4. Ülkemizde ODÇ
2.7.4.2. Çalışma ve Sosyal Güvenlik Bakanlığında ODÇ
A professora Dulce é casada, tem idade entre 40 e 50 anos e é um dos dois entrevistados com maior experiência no magistério. Como a maior parte dos professores, ela fez sua licenciatura em Química em faculdade particular. Ela é professora efetiva na rede estadual, possui dois cargos em uma única escola, totalizando 36 aulas por semana. Sua renda familiar é inferior a dois salários mínimos por pessoa. Dulce tem uma carga horária significativa em outros eventos de formação continuada, superior a duzentas horas, e participa do colegiado da escola.
Um estado de insatisfação, de incômodo com a prática tradicional, caracteriza a fertilidade do território encontrado em Dulce pela voz da inovação. A atenção dessa professora, ao longo de todo o seu discurso, dirige-se ao modo de ensinar Química. De acordo com Dulce, o programa lhe trouxe maior bagagem cultural, melhorou o seu conteúdo, seu “modo de ver as coisas”, de passar o conteúdo, de resolver exercícios e de trabalhar em grupo com outros professores.
4. Dul: /.../ muita coisa que eu pensava que tava certo, a maneira de pensar, (não que) a gente já / seja pioneira em querer mudar, porque muito tempo de magistério, então a gente tá sempre incomodado, sempre que / sempre achando que está faltando alguma coisa, um fio (+) arrebentado ali, arrebentado aqui, ali, então a gente tenta mudar todo ano, tenta melhorar um pouco, né? Então eu achei assim que, como questão pra mudança E::U particularmente mudei bastante. Entendeu? Se eu já tinha vontade, eu já tinha / fazia coisa diferente em sala de aula, eu achei que me sustentou bem aquilo ali porque eu vi ao vivo e a cores o quê que (+) tudo o que foi acontecendo ali e tal, (+) pra mim foi uma experiência maravilhosa. /.../
6. Dul: /.../ o professor Mauro tem uma visão muito boa também, sabe, de conduzir as coisas, eu achei que ele é muito competente e tal, o Cléber deu um suporte maravilhoso no laboratório. (+) Então, de modo geral, eu achei ótimo ali foram as experiências (+) mesmo (++) entendeu? Porque nem é tanto conteúdo, conteúdo você pega um livro, você pega a internet, você vai ler (+) e você vai se informar. Eu queria ver como é que ia passar isso daí. Então, nossa, teve experiências mesmo; nós registramos tudo! /.../
10. Dul: Então aí / eu acho que me acrescentou bastante, em termos de (+) cultura mesmo, cultura (+) melhor, né?, melhorou um pouco (+) meu conteúdo também, o modo de ver as coisas, até de resolver exercícios, entendeu?, trabalhar em grupo com colegas da da mesma área /.../
Durante toda a entrevista, Dulce situa-se com disposição para melhorar, como alguém que escolheu a profissão, que gosta do que faz. Ela apresenta um amplo conjunto de considerações acerca do ensino de Química e da sua prática. Um princípio de amor e dedicação à profissão, que propicia uma abertura constante às mudanças, parece sustentar o interesse por novas idéias e a convicção e o apreço em relação aos seus próprios acertos.
No turno 28, Dulce relata que havia um grupo de professores que ficava criticando o programa, considerando que o nível estava mais adequado para o ensino primário. Tal grupo representa a voz do alto nível, refratária a iniciativas inovadoras que proponham a quebra do conteúdo programático protocolado pela tradição (séria) da iniciação científica (para poucos). Dulce lança-se em defesa da voz da inovação, contra a atitude da voz do alto nível, presa a “conteúdos do arco da velha” (turno 102).
Dul: Eu não entendi como é que essas pessoas novas tem uma cabeça / tava com uma cabeça tão fechada. Por quê? Tudo que se propunha, achavam que era uma coisa de criança. Para eles é como se fosse pra dar aula pro primário. /.../ aí eu falei: ‘Oh, eu não sou fiscal de ninguém não, entendeu?, nem tô aqui pra defender o Mauro, eu não tô ganhando nada com isso,/.../ Eu tenho esse tanto de tempo de profissão (+), entendeu?, eu aqui aberta pras mudanças, e eu acho que tem que mudar. (+) Vocês estão novos aí, vocês estão achando ‘porque é muito fraco, que não sei o quê’. Falei com eles: ‘FRACO? Então os alunos / os alunos de vocês devem ser uns gênios, (+) então, uai.’ /.../
Dulce critica duramente as cabeças fechadas dos representantes da voz do alto nível mas pondera que também não se trata de pensar um ensino de baixo nível de dificuldade. Dessa forma, ela procura esvaziar a associação entre inovação e baixo nível.
/.../ Que isso? Não tem / não tem isso não. Não tem gênio não. Não quer dizer porque eles não sabem, eu vou ter que (+) eu vou ter que dar um mínimo também; não! Eu posso ir gradativamente, eu vou aumentando as dificuldades, eu vou eu vou / ‘porque é uma escola pública não pode ser uma escola de qualidade’, não é nada disso não./.../
No final do turno 28 e início do 30, a professora Dulce descreve um episódio no qual uma professora da equipe de orientadores teria dado uma lição no grupo do alto nível:
/.../ Então eu não sei se a Glória ficou meio (+) p. da vida, entre aspas, com alguns comentários, alguma coisa, né?, que tava assim, (+) então ela aproveitou e então ‘vamos ter uma coisa à altura’. Ela chamou a gente pro salão lá, com retroprojetor, foi passando, explicando, mandou borracha. Mandou borracha mesmo, explicou, deu um show lá, (+) mas assim, pra cientista da Nasa. Né? Eu não entendi bulufas, (+) tá? /.../
/.../ esse grupo especialmente, ele veio assim catando uma marra danada (+) mas ao mesmo tempo, assim, eu não sei se eles estavam fazendo isso de defesa, (+) entendeu?, (+) eles estavam se defendendo atacando. Então aí a Glória foi pra lá ((rindo)) e::: mandou borracha e::: eu achei ótimo. (E aí eles ficaram) / eles não entenderam nada, porque eles também não entendem não, eu sei que eles não entendem. /.../
Como vemos, Dulce considera que a voz do alto nível pode ter funcionado como mecanismo de defesa para o grupo, pouco disponível para trabalhar e repensar a própria prática pedagógica durante o desenvolvimento do programa.
4.1.1.9. Professora Denise: sentimento de inferioridade diante dos colegas bons de