2.7. Kamuda Özdeğerlendirme ve Ortak Değerlendirme Çerçevesi ( ODÇ )
2.7.4. Ülkemizde ODÇ
2.7.4.1. Başbakanlıkta ODÇ
A professora Flávia é casada, tem menos de 35 anos de idade e faz parte do grupo com menor experiência no magistério. Ela ainda não tem licenciatura plena em Química. Possui o diploma de Licenciatura Curta em Ciências, obtido em uma universidade pública federal. Ela é professora contratada na rede estadual e atua numa única escola,
onde dá 18 aulas por semana. Sua renda familiar é de cerca de dois salários mínimos por pessoa.
Na entrevista com a professora Flávia, como em outras, a relação entre teoria e prática é de oposição. Ainda que Flávia não defenda o completo abandono de aulas teóricas, é forte a predileção que ela manifesta em relação à “parte prática”. No turno 8, por exemplo, Flávia declara a dificuldade que teve no Programa quando temas de Química eram tratados no quadro negro; por outro lado, os módulos são identificados como de fácil compreensão, “bem práticos” e dirigidos à aplicação nas escolas.
8. Fla: /.../ teve uma parte também que foi a parte do quadro, né? Que foi a mais difícil pra mim, viu ((sorrindo)). /.../ Porque (às vezes) a gente não viu no curso de Ciências. E ele começou a explicar lá umas umas questões que ficou meio assim.
9. Mu: [ de Química mesmo? ]
10. difícil, é, pra gente. Até na época a gente comentou que teve uma coisa lá que a gente ficou assim voando, sabe. Foi difícil. Mas quando atingia bem o módulo, os módulos foram bem assim PRÁTICOS, bem legal de trabalhar (+) com aluno, bem fácil. A parte, assim, voltada pra pra nossa sala de aula foi foi fácil, de assimilar, de procurar levar pra sala de aula.
O teórico é difícil e desinteressante, ao contrário do prático. A voz dos alunos, pela expressão de seu interesse e satisfação, vem apoiar essa dicotomia colocada e recolocada pela professora Flávia. Vejamos o turno 20:
20. Fla: O que eu gostei mais e eu já tô até falando, né?, é a respeito da parte prática mesmo. Porque a gente vê muita teoria, pega o livro e é difícil ficar passando daquele jeito, né?, só do da(+) TEÓRICO. E a gente queria mesmo a parte prática. /.../ eu trabalhei com uma turma de Ciências, no ano passado, o ano inteiro, e eu sempre pegava um material alternativo, levava em caixinha de sapato mesmo, punha lá na mesa, montava com eles e eles, NOSSA, se interessavam muito mais do que ficar no quadro ou então falando. Eu (+) procurei fazer isso. Gostei, pela experiência que eu tive aqui e pude levar pra eles.
No discurso de Flávia, teórico parece significar aulas expositivas desinteressantes. Em nenhum momento ela explicita a articulação entre teoria e prática. Essas duas dimensões da Química e do seu ensino aparecem como vozes estanques, ou mesmo que se opõem continuamente.
Nos turnos 30,36 e 74, Flávia descreve as mudanças em seu modo de ensinar Química, decorrentes da participação no Programa. Além da realização de experimentos, a
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Chamamos de conteudismo, nos discursos e práticas de ensino de Química, a ênfase colocada nos conteúdos químicos em detrimento de dimensões pedagógicas e contextuais.
inovação é identificada com uma maior participação dos alunos e o envolvimento de questões e materiais do cotidiano.
29. Mu: Ok. E::, você diria que ficou alguma coisa do Programa na sua mente, no seu modo de pensar e no seu modo de trabalhar com o ensino de Química?
30. Fla: Ah, ficou, com certeza. Mudou MUI:::TO. Nossa, mudou mesmo. Agora quando eu preparo uma aula eu já penso numa maneira de preparar aquela aula pra ficar bem mais (+) interessante, mais leve, no sentido dele poder relacionar a matéria com a vida dele, porque a primeira coisa que eles perguntam: ‘pra quê que eu vou ver essa matéria?’ Então, a primeira coisa que me preocupa agora É mostrar pra eles porque que tá vendo aquilo. Cla- / à medida do possível, fazer uma prática. Quando não der, aí a gente procura uma outra maneira de (+), tipo assim, uma outra maneira de expor pra eles que eles precisam também saber sobre aquela determinada matéria, né?, relacionar com a vida deles.
A apropriação da voz da inovação por Flávia é regulada pelo princípio da motivação, do interesse dos alunos e de sua participação ativa. Nesse sentido, Flávia preocupa-se em explicitar-lhes as razões para o estudo de conteúdos químicos. A experimentação e a articulação com o cotidiano não aparecem, primeiramente, como atributos de uma nova concepção de ensino de Química; elas aparecem como meios de convencimento e motivação em um horizonte discursivo que se orienta pela voz dos alunos. É interessante observar que Flávia compartilha com Ana a ênfase no cotidiano, e com Elisa, a ênfase na experimentação, e articula essas duas ênfases em torno da motivação dos alunos. O aluno também é valorizado naquilo que já conhece previamente, como mostra a seqüência a seguir.
72. Fla: /.../ no ano passado, eu trabalhei muito em cima dos dos módulos, das experiências feitas aqui, do jeito de abordar a teoria, então eu achei que foi muito válido (+)o curso, e se pudesse, se puder, eu farei outro de novo. Farei ele novamente.
73. Mu: Ok. E::, essa coisa de ‘um jeito de tratar a teoria’, que jeito, como assim?
74. Fla: O jeito de abordar, né? Antes a gente já pegava lá a teoria e já jogava direto, sem aquele questionamento, entendeu? Eu aprendi assim: primeiro, buscar o questionamento, lançar alguma palavra no ar e pedir pra eles falarem tudo que eles (+) soubessem daquela palavra. ‘Solução’. Então, primeiro, (vocês só vão fazer aquilo), o quê que vocês acham sobre essa palavra. Aí tudo. Depois sim, passar um conceito, vamos dizer assim, né?, falar mais (+) SÉRIO sobre o assunto. Entendeu? Buscar mais questionamento.
Esse novo modo de trabalhar opõe-se a uma abordagem onde o conteúdo é jogado direto para os alunos, sem explorar suas concepções prévias. Segundo Flávia, na dinâmica da sala de aula, a voz dos alunos deve se fazer ouvir, ainda que a última palavra, aquela que fala mais sério sobre o assunto, venha do professor.
No laboratório: a última palavra também é dos alunos!
Quando interrogada sobre o que já estava presente em sua prática pedagógica antes da participação no programa, Flávia faz uma diferenciação entre o novo e o já vivido mais em termos de variedades de atividades experimentais do que de mudança de concepção. A concepção de laboratório como local de acontecimentos extraordinários, onde as aulas se identificam com espetáculos mágicos, explosões, tem seu espaço reafirmado pela voz dos alunos.
38. Fla: /.../ Algumas coisas eu já fazia. Pegava muita aula de laboratório e aí eu gostava de fazer sempre com eles. Mas muitas coisas não. Igualzinho, esse Programa a gente fez uma experiência de gases, obtenção de gases e aí o estudo dos gases. Foi MUITO diferente do que eu fazia antes, né? Nos estudos dos gases, aí a gente viu a diferença entre os gases porque a gente trabalhou hidrogênio, gás carbônico, gás oxigênio, então a gente trabalhou com eles com material alternativo, né?, (pozinho), igualzim, água oxigenada oxigenada, eles faziam, aí eles viram, assim, acharam super interessante. O HIDROGÊNIO ENTÃO, né?, quando faz assim, DÁ AQUELA EXPLOSÃO, eles adoraram. Essa parte aí, achei muito legal. Depois dessa aula, muitos alunos meus já (vieram): ‘vamos explodir lá de novo?’ ((Risos))
Flávia credita, mais uma vez, à voz dos alunos, a palavra final sobre o que é pertinente ou não no ensino da Química.